Alphega — Episódio 98
Haeil, tateando por ali, fez de propósito uma expressão preocupada.
— Com uma bunda tão pequena assim, como vai dar pra ter filho?
— O tamanho da bunda não tem nada a ver. O problema é a bacia.
Kanghyeon beliscou levemente as costas da mão de Haeil, que se dirigia à fenda entre suas nádegas. Haeil fez um som exageradamente dolorido e afastou a mão discretamente.
— Na hora de nascer, provavelmente vai ser cesárea. Meu útero se formou, mas a estrutura do meu corpo não mudou o suficiente para permitir um parto tranquilo…
— O quê?!
Haeil se sentou de repente, o rosto pálido, olhando para Kanghyeon de cima. Seus olhos tremiam intensamente.
— Não pode ser. Prefiro dar à luz eu mesmo.
Quem estava dizendo um absurdo agora era ele.
Kanghyeon olhou para Haeil, atônito com aquela fala repentina, e acabou soltando uma risada. A tensão que estava aos poucos se soltando nos braços de Haeil desapareceu completamente naquele instante.
Mesmo assim, o rosto de Haeil continuava extremamente sério.
— Por que você está rindo. Estou falando sério agora.
— Sério ou não, isso é possível?
A mão tensa de Haeil acariciou a barriga de Kanghyeon, coberta pela camisa.
— Precisamos dar um jeito nisso, não é? Como assim vão cortar essa barriga tão bonita, porra.
Kanghyeon, rindo baixinho, olhou para Haeil, que se preocupava genuinamente com ele, e ergueu a própria camisa com a mão. O abdômen branco, marcado por músculos bem definidos, ficou à vista.
Kanghyeon deslizou a ponta dos dedos pelo meio do próprio abdômen, como se estivesse mostrando de propósito.
— Aqui, não seria bom ter uma cicatriz assim? Seria uma boa marca de que demos à luz o nosso filho.
Ao ver o gesto de Kanghyeon, Haeil prendeu a respiração de repente. Então, com o rosto subitamente vermelho, cobriu a boca com a mão e virou o rosto rapidamente. Com uma das mãos, abaixou de leve a barra da camisa que Kanghyeon tinha erguido.
— Não fica assim, expondo a pele nua na minha frente. Você sabe que eu não tenho paciência nenhuma.
Justo ele, que antes tinha ficado apertando a bunda dele, agora falando de pele à mostra.
Kanghyeon olhou fixamente para Haeil e apertou de leve, com a ponta do pé, a parte inchada dele.
— É verdade. Você realmente não tem paciência nenhuma.
— Ugh…
Haeil olhou com ressentimento para a própria excitação, que só aumentava com o simples toque da ponta do pé de Kanghyeon. Parecia estar bastante sensível, depois de dias sem sexo com Kanghyeon.
Mas hoje, ou melhor, por um tempo, isso estava proibido.
Haeil afastou com cuidado o pé provocador e voltou a se deitar. Como um passo natural, abraçou Kanghyeon e deu tapinhas gentis nas suas costas.
— Mesmo eu, sei que sexo no começo da gravidez é perigoso. Vou me esforçar pra aguentar.
— Que bonzinho.
Já tinha ouvido do médico para se abster de relações sexuais por um tempo. A partir da sexta semana, existia risco de aborto por causa do sexo.
“Aborto…”
Só de pensar naquela palavra, sentiu um arrepio. Perder um filho conseguido com tanta dificuldade era algo que ele não queria nem imaginar.
“Pensando bem, minha mãe também sofreu muito para não abortar quando estava grávida de mim.”
Kanghyeon pensou na mãe, que estava viajando pelo exterior com um conhecido.
Sua mãe era uma alfa dominante de elegância única. Assim como ele e Kwon Haeil agora, os dois alfas, ela e o pai tinham vivido um amor profundo, e se tornaram marido e mulher em meio a muitas bênçãos e preocupações.
Havia apenas um motivo para a preocupação.
Não podiam esperar um herdeiro.
A mãe era mulher, mas também era uma alfa dominante. Já era considerado difícil para uma alfa comum engravidar, e ela ainda era dominante, com níveis hormonais de alfa mais altos, então muitos achavam que nunca teriam filhos.
Mas, como se zombasse dos pensamentos deles, sua mãe teve quatro filhos.
Entre eles, o caçula — ele mesmo — foi o único que cresceu de fato na barriga dela. Diante de algo tão milagroso, dizem que a mãe, na época, evitava até coisas mínimas que pudessem prejudicar o bebê, começando por remédios para prevenir aborto.
Agora ele conseguia entender aquele sentimento da mãe.
Assim como a mãe tinha dado ao seu nome de gestação o significado de “milagre”, esse bebê também merecia ser chamado da mesma forma, de tão precioso que era. Então, assim como a mãe, ele também colocaria toda sua dedicação para dar à luz esse bebê com segurança.
Para isso, também não podia deixar seu plano dar errado.
Haeil parecia pensar da mesma forma, porque sua expressão ficou um pouco mais séria.
— Mas com certeza… vai virar um caos, quando souberem que Baek Kanghyeon, que sempre foi conhecido como alfa, engravidou do nada. Daqui a uns seis meses você já vai estar quase no fim da gravidez, então nem vai dar pra esconder.
O plano de usar o noivado para antecipar a sucessão em si não era ruim. Era melhor do que ficar disputando poder com o pai já com a barriga enorme.
— Originalmente, eu não pretendia revelar a gravidez por um tempo. Ia terminar a sucessão antes da barriga aparecer, e, assim que virasse presidente, ia descansar por alguns meses, escolhendo o momento certo.
Kanghyeon pensava que Haeil negaria e o afastaria, assim como ao bebê. Por isso, mesmo fazendo a coletiva de imprensa, planejava manter a gravidez em segredo e dar à luz o mais discretamente possível. Não queria incomodar Kwon Haeil, o pai do bebê.
Mas agora a situação era diferente.
— Se Kwon Haeil não se importar, estava pensando em revelar a gravidez também na coletiva de imprensa. Assim, meu pai não vai mais conseguir pensar em noivado ou casamento arranjado.
Kanghyeon encarou Haeil com um olhar de culpa.
— Claro que, se isso acontecer… inevitavelmente Kwon Haeil também vai ser exposto.
Aquilo seria bastante ingrato para Haeil. De repente, milhares de olhos se voltariam para ele, e toda sorte de jornalistas ficaria grudada nele com insistência, então nem sair de casa seria fácil, por um tempo.
Mas Haeil sorriu, como se não se importasse nem um pouco.
— Já que vai fazer isso mesmo, diz que “meu par é Kwon Haeil”. Se der, mostra minha foto também.
Esse homem realmente não tem noção nenhuma de tensão, quando o assunto é esse.
Por outro lado, foi salvo por isso mais de uma vez.
— Fala coisa com sentido.
— Que mal tem isso?
Haeil, que estava rindo sem sentido, ficou pensativo por um momento. Ele repassou com cuidado o plano de Kanghyeon e disse:
— Sobre o seu pai… mesmo que o noivado não aconteça, ele ia acabar te passando a sucessão de qualquer forma, então será que ele vai reagir com muita resistência?
Kanghyeon fez uma expressão estranha diante do título “seu pai” que saiu da boca de Haeil. Era algo muito estranho, mas também de alguma forma constrangedor.
Kanghyeon ajeitou a expressão e respondeu:
— Meu pai quer que eu seja um presidente perfeito, estável e sem nenhum ponto fraco, acima de qualquer outro. Se o noivado for cancelado e ele perder até o título de alfa dominante, dificilmente vai ficar quieto.
Na cabeça de Kanghyeon, foi se desenrolando, passo a passo, o comportamento previsível do presidente Baek Jungman. Ele conhecia muito bem o padrão de ação do pai.
— Provavelmente vai tentar adiar a sucessão temporariamente. Vai ganhar tempo de algum jeito e, nesse meio-tempo, manipular a opinião pública de todas as formas possíveis. Para mudar de forma favorável a percepção sobre o meu traço genético raro.
De repente, o olhar de Kanghyeon escureceu.
— Ou… ele pode tentar remover meus hormônios de ômega.
Não sabia se isso seria possível, mas também não podia dizer que era impossível. Se fosse seu pai, ele encontraria um jeito, mesmo que precisasse gastar uma fortuna. Grávido como um ômega ou não, talvez isso nem importasse tanto para ele.
Kanghyeon colocou a mão sobre a barriga que carregava o bebê.
— Mesmo que não seja isso, no momento em que a sucessão for adiada, vou acabar sendo usado repetidas vezes pelos ideais do meu pai. Talvez até use esse bebê pra apelar emocionalmente.
O único consolo era que, se ele revelasse a gravidez e expusesse Kwon Haeil, isso, ao contrário, tornaria mais difícil para o pai tocar nele. Por mais que o pai controlasse toda a mídia e manipulasse a imprensa, não conseguiria controlar completamente a atenção pública em geral.
Simplificando, era uma questão de haver olhos demais observando para poderem mexer nele. Foi por isso também que Kanghyeon decidiu revelar sua gravidez na coletiva de imprensa. Para que a atenção também se voltasse para Kwon Haeil.
Era meio aposta.
Ou a sucessão seria antecipada assim, ou seria adiada temporariamente.
Uma das duas.
Para aumentar as chances a seu favor, Kanghyeon pretendia usar cada minuto livre até a cerimônia de noivado para se encontrar com o maior número possível de acionistas. Precisava de pelo menos um apoiador a mais.
O rosto de Haeil, que escutava as palavras de Kanghyeon, ficou não só sério, mas parecia até um pouco tenso.
— Não se preocupe. Eu não vou mais agir conforme a vontade do meu pai.
Kanghyeon, achando que talvez tivesse assustado Haeil sem necessidade, forçou um sorriso.
— Vou proteger tanto Kwon Haeil quanto o bebê.
Os olhos de Haeil se arregalaram um pouco. Sentindo o peito formigar de leve, ele sorriu junto com Kanghyeon.
— Eu também vou dizer o mesmo pra você.
Haeil deixou um beijo na testa de Kanghyeon, tão suave quanto o formigamento que se espalhava em seu próprio coração, e sussurrou:
— Eu vou proteger tanto Baek Kanghyeon quanto o bebê.
O formigamento que passou pela testa se espalhou diretamente pelo coração de Kanghyeon.
— Então, vamos deixar isso ainda mais firme.
Embriagado com aquele calor agradável e com o sussurro de Haeil, Kanghyeon perguntou, com um leve atraso:
— O quê, exatamente?
— Precisamos fazer com que, depois da coletiva de imprensa, seu pai fique quietinho.
Kanghyeon, sentindo uma inquietação estranha nas palavras de Haeil, perguntou de novo:
— O que você está planejando fazer?
— Precisa de um pouco de preparação, mas, já que vamos fazer, vamos fazer com tudo.
Em seguida, com um sorriso radiante, Haeil declarou, com firmeza:
— Nosso noivado.
Ao ouvir aquilo, o rosto de Kanghyeon se encheu de uma clara confusão.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna