Alphega — Extra 13
CAPÍTULO 133
História Paralela 13
— O Kanghyeon… o seu pai, desde pequeno, se culpava até pelas menores coisas relacionadas à família.
Seongju se lembrou do pequeno Kanghyeon, que fora ainda mais maduro do que Haekang era agora.
Desde o momento em que nasceu, Kanghyeon teve de suportar todo tipo de pressão e expectativa como sucessor do Grupo Baekcheong. Vivera a vida sentindo-se constantemente culpado, até em relação aos três irmãos mais velhos, que ele poderia muito bem ter ignorado. O número de dias que ele passara se culpando, tratando até o que merecia por direito como um privilégio injusto, era algo que Seongju nem conseguia se forçar a contar.
— Ele sempre examinava o próprio comportamento primeiro, mesmo quando algo estava completamente fora do controle dele. Passava uma eternidade se angustiando sobre se tinha permissão para ficar com raiva, mesmo quando deveria. E sempre que algo acontecia ao redor dele, o primeiro pensamento era se, de alguma forma, ele tinha causado aquilo. …Ele não precisava guardar para si, mas ainda assim sorria e dizia que estava bem, e depois chorava sozinho.
Seongju, perdido em pensamentos sobre o passado, olhou para Haekang. Os ombros de Haekang, que estivera intensamente concentrado na história de Kanghyeon, se contraíram.
— Se ele te visse agora, pensaria assim de novo. Então, se você não quer que seu pai sofra em segredo, é melhor ser sincero.
No momento em que aquelas palavras saíram, o rosto de Haekang ficou complicado de um jeito adulto demais para uma criança de oito anos. Mas, mesmo assim, Seongju conseguia enxergar através dele.
Haekang pegou a colher de novo. Uma estranha determinação podia ser vista nele ao recomeçar a comer. O canto da boca de Seongju se ergueu levemente enquanto ele observava.
***
Toc, toc.
— Vou entrar.
Segurando um copo de água, Baek Seongju bateu de leve e só entrou depois que Kanghyeon disse que podia. No momento em que pôs os pés lá dentro, estreitou os olhos.
— Eu te disse para se deitar.
Ele dera instruções claras e até o vira se deitar antes de sair, mas Kanghyeon já estava sentado no sofá, revisando documentos. Aproximando-se de Kanghyeon, Seongju imediatamente tirou os papéis dele.
— Eu te dei isso como referência para a reunião de amanhã, não para você trabalhar quando deveria estar descansando.
— Eu sei.
Kanghyeon respondeu brevemente e baixou as mãos agora vazias com um sorriso amargo. Seongju falou como se já tivesse adivinhado exatamente no que Kanghyeon estivera pensando.
— Nada é melhor do que trabalho para clarear uma mente confusa, mas, quando você precisa descansar, é veneno. Principalmente durante a gravidez.
Kanghyeon ficou de boca fechada e baixou os olhos. Tinha sido completamente desmascarado; estivera olhando os documentos por hábito para acalmar a mente, que acumulava pensamentos confusos.
Seongju se inclinou e ergueu delicadamente o rosto de Kanghyeon. Quando chegara em casa, Kanghyeon estava pálido depois de vomitar, mas agora parecia um pouco melhor. Isso não significava que as sombras em seu rosto tivessem desaparecido.
— Beba isso primeiro.
Kanghyeon aceitou o copo que ele ofereceu. A água transparente tinha um leve aroma cítrico.
— Coloquei suco de limão e mel. É bom para enjoo.
Era um cuidado nascido da própria experiência de Seongju. Quando Kanghyeon estava grávido de Haekang, teve de esconder a gravidez no período do enjoo e, quando carregava Soyoon, não teve sintoma algum, então só agora Seongju podia oferecer esse tipo de cuidado.
Depois de cheirar mais uma vez, Kanghyeon agradeceu a Seongju e inclinou o copo. O aroma refrescante do limão e um toque de doçura se espalharam por sua boca sem nada de desagradável.
Achando que não poderia de jeito nenhum deixar sobrar nada do que Seongju se dera ao trabalho de preparar, Kanghyeon esvaziou o copo por completo. Só então Seongju tocou no assunto.
— É sobre o Haekang, não é?
‘Existe alguma coisa que você não saiba, hyung?’
Kanghyeon se pegou pensando isso sem perceber.
Soltando mais um sorriso amargo, Kanghyeon abriu a boca depois de alguma hesitação.
— Hyung, o que você fez quando seus filhos mentiram para você pela primeira vez?
Seongju era pai de duas crianças. Ambos agora eram um no ensino médio e outro no fundamental, então ele já devia ter passado por muitas coisas enquanto os criava.
— Eu achava que ele era sempre sincero, mas acontece que ele mente só para mim. Eu tento me aproximar, mas parece que ele não para de erguer um muro. Não importa o que eu pergunte, ele só diz que está bem…….
Enquanto listava as coisas pensando em Haekang, Kanghyeon soltou um suspiro frustrado.
— Não sei o que o Haekang está pensando. Por que ele está agindo assim?
A voz de Kanghyeon ficou ainda mais baixa. Seus sentimentos atribulados transbordavam claramente diante de Seongju.
— Será que eu fiz algo de errado com a criança sem nem perceber?
Logo, como Seongju esperava, Kanghyeon começou a se culpar. Em vez de achar aquilo frustrante, Seongju simplesmente sentiu pena do irmão caçula, que inevitavelmente crescera assim.
Em vez de oferecer uma resposta simples, Seongju acariciou a cabeça de Kanghyeon enquanto se lembrava de algo do passado.
— Você sabe quantos anos tinha quando contou sua primeira mentira?
Kanghyeon ergueu os olhos para Seongju sem responder. Vendo que Kanghyeon não conseguia se lembrar, Seongju sorriu em silêncio.
— Você tinha cinco anos.
Cinco. Mais novo ainda que Haekang.
— Naquela época, o Heewoo estragou o bonsai que o Pai tanto estimava, lembra? Ele achou que, se o podasse como as árvores do jardim, o Pai gostaria mais, então pegou a tesoura grande e acabou cortando quase metade da copa.
Quando a expressão de Kanghyeon mostrou que ele finalmente se lembrava, Seongju continuou.
— Ele estava chorando porque achou que seria mandado embora de novo, então você foi até o Pai segurando o bonsai estragado por ele.
— Eu me lembro.
Kanghyeon soltou uma risadinha, revivendo aquele tempo junto com Seongju.
— O Pai estava tremendo, mas se forçou a elogiar.
— Isso. Mas, se ele soubesse que tinha sido o Heewoo, ia ser um inferno. Não só o Heewoo, mas eu e o Seohun provavelmente teríamos sido expulsos de casa por dias.
Naquela época, Baek Jungman era realmente aterrorizante.
Era um tempo em que Baek Seongju, Baek Seohun e Baek Heewoo enfrentavam broncas severas pelo menor deslize, e Baek Kanghyeon não tinha escolha senão perceber, a cada dia mais, a realidade que lhe fora dada e o sofrimento dos irmãos. Talvez o hábito de autoculpa de Kanghyeon tivesse começado por essa época.
Seongju refletiu sobre aquele período de novo enquanto falava.
— Quanto mais vejo o Haekang, mais ele me lembra você. Talvez, do ponto de vista dele, ele tenha mentido por você.
— Não porque estava com medo de levar bronca?
Poderia ter sido uma mentira nascida do medo de castigo. Certamente não era uma coisa boa ter brigado com outra criança.
— Acho que não. Se fosse o caso, ele não teria mentido só para você.
Era verdade. Haekang só mentira para Kanghyeon. Era definitivamente algo que magoava, mas, por outro lado, se ele tivesse medo de levar bronca, também não teria confiado em Haeil. Talvez a criança tivesse um motivo pelo qual sentia que precisava agir daquele jeito de qualquer forma.
— Se você quer saber, pergunte a ele diretamente. Mesmo sendo pequeno, só ele conhece o próprio coração. Só ele pode te dar a resposta.
Seongju ofereceu mais um conselho a Kanghyeon, que mexia no copo transparente.
— E crianças não erguem muros contra os pais. Talvez nem saibam que o conceito de ‘muro’ existe.
Seongju sorriu de leve, lembrando-se dos anos de crescimento dos próprios filhos. Ele também já sentira que os filhos erguiam muros contra ele unilateralmente, mas agora sabia o quanto aquele pensamento estivera errado.
— São os pais que criam os muros. Eles só aparecem no momento em que os pais começam a pensar que existem muros com os filhos, se preocupando sozinhos e tirando as próprias conclusões.
Essa era a conclusão a que Seongju chegara ao criar os dois filhos. Também o lembrava da época em que o jovem Seongju não tivera escolha senão enfrentar os muros impenetráveis de Baek Jungman.
Depois de repetir as palavras de Seongju em sua mente várias vezes, Kanghyeon ainda parecia inseguro ao perguntar:
— Hyung, então… e quando ele fica dizendo que está bem?
— Você não sabe o motivo disso melhor do que ninguém?
Seongju devolveu a pergunta, o tom sugerindo que a resposta era óbvia. Havia muito ele entendera o que o “Estou bem” de Haekang para Kanghyeon realmente significava.
— É o seu próprio hábito, não é? Dizer ‘Estou bem’ não importa o que aconteça.
Era a segunda mentira de uma vida inteira de Kanghyeon, e uma que ele ainda dizia com frequência, mesmo agora.
— Essa provavelmente é a resposta para a sua pergunta.
Era Kanghyeon quem dissera interminavelmente aos irmãos mais velhos: “Estou bem”.
Só então um pouco de cor voltou ao seu rosto, e um pequeno sorriso se formou no canto de sua boca.
— Criar filhos é mesmo difícil.
— Claro que é. É assim para todo mundo.
Na mente de Seongju surgiram as imagens de seus pais biológicos, que o deixaram em frente ao orfanato segurando o recém-nascido Baek Seohun, seguidas das de seus pais adotivos, Baek Jungman e Lee Yerin.
— Para todo mundo, nascer como filho dos seus pais é a primeira vez. Mas, para os pais, tornar-se pai daquele filho também é a primeira vez.
‘Deve ter sido assim para eles também.’
— Como poderia ser fácil, se é a primeira vez para os dois lados?
Seongju, relembrando a solidão e a miséria que sentira na juventude, abraçou Kanghyeon com delicadeza. O motivo de ele ter conseguido suportar e se reerguer daquela época era, sem dúvida, graças ao querido irmão caçula agora à sua frente.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna