Alphega — Episódio 97
Ao ouvir as palavras de Kanghyeon, Haeil ficou completamente congelado, sem conseguir dizer nada.
Não sabia o que tinha acabado de ouvir. Será que tinha entendido direito?
Haeil repassou várias vezes na cabeça as palavras de Kanghyeon. Quanto mais repetia, mais sua mente se tingia de uma confusão estranha e crescente.
Depois de um tempo, tudo que conseguiu murmurar, gaguejando, foi uma única palavra.
— Filho…?
Ao ver o rosto rígido de Haeil, Kanghyeon baixou a cabeça, abatido.
Pensou que Haeil talvez o desprezasse e sentisse repulsa por ele. Teve muito medo de que ele mandasse tirar o bebê imediatamente. Não teve coragem de encarar a mudança na expressão dele.
Mesmo assim, precisava dizer.
Kwon Haeil era o pai do seu filho.
— Provavelmente engravidei durante o rut. Eu mesmo nunca imaginei que pudesse engravidar como um ômega. Sabia que tinha características de ômega, mas… não pensei que isso… se tornasse… isso…
As palavras, ditas às pressas, foram perdendo força a partir de certo ponto. Cada sílaba se espalhava em pedaços frágeis, como grãos de areia fáceis de desmoronar, até restar apenas um tremor profundo.
Sentia uma culpa imensa por Kwon Haeil, diante de uma situação tão inesperada.
Sentia uma culpa sincera também pelo bebê, que deveria ter sido recebido com muitas bênçãos e amor.
Ao pensar isso, a visão de Kanghyeon foi ficando rapidamente embaçada. Aos poucos, umidade se acumulou nos cantos dos olhos, quentes.
“Não chore.”
Kanghyeon fez força nos olhos marejados. Fechou os lábios com firmeza e engoliu a respiração. Mesmo assim, as lágrimas que começaram a se formar não pararam, e só ganharam mais força.
“Se eu fizer isso, é covardia.”
Se chorasse daquele jeito, pareceria estar implorando que sentissem pena dele. Seria como uma covardia tentando evitar de antemão as críticas que Kwon Haeil poderia despejar.
Com o rosto abaixado, parecendo um culpado, Kanghyeon ouviu a voz gaguejante de Haeil.
— Você… engravidou mesmo? Baek Kanghyeon?
Kanghyeon não conseguiu responder em voz alta, apenas balançou a cabeça devagar, ainda abaixada.
— …Sim. Confirmei a gravidez diretamente no hospital.
Devia estar confuso. Devia sentir repulsa.
Por mais que sentisse um cheiro doce, alguém que sempre tinha se afirmado alfa dominante estava, de repente, grávido.
Kanghyeon fechou os olhos com força, tomado por uma vergonha esmagadora.
As lágrimas que escorreram até o queixo finalmente caíram no chão. Sentindo que as lágrimas, transbordando sem parar, continuariam caindo, ele forçou os lábios a se abrirem para pedir desculpas.
— Desculp…!
Mas, antes de conseguir terminar a frase, foi puxado por Haeil num abraço forte. Seus peitos, cada um com seu próprio calor, se encostaram sem nenhum espaço entre eles, e um braço quente envolveu suas costas, que já estavam frias de tanto encostar na janela gelada.
Kanghyeon ficou bastante confuso com a situação inesperada. Como estava fortemente abraçado, nem conseguia ver o rosto de Haeil, e não tinha como saber com que intenção ele estava fazendo aquilo.
Ele estava prestes a chamar Haeil, com a voz molhada de lágrimas.
Foi então que Kanghyeon ouviu a voz de outra pessoa tremendo ainda mais do que a sua.
— É verdade mesmo? É verdade, né? Não é… não é uma mentira pra me dar o troco por eu ter agido feito um babaca, é? Baek Kanghyeon não sabe mentir bem pra mim.
Não era uma voz carregada de desprezo ou repulsa. Mesmo na pergunta repetida, transparecia o desejo de que fosse verdade.
— O que você disse agora, é tudo verdade, né? Né?
Pelo peito colado, sentiu-se um batimento cardíaco quase explosivo e um tremor intenso. Os braços que só sabiam abraçar com força ficaram extremamente cuidadosos.
Os braços de Kanghyeon, que estavam frouxos e sem forças, aos poucos começaram a se erguer. Hesitantes, como se duvidassem se podiam fazer aquilo, os braços por fim envolveram as costas de Haeil.
Kanghyeon ainda estava confuso com a reação de Haeil.
Mesmo assim, não podia mentir. Confuso, precisava assentir diante da confirmação repetida de Haeil.
— …Sim. É verdade.
No momento em que ouviu a resposta de Kanghyeon.
Haeil, sem conseguir mais se conter, beijou os lábios de Kanghyeon apressadamente. Como aconteceu com os peitos, os dois pares de lábios macios se juntaram com força, e uma língua ardente, difícil de controlar, invadiu a boca de Kanghyeon.
— Mmh, mh-!
Surpreso com o beijo repentino, Kanghyeon percebeu que o olhar de Haeil, ao encará-lo, tinha mudado claramente.
Era um olhar carregado de afeto como nunca, ou melhor, ainda mais do que o de sempre.
O beijo de Haeil não durou muito. Diferente do de costume, ele que sempre tinha tanto controle, nem conseguiu regular a própria respiração, e se afastou dos lábios de Kanghyeon soltando um suspiro ofegante.
Então, encarou Kanghyeon com uma expressão que nunca tinha visto antes.
— Porra… você de verdade…
Nos olhos levemente úmidos de Haeil, brilhavam vários tipos de luz. Inúmeras emoções que não podiam ser definidas por uma única palavra se espalhavam suavemente pelo rosto dele. Entre todas aquelas emoções, não havia nenhuma sem carinho.
Sem estar preparado para a emoção de Haeil, Kanghyeon abriu os lábios com o rosto molhado de lágrimas.
— Kwon Haeil, agora… por que…
Encarando Kanghyeon com um sorriso sincero, Haeil segurou o rosto dele com as duas mãos. Com o mesmo cuidado que teve ao abraçá-lo, limpou com carinho as lágrimas que ainda escorriam.
Então, tomado pela emoção, a ponta dos dedos que limpava as lágrimas começou a tremer visivelmente. O rosto, cheio de tantos sentimentos, se desfez de alegria.
— O que eu faço… o que eu faço agora, Baek Kanghyeon…
A testa de Haeil encostou de leve na de Kanghyeon. Sentiu-se um batimento intenso, além de qualquer tremor.
— Estou tão feliz agora que sinto que vou morrer…
Haeil não conseguia mais conter aquela emoção transbordante. Lambeu as lágrimas nos cantos dos olhos de Kanghyeon e cobriu seu rosto de beijinhos leves.
— Baek Kanghyeon… Baek Kanghyeon… Kanghyeon… Kanghyeon hyung…
Da boca de Haeil, saíram várias formas diferentes de chamar Kanghyeon.
Chamava cada versão do nome de Kanghyeon com todo o cuidado do mundo. Não conseguia aguentar sem chamá-lo daquele jeito, repetidas vezes.
Confuso com aqueles chamados e beijos tão carregados de amor, Kanghyeon o afastou com cuidado e perguntou:
— Você não tinha dito que não queria filhos… que odiava a ideia?
— Mentira. Eu disse isso achando que assim Baek Kanghyeon também diria que não queria.
Haeil, admitindo tranquilamente que aquilo tinha sido mentira, deu um sorriso amargo.
— Achei que, se algum de nós dois quisesse ter filhos, a gente ia acabar terminando.
Só então Kanghyeon percebeu que Haeil pensava exatamente como ele. Haeil também sabia que, no momento em que eles, sendo ambos alfas, quisessem ter um filho, essa relação inevitavelmente se desmoronaria.
Mas agora Haeil estava genuinamente emocionado por eles terem um filho.
Embriagado por aquela felicidade que sentia pela primeira vez, Haeil olhou para Kanghyeon com carinho.
— E, mesmo que eu tivesse dito que odiava a ideia de ter filho, vou amar loucamente o bebê que Baek Kanghyeon vai gerar. Porque é um filho que fizemos juntos.
As palavras de Haeil acariciaram com carinho a mente confusa de Kanghyeon. Não só afastaram completamente a ansiedade e o medo que ele carregava, como também fizeram seu coração, que estava rígido de tensão, voltar a bater.
Os olhos de Kanghyeon, que por um momento tinham parado, voltaram a se encher de lágrimas. Como se representassem tudo que sentia, transbordaram sem que ele pudesse conter, jorrando ao ponto de ser impossível não deixá-las cair.
Haeil enxugou as lágrimas de Kanghyeon com as duas mãos, sorrindo, meio sem jeito.
— Por que você está chorando tanto de repente, Baek Kanghyeon. Está deixando quem olha preocupado.
Kanghyeon não conseguiu responder nada, apenas chorou.
O toque que enxugava suas lágrimas, a voz repleta de carinho, aquele olhar como quem olha para algo mais precioso do mundo — tudo aquilo era grato e amoroso. Estava tão feliz e emocionado que mal conseguia respirar.
Apoiado em Haeil, Kanghyeon chorou e chorou, em silêncio, por um bom tempo, nos braços dele.
Só depois de um bom tempo, quando as lágrimas finalmente pararam, Kanghyeon estava deitado ao lado de Haeil na cama do hotel.
Haeil acariciava com carinho a cabeça de Kanghyeon, que estava aninhado em seu peito de olhos fechados. Ao mesmo tempo, com uma das mãos, tocava com cuidado a barriga de Kanghyeon.
Kanghyeon, ainda de olhos fechados, disse:
— Não vai sentir nada mesmo, tocando assim.
Era natural, já que estava apenas seis semanas.
Mesmo assim, Haeil continuava tateando ali com teimosia.
— Não, agora mesmo parece que está me cumprimentando.
— É só impressão sua.
Kanghyeon disse com firmeza e abriu os olhos devagar. Os olhos, ligeiramente vermelhos, olharam para Haeil, que estava sorrindo bobamente.
— Estou me sentindo… meio esvaziado.
Encarando Kanghyeon com um sorriso, Haeil abaixou os cantos dos olhos.
— Desculpa. Por causa do que eu disse, você sofreu tanto sozinho.
O olhar de Haeil se voltou para a barriga de Kanghyeon.
— E desculpa também a esse bebê.
Kanghyeon olhou fixamente para Haeil, que parecia arrependido.
— Obrigado. Por ficar feliz com isso.
— Claro que fico feliz. Como não ficaria feliz sabendo que você está grávido do meu filho?
As palavras de Haeil eram sinceras.
Vendo o rosto dele se desfazer de felicidade mais uma vez, Kanghyeon hesitou um pouco antes de perguntar:
— …Você não acha isso estranho em mim? Sou um alfa que também é ômega… isso é bem anormal, não é?
Ao ouvir aquela pergunta, o rosto de Haeil se contorceu de forma estranha. Era uma expressão de quem perguntava “que pergunta absurda é essa”.
Estalando a língua de propósito, Haeil disse:
— Normal e anormal é só uma diferença de qual dos dois é mais comum. Acho que o traço de Baek Kanghyeon só é raro, não anormal.
Aquelas palavras, ditas tão naturalmente por Haeil, tocaram levemente o coração de Kanghyeon.
A régua que divide o normal do anormal não tem significado algum; você é perfeitamente normal; então não precisa se culpar.
Um pequeno sorriso surgiu nos lábios de Kanghyeon.
— Obrigado por dizer isso.
— Hoje você está tão sincero que meu coração fica disparando à toa, sem motivo.
— …Sua mão está indo para um lugar estranho.
— É impressão, impressão sua.
Difícil chamar de impressão, quando a mão que estava na barriga agora estava apertando a bunda de Kanghyeon, sem motivo aparente.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna