Alphega — Episódio 117
Baek Jungman remoía o encontro que tivera com Kwon Haeil à tarde, enquanto virava, um atrás do outro, copos cheios de bebida amarga.
“Se de verdade o reconhece, por que insiste em tornar todos os caminhos à frente do Baek Kanghyeon incondicionalmente seguros?”
“Mesmo sem que se estenda um caminho sem nenhum obstáculo, o Baek Kanghyeon consegue caminhar sozinho. Seja em meio a espinhos ou em estrada de terra, é uma pessoa capaz de superar tudo com sua própria capacidade, não importa o que seja.”
“O senhor só quer controlar totalmente o Baek Kanghyeon.”
Ao se lembrar das palavras de Kwon Haeil, o rosto de Baek Jungman se contorceu de imediato.
— Moleque atrevido. O que ele acha que sabe…
Resmungando com raiva, Baek Jungman despejou uísque escuro e avermelhado no copo vazio. O gelo redondo dentro do copo balançava de um lado para o outro nas ondas da bebida.
No exato momento em que ia beber de uma vez a bebida recém-servida, seu celular tocou. Assim que viu o nome na tela, arregalou os olhos e atendeu.
— Yerin! Por que raios você continua sem atender minhas ligações?
— Já sei o que você vai dizer. Que precisa da minha participação, não é?
Do outro lado da linha, a voz clara de Lee Yerin se fez ouvir. Ao contrário de Baek Jungman, cujas emoções oscilavam sem parar, a voz de Lee Yerin estava infinitamente calma.
Baek Jungman pousou o copo sobre a mesa e soltou um suspiro profundo.
— Então por que resolveu me atender só agora?
— Porque agora não é a minha participação que você precisa, mas a Lee Yerin.
Como boa esposa que era, Yerin sabia captar muito bem os sentimentos de Baek Jungman.
Por outro lado, Baek Jungman não conseguia entender o que Lee Yerin estava pensando. Não entendia por que ela vinha ignorando seus contatos até agora, nem por que dera uma procuração a um maluco como Kwon Haeil. Talvez por isso mesmo, agora Lee Yerin lhe parecesse consideravelmente estranha.
Baek Jungman passou a mão pelo rosto e perguntou, num tom de pressão:
— O que aconteceu com essa procuração? Você se encontrou com ele? Quando? Por quê? E qual foi o motivo de tê-la assinado?
As perguntas de Baek Jungman jorravam apressadas.
— O motivo pelo qual assinei a procuração para aquele rapaz é só um.
Em vez de responder detalhadamente a cada pergunta, Yerin apenas respondeu o motivo de ter dado a procuração a Kwon Haeil.
— Achei que ele conseguiria fazer você tomar juízo, já que, por mais que eu fale, você não me escuta de jeito nenhum.
Diante da voz de Lee Yerin, fria a ponto de parecer arrepiante, Baek Jungman se assustou e ficou tenso. Parecia ser uma voz carregada de muita coisa acumulada.
Do outro lado da linha, pareceu vir um suspiro profundo, semelhante ao de Baek Jungman, e então Lee Yerin perguntou, com uma voz um pouco mais leve.
— Está bebendo, não está?
— Não tem como não beber.
Ouvindo a voz amarga de Baek Jungman, Yerin soltou um pequeno riso. Em seguida, ficou um instante em silêncio e, logo depois, se ouviu um suspiro fresco, como quem havia acabado de beber algo picante. Ao que parecia, Lee Yerin também estava bebendo.
— Como foi com o Haeil?
— Como assim, como foi? Foi um maldito sem-vergonha.
Diante do palavrão solto sem hesitação de Baek Jungman, Yerin voltou a rir.
— Se chegou a xingar assim, deve ter levado um baita golpe.
— Foi a primeira vez que alguém foi tão atrevido comigo assim.
— É mesmo. Ele é tão atrevido e ousado quanto sua aparência sugere.
A voz de Yerin, concordando, ficou um pouco melancólica, como quem se lembrava de Kwon Haeil e Baek Kanghyeon.
— Por isso é que acho que ele consegue se dar bem até com o teimoso do Kanghyeon.
Só então Baek Jungman percebeu que Lee Yerin havia reconhecido Kwon Haeil como companheiro de Baek Kanghyeon. Tinha esperança de que, mesmo tendo assinado a procuração, essa parte fosse algo à parte, mas parecia ter sido uma expectativa em vão.
Ergueu o copo para tentar acalmar o burburinho no peito. A bebida forte, escura e avermelhada, desceu pela garganta de Baek Jungman, penetrando ainda mais fundo.
Um suspiro impregnado de álcool escapou junto com o lamento de Baek Jungman.
— Hah… sinceramente, não sei mais. Será que fiz algo tão errado assim? Todo pai quer que o próprio filho trilhe o melhor caminho, não é?
— Esse sentimento não está errado.
Yerin falou com carinho, como quem consolava Baek Jungman.
— Mas o caminho seguro que os pais constroem nem sempre é, necessariamente, um ‘bom caminho’.
Para Baek Jungman, essas palavras — de que o caminho que ele havia construído não era um ‘bom caminho’ — doeram ainda mais do que dizer que seu sentimento estava errado.
— Acho que o caminho verdadeiramente bom é aquele em que se aprende e se percebe muitas coisas ao longo do trajeto.
Yerin pensou que era exatamente agora a hora de dizer essas palavras. Até então, Baek Jungman havia vivido de olhos e ouvidos fechados, concentrado apenas em empurrar Baek Kanghyeon para um caminho seguro. Por mais que se dissesse a ele antes, nunca dava ouvidos, mas agora, depois de Kwon Haeil ter mexido tudo, ela achou que ele finalmente estaria disposto a escutar.
— O Kanghyeon é uma criança muito inteligente. Mesmo caminhando pelo caminho seguro que você construiu, ele nunca deixou de se esforçar, como se estivesse caminhando por um caminho difícil.
Isso Baek Jungman também sabia muito bem.
Na infância, para se tornar o filho ideal que ele desejava, Kanghyeon vivera uma vida monótona, dedicada apenas aos estudos, e, depois de adulto, mesmo à parte dos arranjos já preparados, mergulhara de cabeça no trabalho.
O fato de Baek Kanghyeon quase não vir à tona durante o período em que Baek Seongju era apresentado como herdeiro também se devia, em parte, à sua carga excessiva de trabalho. Um filho de família rica, criado com tanto zelo, dificilmente aguentaria diariamente uma carga de trabalho maior do que a de um empregado comum. É claro que 80 ou 90% dessa carga era algo que ele mesmo assumira voluntariamente ou criara por conta própria.
— Por isso o Seongju também está ajudando o Kanghyeon. Para que ele possa se libertar de você e seguir o caminho que quiser.
— Aquele absurdo que ele armou é ajudar o Kanghyeon? Nunca! Deve estar de olho no cargo que o Kanghyeon devia ocupar! Que sujeito ingrato…
Baek Jungman, com o rosto contorcido, bufava, e Yerin estalou a língua brevemente.
— Você conviveu tanto tempo com ele e ainda assim não percebeu nada?
— O que eu não percebi?
— Se o Seongju realmente cobiçasse o lugar do Kanghyeon, você já teria sido afastado há muito tempo.
Ao ouvir as palavras de Lee Yerin, Baek Jungman fez uma expressão intrigada. Yerin continuou falando, como quem via claramente que expressão ele estava fazendo.
— Você sabe quantos acionistas já tentaram se aliar ao Seongju até agora? Alguns acionistas até chegaram a falar com Seongju sobre uma moção de destituição contra você, achando que valia a pena tentar sozinhos. E não foi só uma ou duas vezes.
— O quê?!
— Quem sempre recusou isso até agora foi o Seongju. Se ele quisesse, poderia, a qualquer momento, ter te afastado primeiro e mirado o cargo de presidente.
Para Baek Jungman, essa era a primeira vez que ouvia aquilo. Mais surpreendente do que o fato de uma moção de destituição contra ele já ter sido cogitada, era saber que havia acionistas suficientemente confiantes para apoiá-lo naquilo.
Mas, pensando bem, não era algo totalmente impossível.
Só agora, Baek Seongju já havia garantido uma participação favorável próxima de 49%. Só não havia percebido antes porque ele nunca respondera aos apelos dos acionistas e mantivera firme sua posição atual.
Se Lee Yerin tivesse permanecido neutra o tempo todo, abstendo-se, ele poderia ter chegado ao cargo de presidente apenas com essa participação de 49%. E se usasse algum artifício um pouco desonesto para atrair parte dos apoiadores do presidente Baek Jungman, com certeza ultrapassaria facilmente a maioria.
Ao chegar a essa conclusão, uma leve tontura o atingiu de repente. Às pressas, virou de uma vez toda a bebida restante no copo, tentando recuperar a lucidez.
— O motivo pelo qual o Seongju ficou parado até agora foi por causa do Kanghyeon. E, desta vez também, foi por causa do Kanghyeon que ele agiu.
— Por causa do Kanghyeon…?
— Porque é isso que o Kanghyeon deseja.
O que Baek Kanghyeon desejava.
Essas palavras bateram, de forma estranhamente pesada, no peito de Baek Jungman.
— Você já ouviu, sequer uma vez, o que o Kanghyeon deseja? Você só sabe ameaçar e oprimir usando os irmãos como reféns, mas nunca pensou em de fato ouvir o que aquela criança realmente quer.
— Eu…
Abriu a boca, mas não tinha resposta para rebater as palavras de Lee Yerin.
Até agora, Baek Jungman achava que nunca havia visto Kanghyeon desejar algo dele.
Mas, remexendo na memória, voltando ao passado, Kanghyeon, muito raramente, chegava a dizer o que desejava.
Na maioria das vezes, isso dizia respeito aos irmãos, presos a um tratamento injusto; mas, às vezes, também refletia sua própria determinação firme e seus anseios. O primeiro sempre acabava se transformando em ameaça e opressão disfarçadas de gentileza; o segundo era ignorado, com a exigência de que caminhasse apenas pelo caminho seguro que ele havia construído.
Por isso não tinha o que responder.
Será que ele de fato dera ouvidos, sequer uma vez, ao que Baek Kanghyeon tentara dizer?
As respostas que dera a Baek Kanghyeon eram, de fato, feitas pensando nele — ou eram feitas para uma boneca que devesse apenas obedecer às suas palavras?
Diante do silêncio de Baek Jungman, Lee Yerin o consolou com carinho.
— Que tal, pelo menos uma vez, ouvir de verdade o que o nosso filho deseja?
Lee Yerin se arrependia de nunca ter impedido de fato Baek Jungman, tendo apenas fugido o tempo todo. Por isso, falou com uma voz ainda mais firme.
— Talvez esta seja, justamente, a oportunidade para você — não, para nós dois — mudarmos.
˚˚˚
Numa manhã cedo, faltando exatamente um dia para a assembleia de acionistas —
Baek Jungman chamou Baek Kanghyeon e Kwon Haeil até Cheongwunjae.
— Já tinha visto em fotos, mas… é realmente imenso.
Ouvindo a voz admirada de Haeil, Kanghyeon apontou para um lado da imensa casa principal. Além do que apontava, vislumbrava-se vagamente outro edifício.
— Aquilo ali atrás é a casa secundária. Devido à situação, é difícil te mostrar tudo em detalhe, mas provavelmente tem uma área equivalente à soma dos dois últimos andares do meu prédio.
— A casa secundária também é enorme.
Haeil, admirado, chegou a acenar com a cabeça e voltou a olhar para a casa principal.
Cheongwunjae.
Como Haeil dissera, era a mansão da família Baekcheong, orgulhosa de sua imensa área e imponência. O portão principal ficava a certa distância da casa, e era preciso virar a cabeça bastante para os lados para conseguir abarcar toda a mansão com os olhos — tamanha era a escala.
Diante de Cheongwunjae, Haeil, sem perceber, segurou firme a mão de Kanghyeon. Fez, propositalmente, uma expressão tensa.
— Se eu me perder, você tem que vir me achar. Combinado?
— Como eu vou te perder se estamos de mãos dadas assim, tão firmes?
Kanghyeon deixou escapar um leve sorriso. Aquele homem parecia mais preocupado em se perder na vasta Cheongwunjae do que em reencontrar Baek Jungman.
Kanghyeon, achando aquilo bem “a cara de Kwon Haeil”, entrelaçou os dedos com os dele, com confiança. Por causa da pressão sem folgas entre os dedos, a presença do anel se fazia sentir ainda mais.
Kanghyeon caminhou à frente, com uma atitude de quem não tinha nada a temer.
— Vamos.
— Tá.
Preso à mão de Kanghyeon, Haeil o acompanhou lado a lado, com toda naturalidade.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna