Alphega — Episódio 100
Kanghyeon sentiu o rosto esquentar sem motivo aparente.
Não conseguiu dizer que sim, de verdade, para Haeil, que falava como se quisesse que ele sentisse saudade. Em vez disso, a camisa de Haeil que abraçava se aconchegou ainda mais em seu peito, amassando-se levemente.
Enquanto Kanghyeon ficava em silêncio, Haeil disse com voz séria:
— Não vai receber feromônio daquele irmão enquanto eu não estiver aí. Deixei feromônio de propósito na minha roupa, então usa isso.
Haeil parecia preocupado que Kanghyeon fosse receber o feromônio de Seong Taerim.
O médico tinha avisado a Kanghyeon que precisava receber periodicamente o feromônio do alfa parceiro, para evitar desequilíbrios hormonais.
Se fosse difícil receber o feromônio do pai do bebê, usar o feromônio de um ômega dominante também era uma opção. Injetar temporariamente à força o feromônio forte de um ômega dominante no corpo era uma medida paliativa.
Mas Kanghyeon pensava exatamente igual a Haeil. Se fosse Seong Taerim, o ômega dominante, ele provavelmente aceitaria de bom grado ter seu feromônio extraído, mas Kanghyeon não queria fazer isso de jeito nenhum.
— Eu não preciso de nenhum feromônio além do de Kwon Haeil.
Dizendo aquilo com firmeza, Kanghyeon olhou ao redor daquele ninho onde ainda sentia o feromônio de Haeil.
“É melhor eu fazer isso todo dia, e assim dormir.”
Enquanto achava aquilo natural, Kanghyeon sorriu de leve ao ouvir, pelo celular, um palavrão bem típico de Kwon Haeil.
— Ah, porra… por que você foi dizer isso justo quando eu não estou aí… por que eu tinha que estar nos Estados Unidos agora…
Ouvindo a voz arrependida de Haeil, Kanghyeon perguntou, com atraso:
— Você chegou bem nos Estados Unidos?
— Sim. Meio barulhento aqui, né? Tem muita gente.
Do outro lado da voz de Haeil, com certeza se ouvia um barulho de agitação.
— Onde você está?
— Wall Street.
Era um lugar inesperado.
Wall Street era uma rua famosa em Manhattan, Nova York. Além das principais bolsas de valores, era o local onde ficavam as sedes de inúmeros bancos, fundos de hedge, escritórios de advocacia e grandes empresas financeiras — literalmente o centro financeiro do mundo.
Kanghyeon ficou genuinamente confuso ao ouvir que Kwon Haeil estava, de repente, bem no centro da economia mundial. O Kwon Haeil que ele conhecia não parecia ter muito interesse em economia ou finanças.
Antes de perguntar por que ele estava ali, Kanghyeon lembrou que Haeil tinha ido aos Estados Unidos para encontrar alguém. Mas, como só tinha essa informação, ainda não sabia quem era a pessoa que ele iria encontrar. Afinal, essa era a primeira vez que conversavam pelo telefone desde o encontro no hotel.
— Você foi encontrar quem?
— Meus pais.
A resposta de Haeil era bastante compreensível. Kanghyeon já sabia que o pai dele tinha negócios nos Estados Unidos.
“Bem, faz sentido. Não seria educado o pai dele descobrir a notícia do noivado primeiro pela mídia. Nem a gravidez.”
Pensando bem, não havia nada convencional na relação com Kwon Haeil.
Nem estavam namorando de verdade, e já tinham engravidado do nada, e agora até noivado.
Isso nem contava como um simples “casamento por acidente”. Nem estavam namorando, afinal.
“Nem estávamos namorando…?”
De repente, lembrou-se de um fato crucial.
“A gente ainda… não é namorado?”
Kanghyeon sentiu a mente ficar subitamente confusa. Ele, que só sabia avançar passo a passo, um de cada vez, percebeu, com uma nova clareza, o quanto sua relação com Kwon Haeil era estranha.
Enquanto o rosto de Kanghyeon ia ficando cada vez mais rígido, ouviu-se a fala complementar de Haeil.
— E, provavelmente… vai ser um novo apoiador?
Por algum motivo, havia uma interrogação no fim da frase de Haeil.
— Ah, estou quase chegando lá. Te ligo de novo amanhã à noite.
Ainda que o significado da palavra “apoiador” fosse difícil de entender por enquanto, não podia ignorar a fala de Haeil dizendo que estava quase chegando ao destino.
Kanghyeon, ainda confuso, fingiu de propósito que estava tudo normal, sem demonstrar isso.
— Vai com cuidado. Mesmo que seja tarde, se você ligar, eu atendo, então pode me ligar a qualquer hora.
Assim como Kwon Haeil sempre esperava seu contato e atendia na hora, mesmo dormindo, Kanghyeon também queria fazer o mesmo por ele.
Para Kanghyeon, as ligações com Kwon Haeil chegavam a ser algo muito precioso.
— Não pode. Você precisa dormir bem, e eu não quero te atrapalhar. Sabe que precisa dormir bem, pelo Milagre também, né?
Diante da firmeza de Haeil, Kanghyeon, que ia responder dizendo que estava tudo bem, engoliu as palavras ao ouvir o nome de gestação do bebê. Não conseguia deixar o bebê de lado e insistir por egoísmo.
Kanghyeon, sem escolha, concordou com Haeil.
— Entendi. Então a gente se fala de novo amanhã.
— Boa escolha. Que fofo—
— Não me trate como criança.
— Você e nosso Milagre são um corpo só, então é criança sim. Só aceita ser mimado, quietinho.
De qualquer forma, ele nunca cede em nada.
Rindo de brincadeira, Haeil, dessa vez, chamou Kanghyeon com carinho.
— Baek Kanghyeon.
— Sim.
— Da próxima vez, vamos juntos com certeza.
Uma frase sem grande importância, que qualquer um poderia dizer.
Era uma expressão comum, usada em todo lugar, mas, para Kanghyeon naquele momento, aquilo carregava um peso considerável.
“Juntos…”
Soou quase como se estivesse dizendo que, da próxima vez, iriam se apresentar aos pais dele.
O coração disparou. Mas, ao pensar que ainda não eram oficialmente namorados, a mente confusa foi se acalmando aos poucos.
— Sim. …Vamos juntos com certeza.
Só depois de receber aquela resposta sincera de Kanghyeon, Haeil sorriu, iluminado.
Depois que a ligação terminou.
Kanghyeon, ainda encolhido dentro do ninho que tinha feito, mergulhou em pensamentos profundos.
Aquele “problema” que tinha surgido uma vez não parecia disposto a desaparecer facilmente de sua cabeça.
˚˚˚
Enquanto na Coreia, onde Kanghyeon estava, já era noite fechada, em Wall Street, onde Haeil estava, era diferente.
Sob um sol tão claro que quase ofuscava, Haeil, de óculos escuros pretos, olhava para o celular refletido nas lentes com um olhar emocionado.
— Sim. …Vamos juntos com certeza.
As palavras de Kanghyeon giravam repetidamente em sua cabeça. Sentiu o coração disparar e o rosto esquentar por conta própria.
“Porra, parece até que estamos marcando uma apresentação formal das famílias. Não, na verdade era exatamente essa a intenção, mas, porra, por que ele tinha que dizer uma coisa tão fofa desse jeito.”
A voz de Baek Kanghyeon, que ouviu depois de tanto tempo, mexeu completamente com toda sua concentração.
Mesmo fingindo tranquilidade durante a ligação, quanto esforço fez para esconder que sua voz tremia o tempo todo. Segurou com toda força a vontade de virar as costas naquele instante e ir pegar um voo direto para a Coreia. Baek Kanghyeon realmente tinha um talento inigualável para desligar completamente sua razão.
Haeil segurou o celular com as duas mãos e controlou a respiração ofegante.
— Porra, tô morrendo de saudade, caralho.
Mesmo assim, precisava aguentar.
Até terminar tudo o que precisava fazer e voltar.
Firmando aquela decisão, Haeil tirou os óculos escuros e caminhou em direção ao prédio à sua frente.
Wave Investment.
No centro do amplo e impecável saguão, havia uma recepção com funcionários de boa aparência esperando.
Ao verem Haeil, os funcionários se levantaram rapidamente e abaixaram a cabeça.
— Olá, senhor Kwon. Faz tempo que não vem aqui. O presidente está esperando. Posso guiá-lo?
— Vou sozinho, não precisa se incomodar.
Respondendo em inglês fluente à funcionária loira, Haeil passou pela recepção e seguiu em direção ao elevador.
“Pensando bem, faz um ano, não é?”
Enquanto esperava o elevador, Haeil examinou com os olhos o saguão daquele prédio que visitava depois de um ano. Os funcionários continuavam os mesmos, e as instalações não pareciam muito diferentes, mas o ambiente estava bem mais animado do que antes.
Um clima animado na empresa era praticamente sinônimo de negócios indo bem. Para Haeil, aquilo era algo a se comemorar.
Com os olhos brilhando, Haeil entrou no elevador que tinha acabado de chegar.
Ao chegar ao último andar do prédio, Haeil parou diante da sala do presidente, localizada no ponto mais interno daquele andar.
Como já sabia que o tal presidente estava esperando por ele lá dentro, Haeil bateu diretamente na porta, sem passar pela secretária no balcão de recepção.
Enquanto a secretária, parada no balcão de recepção, ficava desconcertada, a porta se abriu de dentro com força. Quem saiu foi um homem coreano na casa dos cinquenta anos, com um rosto tão alegre que parecia sorrir o tempo todo.
— Filho!
Kwon Taejun, presidente da Wave Investment e pai de Kwon Haeil, abriu os dois braços com um rosto radiante. Era uma pose que pedia um abraço imediato, mas Haeil, tratando-o como se fosse apenas um obstáculo qualquer, se abaixou e passou por baixo dos braços dele.
— Que filho sem coração. Não te vejo há um ano e você nem cumprimenta direito.
— Eu ser sem coração já não é de hoje. Cadê a mamãe?
Kwon Taejun, com uma expressão abatida, fechou a porta da sala do presidente e apontou para outra porta dentro dela. Naquela porta havia uma placa dizendo “Living Room (sala de estar)”.
— Está lá dentro com “aquela senhora”.
— Entendi.
Respondendo casualmente, Haeil seguiu em direção à sala de estar. Atrás dele, Kwon Taejun o seguia com um sorriso gentil.
Diante da porta, Haeil respirou fundo por um instante. Por um breve momento, parecia até estar tenso, algo raro nele.
Em seguida, depois de bater duas vezes, Haeil entrou.
Na sala de estar, tão ampla e bem decorada quanto a sala do presidente, duas mulheres coreanas estavam sentadas uma de frente para a outra. Uma delas, uma senhora de meia-idade que conversava animadamente, tinha uma aparência marcante, bem parecida com Kwon Haeil.
— …e ela disse assim, sabe? Aí eu… Ai, você chegou?
Jeong Eungyeong, mãe de Kwon Haeil, que estava no meio de uma conversa animada, sorriu abertamente e balançou a mão, como uma criança.
— Irmã, esse é meu Haeil. Alto e bonito, né?
Eungyeong exibiu com orgulho o filho para a outra mulher. A outra, que tinha uma beleza serena e elegante, contrastando com Eungyeong, olhou para Haeil com um sorriso discreto.
— Sim, é verdade.
Naquele instante, Haeil teve a sensação de ter visto Baek Kanghyeon nela. O sorriso discreto, o ar elegante, até o jeito refinado de segurar a xícara de chá preto — tudo aquilo lembrava Baek Kanghyeon.
Haeil se sentou ao lado de Eungyeong e cumprimentou educadamente a mulher à frente.
— Olá, sou Kwon Haeil. Ouvi bastante sobre a senhora, pela minha mãe.
— “Minha mãe”?
Só com aquele “minha mãe”, o rosto de Eungyeong se encheu de emoção em um segundo. Ao mesmo tempo, disse “esse aí comeu alguma coisa estranha hoje” e deu tapinhas no braço de Haeil. Haeil bloqueou de leve aquela mão e manteve o rosto educado, voltado para a mulher.
A mulher pousou a xícara e disse:
— Prazer em conhecê-lo. Eu queria muito te encontrar algum dia, e agora tivemos essa oportunidade.
— Desculpe pedir para nos encontrarmos assim, de repente. Estou um pouco apressado.
Diante das palavras de Haeil, os olhos da mulher ficaram um pouco mais afiados.
— Então você tem algo para me pedir?
— Sim. E também tenho algo que preciso contar antes disso.
A mulher observou Haeil com calma, como quem diz “pode falar, estou ouvindo”. Os lábios de Haeil se abriram devagar.
— O filho caçula da senhora, Baek Kanghyeon.
Assim que o nome de Kanghyeon foi mencionado, os cantos dos olhos da mulher tremeram por um instante. Haeil, percebendo aquilo, mesmo assim continuou falando sem hesitar.
— Já é meu.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna