Alphega — Extra 11
CAPÍTULO 131
História Paralela 11
Aconteceu num dia de verão, quando começou a temporada de chuvas.
Kwon Haeil precisava ficar três dias fora de casa. Por causa de um trabalho relacionado ao clube dentro do Baekcheong Grand Palace, não tinha escolha senão viajar pessoalmente para Busan.
Na tarde do dia em que ele partira cedo, choramingando sobre o quanto não queria ir…
Kanghyeon estava trabalhando na sala de reuniões com sua equipe e secretários. Não vestia seu terno habitual, mas a camisa impecável e o suéter de tricô alinhado ainda transmitiam uma inegável autoridade e dignidade.
— O contrato com a Siyoung Trading pode ser entregue conforme finalizamos hoje.
— Certo, senhor. Se houver algum pedido adicional, reportarei imediatamente.
— Se eles voltarem com a mesma questão do orçamento de marketing, diga que só seguiremos com o que foi acordado previamente. Detesto sondagens desnecessárias.
— Presidente, o que faremos quanto ao plano de expansão de novos negócios em Busan? Recebemos várias propostas de pacotes de empresas parceiras desta vez. Se o senhor nos der uma direção, organizaremos tudo imediatamente.
— Vou confirmar isso diretamente com o CEO Kwon Haeil. Prepare tudo com antecedência para que possa ser revisado em sequência antes do retorno dele.
— Entendido.
Uma atmosfera tensa continuava enchendo a sala de reuniões.
A equipe e os secretários se moviam com precisão treinada, folheando documentos ou checando as telas dos notebooks. Kanghyeon lia os relatórios densos com olhos afiados, dando instruções de vez em quando e, ocasionalmente, discutindo assuntos a fundo com alguns assessores.
Naquele momento, Jeong Wonwoo, o secretário que estava de pé atrás dele, colocou silenciosamente um copo de água à sua frente. Kanghyeon o pegou, lançando-lhe um olhar de agradecimento sem palavras.
Wonwoo o observou beber. Aquela breve pausa para se hidratar era o único momento de descanso que ele se permitia e, por hábito, Kanghyeon passou a mão pela barriga escondida sob o tricô. Se não fosse por aquele gesto sutil, poderia se esquecer de que ele estava grávido, porque ele nunca permitia que o menor sinal de distração aparecesse enquanto trabalhava.
No entanto, para Wonwoo, que já estava ao lado de Kanghyeon havia oito anos, era impossível não se preocupar.
— Senhor, a reunião se estendeu muito mais do que o esperado. Que tal fazer uma pausa agora?
Pousando o copo pela metade, Kanghyeon balançou a cabeça.
— Estou bem. Ainda há relatórios que preciso revisar……..
Ia insistir quando seu olhar parou na porta. Não fazia ideia de quando ela tinha sido aberta, mas a porta da sala de reuniões agora estava entreaberta, só o bastante para a largura de duas pontas de dedo.
Pela fresta da porta, um par de olhos redondos pertencentes a alguém pequenininho espiava. A visão era mais adorável do que assustadora.
Então uma sombra caiu sobre quem espiava a sala. Quando o dono da sombra apareceu, ouviu-se um fraco e fofo “Kyaa…”, e os olhos na porta desapareceram.
Vendo aquilo, Kanghyeon riu baixinho e, a contragosto, decidiu dar ouvidos às palavras de Wonwoo.
— Por hoje é só.
No momento em que ele falou, a atmosfera rígida da sala se desfez de uma vez. Lembrando-se dos olhinhos que tinham passado pela fresta da porta, Wonwoo soltou um suspiro de alívio.
Assim que a equipe e os secretários saíram, uma cabecinha surgiu pela porta que Wonwoo deixara aberta de propósito. Era uma menina de três anos, com o cabelo trançado de um lado.
— Papai!
Sorrindo radiante, ela correu para dentro da sala e se jogou direto nos braços de Kanghyeon.
— Cheguei!
A segunda filha deles, Baek Soyoon, ria sem parar enquanto o cumprimentava com sua vozinha desajeitada. Kanghyeon sempre se perguntava o que a deixava tão feliz.
Ainda sentado, Kanghyeon a ergueu nos braços e acariciou sua cabeça com delicadeza.
— Foi bom o passeio?
— Uhum! A Soyoon veio rápido porque queria ver o papai!
— Muito bem. O papai também estava com saudade da Soyoon.
Uma atmosfera terna, completamente diferente da reunião de antes, encheu a sala. Kanghyeon não se importava com aquele clima que surgia naturalmente, graças à criança.
Enquanto fazia carinho na Soyoon que gritinhava, Kanghyeon estendeu a mão em direção à outra criança parada perto da porta.
— Por que você está aí parado, Haekang-ah?
Como Kanghyeon estendia a mão, Baek Haekang, de oito anos, se aproximou devagar, hesitante. Alto para a idade, Haekang segurou a mão dele como se fosse a coisa mais natural do mundo, embora seus olhos lançassem um olhar ressentido para Soyoon.
— Eu disse para a Baek Soyoon que ela não podia incomodar o Pai enquanto ele estava trabalhando…….
— Está tudo bem. Ela não estava me incomodando.
— Mas…
Os ombros de Haekang caíram, os olhos murchos. Ele devia achar que não tinha cuidado direito de Soyoon e acabara atrapalhando o trabalho de Kanghyeon.
— Eu tinha muita coisa para fazer e precisava muito de uma pausa, mas não conseguia fazer uma. Graças a vocês dois, pude descansar.
— …Sério?
— Claro.
Só então a expressão de Haekang relaxou. Só isso já fez seu rosto já bonito brilhar ainda mais lindamente. Os olhos sorridentes e os lábios suavemente erguidos lhe davam um ar estranhamente elegante para a idade.
— Mas, Haekang-ah.
Kanghyeon o olhou com uma expressão preocupada.
— Você poderia me chamar de “Painho” como antes… ou só de Papai, como faz com o papai Haeil? “Pai” soa formal demais.
— Não posso.
Haekang balançou a cabeça com seriedade.
— O vovô… não, o Avô me disse para chamar o senhor de Pai.
A voz de Haekang era bastante firme. Parecia que ele não tinha intenção de mudar de ideia tão cedo.
Para Kanghyeon, Haekang não estava fazendo nada de errado nem usando um termo desrespeitoso, então ele não podia repreendê-lo com firmeza.
‘O que exatamente meu pai disse a ele?’
Alguns dias antes, Baek Jungman e Lee Yerin tinham visitado a casa pela primeira vez em um bom tempo. Os dois, que tinham desfrutado de alguns meses agradáveis num resort no exterior, trouxeram uma pilha de presentes para parabenizar Kanghyeon pela gravidez de gêmeos. Alguns dos presentes recebidos naquele dia ainda continuavam fechados.
Como eles estavam colocando a conversa em dia com os netos, felizes, Kanghyeon não prestara muita atenção. Mas, no breve momento em que ele desviou o olhar, parecia que tinham conseguido incutir em Haekang uma etiqueta inesperada.
Baek Jungman era alguém que ficara radiante e fizera um enorme alvoroço ao saber que o primogênito de Kanghyeon, Baek Haekang, era um Alfa dominante. Ele se gabava com orgulho de que o menino era uma criança excepcional que lideraria o Grupo Baekcheong depois de Kanghyeon.
Embora tivesse se abrandado consideravelmente com a idade, tendo vivido metade da vida como um supremacista Alfa, aquela ideologia estava profundamente enraizada em sua mente. Parecia que ainda levaria mais tempo para ele abandoná-la por completo.
De qualquer forma, Baek Jungman, que esperava que Haekang liderasse o Grupo Baekcheong no futuro, de vez em quando dava ao menino conselhos ou admoestações além da sua idade. Por isso o fofo “Painho” mudara abruptamente para o formal “Pai” da noite para o dia, e o comportamento excessivamente comportado de Haekang também parecia ter sido influenciado por isso.
Embora fosse bom que Haekang estivesse ficando maduro e responsável como um irmão mais velho, também era verdade que a mudança repentina o fazia parecer um pouco distante. Não, mais do que qualquer coisa, um menino de oito anos chamando o pai de “Pai” era claramente um muro entre eles.
O próprio Kanghyeon chamava os pais de “Mãe” e “Pai” desde os três anos, mas não conseguia se acostumar com Haekang fazendo o mesmo.
Em momentos assim, sentia uma pontada de inveja de Haeil. Ele se dava tão bem, de forma tão vibrante, como um amigo, não só com Soyoon, mas com Haekang também. Não podia haver muro algum entre eles.
‘Talvez melhore um pouco com o tempo.’
Acariciando distraído a mão macia de Haekang, Kanghyeon por fim decidiu não ser impaciente. Imaginou que fosse só um capricho infantil, uma fase passageira de querer ser excessivamente educado. Nada mais tinha mudado, então ele só precisava esperar.
Kanghyeon fez Haekang se sentar ao seu lado e olhou com carinho para as duas crianças.
— Vocês dois vão contar ao papai como foi o dia de vocês hoje?
Como sempre, Kanghyeon ouviu com atenção, absorvendo cada detalhe do dia deles.
***
Ele acreditava que era incrivelmente importante saber o que as crianças viviam e como se comportavam em lugares fora de sua vista. Raciocinava que entender o que pensavam e sentiam no momento era essencial para conhecê-las de verdade, a fundo, e oferecer o apoio adequado para seu crescimento futuro.
Por isso ele reservava um tempo todos os dias para perguntar diretamente a elas sobre o dia. Nunca perdera um único momento, ouvindo com atenção o que era transmitido pelas vozes inocentes e claras que saíam da boca das crianças.
As crianças adoravam aquele momento em que podiam compartilhar suas histórias com sinceridade. Esforçavam-se para lhe contar todo tipo de coisa, querendo que ele soubesse um pouquinho mais sobre elas.
Mas nunca, nem uma única vez, passara pela cabeça de Kanghyeon que alguma parte daquelas histórias pudesse ser mentira.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna