Alphega — Extra 03
CAPÍTULO 123
História Paralela 3
Depois daquele dia.
Talvez porque pudesse sentir a preocupação sincera do casal, a manha noturna de Haekang foi diminuindo aos poucos com o passar dos dias. Ele quase parou de chorar a cada poucos minutos para chamar a atenção de Kanghyeon e passou a se concentrar em observar em silêncio tudo à sua volta.
Dali em diante, Kanghyeon finalmente pôde voltar a dormir direito. Haekang parecia ter puxado o padrão de sono de Kanghyeon; o hábito de cochilar principalmente durante o dia mudou, e ele começou a dormir profundamente a noite toda.
Como resultado, Haekang passava acordado a maior parte do dia, exceto por um ou dois cochilos curtos. Isso significava que ele importunava Haeil com frequência durante o dia, mas, para um bebê, ainda era incomumente bem-comportado.
Então, depois de vários dias mais ativo durante o dia, Haekang de repente começou a tentar algo novo.
***
— Por que você está me ligando do nada, hein?
Baek Seohun, que viera correndo assim que recebeu a ligação desesperada de Haeil, agarrou Haeil pela gola antes mesmo de enxugar o suor da testa. Mesmo sendo sacudido, Haeil falou com uma seriedade mortal.
— O Haekang… ele ficou de pé sozinho de repente, hyung-nim!
Seohun soltou a gola e agarrou a própria nuca.
— Você me matou de susto por isso? Sério.
Eram por volta das oito e meia da manhã.
Seohun finalmente tinha conseguido um raro dia de folga e estava desfrutando do sono mais abençoado quando o telefone não parou de tocar. Grogue, viu quem era, atendeu irritado e, no instante em que ouviu que algo enorme tinha acontecido com Haekang, arregalou os olhos. Chutou os cobertores como se fosse rasgá-los e disparou porta afora sem fazer perguntas.
Desde que Haekang nascera, Seohun se mudara para a casa onde Kanghyeon morava antes. Naquela manhã, nem pensou em trocar de roupa; simplesmente correu de pijama. Do pulo da cama até a porta da frente de Haeil, provavelmente levou menos de um minuto.
Tinha imaginado todo tipo de desastre possível no caminho, só para chegar e descobrir…….
— Hyung-nim, estou te falando, ele ficou de pé?! Tipo, retinho?! Sozinho, sem se segurar em nada?!
Haeil se agachava e se levantava repetidamente bem na frente dele, o rosto completamente sério. Então seus olhos começaram a tremer e ele começou a se remexer, ansioso.
— Não tem nada de errado com o meu Haekang, né? Não, sério, como ele conseguiu ficar de pé sozinho? Ainda não acredito. Você acha que tem algo errado com as pernas dele?
Seohun fez uma careta e resmungou:
— Deixa de drama.
Resumindo: Haekang estava deitado de bruços, rebolando o bumbum, e de repente ficou de pé sozinho. Por cerca de meio segundo.
Considerando os infinitos piores cenários que passaram pela cabeça de Seohun enquanto ele corria da casa ao lado, o resultado foi tão anticlimático que a irritação bateu.
Sentiu-se tão injustiçado por ter sido arrancado do sono que quis dar uns tapas em Haeil, mas não havia como demonstrar violência na frente do bebê. Agarrá-lo pela gola tinha sido, no máximo, um reflexo.
— Para de fazer escândalo. Ele só está treinando ficar de pé sozinho. É perfeitamente normal nessa idade.
Como se fosse combinado, Haekang, deitado no tapetinho macio, apoiou as duas palmas no chão e começou a rebolar o bumbum de novo. Era claro que tentava ficar de pé, mas ainda não era fácil; só conseguia grunhir e fazer força. A cena era tão adorável que um sorriso raro e terno se espalhou pelo rosto de Seohun.
Seohun olhou para Haekang por um momento e então examinou o cômodo com calma.
— Você já colocou o tapete… isso é bom. Quando ele começar a andar, vai bater em tudo, então cubra as quinas pontiagudas com antecedência. Coloque tudo que for quebrável no alto, fora do alcance. Tire tudo em que ele possa pisar por engano. Não deixe nenhum fio à vista.
Depois de explicar passo a passo, olhou diretamente para Haeil e acrescentou com firmeza:
— E quando ele estiver prestes a ficar de pé como agora há pouco, não corra para pegá-lo no colo. Espere até ele realmente ficar de pé. Ele finalmente está treinando; não tem por que interromper no meio.
Haeil, que estava debatendo se deveria pegar Haekang no colo porque a criança não parava de fazer manha, coçou a bochecha com uma expressão sem graça. Olhou para o relógio de parede e então escapuliu em silêncio para a cozinha. Seohun o seguiu e acrescentou mais conselhos, como se tivessem acabado de lhe vir à mente.
— Quando ele começar a ficar de pé, vai sentir fome mais rápido. Não perca os horários de mamada. E agora que ele tem seis meses, seria bom começar a papinha logo.
Assim que entrou na cozinha, Haeil se moveu com rapidez, embora nada em suas ações fosse frenético.
— O que você está fazendo?
— Já que estamos falando nisso, pensei em preparar a fórmula dele. Já está quase na hora do papazinho gostoso do Haekang.
Ele dissolveu a fórmula, acrescentou a quantidade certa de água na mamadeira e então a rolou vigorosamente entre as palmas. Com movimentos tão precisos, quase parecia que estava agitando uma coqueteleira.
‘Nunca vi ninguém preparar leite de bebê como se fosse drinque.’
E chamar de papazinho gostoso, ainda por cima.
Ouvir aquela palavra de bebê saindo do rosto seríssimo de Haeil era estranhamente constrangedor.
Seohun perguntou baixinho a Haeil, que sorria satisfeito para a mamadeira de leite que preparara para Haekang:
— …Ele só tomou fórmula, né?
Não estava falando de papinha.
Haeil entendeu o que Seohun realmente perguntava e deu um sorriso irônico.
Haekang nunca tinha provado leite materno. Mesmo que quisessem lhe dar, simplesmente não podiam.
Kanghyeon era tecnicamente um Alphega, mas sua natureza e seu corpo eram completamente Alfa. Mesmo tendo dado à luz, o corpo de um Alfa não produzia leite como o de um Ômega. O fato de ele ter conseguido conceber e dar à luz já era quase um milagre.
— Baek Kanghyeon-ssi chegou a sugerir contratar uma ama de leite por um tempo, mas eu não quis.
Ele não suportava a ideia de entregar o filho precioso deles, mesmo que por pouco tempo, a outra pessoa. E se o bebê acabasse tomando o leite de outra pessoa, nem conseguia imaginar o quanto Kanghyeon se sentiria culpado.
Compreendendo-o perfeitamente, Seohun fez um elogio raro vindo dele.
— Você fez a coisa certa. Hoje em dia as crianças crescem perfeitamente saudáveis com fórmula. Diga ao Kanghyeon para não se preocupar tanto.
Ele olhou de volta para Haekang, que finalmente conseguira ficar de pé sozinho, e soltou uma risadinha suave.
— Ele já está forte assim. Forte até demais.
Parecia que os genes Alfa de ambos os pais eram claramente excepcionais.
No momento em que Haekang ficou de pé, desabou de novo. Haeil o pegou no colo na mesma hora e, com habilidade, levou a mamadeira à boca dele. Enquanto o bebê mamava, Haeil olhou direto para Seohun.
— Mas, hyung-nim, eu sempre pensei nisso. Você diz que vai ficar solteiro para sempre, mas sabe uma quantidade absurda sobre criar filhos.
De todos que os ajudaram a criar Haekang, Seohun era quem mais tinha dado conselhos. Era ele quem providenciara não só o que precisavam de imediato, mas tudo o que precisariam mais adiante, poupando os dois novos pais de incontáveis dores de cabeça. Por isso, quando Haekang de repente ficou de pé pela primeira vez e Haeil entrou em pânico e ligou para alguém, era natural que esse alguém fosse Seohun.
Seohun observou Haekang sugando a mamadeira com voracidade e sorriu com uma ternura inesperada.
— Por quê? Não posso saber dessas coisas?
— Não é isso. Só é surpreendente.
O Baek Seohun que Haeil conhecia era um solteirão convicto. Ter crescido mergulhado naquela casa sufocante de supremacia Alfa provavelmente lhe deixara uma rebeldia silenciosa contra todo o sistema, e sua personalidade naturalmente reservada e espinhosa não ajudava.
Então o fato de esse mesmo homem saber mais sobre criar filhos do que qualquer outro era inegavelmente estranho.
Seohun cutucou de leve a bochecha gordinha de Haekang, e por um instante o rosto de outra criança se sobrepôs ao do bebê.
— Eu praticamente criei sozinho o filho mais velho do Seongju hyung.
Seohun relembrou os dias em que o primeiro filho de Baek Seongju ainda era um bebê e fez um breve relato.
Baek Seongju fora forçado a um casamento político com o filho Alfa do presidente da Yuseong Farmacêutica, uma aliança orquestrada por Baek Jungman. Agora era pai de dois meninos.
O mais velho tinha dez anos, o mais novo, sete.
Ambos eram Ômegas. Ao contrário do mais novo, cujos traços se manifestaram mais tarde, o mais velho fora Ômega desde o nascimento. Isso só intensificou o desprezo frio de Baek Jungman, e Seongju foi obrigado a suportar um tratamento ainda mais duro a portas fechadas.
Mesmo assim, Seongju se manteve composto, sustentando uma fachada calma para que a hostilidade de Baek Jungman nunca se voltasse contra o filho. O menor deslize poderia fazer o menino ser culpado simplesmente por ser Ômega, então Seongju não se permitia um único momento de descuido.
Em meio àquela tensão constante, ainda assim ele se dedicou por inteiro a criar bem o filho.
Mas tanto Seongju quanto o marido eram extremamente ocupados por causa de seus cargos, então na maioria dos dias não conseguiam chegar cedo em casa. No fim, não tiveram escolha senão deixar o menino com babás por longos períodos. Quem se prontificou e se ofereceu para ajudar a cuidar da criança foi Baek Seohun.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna