Alphega — Episódio 112
Huiwoo segurou com as duas mãos o peito acelerado. Estava tão nervoso que nem conseguia soltar os lábios direito.
Enquanto Haeil, repetindo a palavra “Hyung” sem parar, cutucava Huiwoo —
Kanghyeon, que saíra logo atrás, empurrou Haeil para o lado.
— Sai daí, você assustou o Hyung.
Encarando Haeil com olhos severos, Kanghyeon deu as costas para ele, que fazia cara de injustiçado, e verificou o estado de Huiwoo.
— Hyung, você está bem?
— Ah, s-sim.
Só depois de encontrar Kanghyeon foi que Huiwoo, aliviado, ficou sem jeito com atraso.
— Eu, eu fiquei tão surpreso na hora… Desculpa, me desculpe.
Huiwoo se desculpou apressado com Haeil, que aparecia por trás do ombro de Kanghyeon. Então Haeil curvou a cabeça e, ao contrário, fez uma expressão de quem estava com pena.
— Não, eu que peço desculpas. Hoje também, mas da última vez também assustei o senhor, me desculpe. Naquela hora, nem sabia que era irmão do Baek Kanghyeon, fui muito rude.
Huiwoo, que anteriormente fora pressionado por Haeil com feromônio e palavras duras, grudou-se discretamente em Kanghyeon e soltou um sorriso desajeitado.
— Ah… haha, isso está tudo bem…
Ainda que dissesse isso, era claro que Haeil continuava sendo difícil para ele, de qualquer forma.
Kanghyeon acariciou as costas de Huiwoo e o levou para dentro de casa. Sussurrou também em seu ouvido: “Mesmo parecendo assim, ele não devora qualquer um, então fica tranquilo.” Seria só impressão sua que aquilo soava como “só eu que devoro”?
Ao entrar na casa, Huiwoo teve uma sensação estranha.
Até a última vez que estivera ali, o lugar era frio, sem nenhum sinal de que alguém morava ali, mas agora, por algum motivo, sentia um clima extremamente aconchegante. À primeira vista, também não parecia haver móveis novos ou grandes mudanças.
“Estranho.”
Enquanto inclinava a cabeça, intrigado com aquela atmosfera misteriosamente mais quente
Baek Seohun, que já estava lá, espiou por cima do encosto do sofá da sala.
— Deu trabalho vir até aqui. Que bom que conseguiu escapar.
— Usei o Kanghyeon como desculpa de novo.
Rindo de canto de olho para Kanghyeon, Huiwoo se sentou ao lado de Seohun, com o rosto bem mais relaxado. Então Kwon Haeil sentou-se depressa no lugar vazio ao lado de Huiwoo.
Diante do sobressalto de Huiwoo, Haeil falou com desenvoltura, os olhos brilhando.
— Sabia que eu estava super animado esperando que o Hyung também viesse hoje?
— Por… quê?
— Percebi, cuidando dele durante o enjoo desta vez, que o Baek Kanghyeon tem, sim, comidas de que gosta e de que não gosta. Até então, comia até coisa sem gosto nenhum sem reclamar, e eu achava que o paladar dele estava arruinado.
Baek Kanghyeon, que se aproximava, arqueou as sobrancelhas.
Devia estar falando da época em que comia qualquer coisa só para encher o estômago, focado no trabalho. As barras de calorias duras também deviam ter contribuído para essa avaliação.
— Mas, como a maioria das comidas de que ele gosta são as que o Hyung faz, pensei em aproveitar para aprender um pouco…
— Já falei para não incomodar o Hyung Huiwoo.
Como parecia que ele ia incomodar Huiwoo pedindo para lhe ensinar a cozinhar, Kanghyeon o impediu, e Haeil fez uma cara de choro com uma injustiça exagerada.
— Que injusto! Eu não incomodei ele, viu? Não é, Hyung?
— Ah, é… n-não incomodou…
Ao segurar o braço de Huiwoo e reclamar da injustiça, Seohun se intrometeu, provocando.
— Pra quem olhar, é claramente incomodar, viu.
— Ai, segundo irmão! Que magoado, sério!
— O quê, seu moleque!
— Vocês dois, quietos.
Huiwoo, encaixado entre os dois irmãos e um homem, ficou encolhido observando a situação, mas sorria, sem graça.
Por algum motivo, sentia que começava a entender por que a atmosfera daquela casa havia mudado.
Quando o clima já havia se acalmado —
Seohun abriu o notebook que trouxera preparado e conectou uma videochamada com Baek Seongju.
Assim como os repórteres acampavam do lado de fora da Palace Sky Tower, do lado de Baek Seongju também havia muita gente de olho vigiando cada movimento. Por isso, não era fácil para Seongju se movimentar diretamente por aqui e ali, como Baek Seohun ou Baek Huiwoo faziam.
Além dos repórteres, certamente também havia pessoas colocadas por Baek Jungman.
Se descobrisse que Baek Seongju estava se movimentando para encontrar Kanghyeon, Baek Jungman tentaria impedi-lo, nem que fosse mobilizando pessoas.
Ainda que soubesse que era improvável, Baek Jungman, que era timidamente medroso, parecia preocupado que Seongju pudesse tentar algo contra Kanghyeon.
Foi por isso que ordenou a Kanghyeon que ficasse em casa até a assembleia de acionistas.
Graças a isso, apenas Kwon Haeil, que podia agora passar dia e noite com Baek Kanghyeon, ficou animadíssimo.
Por isso, Baek Seohun, que tinha relativa liberdade de movimento, se ofereceu para ser o elo entre Kanghyeon e Seongju.
Sendo médico e tendo acompanhado de perto o estado de Kanghyeon com frequência, Baek Seohun era, na aparência, uma pessoa perfeitamente adequada para cuidar dele. Até Baek Jungman aceitava plenamente essa parte, então não impedia sequer que ele fosse e viesse da casa de Kanghyeon.
Assim, tendo visitado abertamente a casa de Kanghyeon, Baek Seohun conectou a videochamada secreta seguindo o código combinado previamente com Seongju, e eles começaram a conversa entre irmãos.
Surpreendentemente, quem tomou a palavra primeiro e de forma importante nessa conversa foi Baek Huiwoo.
— …ouvi ele falar isso. Provavelmente logo todos os acionistas neutros vão receber contato.
Huiwoo transmitiu, tal como ouviu, o que presenciara hoje em Cheongwunjae.
Além disso, trouxera até um pequeno pen drive.
— E aqui organizei tudo, desde a lista de pessoas que visitaram Cheongwunjae desde a reunião do conselho até agora, e o que ouvi ao longo do caminho.
Mostrando o pen drive para a câmera, Huiwoo o conectou ao notebook. Com a ajuda de Seohun, depois de enviar a Seongju os arquivos que estavam no pen drive, o rosto tenso de Huiwoo finalmente relaxou um pouco, aliviado.
— Você se esforçou. Obrigado, como sempre.
Diante da voz gentil de Seongju vinda do notebook, Huiwoo sorriu timidamente.
Sendo de corpo frágil e tratado como inútil por ser recessivo, Huiwoo sempre foi grato aos irmãos. Apesar de, por causa do pai, ter sido muitas vezes forçado a usá-los, todos eles, sem exceção, o consolaram, e nunca pouparam encorajamento à sua autoestima ausente.
Por isso, Huiwoo decidiu que, desta vez sim, ajudaria os irmãos, e não o pai.
Ainda que tudo o que pudesse fazer fosse apenas verificar quem entrava e saía de Cheongwunjae e prestar atenção nas conversas que trocavam com o pai, isso foi uma grande força tanto para Seongju quanto para Kanghyeon. Logo após a coletiva de imprensa, o fato de Baek Seongju ter conseguido garantir imediatamente 36% de participação favorável também se devia às informações que Baek Huiwoo lhe repassara com antecedência.
Coçando a bochecha, Huiwoo fez os olhos curvarem-se de forma fofa.
— Pelo menos isso eu preciso fazer. Só dei trabalho para vocês e para o Kanghyeon o tempo todo.
— Não fale assim.
— É, nunca pensamos que você desse trabalho.
Baek Kanghyeon, sentado à frente, e Baek Seongju, do outro lado do notebook, falaram ao mesmo tempo. Huiwoo soltou mais uma vez um riso tímido.
Enquanto isso, Haeil, que havia se mudado para ao lado de Kanghyeon, fez uma expressão comovida.
— Que inveja… Que família calorosa, caramba… Realmente, para fazer bastante irmão, temos que ter vários filhos também… É, vamos nos esforçar diligentemente, Kwon Haeil.
Baek Seohun observou Haeil, resmungando, com um olhar de reprovação.
— O que esse aí fica resmungando?
Como falava baixinho, não dava para entender o que dizia, mas, por algum motivo, de repente sentiu pena de Baek Kanghyeon.
Enquanto isso, virando um pouco o notebook para conferir o rosto de Seongju, Kanghyeon perguntou, preocupado.
— Hyung, está tudo bem por aí? Alguém suspeito se aproximando, ou sentindo que estão te vigiando?
— Não posso dizer que não haja gente assim, mas não é motivo de preocupação.
Seongju respondeu com calma, como se já esperasse aquilo dentro do previsto.
— Os repórteres estão de olho em tudo. Além de vigiar meus movimentos, não deve haver muito mais que o pai possa fazer.
Ainda preocupado, era como Baek Seongju dizia. Reportagens centradas nesse caso jorravam sem parar de todos os lados, e a atenção continuava totalmente voltada para ali. Nessa situação, o pai dificilmente conseguiria agir com facilidade, ao menos desta vez.
Entre preocupação e alívio, Seohun perguntou a Kanghyeon.
— O que vai fazer com os acionistas neutros?
— Todos esses acionistas decidiram apoiar o Hyung Seongju.
Já se sabia quem eram os acionistas neutros. Como Baek Huiwoo, que morava em Cheongwunjae havia muito tempo, entendia a relação entre Baek Jungman e os outros acionistas, não fora tão difícil identificá-los.
— Esses acionistas concordaram assim, tão facilmente? Mesmo que isso signifique romper com o pai?
— De qualquer forma, depois que a assembleia de acionistas terminar, o quadro de poder inevitavelmente vai mudar. Para essas pessoas, é muito melhor seguir quem vai ascender do que quem logo vai cair do cargo de presidente.
— Então não seria ainda mais provável que eles quisessem apoiar o Kanghyeon?
Embora já tivessem combinado com eles antes mesmo do contato de Baek Jungman, pela lógica do fluxo parecia mais vantajoso apoiar Baek Kanghyeon do que Baek Seongju. Ele era quem o atual presidente do Grupo Baekcheong apoiava com todas as forças, e, considerando só a participação acionária, Baek Kanghyeon também tinha uma probabilidade um pouco maior de se tornar presidente. Para ficar do lado certo, era natural escolher Baek Kanghyeon em vez de Baek Seongju.
Mas Baek Kanghyeon esperava que eles não o apoiassem. Por isso, ele mesmo, à parte de Seongju, já os havia avisado com antecedência.
— Combinamos que, mesmo que apoiem o Hyung Seongju e ainda assim eu acabe me tornando presidente, isso jamais será motivo de problema. E também vou recompensá-los por terem seguido o combinado.
Respondendo, Kanghyeon olhou para Seongju do outro lado do notebook.
— Claro, isso vale igualmente caso o Hyung Seongju se torne presidente, então eles não têm nada a perder.
Isso significava que todos os acionistas neutros ficariam do lado de Baek Seongju.
Restavam apenas duas pessoas.
Lee Yerin, e o procurador da Wave Investment.
— Então agora a conclusão fica por conta daquele aí?
Seohun ergueu um dos cantos da boca e olhou para Kwon Haeil.
— Preciso ver com os próprios olhos aquele sujeito fazendo o pai ter um treco.
— Quer que eu filme e mande pra você?
Haeil sorriu de leve, como se não houvesse nada no mundo capaz de assustá-lo.
Seria isso o que chamam de “de tanto rir, acabar gostando”?
— Vivendo sem medo desse jeito, o que você vai fazer?
— Como assim o que vou fazer, vou viver me escondendo atrás do Baek Kanghyeon.
— Duvido muito que você consiga se esconder.
Os dois, que tinham certa semelhança entre si, imaginaram juntos o rosto contorcido de Baek Jungman e riram com malícia.
Ninguém ali ignorava que aquele rosto se tornaria realidade.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna