Alphega — Episódio 116
Por um instante, Baek Jungman ficou em silêncio e depois soltou um riso seco.
— Chantagem? Você?
Ainda que a declaração inesperada tivesse feito seu coração disparar por um momento, pensando com calma, não fazia sentido que Kwon Haeil apoiasse Baek Seongju.
Baek Jungman, ao contrário, encarou Haeil com uma expressão de quem dizia “pode tentar, se conseguir”.
— Deve estar dizendo bobagem só para me testar. Por que você iria dar a mão ao Seongju, com quem não tem nenhuma ligação? Se você gosta tanto assim, é claro que vai apoiar o Kanghyeon.
Kwon Haeil apoiando Baek Seongju? Para quê?
Por mais que pensasse, só conseguia concluir que era bobagem. No máximo, devia ser só para tentar assustá-lo.
— Parece que o senhor está enganado sobre algo.
Haeil falou com um sorriso no rosto, como quem dizia que o pensamento de Baek Jungman estava errado.
— É justamente porque gosto do Baek Kanghyeon que pretendo fazer o vice-presidente Baek Seongju se tornar presidente.
Dizer que apoiaria o outro lado justamente por gostar dele era algo que, por mais que pensasse, não fazia sentido.
— O senhor pretendia, depois que o Baek Kanghyeon se tornasse presidente conforme seu plano, dizer “daqui em diante se vire sozinho” e soltá-lo? Não é, não é mesmo?
Baek Jungman, prestes a se irritar dizendo que aquilo era um absurdo, se sobressaltou com as palavras seguintes de Haeil.
— O senhor não pretendia deixar tudo já planejado para que o Baek Kanghyeon pudesse exercer o cargo de presidente pelo resto da vida sem contratempos? Talvez já tenha até preparado tudo. Assim como sempre fez até agora.
Essas palavras que saíam da boca de Kwon Haeil eram, na verdade, a suposição e a convicção do próprio Baek Kanghyeon.
Mesmo depois de Baek Kanghyeon se tornar presidente, os arranjos de Baek Jungman continuariam, e certamente sua influência estaria profundamente entranhada na estrutura para que a Baekcheong não mudasse com facilidade.
Mas Baek Kanghyeon não pretendia simplesmente seguir isso à risca.
O motivo pelo qual, até agora, ele fora obrigado a se mover conforme Baek Jungman havia planejado era o fato de não ter poder suficiente. Porém, depois que se tornasse presidente, a maior parte do poder de Baek Jungman passaria para as mãos de Baek Kanghyeon, então não haveria mais necessidade de seguir tudo mansamente.
Originalmente, o plano era recusar o noivado e, ao longo de meio ano, garantir gradualmente para seu lado os apoiadores de Baek Jungman, um a um. Assim que se tornasse presidente, teria poder suficiente para anular o plano de Baek Jungman.
Mas, assim que a gravidez foi descoberta, nem essa tentativa foi mais possível.
— …
Baek Jungman, diante das palavras de Haeil, não conseguiu simplesmente dizer que não era verdade, e permaneceu em silêncio.
Ficando apenas observando por um instante, como quem tentava avaliar até onde Kwon Haeil havia percebido tudo, Baek Jungman finalmente abriu a boca, com atraso.
— …E qual é o problema nisso?
Baek Jungman parecia confiante, como quem não via problema algum.
— Como pai, o que há de errado em desejar que o filho veja e viva apenas coisas boas pelo resto da vida? Se tiver capacidade, não deve só desejar isso, mas pavimentar um caminho tranquilo para que aconteça.
— Não pretendo criticar o senhor, Pai. Pelo contrário, olhando apenas o que o senhor faz pelo Baek Kanghyeon, dá até para chamá-lo de melhor pai do mundo.
Ainda que despejasse desprezo e palavras duras sobre os outros irmãos, olhando apenas o carinho e os arranjos que fazia por Baek Kanghyeon, era, com certeza, um bom pai.
— Mas isso não significa que se pode tratar o próprio filho como uma boneca obediente.
Haeil se lembrou da expressão de Baek Kanghyeon totalmente absorto no trabalho, e do momento em que aquele rosto perdia, de repente, toda a energia.
— O senhor sabe por que o Baek Kanghyeon trabalha tão duro assim?
Como se nem esperasse resposta de Baek Jungman, Haeil emendou de imediato.
— É porque ele quer, de verdade, ser reconhecido pelo Pai.
— Eu sempre reconheci o Kanghyeon.
Diante de Baek Jungman, que retrucava com um rosto de quem não conseguia entender, Haeil falou com uma voz firme.
— Não, o senhor só finge fazer isso. Se o reconhecesse de verdade, por que insistiria em tornar todos os caminhos à frente do Baek Kanghyeon incondicionalmente seguros?
A expressão de Haeil se tornou consideravelmente séria.
— Mesmo sem que se estenda um caminho sem nenhum obstáculo, o Baek Kanghyeon consegue caminhar sozinho. Seja em meio a espinhos ou em estrada de terra, é uma pessoa capaz de superar tudo com sua própria capacidade, não importa o que seja.
Baek Jungman apenas franziu as sobrancelhas e escutou em silêncio as palavras de Haeil. Se quisesse, poderia rebater à vontade, mas o rosto sombrio de Baek Kanghyeon lhe veio à mente, e ele não conseguiu abrir a boca.
— O senhor só quer controlar totalmente o Baek Kanghyeon.
E, com isso, Kwon Haeil transmitiu uma dor surda e pesada ao peito de Baek Jungman.
— …Tudo isso é pelo bem do Kanghyeon.
— Deve querer acreditar nisso. Mas, até hoje, houve alguma vez em que o Baek Kanghyeon sorriu à vontade?
Baek Jungman voltou a se calar. Pensou em responder que sim, mesmo que fosse mentira, mas, ao mesmo tempo, uma profunda sensação de vazio o invadiu. Não conseguia, de forma alguma, balançar a cabeça diante das palavras de Kwon Haeil.
Observando o silêncio de Baek Jungman, Haeil pegou a jarra. Desta vez, encheu não o copo de Baek Jungman, mas o próprio.
— Do meu ponto de vista, o Baek Kanghyeon já é perfeito. Não é alguém que deveria ser controlado a vida inteira.
Erguendo o copo transbordante de bebida e bebendo de uma só vez, Haeil acrescentou, junto a um suspiro picante:
— Então, enquanto esse controle disfarçado de proteção continuar, o Baek Kanghyeon jamais vai chegar ao cargo de presidente.
Isso significava que, enquanto os arranjos de controle de Baek Jungman não fossem retirados, ele não apoiaria Baek Kanghyeon.
— Se não virar presidente, a gente simplesmente larga tudo e vai plantar no campo, ué.
Toc — o som leve do copo sendo pousado sobre a mesa parecia bater, insistente, no peito pesado de Baek Jungman.
— Se de verdade pensa no que é melhor para o Baek Kanghyeon, aproveite este momento para pensar bem sobre qual escolha deve fazer.
Levantando-se, Haeil se dirigiu à porta, como quem já havia terminado o que tinha a fazer. Abrindo suavemente a porta de correr, Haeil se virou para Baek Jungman e mostrou um sorriso desenvolto.
— A bebida estava ótima, sogro.
O tratamento que saiu da boca de Haeil soou como se resumisse a intenção de envelhecer ao lado de Baek Kanghyeon até o fim da vida.
Mesmo depois que Kwon Haeil deixou o local, Baek Jungman continuou ali por um tempo, virando o copo de bebida sem motivo algum.
˚˚˚
Depois de terminar o encontro com Baek Jungman, Kwon Haeil voltou para casa, como prometido, com a sacola cheia de romãs. Ao ver aquelas frutas maduras e bonitas, próprias da estação, Baek Kanghyeon veio naturalmente à sua mente, e um sorriso surgiu em seu rosto.
— Cheguei-.
Abrindo a porta da entrada e entrando em casa, Kwon Haeil esperava que Baek Kanghyeon corresse até ele para abraçá-lo. Gostava tanto de ser afagado com um “você se esforçou”, quanto de ver aquele rosto preocupado perguntando se estava tudo bem.
— Chegou?
Mas, por algum motivo, a voz de Baek Kanghyeon soava bastante distante. Não sentia sequer o menor sinal de que ele estivesse vindo em sua direção, nem sabia onde ele estava.
Seguindo o som da voz, Haeil logo chegou ao quarto.
Baek Kanghyeon estava sentado na cama, exatamente na mesma posição de quando Haeil saíra de casa. Até o ninho feito com as roupas continuava intacto, sem o menor sinal de bagunça.
— O que está fazendo?
Diante da pergunta de Haeil, Kanghyeon, dentro do ninho, fez uma expressão constrangida.
— Fiquei em dúvida se podia sair daqui, e acabei perdendo o momento certo.
— Hã? Por que ficou em dúvida?
Haeil perguntou intrigado, mas logo se lembrou do que dissera ao fazer o ninho.
“Está proibido sair daqui até eu voltar.”
Talvez tivesse sido exatamente por causa dessas palavras que Kanghyeon, saindo com cuidado do ninho, disse:
— Não sabia se “até você voltar” significava até chegar em casa, ou até chegar no quarto… …Acho que devia só ter saído.
Enquanto Kanghyeon falava, os cantos da boca de Haeil começaram, aos poucos, a se contorcer, e seus ombros tremiam de leve.
Por fim, incapaz de conter o riso, Haeil riu alegremente e abraçou Kanghyeon.
— Foi culpa minha, que te deixei confuso, foi culpa minha mesmo.
Poderia simplesmente ignorar as próprias palavras sem problema algum, mas esse homem, teimosamente correto, era mesmo admirável de um jeito engraçado.
Cobrindo o rosto de Kanghyeon com beijos rápidos, como quem achava aquilo lindo demais, Haeil pegou a sacola com as romãs.
— Aqui, um presente.
O aroma de romã, exalando da sacola, tocou intensamente o nariz de Kanghyeon. Era um cheiro bom o suficiente para despertar até um apetite que ele nem sabia que tinha.
Abraçando com os dois braços a romã que Haeil lhe dera, Kanghyeon logo mudou de expressão, deixando transparecer preocupação.
— Conseguiu conversar direito?
— Por quê? Ficou preocupado que eu tenha dito alguma bobagem?
— Você sempre diz alguma bobagem. Isso não é motivo para preocupação nova nenhuma.
— De vez em quando o Baek Kanghyeon crava uma facada sem nem piscar, hein.
Haeil riu por dentro, abraçando Kanghyeon com a romã junto ao peito. O leve cheiro de vento fresco que exalava de Haeil envolvia suavemente o aroma sutil de romã que vinha de Kanghyeon.
— Chantageei ele exatamente como combinamos. No começo, o rosto dele parecia mesmo de quem queria me matar, mas na hora da chantagem ele já tinha se acalmado.
— Você se esforçou bastante.
Kanghyeon acariciou as costas de Haeil, demonstrando arrependimento e gratidão por ele ter feito, em seu lugar, algo tão difícil.
— O que você acha? Se a chantagem não funcionar direito, no fim das contas o Hyung mais velho vai virar presidente.
Na verdade, para Baek Kanghyeon, mesmo que Baek Seongju se tornasse presidente, ele não teria grande insatisfação. Se fosse isso que Seongju desejasse, ele também estava disposto a apoiá-lo plenamente.
Mas o próprio Baek Seongju não tinha intenção de se tornar presidente. Ele e todos os outros irmãos haviam se unido ao plano com um único desejo: libertar Baek Kanghyeon das garras do pai.
Sabendo disso, era imensa a gratidão que sentia por Baek Seongju e pelos outros irmãos.
Por causa deles, este plano precisava, sem falta, dar certo — e daria certo.
— A chantagem vai funcionar direitinho.
Kanghyeon decidiu que, sobre este tabuleiro que todos haviam montado juntos, seria a primeira vez que manipularia o pai a seu bel-prazer.
— Já que o meu pai me conhece bem, eu também conheço bem o meu pai.
Assim como o pai sempre fizera com ele e com os outros irmãos.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna