Alphega — Episódio 118
Diante de Cheongwunjae, esperavam alguns empregados, seguranças e o mordomo Park.
O mordomo Park observou com olhos frios Kwon Haeil, que caminhava ao lado de Baek Kanghyeon. Aquele que havia contrariado os desejos de Baek Jungman e conquistado o lugar ao lado do precioso caçula parecia, aos seus olhos, um verdadeiro espinho.
— Seja bem-vindo, jovem mestre mais novo.
O mordomo Park curvou-se, de propósito, apenas diante de Baek Kanghyeon. Os demais empregados também seguiram o exemplo do mordomo Park, como se Kwon Haeil sequer estivesse ali.
“Não é alguém que mereça ser tratado assim…”
Incomodado com o comportamento do mordomo Park e dos empregados, Kanghyeon estava prestes a dizer algo, quando a mão que Haeil segurava apertou um pouco mais forte. Ao se virar, viu Haeil sorrindo tranquilamente, como quem dizia que estava tudo bem.
Aproximando os lábios da orelha de Kanghyeon, como se fosse beijá-la, Haeil sussurrou:
— Está tudo bem. Eu tenho um vício antigo de ficar todo empolgado quando alguém me encara com olhos hostis.
— Você tinha esse vício também?
— Não sabia? Toda vez que o Baek Kanghyeon me encarava dizendo para eu parar de enfiar tão fundo, ficava ainda mais…!
— Cale a boca.
Kanghyeon tapou apressado a boca de Haeil com a mão e o encarou. Mesmo sendo em sussurro, soltar sem hesitação algo tão constrangedor era bem a cara maluca de Kwon Haeil.
Mas, graças a isso, sentiu que os nervos, antes tensos, haviam relaxado um pouco. Como se tivesse sido essa a intenção, os olhos de Haeil, com a boca tapada, sorriram de leve. Os olhos de Kanghyeon também se suavizaram logo em seguida.
O mordomo Park, que observava os dois com olhos desaprovadores, quebrou o clima entre eles com um “vou guiá-los”.
Seguindo o mordomo Park para dentro, o interior era tão imponente quanto parecia de fora.
Só que havia corredores em todas as direções, tornando óbvio que alguém entrando pela primeira vez se perderia com facilidade. A preocupação de Kwon Haeil de virar uma criança perdida não era, afinal, totalmente infundada.
Seguindo o mordomo Park, os dois chegaram à sala de estar de Baek Jungman.
Toc, toc — junto com a batida na porta, o mordomo Park anunciou a chegada dos dois. De dentro, veio a voz de Baek Jungman, mandando entrar.
Assim que a porta se abriu, uma atmosfera consideravelmente pesada se espalhou pela sala, onde Baek Jungman deveria estar sozinho. Por causa disso, ambos ficaram, sem querer, tensos.
Baek Jungman, que os aguardava, observou em silêncio os dois, que se curvaram educadamente enquanto seguravam as mãos com carinho. Seu silêncio persistiu até depois que Kanghyeon e Haeil se acomodaram do outro lado e um chá quente lhes foi servido.
Depois que o mordomo Park e os empregados saíram.
Restando apenas os três na sala, a voz de Baek Jungman ecoou.
— O Seongju veio me visitar ontem.
Na voz de Baek Jungman havia uma intimidação condizente com sua autoridade, mas também transparecia, de algum modo, certa falta de força.
— Ele disse que continua sem nenhum desejo de assumir o cargo de presidente, mas que, se eu continuasse teimando, ousaria subir lá em cima. Que atrevimento.
Baek Jungman se lembrou de Baek Seongju, que aparecera em Cheongwunjae no dia anterior, e transmitiu o que ele lhe dissera.
— Disse que, assim que subisse ao cargo e eliminasse, um a um, tudo o que eu havia preparado, só então entregaria o posto de presidente a você.
Baek Seongju, como sempre, mantinha uma expressão tão indecifrável quanto de costume.
Por outro lado, em suas palavras e em sua voz havia uma determinação clara. Como naquele momento em que declarara, na cerimônia de noivado, que se candidataria ao cargo de presidente.
Baek Seongju, que costumava agir como uma boneca obediente — embora de um jeito diferente de Kanghyeon —, havia mudado.
“Não, será que aquele é o verdadeiro rosto dele?”
Como Lee Yerin dissera, Baek Seongju já tinha poder suficiente. Poder para desencadear, a qualquer momento, um golpe.
Ainda assim, ele preferira não expor esse poder e permanecer quieto, provavelmente por causa de Baek Kanghyeon. Desde criança, ele estivera pronto a fazer qualquer coisa por Baek Kanghyeon, que sempre o protegera, a ele e aos outros irmãos.
Lembrando-se dos olhos firmes de Baek Seongju, Baek Jungman deu um leve sorriso irônico.
— A Yerin também disse que, se eu não mudasse de pensamento, sumiria por vários anos. Disse que estava enjoada de mim.
Lee Yerin sempre fora elegante e refinada, mas, com o próprio marido, também não hesitava em lançar palavras cortantes. Por causa disso, o coração de Baek Jungman já estava todo esfarrapado pelas facadas dolorosas que ela havia cravado.
Baek Jungman falou, olhando deliberadamente para Kwon Haeil com franqueza.
— De todos os lados, quanta ameaça assustadora eu recebi, minha nossa. Provavelmente essa foi a primeira vez, em toda a minha vida, que recebi tantas ameaças assim.
Rindo levemente, Baek Jungman logo em seguida mostrou um sorriso amargo.
Graças a tantas ameaças, muitas coisas lhe vieram à mente.
Será que eu errei tanto assim? O que exatamente foi que pensei errado? Será que tudo o que fiz até agora estava mesmo certo? Será que, na verdade, causei muito sofrimento?
Quanto mais remoía, mais dúvidas surgiam.
Essas dúvidas o permitiram, enfim, reconsiderar com frieza o caminho que havia percorrido.
Baek Jungman olhou para o filho de sangue que era a menina dos seus olhos, com um olhar cheio de afeto.
— …Para mim, você e a Yerin são tudo. Isso continua sendo verdade até hoje.
Revelando por completo o sentimento profundo que carregava, Baek Jungman disse, com amargura:
— Ainda assim, continuo achando que minhas atitudes não estavam erradas.
Com um leve suspiro, os olhos de Baek Jungman se tornaram nostálgicos.
— Eu só queria construir para o meu filho o caminho mais seguro possível, e desejava que ele fosse feliz nele para sempre.
Esse desejo era algo que ele carregava desde o momento em que o milagre, conquistado depois de longo sofrimento, finalmente chegara aos seus braços.
Recordando aquela emoção intensa e a felicidade daquele instante, Baek Jungman fechou os olhos suavemente.
— Mas comecei a pensar que talvez isso não seja um bom caminho para você.
No campo de visão escurecido de Baek Jungman, com os olhos fechados, os tempos anteriores a conquistar Baek Kanghyeon passaram rapidamente diante dele.
— As feridas que carrego dos ômegas, o trauma resultante disso, o fato de ter ouvido tantas vezes a palavra “anormal” ao longo do tempo… Eu só queria que você não passasse por nada disso.
Quando Baek Jungman abriu os olhos novamente —
Em seus olhos não havia mais o brilho intimidador de um chefe de um grande grupo empresarial, mas apenas o olhar de um pai comum.
— …Minha ambição foi tão grande quanto o meu medo.
Por longo tempo, mantivera olhos e ouvidos fechados.
Pela família, por Baek Kanghyeon, pelo milagre que trouxera aos braços.
Colocando essas palavras à frente, ele havia agido a seu bel-prazer, e agora, finalmente, achava que talvez tudo aquilo tivesse estado errado.
Se fosse esse o caso, os preconceitos e o controle, a opressão e a coerção que exercera com toda naturalidade, jamais poderiam ser considerados algo leve.
Provavelmente Baek Kanghyeon, também querendo se libertar dessa opressão, resolvera fazer aquela declaração bombástica na própria cerimônia de noivado, usando-a como palco.
Recordando a coragem que Baek Kanghyeon demonstrara naquele momento, Baek Jungman deixou o chá umedecer seus lábios ressecados. O chá aromático e doce aqueceu sua boca ao passar.
Sentindo que, assim como sua boca, seu interior também se aquecia, Baek Jungman falou com uma voz um pouco mais leve.
— Um velho aposentado deve agir como tal.
O olhar de Baek Jungman se voltou para uma das janelas da sala de estar.
Através do vidro transparente, viam-se o céu límpido e a folhagem verde ao longe. Ao se lembrar de Lee Yerin, que costumava frequentar aquela sala para contemplar essa paisagem, Baek Jungman soltou um sorriso sereno.
— A partir de agora, pretendo deixar a Baekcheong completamente em suas mãos e sair para namorar a Yerin. Vou ficar bem ocupado por um tempo, tentando recuperar todos os pontos que perdi com ela.
Imaginando os dias felizes que passaria ao lado de Lee Yerin, Baek Jungman olhou com carinho para Kanghyeon, que escutava tranquilamente suas palavras.
— Assim que a assembleia de acionistas terminar sem problemas, não vou mais interferir nos seus assuntos.
— O senhor vai ficar bem assim?
Baek Jungman, que sempre interferira naturalmente ao longo de tantos anos — era razoável que Kanghyeon perguntasse, ainda que discretamente.
Baek Jungman balançou a cabeça, com um leve sorriso.
— Sei o que você quer fazer depois de se tornar presidente. Sei também que, por causa dos seus irmãos, você quer mudar muita coisa.
Kanghyeon fez uma expressão levemente surpresa diante daquelas palavras. Baek Jungman disse “afinal, ainda sou seu pai, não sou?”, revelando que já sabia dos pensamentos de Kanghyeon há algum tempo.
Originalmente, mesmo depois de Kanghyeon se tornar presidente, Baek Jungman pretendia controlar as reformas que ele desejasse fazer. Já tinha meios de sobra preparados para isso.
Mas decidiu desistir.
— Faça como quiser.
Agora pretendia soltar as amarras, para que seu filho pudesse viver como bem entendesse.
— Você pode. …Porque é meu filho.
Foram palavras finais carregadas de muitos sentidos e sentimentos.
Kanghyeon, sentindo, por algum motivo, o peito se aquecer, mostrou, enfim, um sorriso radiante.
— Obrigado, Pai.
Aquele sorriso era tão bonito que Baek Jungman, ao erguer a xícara de chá, chegou a hesitar por um instante.
“Realmente… é a cara escarrada da Yerin.”
Aquele mesmo sorriso que, nos tempos de juventude, fizera Baek Jungman se apaixonar perdidamente por Lee Yerin, agora se refletia em Baek Kanghyeon. O fato de ser a primeira vez que via um sorriso tão radioso assim golpeou dolorosamente seu peito.
Clique-
Um som que não combinava nem um pouco com aquele momento calorosamente comovente foi ouvido. Era o som de disparo de um celular, imitando o de uma câmera de verdade.
Os olhares de Kanghyeon e Baek Jungman se voltaram, ao mesmo tempo, para Haeil. Ele, que segurava o celular para fotografar o perfil de Kanghyeon, olhou alternadamente para os dois e riu, sem graça.
— Ah, desculpem. Podem continuar a conversa. É que essa foto de perfil era boa demais para eu deixar passar.
Haeil falou com confiança, fingindo, de propósito, ser alguém sem tato.
Era verdade que tirara a foto porque o sorriso de Baek Kanghyeon estava lindo demais, mas, à parte disso, também pretendia aliviar a atmosfera. Mesmo tendo terminado de forma calorosa, Baek Kanghyeon tinha a tendência de pensar demais se ficasse muito tempo naquele clima pesado. Para evitar isso, ele expôs seu capricho pessoal sem a menor hesitação.
Observando Haeil, Kanghyeon soltou um pequeno riso diante daquela atitude absurda dele. Ao mesmo tempo, o rosto de Baek Jungman se contorceu de um jeito bastante cômico.
— Você, você…!
Sem conseguir terminar a frase, Baek Jungman bebeu de uma vez o chá que restava na xícara, como se estivesse bebendo álcool. Depois de umedecer bem a garganta, apontou o dedo para Kwon Haeil e disse a Kanghyeon:
— Vou precisar ouvir com detalhes como esse moleque sem educação e atrevido te enganou. E também as circunstâncias de como você acabou grávido, de repente!
Baek Jungman já havia perguntado isso logo depois do incidente do noivado. Naquela ocasião, Baek Kanghyeon dissera “não tenho mais nada a dizer ao Pai” e se virara, cortando a conversa, então ele não conseguira resposta alguma na época — mas agora seria diferente.
Antes mesmo que Kanghyeon conseguisse responder algo, o braço de Haeil envolveu sua cintura. De propósito, puxou Kanghyeon para o lado, colando-o a si, e ainda pousou a mão sobre seu abdômen.
— O senhor também estava bem curioso para saber como nosso Milagre foi feito, não é? Não se preocupe, minha semente excelente trabalhou muito duro para… umf!
A mão de Kanghyeon tapou, mais uma vez, a boca de Haeil.
— Acho melhor você ficar quieto por um tempo, Kwon Haeil.
Bloqueara suas palavras de propósito porque Baek Jungman parecia prestes a ter um treco, mas, ao contrário do esperado, ele falou em tom desafiador.
— Não, tira essa mão daí. É, vamos ouvir logo o que ele tem a dizer.
Baek Jungman rosnou, sem esconder os dentes.
— Semente excelente? Não me faça rir. O nosso Kanghyeon conseguiu engravidar porque tem uma característica excelente e especial, e o que mais? Puxa vida.
— Isso mesmo, isso mesmo. O senhor entende bem, Pai. Nunca na vida vi alguém tão incrível assim, sabia?
Kwon Haeil, sem negar, acenou de imediato com a cabeça, concordando com Baek Jungman. Mesmo sendo Kwon Haeil quem estava à sua frente, ao ouvir elogios ao próprio filho, um lado do rosto de Baek Jungman se suavizou por hábito. Muito a cara dele, um bobo apaixonado por Baek Kanghyeon e apenas por ele.
Mas, diante da fala seguinte de Kwon Haeil, arregalou os olhos de novo, com um rosto feroz.
— Na verdade, desde a primeira vez que nos encontramos, o Baek Kanghyeon já espalhava um cheiro de enlouquecer as pessoas, sabe. E isso é tão absurdo que já fui logo derrubando ele…
— O quê?!
— É, é melhor calar a boca mesmo.
Em meio ao espanto de Baek Jungman, a ameaça afiada de Kanghyeon foi ouvida, mas a fala de Haeil não parou por um bom tempo.
˚˚˚
No dia da assembleia de acionistas.
Baek Kanghyeon conseguiu garantir com sucesso mais de 50% de participação favorável, ultrapassando a maioria.
Assim, em meio aos aplausos de muitos, Baek Kanghyeon finalmente assumiu o cargo de novo diretor-presidente e presidente do Grupo Baekcheong.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna