Alphega — Episódio 113
— Naquela noite —
Kwon Haeil, junto com Baek Huiwoo, preparou uma quantidade considerável de pratos. Graças aos dois, a ampla mesa de jantar ficou repleta de comidas deliciosas.
Enquanto cozinhavam, Kwon Haeil e Baek Huiwoo pareciam ter ficado bastante próximos. Huiwoo, que antes achava Haeil bastante intimidador e secretamente o temia, já falava com ele com naturalidade, sem cerimônia. Haeil também chamava Huiwoo de “Hyung” com desenvoltura, respondendo a cada uma de suas palavras com familiaridade.
Baek Seohun, ao ver os dois tão próximos como amigos, fez uma expressão de quem achava aquilo meio esquisito, mas, ainda assim, não parecia desgostar.
Criado em um ambiente fechado, cheio apenas de repressão, Baek Huiwoo nunca havia tido a chance sequer de fazer amigos. Ainda que fosse um pouco desconfiável para um irmão mais novo, era certamente algo bom que ele tivesse alguém com quem pudesse conversar à vontade.
Em vez de repreender, Seohun acariciava a cabeça de Huiwoo em silêncio e, logo em seguida, olhou para Kanghyeon e Haeil.
Sem cansar, Haeil, sentado ao lado de Kanghyeon, oferecia um prato atrás do outro, dizendo “experimenta isso”, “que tal aquilo”. Por mais que devesse ser incômodo, Kanghyeon recebia tudo em silêncio e ainda avaliava cada prato com certa seriedade. Haeil, ouvindo atentamente aquilo, também era engraçado de se ver.
Em certo momento —
Seohun percebeu que um pequeno sorriso pairava continuamente nos lábios de Kanghyeon. Mesmo quando estava só com os irmãos, quase nunca mostrava um sorriso assim.
“…Ele é mesmo um bom sujeito.”
Já havia se convencido disso, até certo ponto, desde o primeiro encontro, mas não podia deixar de reconhecer.
Só Kwon Haeil era capaz de fazer Baek Kanghyeon sorrir com tanta naturalidade.
Havia inveja, e também um pouco de ciúme, em ver aquele alfa conseguir realizar, com tanta confiança, algo que nenhum dos irmãos conseguira fazer.
Mas o sentimento que mais se destacava, ainda assim, era a gratidão.
Chegaram a pensar que, por causa deles, Baek Kanghyeon poderia passar a vida inteira sendo arrastado pelo pai. Isso não era um pensamento infundado, mas sim algo sempre em curso, então a culpa dos irmãos só aumentava a cada dia.
Mas, com a chegada de Kwon Haeil, muita coisa vinha mudando.
Desde as coisas grandiosas, impossíveis sequer de imaginar antes, até pequenos detalhes cotidianos como este, era difícil encontrar algo que a influência de Kwon Haeil não tivesse alcançado. Essa influência certamente também chegava até eles, os irmãos de Baek Kanghyeon.
Sentado em frente a Kwon Haeil, Seohun o observou em silêncio. Não pretendia elogiá-lo ou dizer algo bom em voz alta de propósito. Em vez disso, empurrou discretamente na direção dele o prato que mais havia gostado.
Depois de um tempo, os hashis de Haeil, que tagarelava sem parar, tocaram no prato que Seohun havia empurrado. Ao ver isso, os lábios de Seohun se curvaram de forma um pouco mais agradável.
Depois de terminarem a refeição fartos, os quatro se reuniram na sala e tomaram chá quente.
Enquanto isso, Huiwoo contava, um a um, o que vira e ouvira em Cheongwunjae, e havia bastante informação útil.
— Logo depois do noivado, a empresa da família de Taerim quase teve um grande problema. Não importa o motivo, ele acabou enganando o pai.
Huiwoo se lembrou da conversa entre Baek Jungman e o chefe de gabinete em Cheongwunjae.
— Mas, como o incidente na cerimônia de noivado virou uma questão tão grande, parece que ele não conseguiu agir precipitadamente. Antes do noivado, muita gente já suspeitava que o Taerim seria o noivo, então parece que essa empresa também estava chamando atenção junto.
— Numa situação de tanta atenção, é complicado mexer com esse lado agora. Não é como se o Taerim tivesse sido anunciado como noivo e depois puxado o tapete. Se de repente mexerem com quem, na prática, não fez nada, aos olhos das pessoas vai parecer só que a Baekcheong está descontando raiva.
Respondendo, Seohun sorriu de leve, achando graça. A situação do pai, tendo poder mas sem poder usá-lo direito, era bastante divertida.
— Depois que tudo isso terminar, você, Kanghyeon, vai ter que falar com o Taerim…
Voltando o olhar para Kanghyeon, sentado no sofá em frente, Seohun parou de falar no meio da frase.
Kanghyeon estava profundamente adormecido, com a cabeça apoiada no ombro de Haeil, sentado ao seu lado. Mesmo dormindo sentado, o que deveria ser desconfortável, seu rosto parecia mais tranquilo do que qualquer coisa no mundo.
Haeil, que segurava o ombro de Kanghyeon com um braço para que seu corpo não caísse, olhou para os dois irmãos que haviam ficado em silêncio.
— Hm? Continuem falando. Estou ouvindo.
Haeil arregalou os olhos, brilhantes, como se quisesse deixar claro que estava atento.
Os dois irmãos, sentados de frente, olharam alternadamente para Haeil e Kanghyeon, com uma expressão de leve surpresa.
Kanghyeon normalmente não adormecia de repente assim como agora. Por mais cansado que estivesse, nunca cochilava, sempre estava com a mente lúcida, e não era a primeira vez que os outros achavam isso curioso.
Havia casos em que, por decisão própria, ele decidia fechar os olhos um pouco e cochilava, mas nunca antes havia adormecido no meio de uma conversa com alguém, como agora.
Além disso, seu sono era leve, de forma que costumava acordar facilmente ao ouvir vozes ou sentir a presença de outra pessoa enquanto dormia, mas agora estava profundamente adormecido. Como se tivesse se tornado outra pessoa.
Observando os dois irmãos calados, Haeil falou em nome de Kanghyeon.
— Depois que engravidou, o Baek Kanghyeon passou a dormir bem mais. Às vezes adormece assim, sentado.
Mesmo enquanto Haeil falava, Kanghyeon, apoiado nele, não se mexia nem um pouco. Parecia mesmo estar dormindo profundamente, como se não ouvisse absolutamente nenhum som.
Seohun exibia uma expressão especialmente surpresa.
“Por mais que a gravidez tenha aumentado o sono dele, como consegue dormir assim?”
Parecia mesmo ter se tornado outra pessoa. Seria que estar junto de Kwon Haeil o deixava tão tranquilo assim?
Sentindo um ciúme inexplicável, Seohun se levantou e se aproximou de Kanghyeon.
— Kanghyeon, acorda. Vamos dormir na cama.
— Está tudo bem, não precisa acordá-lo.
Impedindo Seohun, Haeil ergueu Kanghyeon nos braços com naturalidade e se levantou. A forma como o carregava era tão habilidosa que Seohun chegou a recuar um passo, hesitante.
Dizendo que ia deitar Kanghyeon e voltar, Haeil o carregou em direção ao quarto.
Mas, pouco depois, voltou para fora exatamente do mesmo jeito.
— O quê, por que voltou de novo?
Diante da pergunta de Seohun, Haeil riu satisfeito.
— Ele disse que só consegue dormir na minha cama.
O rosto de Seohun se contorceu visivelmente. Em nome de Kanghyeon, embriagado de sono, Haeil tentou se justificar à sua maneira.
— Como sabe, como está grávido, sem meu feromônio não consegue ficar bem tranquilo. Como o costume é dormir na minha cama, agora a cama dele deve estar estranha para ele.
— Quem perguntou?
— O senhor perguntou com os olhos.
— Até sabe ler olhar, que sujeito talentoso.
— Obrigado pelo elogio.
— Foi sarcasmo, viu?
— Hmm…
Enquanto os dois trocavam palavras, um gemido incômodo escapou de Kanghyeon. As bocas de Haeil e Seohun se fecharam ao mesmo tempo.
Kanghyeon franziu levemente a testa e esfregou a bochecha no ombro de Haeil. Parecia ser por causa do barulho ao redor e do desconforto de estar sendo carregado naquela posição.
Seria porque o comportamento de Kanghyeon parecia fofo, como uma manha?
Glup — pareceu-lhe ouvir, de forma bem clara, o som de Kwon Haeil engolindo em seco.
Involuntariamente, Seohun deixou o olhar cair para baixo, na direção de Haeil, e seus olhos carregaram sinais de assassinato.
— Isso não é nem cachorro no cio, ou o quê…
— Hyung, se ele fica fofo desse jeito e eu não tenho nenhuma reação, aí sim é que eu teria pego uma doença mortal.
— Não pode simplesmente morrer, não?
— Não posso. Preciso viver a vida toda com ele agarradinho a mim, feliz.
Como sempre, sem perder em nenhuma palavra, Haeil respondeu com calma e seguiu, com Kanghyeon nos braços, em direção à entrada.
— Vou fazer o Baek Kanghyeon dormir no meu quarto, então os Hyungs descansem. De qualquer forma, os dois iam dormir aqui hoje mesmo, não? Ainda bem que essa casa só tem uma cama.
A cama de Kanghyeon era razoavelmente grande, sem problema algum para dois homens dormirem. Seohun e Huiwoo, sendo de compleição mais fina, provavelmente conseguiriam dormir juntos sem dificuldade.
Enquanto Haeil calçava os sapatos na entrada, uma mão surgiu por trás dele e abriu a porta. Seohun, que se aproximara sem perceber, calçou os sapatos logo atrás dele, com o rosto emburrado.
— …Vou te ajudar só até deitá-lo.
Haeil, olhando para Seohun, riu por dentro, pensando: “Que Hyung nada sincero, como sempre.”
— Vai lá, e não ouse devorar quem está dormindo, viu bem.
E, junto com isso, teve que acrescentar também: “Que Hyung perspicaz.”
Mesmo depois que Haeil entrou completamente na casa com Kanghyeon nos braços, Seohun ficou por um tempo parado, olhando fixamente para a porta. Sua expressão, misturada de pesar e alívio, era nítida a ponto de até Huiwoo perceber.
˚˚˚
Faltavam três dias para a assembleia de acionistas.
Enquanto isso, o tempo passava tranquilamente, sem grandes incidentes, em paz.
“Do outro lado, deve ser um caos.”
Deitado com a cabeça no colo de Kanghyeon, sentado no sofá, Haeil riu por dentro.
Quem se encarregava de acompanhar o clima e os movimentos do lado de Baek Jungman era Baek Huiwoo. Embora ficasse praticamente confinado na casa secundária de Cheongwunjae, graças aos muitos empregados que iam e vinham entre lá e a casa principal, conseguia obter informações.
Baek Jungman, trancado em Cheongwunjae, chamava seus assessores e executivos, quebrando a cabeça sem parar. Parecia até se encontrar pessoalmente com alguns acionistas e fazer ligações com frequência, mas sem muito efeito.
Era compreensível. Os acionistas que mantinham a neutralidade já haviam, conforme o plano, ficado do lado de Baek Seongju.
Atualmente, a participação favorável a Baek Kanghyeon era de cerca de 42%.
A participação favorável a Baek Seongju havia subido para cerca de 49%.
Se a assembleia de acionistas começasse assim, Baek Seongju se tornaria presidente. Isso definitivamente não era o que Baek Jungman desejava.
O que era necessário para reverter essa situação era o apoio dos dois acionistas neutros restantes.
Ou seja, era necessária a participação de Lee Yerin e da Wave Investment.
“Já deve estar quase na hora de ele morder a isca…”
Como Baek Jungman estava, como previsto, angustiado, Haeil só ficava cada vez mais tranquilo.
Quanto mais desesperado ficasse, mais a única pessoa com quem ele precisaria, sem falta, entrar em contato se restringiria a um único homem, que segurava o voto decisivo (casting vote) deste jogo.
E, como esperado, Baek Jungman entrou em contato justamente com essa única pessoa.
— Sim, quem é?
Sorrindo de forma significativa ao ver o número desconhecido na tela, Haeil atendeu a ligação deitado.
Kanghyeon, que, por causa de Kwon Haeil implorando para que ele não trabalhasse por um tempo, ao menos pelo bem do pré-natal, estava obrigado a segurar um livro em vez de documentos, baixou o olhar. Encontrou os olhos de Kwon Haeil, que atendia a ligação deitado com a cabeça em seu colo.
Os olhos de Haeil, que olhava para cima, para Kanghyeon, se curvaram de forma agradável.
— Boa tarde, senhor presidente. Estava esperando seu contato.
Agora, chegou a hora de negociar diretamente com Baek Jungman.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna