Alphega — Extra 12
CAPÍTULO 132
História Paralela 12
A chuva, que começara a cair fraca mais ou menos quando ele terminou a reunião, àquela altura se transformara num temporal, despejando um volume pesado de água. Foi mais ou menos nessa hora que veio a ligação de rotina de Kwon Haeil.
No início, começou com conversa casual, como “O enjoo não foi muito forte hoje?” ou “As crianças estão te dando trabalho?”.
Então a conversa fluiu naturalmente para o que as crianças tinham compartilhado com ele naquele dia. Nesse processo, Haeil perguntando “Então o Haekang fez as pazes com o amigo, né?” fez Kanghyeon parar.
Para fazer as pazes com alguém, primeiro era preciso ter brigado.
Mas Haekang nunca mencionara ter brigado com um amigo. Não dissera uma única coisa que pudesse ter dado a Kanghyeon a menor pista de preocupação.
[O Haekang não te contou?]
Ouvindo a voz de Haeil pelo telefone, Kanghyeon respondeu devagar, quase tropeçando nas palavras.
— Não, ele não disse nada…….
Sua boca ficou amarga como se ele tivesse engolido ervas amargas. Um choque considerável se seguiu, tanto que ele não conseguiu terminar a frase.
Por causa da reação dele, Haeil acabou se desculpando. Disse que ouvira de Haekang no dia anterior, mas estivera ocupado demais se preparando para a viagem de negócios para contar. Acrescentou que não tinha sido nada grave, então ele não deveria se preocupar. Fingindo estar bem, Kanghyeon disse que conversaria com Haekang pessoalmente.
[Baek Kanghyeon-ssi, só para você saber, o Haekang é uma criança que não quer ser desaprovada por você nem por um fio de cabelo. O mundo inteiro dele gira em torno de você. Só não se esqueça disso.]
Com essas palavras, Haeil encerrou a ligação.
Mesmo tendo ouvido as palavras reconfortantes de Haeil, não era algo que ele pudesse ignorar com facilidade.
Pela primeira vez, seu filho lhe escondera algo. Todos os dias, com aquele rostinho gentil e inocente, ele compartilhava conversas tão sinceras, e ainda assim mentira, dizendo: ‘Estou me dando bem com meus amigos’.
E, mais do que tudo, o fato de Haekang ter confessado tudo a Haeil, mas não a ele, era um choque. Se o menino tivesse escondido de ambos, ele não teria ficado tão abalado.
— Papaaai! Come com a Soyoon!
Kanghyeon, que estivera perdido em pensamentos sombrios com uma expressão fechada, finalmente voltou à realidade ao ouvir o chamado de Soyoon. Fingindo que nada estava errado, sorriu, pegou Soyoon no colo e saiu do quarto. No entanto, sua mente continuava cheia apenas da pergunta ‘por quê’.
Indo para a sala de jantar, viu a mesa coberta de pratos. Haekang já estava sentado em seu lugar, esperando em silêncio.
Kanghyeon olhou para o empregado doméstico de meia-idade que aguardava ali perto.
— Pode ir para casa por hoje. Obrigado pelo trabalho.
— Certo, senhor Baek.
O homem fez uma reverência diante das palavras de Kanghyeon e se retirou. Assim, só Kanghyeon e as duas crianças permaneceram na sala de jantar.
Depois de acomodar Soyoon em seu lugar e ocupar o seu na cabeceira da mesa, Kanghyeon observou Haekang em silêncio. Haekang, encontrando seu olhar, deu seu habitual sorriso puro e inocente.
Depois de um momento de hesitação, Kanghyeon pegou a colher primeiro. Só então Haekang, que esperava quieto, começou a refeição. Em contraste, Soyoon começou a comer assim que se sentou, antes de todos.
Mesmo comendo, a mente de Kanghyeon estava uma bagunça. Não sentia o gosto de nada da comida que começara a comer mecanicamente.
Kanghyeon, que apenas fingia comer, finalmente abriu a boca depois de muita deliberação.
— Haekang-ah.
— Sim, Pai.
Ele ficou momentaneamente sem palavras diante da resposta imediata de Haekang e do modo como ele o chamava. A distância trazida pela palavra ‘Pai’ era realmente imensa.
Olhando para Haekang, cujos olhos estavam bem abertos, focados em suas palavras, Kanghyeon trouxe o assunto com dificuldade.
— Você está se dando bem com seus amigos, né?
— Claro. Eu não brigo com ninguém.
Haekang respondeu com um sorriso radiante.
— Estou bem, Pai.
Aquelas palavras deram a Kanghyeon outro choque.
Ele pensara que talvez Haekang tivesse simplesmente esquecido de contar sobre o dia. Tinha esperado que ele só tivesse perdido o momento de mencionar ontem e hoje. Queria acreditar que o motivo de ele só ter contado a Haeil fosse simplesmente porque se lembrara na hora certa e não tinha esquecido.
Por isso ele trouxera de propósito o assunto das amizades, mas Haekang olhou bem nos seus olhos e mentiu com tanta facilidade. Que ele nunca… brigava.
‘Por quê?’
A mente de Kanghyeon mergulhou no caos mais uma vez.
‘Por que ele está mentindo só para mim?’
O olhar de Kanghyeon ao fitar Haekang estava tingido de confusão.
Ele sabia que crianças podiam mentir enquanto cresciam. Também sabia que, em momentos assim, era preciso disciplina.
Mas tudo, como o comportamento excessivamente educado de Haekang, o uso do formal ‘Pai’, que parecia além da idade dele, e a insistência em usar honoríficos só com Kanghyeon, parecia um muro espesso entre eles. Kanghyeon começou a se perguntar se aquele era o jeito de Haekang mostrar que queria se distanciar.
E o fato de a mentira ter sido seletiva o abalou ainda mais.
— Entendo.
No fim, Kanghyeon não conseguiu apontar a mentira de Haekang. Em vez de confrontar a criança, viu-se tentando adivinhar os motivos pelos quais Haekang poderia querer manter distância, refletindo se ele próprio tinha alguma culpa.
Foi bem nesse momento que uma onda súbita de enjoo o atingiu.
— Mmph!
A comida que ele acabara de engolir momentos antes de repente pareceu repugnante, como se estivesse entalada na garganta. Kanghyeon se levantou depressa e correu para o banheiro.
Fazia muito tempo que ele não vomitava em casa por causa do enjoo.
Desde que engravidara dos gêmeos, sofria de enjoos tão fortes quanto na gravidez de Haekang. Mas isso acontecia estritamente quando estava fora. Em casa, estranhamente, não tinha sintoma algum. Seu secretário, Jeong Wonwoo, percebendo isso, sugerira com veemência por um tempo que ele trabalhasse de casa e ajustara perfeitamente sua agenda externa, então a aparência de Kanghyeon melhorara muito nos últimos dias.
Por isso a onda repentina de enjoo em casa pegou até ele de surpresa.
Depois de vomitar tudo até o estômago arder, Kanghyeon abriu a porta do banheiro com o rosto pálido. Do lado de fora estavam um Haekang aflito e uma Soyoon chorosa.
— Pai, o senhor está bem?
— O papai vai morrer?! Buáááá…
Haekang expressava sua preocupação com seu jeito de falar ainda excessivamente formal, adulto, enquanto Soyoon perguntava sem rodeios se ele estava morrendo. Seus tons eram completamente opostos.
Sentindo-se culpado por assustar as crianças, Kanghyeon abraçou e afagou as duas.
— Não, o papai não vai morrer. Estou bem.
— Mas…! Mas o papai estava fazendo blé-blé!
— Hmm…, bem, sim, eu estava, mas agora estou bem.
Soyoon imitando o som dele vomitando era adorável, mas eles estavam tão abalados que ele não fazia ideia de como faria para terminarem de comer.
‘Se eu voltar para a mesa agora, só o cheiro já pode me fazer vomitar…….’
Se o empregado ainda estivesse ali, ele teria pedido que ficasse e ajudasse as crianças a comer.
Enquanto Kanghyeon tinha esses pensamentos, ouviu o som da campainha. Soltando as crianças aflitas, verificou quem era, e uma expressão de alívio se espalhou por seu rosto.
O visitante era ninguém menos que Baek Seongju.
***
Baek Seongju viera tanto para checar o trabalho quanto para ver como Kanghyeon estava e, assim que chegou, interveio para ajudar as crianças com a refeição.
Haekang comia com capricho, sem derrubar um único grão de arroz, mas Soyoon, de três anos, ainda precisava de alguém bem ao seu lado para guiá-la durante a refeição.
Depois de acomodar Kanghyeon no quarto e tomar seu lugar à mesa, Seongju ajudou Soyoon a comer sem um traço de constrangimento. Soyoon, que estivera abatida pensando em Kanghyeon, logo voltou a comer com uma expressão determinada e ria feliz com os elogios calmos de Seongju.
Por outro lado, Haekang logo começou a beliscar a comida, como se tivesse perdido o apetite. No fim, largou a colher antes de terminar sequer a metade.
— Você comia assim quando comia com o Kanghyeon?
— …Como?
Diante da pergunta de Seongju, Haekang, que estava prestes a recolher o resto da comida, parou de repente.
— Estou perguntando se você comia assim na frente do seu pai.
Haekang hesitou e então balançou a cabeça com força. Quando comia com Kanghyeon, terminava a tigela rapidamente, quase como se pudesse devorar tudo de uma vez. Sempre sentia que as refeições em casa eram muito mais gostosas do que qualquer coisa de fora.
Mesmo assim, não conseguiu responder de imediato, porque a expressão fria de Seongju o assustava um pouco.
— Não estou tentando te dar bronca.
Seongju limpou a sopa da boca de Soyoon com um lenço e continuou.
— Se você não quiser comer, não precisa. Você já tem idade para ter dias em que não sente vontade de comer.
Surpreendentemente, Seongju não insistiu na questão de comer. Não fez escândalo como Haeil, nem se afligiu de preocupação como Kanghyeon.
A declaração tranquila de Seongju na verdade permitiu que Haekang relaxasse um pouco.
— Mas, se o Kanghyeon vir o seu rosto agora, provavelmente vai começar a se autoculpar de novo.
O que ele disse em seguida incluía uma palavra difícil demais para uma criança de oito anos compreender.
Ainda confuso, Haekang perguntou com cuidado:
— Se autoculpar? O que isso quer dizer?
— Quer dizer pensar que tudo é culpa dele.
A tristeza leve e amarga nos olhos de Seongju era evidente enquanto ele explicava.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna