Alphega — Extra 09
CAPÍTULO 129
História Paralela 9
Os feromônios avassaladores de Haeil se enrolavam no corpo de Kanghyeon como uma cobra envolvendo a presa. Por dentro e por fora, pressionavam cada brecha e transbordavam por ele sem restrição. O choque de feromônios Alfa só ficava mais áspero, mas Haeil não recuava nem um pouco.
Ele segurou Kanghyeon com força e mordeu sua nuca. Uma ardência aguda se espalhou da mordida, e um grito estrangulado escapou da garganta de Kanghyeon.
— Hngh…!
— Bom menino… só mais um pouquinho…. Você está bem, só aguenta….
Haeil lambeu o lugar que mordera e depois roçou os lábios pelo rosto de Kanghyeon, molhado de lágrimas, sussurrando para acalmá-lo. Era parecido com o modo como ele persuadia Haekang, mas também mais frenético, mais desesperado do que naquela ocasião.
Sua mão deslizou pela barriga de Kanghyeon, e Haeil se concentrou no que sentia com as pontas dos dedos. Junto com a ponta romba de seu pau empurrando a barriga de Kanghyeon por dentro, algo mais inchava e aumentava a pressão.
— Porra… isso é bom demais, vou perder a cabeça… porra…
Ele não parava de xingar, palavras que normalmente segurava por causa de Haekang. Uma satisfação avassaladora e uma onda vertiginosa de prazer derretiam cada canto da mente de Haeil.
Ele enterrou o nariz contra a marca de mordida vívida no pescoço de Kanghyeon. O leve aroma de romã que se agarrava a ele ainda era terrivelmente fraco, mas mais doce e mais rico que qualquer mel.
A essa altura, Kanghyeon começara a se ajustar ao nó. Ajustar era um modo generoso de dizer, porque sua borda e suas paredes internas ainda latejavam e sua barriga parecia insuportavelmente quente, dificultando até a respiração. E, apesar de todo o esforço que fazia para se preparar, os feromônios agressivos de Haeil eram tão fortes que a rejeição instintiva não parava de subir dentro dele.
Mas uma sensação mais profunda de plenitude veio sobre ele e dispersou aquela rejeição como fumaça.
‘Se eu acho isso doce também…. Isso me torna um Alfa ruim…?’
Mesmo naquele estado encharcado de Rut, em que Haeil se movia apenas por instinto, ele ainda o aceitava como parceiro e lhe dava o nó. Só isso já parecia adorável. O desejo feroz de ter um filho dele dava a Kanghyeon uma plenitude que ele nunca recebera de mais ninguém.
— Eu te amo…. Eu te amo de verdade, Baek Kanghyeon-ssi….
Haeil sussurrava confissão após confissão como se delirasse, e o calor em sua voz parecia desesperado o bastante para derreter Kanghyeon inteiro. Kanghyeon ainda lutava para respirar sob a pressão esmagadora do nó, então ergueu uma mão trêmula e deu tapinhas nas costas da mão de Haeil, que repousava em seu abdômen. Era seu “eu também” sem palavras.
Sentindo o calor do toque de Kanghyeon, tão parecido com o seu, Haeil segurou o maxilar dele e virou sua cabeça. Kanghyeon entreabriu os lábios por instinto, já entendendo o que Haeil queria. Haeil engoliu aquela boca aberta sem hesitar, compartilhando cada gota daquele calor pesado e derretido.
Mesmo depois disso, o nó de Haeil não terminou por muito, muito tempo.
***
O cio de Haeil passou da média habitual de três dias e se arrastou até o quarto dia. Os feromônios liberados pelo acelerador de Rut eram explosivos, como se estivessem esperando a chance de irromper.
— Ngh….
Kanghyeon tinha desmaiado por um momento e forçou os olhos a se abrirem quando sentiu o corpo se mexendo. As pálpebras pareciam mais pesadas do que nunca.
Sua visão continuou turva mesmo depois de acordar, e ele não conseguia distinguir nada. Se seu corpo mole e exausto não estivesse balançando, ele nem teria percebido que havia mais alguém ali.
‘Ele ainda está fazendo…?’
Kanghyeon não fazia ideia de quanto tempo tinha passado, então presumiu que o balanço significava que ainda estavam no meio do sexo.
A imagem de Haeil no cio de antes veio à mente, uma fera que não se importava com nada além de meter e despejar sua carga. Kanghyeon se perguntou se ele ainda estava preso naquele estado.
‘Eu devia ter amarrado ele.’
Ele recusara usar as tiras de couro e as algemas que Haeil trouxera, querendo aguentar com as próprias forças. A julgar pelo seu estado atual, concluiu que da próxima vez não deveria ser teimoso quanto a isso.
Piscou devagar, e a névoa à sua frente se dissipou pouco a pouco. Sensibilidade suficiente voltou aos braços para que ele finalmente conseguisse mexer os dedos.
— Você acordou?
O balanço parou, e a voz clara de Haeil chegou até ele. Só por aquele tom lúcido, Kanghyeon percebeu imediatamente que o cio tinha acabado.
Ele encarou sem expressão o rosto de Haeil à sua frente. Os olhos do homem, perto demais para ser confortável, estavam cheios de um calor espesso e doce.
Haeil depositou um beijo profundo no rosto de Kanghyeon. Não era nada ardente, apenas morno e fazendo cócegas, e ele espalhou aqueles beijos brincalhões por todas as bochechas e têmporas de Kanghyeon.
— Você deve estar cansado, né? Dorme mais.
Havia um traço de culpa na voz de Haeil que ele não conseguiu esconder.
Kanghyeon ia responder quando de repente notou que seu corpo ainda se mexia. À medida que sua mente clareava, a sensibilidade voltava aos poucos, e foi aí que ele percebeu que o balanço não tinha nada a ver com sexo.
Ele baixou o olhar. Sob o roupão macio, as mãos de Haeil pressionavam e massageavam diferentes partes de seu corpo.
— O que… você está fazendo…?
— Massagem. Você passou por muita coisa me aguentando durante aquilo, então eu deveria pelo menos fazer isso.
— Eu estou be…… ugh, cof…!
Ele tentou continuar falando, então explodiu numa tosse aguda, como se cacos de pedra arranhassem sua garganta. Não era à toa que sua voz estivera tão rachada.
Haeil o acalmou com tapinhas leves e levou aos seus lábios um copo de água fresca da mesinha de cabeceira. A água gelada aliviou sua garganta ao descer, e a dor que parecera aguda o bastante para fazê-lo cuspir sangue finalmente se acalmou.
Assim que Kanghyeon recuperou o fôlego, Haeil o observou com olhos amorosos e então o atacou com outra investida de beijos. Se fosse só nos lábios, ele até poderia ter tolerado, mas Haeil não parava de beijar por todo o seu rosto e até a cabeça. Era, sinceramente, irritante.
‘Faz cócegas…’
Mesmo sendo uma demonstração de afeto exagerada, Kanghyeon não o afastou. Era a mesma coisa que Haeil fazia sempre que Haekang parecia insuportavelmente fofo, então fazia Kanghyeon sentir estranhamente que tinha se transformado numa criança.
— Não está com fome? Quer que eu te faça um papazi… uma refeição? Talvez um mingau? Se quiser, posso te dar na boca.
Kanghyeon o encarou de volta. Haeil o observava com olhos brilhantes, ansiosos demais, e ainda assim suas mãos nunca paravam de massagear os músculos doloridos de Kanghyeon.
Kanghyeon ergueu uma mão fraca e acariciou a bochecha de Haeil. Sua aparência estava boa, e o calor sob a palma de Kanghyeon parecia na medida certa.
— Eu como depois. Mais importante, você está bem? Seu cio durou mais do que o esperado. Seu corpo está bem? E a sua cabeça?
Talvez casais realmente ficassem parecidos.
Ele estava disparando perguntas do mesmo jeito que Haeil fizera antes.
Haeil sorriu, parecendo completamente renovado, como se não lhe restasse um único grão de estresse.
— Estou perfeitamente bem. A dor de cabeça sumiu no momento em que o cio acabou.
— Você não está só fingindo que está bem de novo, né?
— Estou falando sério.
Só depois de ouvir aquela resposta firme Kanghyeon relaxou, os olhos se suavizando ao sorrir.
— Que bom.
‘Como alguém pode ficar tão bonito só por se sentir aliviado?’
Haeil não parava de pensar que deveria simplesmente agarrar Kanghyeon e devorá-lo de novo. Se não fosse pelo cansaço nas pálpebras inchadas e por aquela voz arranhada, talvez já o tivesse prendido na cama e tomado cada centímetro dele outra vez.
— …Me desculpe.
Os olhos de Kanghyeon foram escurecendo pouco a pouco, e o sorriso em seus lábios se desfez.
— Você devia estar sofrendo tanto, e eu nem percebi.
Ele ainda pensava nas dores de cabeça de Haeil. Sabia melhor do que ninguém como era se sentir obrigado a esconder a dor, então não conseguia simplesmente deixar isso de lado agora, mesmo depois de passar todo o cio juntos. A parte de baixo de seu abdômen, que já não doía, parecia latejar levemente em solidariedade.
— Vamos parar de falar disso. Eu já disse que a culpa foi minha, então por que é você quem está se desculpando, Baek Kanghyeon-ssi?
Haeil não teve escolha senão refletir sobre aquilo de novo. Escondera a dor porque não queria preocupá-lo, mas isso só fizera Kanghyeon se culpar ainda mais. Não importava o motivo, fazer Baek Kanghyeon se preocupar e se sentir culpado era algo para o qual ele não tinha desculpa, nem que morresse no meio do caminho.
Haeil acariciou o cabelo de Kanghyeon com delicadeza, a expressão uma mistura de remorso e determinação.
— De agora em diante, não vou esconder nada. Vou te contar mesmo que você me mande não dizer.
— …Sim. Eu vou fazer o mesmo.
— Ótimo, ótimo.
Quando ele sorriu, Kanghyeon finalmente deixou escapar um sorriso suave também.
— E de agora em diante, vou cuidar melhor de tudo. De você, Kwon Haeil-ssi, e do Haekang também.
— Você já faz bastante. Só se concentre no seu trabalho.
— Não, não posso fazer isso.
Kanghyeon tinha percebido muita coisa dessa vez. Não podia viver como se ainda estivesse sozinho, despejando tudo no trabalho e em nada mais.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna