Alphega — Extra 02
CAPÍTULO 122
História Paralela 2
Assustado, Haeil pegou Haekang nos braços depressa e saiu do quarto sem fazer barulho.
Levou o bebê, que ainda estava tomando fôlego, direto para o escritório. Ficava longe o bastante do quarto e era bem isolado acusticamente, de modo que nem uma birra considerável chegaria a Kanghyeon.
Depois de acomodar Haekang na poltrona, Haeil pegou o chocalho colorido reserva na prateleira e se ajoelhou diante dele. Só queria ficar na altura dos olhos do bebê, mas a pose acabou parecendo suspeitamente uma súplica.
Começou a sacudir o chocalho colorido, em formato de pandeirinho, e falou com uma expressão estranhamente séria.
— Haekang-ah. Baek Haekang. Meu filho amado. O papai te ama pra caral…… não, te ama incrivelmente. Mas isso já é demais, sabia?
Ainda preso em algum lugar entre o choramingo e o choro, Haekang aos poucos foi ficando hipnotizado pelo som vivo e pelo sacudir frenético do chocalho.
— Eu entendo. Baek Kanghyeon-ssi é incrivelmente bonito e tem um talento natural para encantar as pessoas. Isso eu admito. Mas, se você continuar grudado nele desse jeito, ele vai se esforçar demais de novo. Não que já não esteja…….
Sem saber se o bebê entendia uma única palavra, Haeil soltou um longo suspiro enquanto o olhava.
Baek Kanghyeon dera à luz Haekang pouco depois de assumir a presidência do Grupo Baekcheong. Deveria ter pegado leve para a recuperação pós-parto, mas confiou um pouco demais em sua constituição de Alfa e voltou ao trabalho quase imediatamente.
Ele sabia que tinha acontecido justo quando o grupo passava por uma grande reestruturação após receber um novo presidente. Era uma situação em que ele não devia e não podia tirar uma licença prolongada. Mostrar qualquer fraqueza logo depois de assumir o cargo só atrairia inimigos que ele antes não tinha.
Por isso Haeil não podia simplesmente lhe dizer para seguir o manual e descansar. Mesmo que a gravidez, o parto e as responsabilidades esmagadoras de um presidente recém-nomeado significassem que nunca sequer sonharam com uma lua de mel e que quase todo fim de semana fosse sacrificado, ele ainda não conseguia pronunciar a palavra “férias”.
No mínimo, queria que Kanghyeon tivesse o pequeno e merecido luxo de relaxar em casa.
Mas o pequeno filho deles se comportava como um aluno do primário que vive cutucando alguém de quem gosta só para chamar atenção. Queria desesperadamente a atenção de Kanghyeon voltada para ele o tempo todo e acabava atormentando o homem sem querer.
— Quero que Baek Kanghyeon-ssi consiga descansar em paz quando está em casa. Ele fez o pré-natal cercado de pilhas de papelada e, mesmo depois de ter você, não teve trégua. Se você está tão desesperado por atenção, me incomode no lugar dele. A mim.
Haeil não tentou esconder o tom resmungão. Mesmo assim, deu uma sacudida experiente com o pulso no chocalho, produzindo um som estranhamente ritmado, e usou a outra mão para ajeitar almofadas ao redor de Haekang para que ele não tombasse. Graças a isso, o bebê ficou sentado quietinho, sem muita manha.
Enquanto observava, Haeil se pegou desejando que Haekang se comportasse assim mesmo quando Kanghyeon estivesse acordado.
— Você não ia gostar se o papai Kanghyeon ficasse doente e não pudesse mais te dar tapinhas, né?
Focado inteiramente no chocalho, Haekang de repente piscou bem os olhos ao ouvir as palavras “papai Kanghyeon”. Só isso já provava que nem mesmo um brinquedo colorido conseguia competir com o encanto de Baek Kanghyeon.
Sentindo-se estranhamente ofendido com aquilo, Haeil parou de sacudir o chocalho e falou como se implorasse.
— Então, por favor, se comporte e deixe o seu papai Kanghyeon descansar um pouco.
Então estreitou os olhos numa curva travessa.
— E se por acaso você ouvir algum barulho safado mais tarde, finja que não ouviu nada…….
— O que exatamente você está dizendo para o nosso filho?
Assustado, Haeil virou a cabeça bruscamente em direção à voz. Encostado no batente da porta, que devia ter se aberto sem que ele percebesse, estava Baek Kanghyeon. Parecia estar ali havia algum tempo. Haeil, absorto demais em sacudir o chocalho, não ouvira a porta.
Atrapalhado, levantou-se tão rápido que as pernas formigaram por ter ficado ajoelhado. O constrangimento ofuscava todo o resto.
— Por que você está acordado? Eu te acordei?
— Não. Só não consegui voltar a dormir, então saí.
Kanghyeon respondeu com calma, mas sua voz continuava encharcada de exaustão.
‘Mentira. Não conseguiu voltar a dormir?’
Mesmo agora, seu rosto parecia tão exausto que ele poderia cair no sono no instante em que a cabeça tocasse o travesseiro, e ainda assim ele mentia.
No segundo em que Haekang avistou Kanghyeon, se torceu em direção à porta e tombou para a frente sobre as almofadas, os bracinhos gordinhos se agitando naquela direção.
— Aauu, aa…
Haeil ergueu o bebê desesperado nos braços. Haekang agiu como se o pai que o segurava nem existisse; só tinha olhos para Kanghyeon.
— Volte para a cama e se force a dormir. Deixe Haekang comigo.
— Eu estou bem.
Kanghyeon se aproximou e tirou Haekang dele. Aninhado com segurança naqueles braços firmes, o bebê agarrou os ombros de Kanghyeon com uma firmeza surpreendente.
Kanghyeon encontrou o olhar do filho e sorriu com ternura.
— Não consegue dormir? Quer brincar com o papai?
— Kyaaa…!
Como se respondesse à pergunta de Kanghyeon, Haekang abriu um sorriso largo e soltou um somzinho doce. Ao ouvi-lo, desabrochou no rosto de Kanghyeon uma expressão que ninguém conseguiria deixar de amar.
Era uma cena comovente, mas Haeil não podia simplesmente ficar ali derretido.
— Me dá o Haekang e me escuta pelo menos uma vez.
Falou com firmeza, o tom carregado de preocupação, e estendeu as mãos para pegar o bebê. Mas Kanghyeon virou o corpo para impedi-lo e balançou a cabeça.
— Eu sou tão pai quanto você. Não quero deixar tudo nas suas costas, Kwon Haeil-ssi.
— Eu já disse, não é difícil para mim.
Do ponto de vista de Haeil, aquilo era pura frustração.
Aquela era a hora em que Baek Kanghyeon deveria estar dormindo profundamente, enquanto ele próprio estava naquela parte da noite em que, mesmo que quisesse dormir, o corpo simplesmente não conseguia. Se Kanghyeon gastasse seu precioso tempo de descanso lutando para cuidar do bebê, quando iria relaxar, e quanto sono teria de fato?
Mais do que isso, a diferença entre os cuidados de dia e de noite era como água e vinho.
— Ele é muito quietinho durante o dia. Brinca sozinho como um campeão. Olha a minha pele, está toda viçosa. Durmo bem porque ele mal faz barulho durante o dia.
Era verdade. Desde que Haekang nascera, a pele de Haeil vinha melhorando dia após dia. Estava tão macia e lisa que era quase suculenta.
Mas, mesmo depois de ouvir tudo aquilo, Kanghyeon continuou balançando a cabeça com teimosia.
— Mas, por favor, me deixe fazer isso mesmo assim.
Sua voz ficou levemente amarga.
— Isso é a única coisa que eu posso fazer. Nós o fizemos juntos, mas eu deixo quase tudo com você e mal passo tempo com ele por causa do trabalho.
Diante daquelas palavras, Haeil soltou uma risadinha incrédula sem nem perceber.
Para alguém que se matava de trabalhar, usar a expressão “por causa do trabalho” soava quase absurdo.
Enquanto Haeil ficava ali atônito, Kanghyeon se sentia sinceramente culpado por despejar a maior parte dos cuidados com o filho sobre ele.
Toda vez que Haekang fazia manha, Kanghyeon se lembrava de como devia ser exaustivo para Haeil cuidar do filho sozinho da manhã até tarde da noite. Haeil sempre garantia que Kanghyeon pudesse descansar, mas Kanghyeon não lhe dava nada em troca, escondendo-se atrás da agenda cheia. Saber que Haeil cobria até as horas em que ele próprio deveria estar dormindo só aprofundava a culpa.
Quando ele baixou os olhos, sombras turvando-os, algo macio roçou sua bochecha. Haekang tinha erguido a mãozinha e lhe dado tapinhas delicados, sorrindo como um anjinho. Só isso bastou para lavar todo vestígio de cansaço, e Kanghyeon não conseguiu evitar sorrir de volta.
— E quando meu próprio filho me ama tanto assim, o que é um pouco de sono perdido?
Ele deu um beijo carinhoso na testa de Haekang. O toque deve ter agradado o bebê, porque ele riu de novo e mexeu a boca em movimentinhos.
— Pa…. Pa…
— Sim, o papai está aqui.
Haekang provavelmente não sabia o significado e não estava tentando dizer de propósito, mas aquelas sílabas desajeitadas escapavam de novo e de novo. Para Kanghyeon, eram a música mais doce do mundo.
Ele apoiou a testa delicadamente na do filho e fechou os olhos. O rosto que momentos antes carregava apenas exaustão pesada agora brilhava de vida.
— O papai está aqui, meu pequeno milagre.
Murmurando o nome pré-natal do bebê, saboreando toda a esperança e o afeto contidos nele, Kanghyeon parecia tão cheio de ternura que Haeil não conseguiu mais discutir.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna