Alphega — Episódio 99
Depois do encontro secreto no hotel, Kanghyeon precisou continuar por um tempo em Cheongwoonjae.
No fundo, queria voltar logo para casa, mas, por enquanto, permanecer em Cheongwoonjae para afastar as suspeitas do pai era prioridade.
Enquanto estava em Cheongwoonjae, não passava um dia sem receber uma atenção excessiva vinda de todos os lados e a superproteção do pai. Como sempre, era sufocante, quase insuportável.
Mesmo assim, estava bem mais suportável do que alguns dias antes. Isso porque a preocupação com Kwon Haeil e o medo de ser desprezado por ele tinham desaparecido completamente. O fato de Kwon Haeil ser um aliado firme ao seu lado também era uma força considerável.
O que mais o preocupava era o enjoo matinal.
Enquanto achava que era só uma perda de apetite por estresse, não se preocupava muito, mas, ao perceber que era enjoo de gravidez, passou a ter uma cautela imensa até com pequenas coisas relacionadas à comida. Bastava sentir um cheiro errado que já podia ter ânsia de vômito, e temia que o pai visse aquilo e fizesse alarde, insistindo em ir ao hospital.
Felizmente, essa parte foi resolvida sem muita dificuldade. Com a decisão de realizar a cerimônia de noivado, a sucessão ficou mais urgente, e o pai passou a estar ainda mais ocupado do que ele mesmo, sem tempo para refeições juntos.
Aliviado, Kanghyeon passou a ir ao anexo onde ficava seu terceiro irmão mais velho, Baek Heewoo, na hora das refeições em Cheongwoonjae.
Talvez por se sentir mais à vontade, quase nunca tinha enjoo quando comia a sós com Heewoo. Talvez fosse porque Heewoo, animado, sempre cozinhava para ele com as próprias mãos.
— Será que o mordomo Park não vai me repreender por causa disso?
Heewoo, sentado à mesa em frente a Kanghyeon, no meio da refeição, olhou de esguelha para a porta. Como todos os funcionários tinham sido dispensados, não havia ninguém à vista, mas ele ainda parecia se preocupar com isso.
Kanghyeon, como se dissesse para não se preocupar e apenas comer, colocou um pedaço saboroso de bulgogi sobre a colher de arroz de Heewoo.
— Por que o mordomo Park iria repreender você.
— Diz que eu fico tomando o seu tempo.
Heewoo, com uma expressão amarga, empurrou a carne junto com o arroz para a boca. Kanghyeon empurrou um copo com água na direção dele e respondeu:
— É só porque é a hora da refeição mesmo, e a gente come junto. Ele é rigoroso, mas não é do tipo que não entenderia nem isso.
— Mesmo assim…
— Eu falo direitinho com ele, então não se preocupa e come.
— Tá…
Heewoo, depois de tomar direitinho a água que Kanghyeon lhe deu, disse, hesitante:
— Kanghyeon, eu… posso continuar ficando assim, sabe.
Diante daquela fala repentina de Heewoo, Kanghyeon ergueu a cabeça e olhou para ele. Heewoo, abaixando um pouco a cabeça, como se quisesse evitar o olhar, ficava cutucando o arroz com os pauzinhos, sem motivo.
— Na verdade, este anexo aqui também é ótimo. É confortável, é grande, é tranquilo, e o controle é bem menos rígido do que eu imaginava.
Parecia perceber que o próprio fato de haver “controle” já era um problema, porque, no final, teve um leve arrependimento no rosto, mas logo ergueu a cabeça e sorriu, meio sem graça.
— Provavelmente os outros irmãos também vão dizer a mesma coisa, mas eu estou bem, então não se force.
Como Heewoo tinha dito, Baek Seongju e Baek Seohoon também sempre diziam para ele não se forçar. Que podiam esperar mais. Que estava tudo bem.
Kanghyeon ficava tão grato por aquela vontade deles de aliviar seu peso, quanto se sentia culpado por fazê-los dizer aquilo.
Enquanto controlava aquele sentimento emocionado, Heewoo, como se tivesse tomado uma decisão, disse:
— Então, se você não quiser fazer o noivado, não faz.
Heewoo, diferente do jeito sempre gentil e tímido de sempre, mostrou uma postura firme.
Kanghyeon olhou para Heewoo, com aquela expressão decidida, e riu de leve.
— Mesmo já estando grávido?
— Isso… é verdade, mas… será que não tem algum jeito? Alguma coisa além do noivado… Hm…
Dizer aquilo com tanta convicção foi bom, mas Heewoo pareceu perceber, com atraso, que nem ele mesmo tinha uma solução concreta. Afinal, não podia simplesmente dizer para abandonar alguém grávido.
Diante de Heewoo, que se debatia pensando, Kanghyeon acrescentou, dizendo que estava tudo bem.
— Não precisa se preocupar. Eu quero me casar.
— Sério?
— Sim.
Heewoo observou atentamente o rosto de Kanghyeon. Não estava sombrio, e parecia até estranhamente sereno. Só por isso, já dava para saber que Kanghyeon não estava se casando à força.
— O que é isso, parece que você gosta bastante do seu noivo, afinal.
Ao dizer em voz alta aquele pensamento, Kanghyeon, ouvindo aquilo, sorriu de leve.
— Isso mesmo. Gosto até demais do que mereço.
Diante daquilo, Heewoo mostrou uma surpresa visível, mas se sentiu aliviado no fundo.
Nunca tinha visto pessoalmente o ômega dominante que dizem ser o noivo de Baek Kanghyeon. Parece que Baek Seongju e Baek Seohoon já o tinham visto algumas vezes, mas Baek Heewoo não. Vivendo sozinho e afastado, e por ter sido considerado de saúde frágil, ficava praticamente confinado no anexo, então quase não tinha oportunidade de encontrar pessoas de fora.
Por isso, Heewoo ficou intensamente curioso sobre aquele ômega dominante sem nome, dito como noivo de Kanghyeon.
Heewoo, observando com atenção o sorriso nos lábios de Kanghyeon, sorriu, meio sem graça.
— Estou curioso pra saber quem é. Quero ver logo.
Kanghyeon sorriu, meio incomodado, diante das palavras de Heewoo.
Não podia dizer “é alguém que você já conheceu, hyung”.
Kanghyeon, naturalmente, pensou em Kwon Haeil, que se tornaria seu “noivo”.
Desde o encontro no hotel, não tinha conseguido ver Haeil nem uma vez.
Achou que evitar deliberadamente o contato entre eles faria a vigilância desaparecer mais rápido, então evitava de propósito qualquer cruzamento.
Kwon Haeil também tinha concordado com isso, então, nas visitas regulares à balada, era o diretor Park quem o atendia, diferente de antes, e ele também cuidava sozinho de toda a comunicação de trabalho. Como Kanghyeon também não estava voltando à Palace Sky Tower, como esperado, não havia nenhuma chance de encontrar Kwon Haeil.
Aquela proposta tinha sido do próprio Kanghyeon, mas passar dias sem sequer ouvir a voz dele era bastante doloroso. Se ao menos pudessem se falar por telefone, seria ótimo, mas até isso decidiram evitar, por precaução, então não havia jeito.
Felizmente, esse afastamento voluntário não durou muito tempo.
˚˚˚
O que recebeu Kanghyeon, ao voltar para casa depois de tanto tempo, foi um ar frio o suficiente para causar uma sensação incômoda. Mesmo estando fora de casa por cerca de uma semana, deveria ter alguém entrando periodicamente para limpar e cuidar da casa, mas, mesmo assim, não sabia por que estava tão fria e vazia daquele jeito.
Kanghyeon olhou devagar, com os olhos, a sala de estar que ainda tinha apenas os móveis básicos.
“Mesmo assim, é um alívio estar de volta.”
Assim que soube que todos os vigias que estavam grudados em Kwon Haeil tinham sido retirados, Kanghyeon finalmente pôde voltar para sua própria casa. Ao dizer que ia voltar para casa, Baek Jungman demonstrou visivelmente pesar. Como ambos estavam tão ocupados que mal conseguiam se ver, ele acabou, no fim, assentindo obedientemente.
Depois de tomar um banho revigorante na casa aonde tinha voltado depois de tanto tempo, Kanghyeon foi pegar os documentos na mochila por hábito, mas parou.
“Nunca trabalhe em casa. Se você se forçar assim, não vai fazer bem pro Milagre.”
As palavras que Kwon Haeil tinha dito na despedida, no hotel, ecoaram em sua cabeça.
Kanghyeon olhou para a própria barriga. Ao pensar no pequenino que devia estar aconchegado ali dentro, não conseguiu de jeito nenhum trabalhar.
No fim, enquanto guardava os documentos de volta, a ponta dos dedos de Kanghyeon tocou algo duro.
O que tirou de dentro da mochila foi um celular pessoal que Seong Taerim tinha providenciado em nome dele mesmo. Como um celular registrado em nome de Kanghyeon poderia acabar chegando às mãos do pai, Taerim tinha se preocupado com isso.
Segundo Taerim, só ele e Kwon Haeil sabiam o número desse celular. Como ele tinha uma liberdade de movimento relativamente maior, parecia ter passado o número também no momento em que fez contato secreto com Haeil.
Mas ainda não havia nenhuma mensagem de Kwon Haeil, que já devia saber o número.
“Era hoje, não é? O dia em que ele ia pros Estados Unidos.”
Kanghyeon já esperava que Kwon Haeil tivesse ido para os Estados Unidos naquela madrugada. Alguns dias antes, quando passou pela balada, já tinha ouvido do diretor Park que Haeil tinha “alguém pra encontrar nos Estados Unidos”.
“Será que chegou bem.”
Kanghyeon, pensando em Haeil, olhou com nostalgia para o celular e mordeu o lábio de leve. Por algum motivo, ficou tão impaciente que não conseguia ficar quieto.
Com os olhos hesitantes, Kanghyeon pensou por um momento e, no fim, se levantou e saiu de casa.
Passando pelo corredor tão frio e vazio quanto sua própria casa, ficou parado na frente da porta do vizinho. Ainda em conflito, Kanghyeon estendeu a mão com cuidado.
Beep, beep, beep, o som dos botões sendo pressionados se seguiu algumas vezes, e logo um som eletrônico alegre indicou que a trava da porta tinha sido liberada.
Assim que entrou na casa de Kwon Haeil, Kanghyeon soltou, sem perceber, um suspiro de alívio.
Como pode ser tão diferente, sendo o mesmo tipo de apartamento?
Longe de ser fria e vazia, era uma casa que carregava um aroma quente e, de alguma forma, revigorante.
Parado na entrada, Kanghyeon repetiu, por um bom tempo, respirações fundas, embriagado com preguiça naquele aroma.
Já sabia a senha da casa de Kwon Haeil desde antes. Como ia lá quase todos os dias, seria mais estranho não saber.
Kwon Haeil sempre dizia que ele podia ir lá a qualquer momento, estivesse ele em casa ou não.
Que podia pensar naquele lugar como uma sala de descanso, onde podia relaxar tranquilamente antes de sair.
Talvez por isso, mesmo tendo apenas colocado os pés na entrada, sentiu toda a fadiga do corpo se dissolver, tomado por uma sensação relaxante. Só na casa de Kwon Haeil ele conseguia experimentar aquilo.
— Com licença.
Cumprimentando baixinho o dono que não estava ali naquele momento, Kanghyeon se dirigiu naturalmente para o quarto. Talvez por ser o espaço mais familiar e onde o cheiro de Kwon Haeil ficava mais impregnado, sentiu, de fato, uma sensação de estabilidade imensa.
“Mas… de alguma forma, ainda parece que falta alguma coisa.”
Como se o bebê na sua barriga estivesse choramingando, dizendo que só com aquela estabilidade não conseguiria dormir.
Olhando em volta, Kanghyeon pensou por um instante e, no fim, seguiu para o closet. O que voltou abraçado em seu peito foram algumas roupas de Kwon Haeil. Ele tinha escolhido com cuidado peças com o feromônio de Haeil.
Kanghyeon abraçou as roupas em seu peito como se fossem um bicho de pelúcia inteiro e se deitou na cama.
O feromônio de Kwon Haeil que sentia vindo das roupas não tinha nenhum aroma perceptível para ele. Se fosse ômega, provavelmente sentiria um perfume agradável o suficiente para embriagá-lo, e isso o deixou um pouco frustrado, mas, mesmo assim, estava bem. Só o cheiro de Kwon Haeil já era suficiente.
Deitado ali, sentiu que ainda faltava algo. Queria estar um pouco mais envolvido pelo feromônio. Como quando estava aconchegado nos braços de Kwon Haeil.
Pensando ainda deitado, Kanghyeon acabou se levantando da cama.
Uma peça, duas peças, foi colocando as roupas em círculo ao redor do lugar onde ia se deitar.
“Era assim que fazia, não era?”
Ouvira dizer que era um método que ômegas grávidos, ou que sentiam ansiedade pela ausência do parceiro, costumavam usar. Que nada era melhor do que encontrar calma através do feromônio do alfa.
Assim, depois de arranjar as roupas formando um oval alongado, Kanghyeon abraçou a última camisa que restava em seu peito e se deitou dentro daquele círculo.
— Haah…
Um suspiro de alívio saiu naturalmente. O feromônio de Kwon Haeil, sentido de todos os lados, parecia envolvê-lo com aconchego, como se fosse um cobertor.
“Então é por isso que os ômegas fazem ninhos.”
Como um pássaro dentro de um ninho entrelaçado, Kanghyeon se encolheu entre as roupas e fechou os olhos, com uma expressão tranquila. Naquele estado, sentia que poderia adormecer facilmente.
Enquanto a consciência ia ficando vaga em meio àquele calor infinitamente aconchegante…
Buzz—
O som de uma vibração fez seus olhos se abrirem de repente.
Kanghyeon pegou o celular que segurava na mão e atendeu a chamada.
— Oi.
Era Kwon Haeil.
Assim que ouviu aquele cumprimento leve, como se tivessem se despedido no dia anterior, Kanghyeon sentiu, sem saber por quê, um nó na garganta. Além disso, o feromônio dele ao redor pareceu ficar ainda mais intenso.
— …Oi.
Ao responder, controlando a respiração, ouviu a voz de Haeil, com um leve tom de riso.
— Você não está aí fazendo um ninho e deitado na minha casa, sentindo minha falta, né?
Naquele instante, Kanghyeon ergueu a cabeça e olhou ao redor. Observou com atenção, principalmente, os cantos do quarto.
Será que não tem alguma câmera instalada ali?
Sabia lá, mas, se fosse Kwon Haeil, era bem capaz de ter feito isso mesmo.
Aos ouvidos de Kanghyeon, tenso, chegou o sussurro doce de Haeil.
— Eu queria que fosse isso.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna