Alphega — Episódio 106
Depois de terminar a reunião e voltar cedo para casa, Baek Kanghyeon foi direto para a casa de Kwon Haeil, como tinha se tornado hábito nos últimos tempos.
Kanghyeon passava quase todo o tempo pessoal na casa de Haeil, exceto quando precisava trocar de roupa ou pegar algum material necessário. Isso porque, até entrar no período estável da gravidez, seria difícil receber o feromônio diretamente através de relação sexual, então o médico tinha aconselhado que, ao menos, ficassem no mesmo ambiente sempre que possível.
Mesmo sem esse conselho, Haeil e Kanghyeon provavelmente teriam feito a mesma coisa de qualquer forma.
Haeil sempre cuidava de Kanghyeon grávido com um carinho excessivo. Além disso, Kanghyeon passou a sentir uma segurança imensa só por estar ao lado de Haeil. Então, era natural que os dois ficassem grudados durante todo o tempo pessoal deles.
Naquele dia também, assim que Kanghyeon chegou à casa dele depois do trabalho, Haeil o recebeu com um rosto radiante de felicidade. Pegando primeiro a pasta de documentos e o casaco de Kanghyeon na entrada, Haeil o levou direto até a mesa de jantar.
Naquele dia também, havia uma mesa impressionante, quase transbordando de comida. Antes, costumava ser apenas um ou dois pratos principais, mas, desde que Baek Heewoo tinha visitado alguns dias atrás, Haeil começou a montar mesas assim, cheias de pratos, quase como se estivesse competindo com ele. Parecia que tinha desenvolvido uma rivalidade com o hábito de Baek Heewoo de encher a mesa com vários tipos de comida.
Kanghyeon sempre dizia que não precisava disso tudo, mas mesmo assim sorria de forma feliz para Haeil.
Por causa do enjoo, Kanghyeon quase não conseguia colocar na boca comida feita por outras pessoas, mas, de forma estranha, não sentia nenhuma rejeição diante dos pratos feitos por Kwon Haeil e Baek Heewoo. Graças a isso, ele, que fora de casa mal conseguia beber alguma coisa direito e comer o suficiente — no máximo, algumas mordidas de uma barra de proteína — conseguia, ali, finalmente encher o estômago de verdade.
Haeil observava, com um orgulho íntimo, Kanghyeon buscando apenas a comida dele.
Só de pensar que até a comida dele recebia um tratamento especial, um sorriso surgia naturalmente, e um sentimento de plenitude tomava conta dele. Chegou até a pensar que seria ótimo se Baek Kanghyeon comesse só a comida dele para sempre.
Mas, ao ver de perto o enjoo de Baek Kanghyeon pela primeira vez, percebeu o quanto aquele pensamento tinha sido ingênuo e despreocupado.
— Uh, uh!
Só uma colherada.
E, mesmo assim, apenas um pouco do caldo do ensopado de tomate.
Kanghyeon, sem nem conseguir engolir direito, cobriu a boca com a mão e se levantou de repente, correndo para o banheiro. Em seguida, ouviram-se alguns sons de ânsia.
Haeil, lembrando de como Kanghyeon tinha vomitado com dificuldade antes, o seguiu apressadamente. Do lado de fora da porta fechada do banheiro, escutando os sons de ânsia de Kanghyeon, o rosto de Haeil mostrava uma inquietação raramente vista nele.
Só depois que os sons diminuíram e o barulho de água correu, Kanghyeon abriu a porta. Com o rosto subitamente pálido, quase a ponto de desmaiar, Kanghyeon desviou o olhar de Haeil, meio sem graça.
— É só enjoo de gravidez. Não precisa se preocupar tanto.
Falando como se não fosse nada demais, ele puxou Haeil pela mão.
Sentaram-se de novo à mesa, um de frente para o outro, e tentaram outro prato. Para aliviar a preocupação de Haeil, precisava comer nem que fosse à força, mas, cruelmente, antes mesmo de segurar a colher, seu estômago já começou a se revirar de novo. Sentindo tudo balançar violentamente, como se fosse atingido por ondas de todos os lados, seu estômago voltou a provocar a sensação de vômito.
Depois disso, o enjoo se repetiu algumas vezes, e, no fim, Kanghyeon acabou desistindo de comer qualquer coisa, sentando-se pesadamente no sofá da sala de estar.
Depois de tantos vômitos e ânsias, o rosto de Kanghyeon parecia mesmo de quem estava prestes a morrer. Sem nenhuma cor no rosto e sem forças, parecia que ia desabar ao menor toque.
Haeil se sentou ao lado de Kanghyeon e deixou que ele apoiasse a cabeça em seu ombro. O rosto coberto de suor frio era penoso demais de ver.
Com uma expressão ainda mais dolorida do que a do próprio Kanghyeon, Haeil perguntou, angustiado:
— Você sempre foi assim? Todo esse tempo, sem conseguir comer nem uma mordida direito?
— Está tudo bem. Dá pra aguentar.
— Isso não é algo que se resolve só aguentando.
Apoiado, sem forças, no ombro de Haeil, Kanghyeon ergueu os olhos e percebeu o medo escondido neles. Era a primeira vez que ele tinha enjoo diante de Haeil, então parecia que ele tinha se assustado demais.
Na verdade, Kanghyeon também estava confuso.
Até então, nunca tinha tido enjoo diante da comida que Kwon Haeil preparava, então provavelmente o enjoo tinha se agravado além de um certo limite.
O desespero de não poder mais comer nenhum prato com tranquilidade era um problema, mas o que mais o incomodava era ter feito Kwon Haeil se preocupar. O fato de a comida que ele tinha preparado com tanto carinho estar esfriando também contribuía para a culpa de Kanghyeon.
Kanghyeon segurou com suavidade a mão tensa de Haeil, acariciando-a.
— Desculpa, por te preocupar.
— Por que você teria que se desculpar?
Haeil, com o rosto angustiado, virou o corpo e abraçou Kanghyeon.
Ele já sabia que, toda vez que o abraçava, sentia que ele estava emagrecendo. Também sabia que a causa direta disso era o enjoo.
Mas havia uma grande diferença entre saber vagamente e ver e sentir tudo com os próprios olhos. Depois de ver com os próprios olhos o enjoo de que só tinha ouvido falar, Haeil sentiu que era quase insuportável imaginar a dor que Kanghyeon estava sentindo.
Por um instante, chegou até a sentir um leve ressentimento pelo bebê instalado na barriga de Kanghyeon.
“Milagre, você não podia ter vindo pra minha barriga em vez disso?”
A menos que também tivesse um traço genético raro como o de Kanghyeon, não havia como Kwon Haeil engravidar. A chance de um dominante se converter para outro traço era de zero por cento.
Kwon Haeil estava praticamente em pânico, a ponto de chegar a esse tipo de pensamento absurdo.
— Não teve nada que você conseguisse comer? Não deve ter ficado o dia todo sem comer nada, mesmo estando fora.
Diante da pergunta de Haeil, Kanghyeon foi lembrando, um a um, do que tinha comido recentemente.
— Tem algumas coisas… mas foi tudo comida que eu me forcei a comer, pensando que era feita por Kwon Haeil. Agora, nem tenho certeza se ainda conseguiria comer isso.
Ele tinha evitado ao máximo reuniões que exigissem refeições fora.
Mas não podia evitar todas, então, às vezes, era obrigado a ter um prato à frente. Nessas ocasiões, sempre pedia algo parecido com o que Kwon Haeil fazia, e se convencia mentalmente de que era feito por ele mesmo. Mas, mesmo assim, depois da reunião, o estômago acabava se revirando com atraso, e ele frequentemente corria para o banheiro.
Agora que nem sequer a comida de Kwon Haeil ele conseguia mais tocar, não fazia mais sentido pensar nos poucos pratos que ainda conseguia comer fora.
Enquanto isso, Haeil sentia pena de Kanghyeon, que devia ter sofrido bastante toda vez que comia fora, mas também ficou bastante emocionado ao saber que, mesmo naquelas ocasiões, ele pensava nele. A preocupação de Haeil, abraçando Kanghyeon, ficou ainda mais profunda.
— O que eu faço… Desse jeito, Baek Kanghyeon vai morrer antes mesmo de a gente noivar.
— Está tudo bem. Ainda consigo comer uma barra de proteína, pelo menos.
Haeil lembrou da barra de proteína que Kanghyeon tinha preparado para o rut anterior. Na época do rut nem sequer tinha olhado para aquilo, mas, depois, por curiosidade, experimentou uma. Fora um leve sabor tostado na ponta da língua, não tinha nenhum gosto ou aroma perceptível, então nem conseguiu comer metade.
Parecia que, como o enjoo era muito influenciado por sabor e aroma, algo tão neutro assim era possível de tolerar.
— Aquilo não tinha gosto nenhum, como você conseguia comer aquilo?
— Preciso comer alguma coisa, ao menos pelo Milagre.
— Que bonzinho.
Kanghyeon recebeu os tapinhas de Haeil e se apoiou confortavelmente em seu peito. Não estava com sono, mas o corpo estava agradavelmente relaxado, e queria se deitar um pouco. Percebendo isso rapidamente, Haeil beijou os cabelos macios dele e perguntou:
— Com sono?
— Não. Não é sono… mas quero me deitar.
— Tá, vamos fazer isso.
Assentindo, Haeil ergueu Kanghyeon nos braços com facilidade. Antigamente, teria comentado de novo que ele estava emagrecendo, mas agora sentia que não conseguia mais dizer esse tipo de coisa. Não era como se ele estivesse emagrecendo por vontade própria.
Haeil sentiu como se algo estivesse entalado na garganta, apertado.
O lugar para onde Haeil levou Kanghyeon nos braços era, claro, o quarto. Deitando-o no lugar mais macio e aconchegante, sentou-se na beirada da cama.
Deitado, piscando devagar, Kanghyeon segurou o braço de Haeil, acariciando-o.
— Não vai se deitar comigo?
— Eu também deito?
— Então você ia me deixar deitado sozinho? A cama nem é pequena.
O olhar levemente travesso de Kanghyeon parecia até estar seduzindo Haeil.
Haeil, com o rosto já um pouco quente, desviou o olhar.
Já tinha passado seis semanas sem sexo com Baek Kanghyeon.
Desde que descobriram a gravidez, Kanghyeon também tinha se controlado, mas foi Haeil quem primeiro decidiu se conter completamente. Mesmo com o período de rut no meio disso, ele aguentou firme, ignorando os efeitos colaterais, mesmo tendo que recorrer aos supressores.
Como era a primeira vez que se abstinha assim, na verdade, houve mais de uma vez em que quase perdeu completamente o controle. Ter aguentado seis semanas inteiras, pensando no Milagre bem no momento em que a razão estava prestes a ir embora, era realmente algo digno de admiração.
Sabendo ou não dos sentimentos de Haeil, Kanghyeon não parecia ter nenhuma intenção de ficar quieto.
— Estou bem cansado hoje, e preciso de Kwon Haeil.
Fazia sentido, depois de ter passado o jantar todo vomitando sem parar.
Percebendo que a mão de Kanghyeon segurando seu braço estava sem muita força, Haeil se deitou rapidamente ao lado dele. Naturalmente, ofereceu o braço como travesseiro, abraçando-o com carinho, e, como um hábito, acariciava suas costas. A respiração de Kanghyeon foi ficando bem mais relaxada do que antes.
Sentindo o conforto mais agradável do mundo, Kanghyeon, deixando toda a tensão sair do corpo, disse, um pouco hesitante:
— Sabe uma coisa?
— O quê?
— Nosso Milagre já está com doze semanas agora.
Haeil arregalou os olhos, surpreso.
— Já chegou até aí? O tempo passa rápido.
Ele até sabia disso vagamente, mas, com tantos preparativos, estava tão sem tempo que percebeu com atraso.
Além disso, ficou extremamente grato pelo bebê que tinha crescido de forma estável até a décima segunda semana. Se pudesse nascer assim, saudável, sem mais complicações, não teria mais nenhum desejo.
Só que o problema era o quanto Baek Kanghyeon estava sofrendo com isso.
— O médico disse que, uma vez entrando no período estável, é melhor receber o feromônio diretamente sempre que possível.
— Isso quer dizer que…
Haeil, com o rosto atônito, olhou para Kanghyeon e logo pôde encontrar aquele olhar dele, um pouco constrangido.
— Já dá pra fazer sexo agora. Se não fizer, na verdade… vai ser um problema.
Assim que Kanghyeon terminou de falar, Haeil se sentou de repente. Seus olhos arregalados já estavam cheios de fervor.
Como se as rédeas que ele segurava com tanto esforço tivessem se soltado de uma vez, Haeil arrancou a camisa apressadamente. Em seguida, se posicionou entre as pernas de Kanghyeon. Com pressa, mas cuidado, suas mãos desabotoaram rapidamente a camisa de Kanghyeon.
— Vai com calma, sabe disso, né?
— Claro que sim.
Ao abrir a camisa desabotoada de Kanghyeon para os lados, Haeil sentiu uma tontura repentina. Talvez por ter aguentado por tanto tempo, o corpo branco e firme de Kanghyeon parecia quase ofuscante.
— Depois de tanto tempo guardado, vou fazer com calma… e liberar tudo, não é isso?
Já tendo perdido mais da metade da razão, Haeil olhou para Kanghyeon como quem quer devorá-lo, soltando uma respiração pesada.
— Eu sou muito bom nisso, sabia.
A língua quente de Haeil umedeceu os próprios lábios com avidez, como diante de algo delicioso.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna