Alphega — Extra 01
CAPÍTULO 121
História Paralela 1
Havia algumas coisas que ele aprendeu enquanto criava o recém-nascido Baek Haekang.
— Auuu….
Quando Haekang de repente soltava aquele choro longo, parecido com um uivo, quase sempre significava uma de três coisas: “Fiz cocô, vem me limpar”, “Estou ficando com fome, me dá a mamadeira agora” ou “Estou com sono, me dá tapinhas logo”.
Então, sempre que Kwon Haeil ouvia aquele choramingo prolongado, verificava primeiro a fralda. Se ainda estivesse fofa e limpa, ia direto para a cozinha preparar uma mamadeira, e se Haekang não demonstrasse interesse em mamar, ele o pegava no colo e o acalmava com delicadeza.
Para Haeil, trocar fraldas ou dar mamadeira não era nada difícil.
Ao trocar fraldas, o cheiro úmido de xixi sempre se espalhava, e o peso era inconfundivelmente pesado e quente, mas, por ser seu próprio filho, ele só achava aquilo adorável.
Sempre que preparava o leite para a mamadeira de Haekang, ele exibia uma expressão concentrada. Para ele, a proporção da fórmula e a temperatura eram o que mais importava, então não podia permitir nem um único miligrama ou um único grau de erro.
Quando finalmente colocava aquela mamadeira morna, feita com tanto cuidado, na boca de Haekang, os olhos redondos do bebê se enrugavam num sorrisinho satisfeito. Como aqueles olhos lembravam Baek Kanghyeon com tanta clareza, a visão sempre fazia o peito de Haeil disparar.
O problema era quando não se tratava nem de fome nem de fralda suja.
— Auuu…!
A fralda estava perfeitamente seca, e Haekang recusava a mamadeira com uma virada teimosa da cabeça. Só restava o sono, mas não importava quanto Haeil o embalasse e lhe desse tapinhas, o choramingo continuava.
Logo os olhos de Haekang ficaram úmidos, e sua boquinha se contorceu.
— Me dá ele.
Haeil, que tentava acalmar o bebê com o rosto cansado, estremeceu com a voz repentina. Virou-se e viu Baek Kanghyeon saindo do quarto, com aparência exausta.
Achando que tinha acordado Kanghyeon por não conseguir acalmar o bebê a tempo, Haeil balançou a cabeça depressa.
— Está tudo bem, volte a dormir. São só três da manhã.
Três da manhã era quando Haeil, cujo dia e noite eram invertidos, se sentia mais desperto, mas Kanghyeon deveria estar em sono profundo. Acordar depois de um descanso tão curto o deixaria acabado quando o sol nascesse.
Haeil queria que ele voltasse para a cama, mas Kanghyeon simplesmente deu um passo à frente e tirou Haekang de seus braços.
— Vamos dormir juntos enquanto eu faço ele dormir. Não se preocupe.
A voz de Kanghyeon estava baixa e áspera de quem acabou de acordar, um timbre levemente rouco que, em segredo, fez um arrepio agradável percorrer Haeil.
Kanghyeon aninhou Haekang exatamente do jeito que Haeil o segurava.
— Pare de atormentar o papai Haeil e vá dormir direitinho, está bem?
Qualquer que fosse a diferença, o bebê que não parava de manha nos braços de Haeil se aquietou na mesma hora. O som suave e ritmado de Kanghyeon dando tapinhas em suas costas encheu o cômodo.
Observando aquilo, Haeil estreitou os olhos para o bebê, que de repente se comportava tão bem.
‘Puxou a quem, esse pestinha, para ser tão espertinho desde já?’
Haekang quase nunca fazia birra. Mais precisamente, ele raramente fazia manha.
Fora aqueles uivos longos que sinalizavam desconforto básico, fome ou sono, ele se contentava em ficar deitado olhando distraído para o móbile ou para os brinquedos.
Às vezes fazia sons aleatórios, apenas experimentando como soava a própria voz e até onde ela chegava. Outras vezes, ouvia passos, olhava direto para o pai que chegava com aqueles olhos grandes e redondos e, de repente, caía numa risada radiante.
Era naturalmente calmo e meigo, cheio de curiosidade, mas tranquilo. Expressava suas necessidades com clareza por instinto, mas também gostava de provocar os pais e observar as reações deles.
A cada dia que passava, Haeil não sentia nada além de gratidão e alívio em relação a Haekang. Ao contrário de todas as histórias de terror que ouvira, o filho deles era realmente um anjo que quase nunca tornava a criação difícil.
Mas, em algum momento, aquele bebê doce se tornou bastante espertinho.
Quando eram só os dois, Haekang ainda adormecia fácil nos braços de Haeil quando estava sonolento. Alguns tapinhas no peito bastavam para fazê-lo dormir.
Mas, assim que a noite caía, ele começava a fazer barulho sem motivo algum além de chamar atenção. Quando estava com sono, nenhum embalo ou carinho de Haeil funcionava. Foi mais ou menos nessa época que Haeil percebeu que aqueles “pesadelos da criação de filhos” de que ouvira falar eram muito reais.
Ele estava considerando seriamente levar Haekang ao hospital quando enfim descobriu o padrão.
Havia um momento bem específico em que Haekang ficava tagarela e manhoso.
Era sempre que Baek Kanghyeon estava em casa.
‘Um bebê que mal viu seis meses de sol já está escolhendo favorito.’
Haeil soltou um suspiro que ninguém ouviu e encarou o filho.
Desde o momento em que Kanghyeon entrava em casa depois do trabalho, o comportamento de Haekang mudava instantaneamente. Normalmente, ele ficava quieto e calmo, com ou sem Haeil por perto, mas, assim que avistava o rosto de Kanghyeon, perdia o interesse por todo o resto e só o seguia com os olhos. Se ficava um tempo sem vê-lo, fazia barulhos para chamá-lo. Às vezes chorava sem motivo e, assim como agora, quando estava com sono, fazia manha de propósito até acabar nos braços de Kanghyeon.
Parecia que sua curiosidade transbordante pelo outro pai o fazia desejar ainda mais a atenção dele.
‘Ter Baek Kanghyeon-ssi como único favorito deveria ser trabalho meu. Puxou a quem, afinal…… espera, a mim?!’
Haeil fuzilou Haekang com olhos ciumentos e depois pigarreou, sem graça, quando a percepção o atingiu.
‘Isso não pode continuar assim.’
Haeil começava a se preocupar de verdade.
Se Haekang preferia Kanghyeon ou não, não era a questão. O problema era que a manha noturna não tinha fim à vista. Kanghyeon já trabalhava sem parar; voltar para casa e encontrar um filho exigindo atenção a toda hora fazia sua aparência piorar dia após dia.
‘Quero que ele ao menos descanse direito em casa.’
No momento, Haeil estava de licença parental, tendo passado a maior parte das responsabilidades do clube ao gerente Park. Quando algo realmente crítico acontecia, não tinha escolha a não ser sair rapidamente, mas nessas ocasiões Baek Heewoo, que recentemente se mudara para a casa ao lado, cuidava de Haekang por um tempo.
Graças a isso, Haeil nunca achara particularmente difícil cuidar de seu bebê notavelmente calmo. Até gostava, de certa forma. Pelo menos, era assim que as coisas estavam por enquanto.
Mas, no momento em que Kanghyeon chegava em casa, o nível de dificuldade subia na hora. Haeil não se importaria de carregar o fardo extra sozinho, mas ver a culpa cintilar nos olhos de Kanghyeon era o que doía.
— Eu cuido dele. Você deve estar cansado de cuidar dele o dia todo, então descanse enquanto pode.
Toda noite, ao chegar em casa, Kanghyeon cuidava de Haekang até ele adormecer. Talvez se sentisse mal por Haeil ter ficado sozinho com o bebê o tempo todo enquanto ele estava fora, porque nunca aceitava ajuda.
E toda vez Haeil ficava inquieto. Não queria nada além de deixar Kanghyeon descansar, mas Kanghyeon traçava uma linha firme, como se dissesse que cuidar do bebê depois do trabalho era território dele, sem deixar a Haeil outra escolha a não ser recuar e observar de longe.
‘Nem eu consigo vencer a teimosia de Baek Kanghyeon-ssi.’
Mesmo agora, Kanghyeon insistia em fazer o bebê dormir sozinho. O cansaço pendurado sob seus olhos baixos fazia qualquer um que o visse sentir uma dor profunda.
Mais uma vez naquela noite, Baek Kanghyeon enfrentou a criação no modo difícil sozinho enquanto carregava Haekang, que dormia em paz, para o quarto. Haeil observou suas costas se afastando, os olhos transbordando de uma tristeza impotente.
***
Kanghyeon só conseguiu cair em sono profundo depois de embalar um Haekang meio acordado até passadas as quatro da manhã.
Mas não demorou para Haekang acordar de novo.
— Uu….
Haekang franziu o rostinho rechonchudo, se contorcendo e chutando, e então avistou Kanghyeon dormindo ao seu lado. Seus olhos ficaram brilhantes e claros num instante. Ele até rolou o corpo para ficar de frente para o pai.
Ali, encarando Kanghyeon, Haekang estendeu uma mãozinha gordinha em direção ao rosto dele.
— Bwaa… UU…
Bem quando aqueles dedinhos estavam prestes a cutucar Kanghyeon para acordá-lo…
— Ei, ei.
Haeil por pouco conseguiu segurar a mão antes que ela o tocasse, sussurrando baixinho.
— Por favooor. Estou te implorando, deixa ele dormir. Se continuar assim, seu querido papai Kanghyeon vai desabar.
Mas não havia como um bebê de seis meses entender nada daquilo. Mesmo com a mão gentilmente contida, Haekang continuou mexendo os dedos em direção a Kanghyeon e franziu o rosto outra vez.
— Huu…, ueh….
Era, sem dúvida, o aquecimento antes de um berreiro a plenos pulmões.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna