Alphega — Episódio 114
O conteúdo do contato de Baek Jungman foi bem simples.
“Gostaria de nos encontrarmos pessoalmente, só nós dois.”
Internamente, ele já se preparava mentalmente, achando que começaria com toda sorte de insultos e gritos, mas, surpreendentemente, o tom de voz que veio foi bastante educado. É claro que, por trás disso, havia uma hostilidade contida.
Para Kwon Haeil, que era justamente o contato que esperava, não havia motivo para recusar.
— Está mesmo bem em ir sozinho?
Diante do espelho de corpo inteiro no closet, enquanto Kwon Haeil se preparava para sair, Kanghyeon se aproximou, parecendo inquieto. Haeil ajeitava direito o terno que quase nunca usava, encarando pelo espelho o rosto de Kanghyeon.
— Parece bem preocupado. Hoje você está bem grudado feito cocô de peixinho dourado… não, é só uma comparação, uma comparação.
Assim que as sobrancelhas de Kanghyeon se ergueram afiadas, Haeil se virou rapidamente para trás e o afagou. Só então as sobrancelhas de Kanghyeon voltaram ao lugar, mas a preocupação, uma vez surgida, não desaparecia com facilidade.
— De qualquer forma, você disse que ele não pode me machucar. Já que preciso ser eu, e ninguém mais, a dar feromônio ao nosso Baek Kanghyeon, ele não vai fazer nada perigoso.
— Isso é verdade, mas… não significa que ele não possa recorrer à violência verbal.
Kanghyeon sabia muito bem que tipo de palavras duras seu pai já havia derramado sobre os três irmãos ômegas. Cada uma daquelas palavras, que cravaram dezenas, centenas de punhais no peito deles, ainda estava vívida.
Kanghyeon olhou para a gravata de Haeil, ainda apenas pendurada no pescoço. Segurando as duas pontas alinhadas, amarrou a gravata com as duas mãos, sem hesitar.
— Não precisa aceitar tudo o que o meu pai disser. De qualquer forma, quem tem o controle da situação é você, Kwon Haeil.
Se Baek Jungman entrou em contato, isso significava que já havia terminado de avaliar a posição dos outros acionistas.
Provavelmente já havia percebido também que só Kwon Haeil poderia balançar este jogo.
— Mesmo que você xingue meu pai o quanto quiser, esse negócio vai ser um sucesso, sem sombra de dúvida.
Nas palavras de Kanghyeon havia uma convicção inegável. A gravata que ele amarrara se acomodou perfeitamente, sem o menor desalinho.
Olhando para Kanghyeon, Haeil sorriu de forma brincalhona.
— Sério que posso xingar mesmo? Se ele falar besteira, eu faço o que der na telha, sem pensar duas vezes, viu?
— Pode fazer isso. Você tem esse direito.
Sorrindo baixinho junto com ele, Kanghyeon estendeu os dois braços na direção de Haeil. Em vez de simplesmente se deixar abraçar por ele como sempre, dessa vez o puxou e o abraçou com carinho.
— Eu queria ver você fazendo o que der na telha… será que realmente não posso ir junto?
— Hoje está bem teimoso, hein.
Rindo baixinho, Kwon Haeil esfregou o rosto no ombro de Kanghyeon. Então, como se tivesse se lembrado de algo, de repente juntou suas próprias roupas em um dos braços. Em seguida, segurou a mão intrigada de Kanghyeon e o levou até o quarto.
— Kwon Haeil?
— Você disse que queria me ver fazendo o que der na telha. Já que é o que você quer, eu vou fazer o que der na telha e sair, então hoje fica quietinho em casa.
Ao chegar ao quarto, Haeil bateu na cama e disse a Kanghyeon para deitar ali. Kanghyeon, desconfiado sobre o que ele pretendia fazer, obedeceu e deitou-se na cama sem resistir. Então Haeil dispôs suas próprias roupas em círculo ao redor de Kanghyeon, formando um ninho oval.
Haeil olhou para Kanghyeon, deitado docilmente dentro do ninho, com uma expressão séria.
— Está proibido sair daqui até eu voltar. Ah, claro, o banheiro é exceção. Também pode sair até a cozinha para comer alguma coisa.
— Então não tem nem o que chamar de proibição, não é? Independente disso, eu poderia me mover livremente de qualquer forma, não é?
— Depende da consciência do Baek Kanghyeon.
Kanghyeon, deitado corretamente, desviou os olhos para observar as roupas.
Para ser sincero, sentia-se tão confortável que poderia adormecer ali mesmo, na hora. Só de estar cercado pelas roupas impregnadas do feromônio de Kwon Haeil.
Por isso, mesmo sem Kwon Haeil precisar dizer nada sobre proibição, dava vontade de continuar ali dentro.
— Você gosta tanto assim disso?
— Sim, porque o Baek Kanghyeon gosta.
De qualquer forma, ele era mesmo perspicaz.
Haeil baixou os lábios sobre a testa de Kanghyeon, que revirava os olhos. Deixou um beijo curto, como quem acalenta, e sorriu com carinho. Sua mão acariciou suavemente a barriga de Kanghyeon.
— Descansa bem junto com o Milagre. Quando eu voltar, vou comprar bastante romã, daquelas de que você gosta.
Havia algo que Kanghyeon, de vez em quando, dizia querer comer de repente: era justamente romã. E gostava especialmente das bem vermelhas e maduras. Como muitas vezes comprava pela internet sem ver o produto de verdade e o resultado não era bom, Kwon Haeil sempre ia comprar pessoalmente, depois de conferir com os próprios olhos o estado da fruta.
Por isso, as romãs que Kwon Haeil trazia eram sempre firmes e bem vermelhas. Só de imaginar, já dava vontade de comer.
Kanghyeon, como quem não tinha outra escolha, acenou levemente com a cabeça e segurou firme a mão de Haeil.
— Vá com cuidado e volte bem.
— Sim. Vou e volto.
Nas mãos entrelaçadas dos dois, os anéis de formato idêntico brilhavam bonitos.
˚˚˚
Um tranquilo restaurante de culinária tradicional coreana, decorado com fachada de hanok.
Sendo muito utilizado como local de encontros discretos para figuras influentes da política e dos negócios, já desde a entrada era possível ver muitos seguranças.
Ao entrar, Haeil seguiu, por um interior labiríntico, uma funcionária vestida com um hanbok modernizado e elegante. Não demorou muito para chegar à sala privada onde Baek Jungman estava sentado sozinho.
— Boa tarde, Pai.
Assim que pronunciou essas primeiras palavras ao entrar, o olhar de Baek Jungman mudou. O tratamento familiar de “Pai” parecia realmente não agradá-lo nem um pouco.
Mas Baek Jungman não deixou escapar palavras ásperas, como era de seu temperamento. Isso porque estava plenamente ciente de que era ele quem precisava deste encontro.
— …Sente-se.
— Sim, com licença.
Respondendo com bastante educação, Haeil se acomodou de frente para Baek Jungman.
A mesa estava repleta de tantos pratos que se poderia até suspeitar que fora Baek Huiwoo quem os preparara. Uma culinária coreana refinada, condizente com o restaurante de estilo tradicional, estava disposta de forma verdadeiramente magnífica.
Ainda assim, nenhum dos dois prestava atenção à comida.
Observando fixamente os olhos atrevidos de Kwon Haeil, Baek Jungman disse, sem rodeios:
— Assim que der à luz, providencie para se afastar imediatamente.
Achando que ele começaria falando sobre as ações, Baek Jungman trouxe, na verdade, outro assunto principal primeiro.
Fingindo não entender de propósito, Haeil respondeu com serenidade.
— O que devo providenciar?
Pegando a jarra de porcelana branca sobre a mesa, Haeil serviu bebida no copo vazio de Baek Jungman, com um gesto respeitoso. Um saquê transparente, com um leve aroma de fermento e um toque sutil de fruta, logo encheu o copo vazio.
Encarando Kwon Haeil, sem medo algum, Baek Jungman falou com a voz o mais calma possível.
— Agora precisamos manter você por perto por necessidade do seu feromônio, mas, depois do parto, não há motivo para poupá-lo. Vou confiar que você saberá se afastar como deve.
Era como se estivesse avisando que, se não se afastasse por conta própria, deveria se preparar para as consequências.
Haeil, com um sorriso leve, desta vez encheu o próprio copo.
— Não confie nisso. Isso não vai acontecer.
Como havia dito de forma tão despreocupada, quase como quem apenas serve bebida naturalmente, para Baek Jungman pareceu que Haeil ignorava suas palavras com leviandade.
— Acha que dois alfas conseguem viver tranquilamente como marido e marido?
— E por que não conseguiriam? O senhor mesmo é um belo exemplo bem na minha frente.
— Nosso caso é diferente.
Lembrando-se da esposa Lee Yerin, Baek Jungman falou, zombando de Haeil.
— Sem conseguir marcar um ao outro, sem saber quando o parceiro pode se encantar por algum ômega, você acha que consegue lidar com essa insegurança? E como fica com os feromônios se chocando um contra o outro? E durante o rut, quando o feromônio de um dispara descontrolado, como vai suportar sozinho, trancado no quarto?
O que Baek Jungman dizia era, na verdade, a maior insegurança de todo casal de alfas.
Por não conseguirem se marcar mutuamente, viviam sempre sentindo o cheiro doce de outros ômegas ao redor. Como os ômegas possuíam um feromônio defensivo, mesmo que se casassem entre si, os feromônios não colidiam de um lado para o outro; mas entre alfas, que carregam um feromônio agressivo, a história era diferente. Especialmente durante o rut, quando o feromônio de um lado explodia de forma assustadora, era quase impossível suportar em plena consciência.
Um casal de alfas precisava suportar tudo isso.
Não era, de forma alguma, algo fácil.
Mas Baek Jungman e Lee Yerin haviam conseguido suportar.
A aversão e a alergia a ômegas de ambos se tornaram uma espécie de escudo e proteção, e o senso de identificação mútua daí resultante aliviava bastante o choque entre seus feromônios. O rut também eles suportaram voluntariamente, movidos pelo desejo profundo de terem um filho.
Eles eram especiais.
Justamente por serem especiais, podiam falar com tanta convicção.
O quanto era difícil e doloroso a união entre alfas.
Ele não queria que Baek Kanghyeon sentisse aquela dor. Que pai, afinal, receberia de braços abertos o fato de o próprio filho trilhar um caminho difícil e doloroso?
— Não precisa se preocupar.
Já sabendo, por meio de Lee Yerin, do passado entre ela e Baek Jungman, Haeil compreendia perfeitamente bem suas palavras. Compreendia, mas não pretendia segui-las.
— Como o senhor sabe, o Baek Kanghyeon não é do tipo que deixaria uma esposinha feito coelho para trás e se meteria com outro.
Chamando a si mesmo, com toda a naturalidade, de “esposinha feito coelho”, Haeil sorriu de forma gentil.
— E, além disso, agora eu não fico mais em cio por causa de feromônio de outros ômegas.
— O quê? C-cio…?!
Diante da declaração inesperada, Baek Jungman se assustou. Sabendo ou não disso, Haeil continuou falando com naturalidade.
— Entendo sua preocupação sobre os feromônios de alfa se chocando, mas, como os dois somos dominantes, cada um consegue controlar o próprio, então não há problema. Testamos bastante isso enquanto transávamos.
Perdendo qualquer resposta, Baek Jungman sentiu a nuca se contrair com força. A mão foi automaticamente para o pescoço.
— Também não precisa se preocupar com o rut. Para fazer mais irmãozinhos, vamos precisar nos unir com dedicação a cada rut. Já é hora de quebrarmos a cabeça juntos, planejando isso, e ainda não é o bastante. Ah, o senhor sabe que, fora do rut, a chance de o Baek Kanghyeon engravidar é zero, não é? Por isso o rut também precisa ser bem cuidado.
— Esse…!
O rosto já vermelho de Baek Jungman se contorceu de forma feroz.
Que maluco insolente da porra era esse!
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna