Alphega — Episódio 119
A cerimônia de posse do novo presidente da Baekcheong, um dos maiores conglomerados da Coreia, foi realizada em uma escala bastante grandiosa.
Baek Kanghyeon desejava que fosse algo simples, mas, diante da forte insistência de Baek Jungman, o ex-presidente, e de alguns acionistas, não teve outra escolha.
Como havia gerado muita controvérsia, a cerimônia de posse do novo presidente da Baekcheong foi transmitida ao vivo em rede nacional, por diversos veículos. Assim como aquele dia do passado que se anunciava como cerimônia de noivado mas se lia como coletiva de imprensa, essa transmissão também atraiu a atenção de inúmeras pessoas.
O discurso de posse de Baek Kanghyeon, ao contrário da cerimônia luxuosa, foi extremamente conciso e firme.
“Eu vou construir uma cultura corporativa em que as conquistas e as capacidades de todos vocês sejam avaliadas de forma justa, independentemente de suas características. Para isso, prometo estabelecer um sistema de gestão justo e transparente.”
Para quem estava acostumado a discursos de posse pomposos, o conteúdo foi curto o suficiente para causar perplexidade.
Mas a determinação firme contida nele foi clara o bastante para chegar a todos.
Aqueles que sabiam que a Baekcheong evitava ômegas prestaram atenção especial ao incidente anterior do noivado e a esta posse do novo presidente.
O novo presidente, de propósito, incluiu no discurso as palavras “independentemente das características”.
Essas palavras soaram ainda mais confiáveis por causa de sua característica especial.
Se ele tivesse dito isso quando era conhecido apenas como alfa, com certeza teriam olhado com desconfiança, dizendo “é o filho alfa do ex-presidente, que tinha superioridade alfista, é claro que seria assim mesmo”.
E, mesmo que fosse ômega, algumas pessoas poderiam ter dividido a opinião dizendo “ele fala isso porque também é ômega”.
Mas Baek Kanghyeon era um alfega, portador tanto das características de alfa quanto de ômega.
Vivendo como alfa dominante, ele passara a compreender profundamente os ômegas através de seus irmãos com quem tinha laços afetivos profundos, e ele próprio havia engravidado, assim como eles.
Ainda havia alguns que continuavam vendo Baek Kanghyeon como um mutante estranho, mas a maioria acenou com a cabeça diante de seu discurso de posse. Como ele mesmo possuía as duas características, achavam bastante plausível que falasse sobre igualdade entre características e uma política de avaliação centrada no mérito, independentemente delas.
Mas o quanto o novo presidente, recém-empossado, conseguiria realizar era algo que só o tempo diria.
˚˚˚
No Aeroporto Internacional de Incheon, movimentado por multidões.
Em uma sala privada do lounge VVIP, tão silenciosa e aconchegante que parecia não pertencer àquele lugar, ouvia-se a risada agradável de Baek Jungman.
— Agora sim está parecendo que a barriga cresceu um pouco. Fiquei preocupado porque, quase chegando às 20 semanas, não dava para notar quase nada.
Baek Jungman havia posicionado sofás individuais macios lado a lado, tocando a barriga de Kanghyeon. Vista de fora, parecia um abdômen plano, mas, ao tocar diretamente com a mão, sentia-se algo um pouco diferente de antes. No lugar da barriga rígida de antes, havia agora um leve arredondamento.
— O que o médico disse? Está tudo bem com o bebê?
Kanghyeon sorriu de leve para Baek Jungman, que apalpava sua barriga com um rosto preocupado.
— Ouvi dizer que, como meu corpo era ajustado ao padrão de um alfa e é a primeira gravidez, a barriga só está demorando mais para aparecer. Está tudo bem saudável.
— Que bom. Como estão os movimentos do bebê?
— Sinto bem. Às vezes parece até que ele está chutando.
O olhar de Baek Jungman, que estava suave até então, ficou consideravelmente severo. Ele se lembrou de Kwon Haeil, que havia tentado entrar junto naquele momento e fora expulso sob seu olhar reprovador.
— A personalidade não puxou àquele sujeito, não? Quando a Yerin estava grávida de você, era tão quieto que até me preocupava.
— Eu até queria que fosse assim.
— Nem fale uma coisa dessas. Quantas pessoas você pretende deixar de cabelo em pé?
Baek Jungman, ainda traumatizado pela lembrança de ter sido duramente repreendido por Kwon Haeil e enjoado de sua audácia, não conseguiu deixar de fazer um rosto sério. Um neto atrevido como Kwon Haeil era, definitivamente, algo a que ele dizia não, terminantemente.
Mas, por outro lado, achava que talvez não tivesse problema algum. Afinal, era um precioso neto, dado à luz por seu precioso filho — como não achar adorável?
Achando aquela situação ao mesmo tempo estranha e emocionante, Baek Jungman soltou uma risada meio vazia.
— Quem diria que um dia eu esperaria por um neto assim, dessa forma. Rá…
— O senhor não gosta?
Diante daquela voz, Baek Jungman ergueu o olhar e encontrou os olhos de Baek Kanghyeon, agora um pouco sombrios.
— Por não ser um alfa perfeito… acha estranho?
Diante das palavras de Kanghyeon, os lábios de Baek Jungman se fecharam por um instante.
Não muito tempo depois de Baek Kanghyeon assumir o cargo de novo presidente —
Kwon Haeil, que aparecera de repente em Cheongwunjae dizendo que arranjara uma boa bebida, chegara a dizer algo assim, de repente.
“O Baek Kanghyeon não é especial só porque é um alfa dominante.”
“Não é porque eu o amo que ele é especial?”
Para uma fala de Kwon Haeil, aquilo eram, de fato, boas palavras. Talvez por isso a bebida que recebera dele naquele dia tivesse descido tão bem.
Recordando aquele momento, Baek Jungman sorriu com suavidade.
— De jeito nenhum.
Baek Jungman segurou delicadamente a mão de Kanghyeon. Uma mão de ossos firmes e retos, semelhante à sua nos tempos de juventude, foi gentilmente segurada pela sua mão já enrugada.
— Tanto faz se é alfega. Tanto faz se está grávido. O fato de ser meu filho não muda.
Do olhar de Baek Jungman voltado para Kanghyeon, transbordava um carinho inconfundivelmente profundo.
— Você sempre foi um filho perfeito para mim.
Os olhos de Kanghyeon vacilaram com ternura.
Mesmo tendo ouvido essas palavras inúmeras vezes, hoje elas pareciam, de alguma forma, diferentes de todas as vezes anteriores.
O carinho de Baek Jungman por ele era simplesmente impossível de medir. Um sentimento tão profundo que parecia capaz de lhe entregar tudo que existisse no mundo, se ele apenas desejasse. Ainda que, levado longe demais, tivesse se transformado, sob o pretexto de “pelo bem do filho”, em opressão e controle repetidos.
— Eu… gostaria que esse sentimento do senhor pudesse alcançar também os meus irmãos.
Sabia que não seria fácil.
Mas, agora que ele havia deixado ir tanta coisa, talvez fosse permitido ter um pouco de esperança.
— …
Baek Jungman não respondeu; ficou em silêncio por um instante. Assim como as pessoas não mudam facilmente, deixar de lado uma aversão a ômegas acumulada por tanto tempo certamente exigiria bastante tempo.
Foi então que —
— O horário do voo já não está próximo?
Diante daquela voz repentina, Baek Jungman logo fez um rosto feroz.
— Eu não tinha dito para você não entrar aqui?
Kwon Haeil, que surgira de súbito, abaixou levemente os óculos escuros que usava, com um rosto de quem se sentia injustiçado. Seus olhos arregalados, propositalmente redondos, pareciam bastante irritantes.
— Vim fazer o papel de despertador. Se o senhor perder o voo assim, a sogra vai ficar brava. Ouvi dizer que uma pessoa tão calma quanto ela até solta uns palavrões para o senhor, sogro.
— Quem disse isso?!
— Minha mãe ouviu, aparentemente. Dias atrás, quando o senhor bebeu e chorou ao telefone, a sogra…
— Ora, seu tagarela!
Cortando apressado a fala de Haeil enquanto olhava de relance para Kanghyeon, Baek Jungman resmungou baixinho:
— Que sujeito irritante. Como foi que o Kanghyeon acabou fisgado por um cara desses…
Resmungando baixinho, de propósito, para que Kanghyeon não ouvisse, ele emitiu, de forma bem audível de propósito, um estalar de língua de reprovação. Olhando então para Haeil, viu que ele sorria com um olhar inocente, como se não soubesse de nada. E, mais uma vez, aquela frase “sujeito irritante” escapou naturalmente de sua boca.
Levantando-se, Baek Jungman finalmente conferiu as horas. De fato, como Haeil dissera, já estava na hora de se dirigir ao embarque.
Antes de sair do lounge, Baek Jungman lançou um olhar feroz e avisou a Kwon Haeil:
— Você vai ter que cuidar bem do meu filho e do meu neto. Se acontecer qualquer probleminha, você vai ser o primeiro a se ferrar.
— Não se preocupe. Vou viver tão feliz e apaixonado que o senhor vai morrer de inveja.
— …Vou ficar de olho.
A voz de Baek Jungman ainda soava desagradável, mas, mesmo assim, estava consideravelmente mais suave do que antes. Kanghyeon, mais uma vez, se surpreendeu com a facilidade que Kwon Haeil tinha de se relacionar e sua personalidade desenvolta.
Ao sair do lounge e se juntar aos seguranças, Baek Jungman fez sinal para que Kanghyeon e Haeil, que o seguiam, parassem.
— Já chega de me despedir, entre logo e descanse. Não force o corpo.
Mesmo quase sem sinal visível, Kanghyeon era, sem dúvida, uma gestante com mais de 20 semanas. Deixá-lo em pé por muito tempo era, de fato, motivo de preocupação.
Kanghyeon respondeu que sim, mas, ainda assim, se aproximou de Baek Jungman e o abraçou.
Baek Jungman continuava, como sempre, com uma boa presença física, mas a idade não podia ser ignorada. Kanghyeon, percebendo que o corpo do pai não era tão grande quanto imaginava, disse:
— Vá com cuidado, Pai.
Baek Jungman sentiu uma emoção inesperada ao ver Kanghyeon o abraçando primeiro, daquele jeito. Sentindo o nariz formigar sem motivo aparente, sorriu, satisfeito.
— Sim. Vou de coração leve.
Talvez por não ter mais que planejar tudo do início ao fim, deixando tudo inteiramente nas mãos de Baek Kanghyeon, sentia-se literalmente leve. Como Baek Kanghyeon vinha demonstrando uma gestão fluida mesmo depois de assumir o cargo de presidente, não havia motivo para preocupação — ele daria conta muito bem.
Acariciando com carinho as costas de Kanghyeon, Baek Jungman voltou a franzir as sobrancelhas para Kwon Haeil.
Aquele sujeito ali, de novo fingindo inocência, com os olhos brilhando.
— Se aquele maluco te tratar mal, me avisa a qualquer momento.
— Entendido.
Diante das palavras preocupadas de Baek Jungman, Kanghyeon respondeu com uma voz sorridente, mas pensou consigo mesmo:
“Que o Kwon Haeil é tratado como maluco por todo mundo, isso sim.”
Depois de despedir-se de Baek Jungman, no caminho para fora do aeroporto, Kwon Haeil perguntou:
— A gente também vai viajar em breve?
Kanghyeon, sentindo o braço envolvê-lo carinhosamente pelo ombro, sorriu de leve.
— Vamos, sim. Depois que o Milagre nascer, vai ser uma loucura, então acho bom irmos antes disso.
Ao ouvir a resposta de Kanghyeon, Haeil arregalou os olhos. Era um rosto de genuína surpresa, diferente daquele “olhar de trapaceiro fingindo não saber de nada” que mostrava a Baek Jungman.
— Que surpresa? Achei que você ia dizer que estava ocupado demais com o trabalho.
— Se eu ia dizer isso, por que você perguntou?
— Porque meu papel é fazer o impossível acontecer.
— E se eu tivesse dito que não podia, o que você teria feito?
— O que eu ia fazer? Ia te derrubar primeiro e perguntar de novo depois.
Diante daquela resposta cheia de confiança, Kanghyeon riu baixinho outra vez.
— Então, por ora, vamos dizer que não pode.
Seu olhar suave, carregado de um brilho sutil, se voltou para Haeil.
— Onde seria bom cair, então?
Glup — pareceu ouvir-se, de algum lugar, o som de alguém engolindo em seco.
Um leve calor se acumulou no olhar de Haeil.
— A minha cama é sempre a melhor, não é?
Sussurrando de forma sedutora, Haeil encontrou o olhar de Kanghyeon, que sacudiu de leve a mão dele.
— Precisa falar direito.
Soltando-se de Haeil, que caminhava devagar, Kanghyeon deu um passo à frente e corrigiu sua fala.
— Não é sua cama, é a “nossa” cama.
Olhando para trás, por cima do ombro, e lançando mais uma vez um olhar sutil para Haeil, Kanghyeon voltou a caminhar à frente. Haeil, que por um instante ficou parado, atordoado, retirou a mão que pairava ambiguamente no ar e engoliu um palavrão intenso.
— Ah, po… Está ficando cada vez mais raposa, essa criatura…
Passando a mão pelo rosto, que subitamente esquentara, Haeil correu apressado atrás de Kanghyeon.
— Espera por mim, Baek Kanghyeon!
Logo, os passos dos dois se igualaram, e eles subiram no mesmo carro, rumo ao mesmo prédio, à mesma casa.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna