Alphega — Episódio 105
Assim que a gola de Haeil foi agarrada, Kanghyeon segurou firme o pulso de Seohoon e o afastou. Poderia tê-lo soltado à força, se quisesse, mas preferiu esperar que Seohoon soltasse por conta própria.
— Solta. Não é culpa de Kwon Haeil.
— Não faz nada violento, Baek Seohoon.
Prestes a levantar ainda mais a voz irritada diante da firmeza de Kanghyeon, Seohoon acabou se calando, forçado, diante das palavras de Baek Seongju, sentado ao lado dele. Soltou também, contrariado, a mão que segurava a gola de Haeil.
— Você está bem? Se fizer essa cara de bobo, é claro que vão te agarrar pela gola.
— Como eu ficaria com uma cara normal, se Baek Kanghyeon está me protegendo?
O rosto de Haeil, mais do que compatível com quem tinha acabado de ser agarrado pela gola, exibia uma expressão ainda mais radiante. Aquela postura displicente parecia fofa, e Kanghyeon, sem perceber, sentiu os olhos se suavizarem.
Aquele lugar era a sala de vice-presidência do Hotel Baekcheong.
Baek Seongju, vice-presidente do Hotel Baekcheong. Baek Seohoon, participando de um seminário médico realizado no Hotel Baekcheong. Baek Kanghyeon, ali por trabalho. Kwon Haeil, hóspede que fez o check-in usando o nome do diretor Park.
Entre os quatro, que tinham se encontrado secretamente combinando os horários de propósito, fluía um ar sutil.
Observando em silêncio Haeil e Kanghyeon, sentados lado a lado, Seongju colocou em palavras, no meio daquele clima sutil, uma dúvida completamente natural.
— Como é que você engravida?
Diante das palavras de Seongju, Seohoon voltou a si de repente. Parecia que o pensamento tinha se atrasado por um instante, diante da notícia inesperada da gravidez do caçula.
Como Seongju tinha dito, havia um problema fundamental para que a palavra “gravidez” fosse usada em relação a Baek Kanghyeon.
O fato de Baek Kanghyeon e Kwon Haeil serem ambos alfas.
O motivo de Seohoon não ter pensado nesse problema fundamental foi porque os dois alfas à sua frente tinham dito a palavra “gravidez” com tanta naturalidade e convicção.
— Verdade, os dois são alfas, então o que essa história de gravidez significa?
Kanghyeon alternou o olhar entre Seongju, que levantava a questão calmamente, e Seohoon, que o encarava perplexo. Por fim, olhando para os olhos carinhosos de Haeil, Kanghyeon respondeu com seriedade:
— Eu sou alfa, mas não sou só alfa.
— O que isso quer dizer?
Seohoon, que achava conhecer bem o corpo e a saúde de Kanghyeon, só conseguiu inclinar a cabeça diante daquela fala enigmática do irmão.
Prestes a continuar falando, Kanghyeon teve, por um instante, os olhos tremendo levemente.
Ele já tinha decidido contar tudo, e por isso tinha começado revelando a gravidez, mas, mesmo assim, abrir a boca exigia bastante coragem.
Estava diante dos hyungs ômegas que sempre tinham sido comparados a ele, um alfa dominante, ao longo de todos aqueles anos. Confessar seu traço genético anormal diante deles era, inevitavelmente, algo difícil.
Foi então que Haeil, sentado ao lado, segurou a mão de Kanghyeon com carinho. Seus olhos incentivaram Kanghyeon em silêncio.
“Normal e anormal é só uma diferença de qual dos dois é mais comum. Acho que o traço de Baek Kanghyeon só é raro, não anormal.”
Lembrando das palavras que Haeil tinha dito, Kanghyeon sentiu a ansiedade se dissolver. A mão dele se entrelaçou entre os dedos de Haeil, unindo-se como se estivessem se prendendo um ao outro.
Por fim, os lábios de Kanghyeon se moveram.
— Na verdade, eu…
O que veio a seguir foi a confissão, difícil de acreditar, do “alfega Baek Kanghyeon”.
Ao ouvir a história daquele traço genético raro e desconhecido, os dois irmãos ficaram um bom tempo sem dizer nada.
Era natural ficar confuso. Era normal não acreditar de imediato.
Afinal, naquele exato momento, Baek Kanghyeon exalava um feromônio alfa nobre e dominante, digno de sua condição.
Mas o caçula que Baek Seongju e Baek Seohoon conheciam nunca seria alguém capaz de mentir para eles. Era ainda mais improvável que ele criasse um encontro secreto daquele jeito, usando trabalho como desculpa, só para fazer uma piada absurda.
Seohoon quebrou o silêncio que preenchia a sala de vice-presidência e perguntou com seriedade:
— …É verdade mesmo?
— É. Desculpa.
Ao responder, o rosto de Kanghyeon mostrou uma culpa profunda. Assim que Seohoon viu aquilo, apoiou a cabeça tonta com a mão.
— Por que essa cara? Não é motivo pra você se sentir culpado. Não é como se você tivesse desejado ter esse traço.
— Mas por minha causa…
— Se você disser mais uma vez que a gente sofreu por sua causa, juro que não vou deixar barato.
Diante dos olhos arregalados de Seohoon, Kanghyeon foi obrigado a se calar. Mesmo assim, a culpa visível no rosto dele não desaparecia facilmente.
— Como o Seohoon disse, não é motivo pra você se sentir culpado. Relaxa essa cara.
Reforçando as palavras de Seohoon, Seongju parecia surpreendentemente calmo. Não que não estivesse surpreso, mas aquilo durou apenas um instante — agora, tinha um rosto sereno, como quem estava disposto a entender qualquer coisa.
— Não importa qual seja seu traço genético, você continua sendo nosso irmão. Isso é o suficiente.
Em seguida, os olhos de Seongju se suavizaram, e um sorriso gentil surgiu em seus lábios.
— Deve ter sido difícil, mas obrigado por contar.
Kanghyeon sentiu o peito se apertar.
Mesmo tendo sido, até então, tão comparados a ele por ser alfa e sofrido tanto por causa disso, os hyungs continuavam com aquele olhar carinhoso de sempre. Não seria estranho se despejassem xingamentos duros, como “impostor” ou “mutante”, mas não fizeram isso.
Segurando o nó na garganta, Kanghyeon abaixou a cabeça.
— Sou eu quem devia agradecer. …Desculpa, e obrigado.
Incomodado ao ver Kanghyeon com a cabeça baixa, Seohoon estendeu a mão. Sua mão, passando por cima da mesa, acariciou a cabeça de Kanghyeon.
— Já disse que você não fez nada de errado. Então levanta essa cabeça.
Consolando Kanghyeon, Seohoon, dessa vez, ergueu as sobrancelhas e lançou um olhar furioso a Haeil.
— E você aí, será que não devia baixar a cabeça também? Engravidar o precioso caçula dos outros… Ai… que dor de cabeça.
— Desculpa, hyung. Se estiver com muita dor, quer que eu compre um remédio pro senhor?
— Cala a boca.
— Sim.
Diante de Seohoon, largado no braço do sofá, segurando a cabeça, Haeil sorriu abertamente. Enquanto isso, continuava com o braço em volta do ombro de Kanghyeon, dando tapinhas gentis nele.
Observando o gesto carinhoso de Haeil, Seongju, por fim, voltou os olhos para a barriga de Kanghyeon.
Já eram oito semanas de gravidez, então, à primeira vista, não parecia haver nada de estranho. Mas, em cerca de três meses, aos poucos, já começaria a aparecer.
Ele tinha se perguntado por que decidiram até fazer uma cerimônia de noivado falsa para antecipar a sucessão, mas agora entendia. Numa situação já grávido, não havia mais tempo para agir com calma.
“Então era isso que a mãe queria dizer com ‘surpresa’.”
Lembrando das palavras de Lee Yerin, Seongju disse a Haeil:
— Soube que você se encontrou com nossa mãe. Também consigo imaginar mais ou menos o que ela está pensando.
— Então a conversa vai ser mais rápida. Pelo nosso fofo caçula e pelo futuro sobrinho, os hyungs precisam se mexer.
Como Seongju e Seohoon já pretendiam agir por Kanghyeon mesmo antes de eles chegarem, assentiram sem hesitar.
Depois de receber a promessa de cooperação dos dois irmãos, Kwon Haeil conversou a sós com Baek Seongju.
Isso porque Seongju era peça-chave do plano, mas também porque Baek Seohoon, dizendo que odiava assuntos que davam dor de cabeça, arrastou Kanghyeon e se levantou. Enquanto os dois conversavam tomando chá numa mesinha redonda num canto da sala da vice-presidência, Seongju e Haeil trocavam uma conversa bastante importante.
— …se fizer assim, dá pra ficar um pouco na frente, mesmo que pouco.
— Entendo. Então eu vou controlar esses votos que podem virar variáveis. Já sei mais ou menos o que cada acionista gosta e do que tem medo.
Revisando a lista de acionistas da Baekcheong, Seongju sentiu o olhar fixo de Haeil sobre si e ergueu os olhos. No reflexo dos óculos transparentes sem aro, Haeil parecia querer perguntar algo, mas estava se contendo.
Pousando a lista que segurava, Seongju disse, num gesto de consideração:
— Se tiver alguma dúvida, pergunte agora. Não sei quando vamos poder nos encontrar de novo antes da cerimônia de noivado.
Haeil não respondeu de imediato, olhando na direção da mesinha de chá. Ali estava Kanghyeon, conversando animadamente com Seohoon.
— …Não sei se devo dizer isso, mas será que o hyung não pode mirar diretamente na cadeira de presidente? Com todas essas informações sobre os acionistas em mãos, seria totalmente possível puxar a maioria dos votos pra você.
Tirando os olhos de Kanghyeon, Haeil observou Seongju com um olhar afiado.
— Não tem vontade de ser presidente?
Na visão de Haeil, Baek Seongju era mais do que capaz de se tornar presidente.
Se soubesse usar bem as informações que tinha em mãos sobre os acionistas, especialmente aquelas que podiam servir como pontos fracos, seria possível garantir mais da metade das forças que apoiavam Baek Kanghyeon. Exagerando um pouco, ele até poderia, imediatamente, derrubar Baek Jungman e assumir ele mesmo o cargo de presidente.
Mesmo diante da pergunta direta de Kwon Haeil, os olhos de Seongju não vacilaram nem um pouco.
— Eu, o Seohoon e o Heewoo, os três, graças ao Kanghyeon, sempre tivemos muito mais do que merecíamos.
Através dos óculos de Seongju, refletia-se, vagamente, a imagem de Kanghyeon.
— Mas o Kanghyeon é diferente. Por nossa causa, ele abriu mão de muita coisa e viveu sendo usado de várias formas.
O ambiente rígido que envolvia Seongju até agora suavizou, tornando-se carinhoso. Um sorriso sincero e caloroso surgiu suavemente em seu rosto.
— Por isso, a única coisa que podemos desejar com ambição é o desejo do Kanghyeon.
— Vocês são hyungs muito bons.
Observando Seongju, Haeil sentiu, de repente, uma inveja renovada por Kanghyeon.
Mesmo não sendo irmãos de sangue, ver aquela devoção mútua tão profunda emocionou seu coração. Além disso, uma leve amargura por ser filho único surgiu nele.
“Definitivamente, um só não vai bastar. Depois que o Milagre nascer, preciso já calcular o próximo rut.”
Olhando mais uma vez para Kanghyeon, o olhar de Haeil parecia bastante determinado.
Baek Seohoon foi o primeiro a perceber o olhar determinado de Haeil.
Seohoon se colocou fisicamente entre Kanghyeon e o olhar de Haeil, arregalando os olhos. Sabia que Kwon Haeil não era uma pessoa má, mas, mesmo assim, era bastante incômodo ver alguém ocupar o lugar ao lado de seu caçula tão bonito e amado.
— Ladrão… maluco de verdade… eu já tinha percebido desde aquele papo de ‘comer do mesmo pote’.
Kanghyeon, ao ver Seohoon murmurando com raiva assassina, ficou meio sem graça.
— Hyung, já falei que não é culpa de Kwon Haeil.
— Culpa de quem mais seria, se não dele? Filho não aparece do nada.
Parecia que Kwon Haeil tinha sido, de fato, definitivamente marcado como o vilão.
Pensando em como acalmar Seohoon, Kanghyeon colocou a mão na própria barriga.
— Não fala tão mal assim. O bebê está ouvindo tudo.
— …….
Talvez porque tenha funcionado, a boca de Seohoon fechou na hora.
Soltando um suspiro carregado de emoções complexas, Seohoon fixou um olhar firme na barriga de Kanghyeon.
— Milagre, você precisa puxar só o Kanghyeon, viu. Não pode puxar esse cara estranho aí.
— Eu, na verdade, gostaria que ele puxasse Kwon Haeil.
— Por quê?
Falando com o bebê na barriga, Seohoon olhou para Kanghyeon com uma expressão de dúvida. Sem perceber, os olhos de Kanghyeon já estavam voltados para Kwon Haeil, que conversava seriamente com Baek Seongju.
— É uma pessoa sempre alegre. Direto, livre, sem medo de nada — às vezes até invejo isso. É o oposto de mim.
Com os olhos cheios de Haeil, Kanghyeon exibiu um sorriso radiante.
— Por isso, quero que nosso filho puxe Kwon Haeil e seja bem alegre também.
Seohoon estava genuinamente surpreso.
Era a primeira vez que via Kanghyeon sorrir daquele jeito tão sincero para outra pessoa. Aquele sorriso raramente visto fez até o peito de Seohoon se aquecer.
Engolindo, por um breve instante, mil vezes a vontade de dizer que seu irmão era bom demais para aquele cara, Seohoon lançou um olhar emburrado para Haeil.
— Aquele aí provavelmente pensa exatamente o oposto de você.
Resmungando de mau humor, Seohoon observou Kanghyeon por um momento e perguntou:
— …Você ama muito ele?
— Sim.
Foi uma resposta imediata, sem hesitação.
Seohoon sentiu toda a energia para discordar dele, e acabou soltando uma risada baixa.
— Tá bom. Isso já basta.
A mão de Seohoon acariciou suavemente a cabeça de Kanghyeon.
— Faz o que você quiser. Porque isso também é o que a gente quer.
Talvez porque o olhar e a voz de Seohoon estivessem tão gentis.
Kanghyeon, com os olhos um pouco úmidos, olhou para Seohoon e disse, com sinceridade, “obrigado”.
Bem naquele momento, Haeil, que estava olhando para Kanghyeon, de repente se levantou de supetão. Por mais boa que fosse sua visão, ele não deixou passar o instante em que os olhos de Kanghyeon ficaram úmidos.
— Hyung! Eu mal consegui fazer ele chorar até agora, isso não é injusto?
Seohoon ficou momentaneamente confuso diante da audácia de Haeil, chamando-o de “hyung” com tanta desenvoltura.
— Não me chame de hyung! E o que é isso de ‘mal consegui fazer ele chorar’…? Você já fez ele chorar?! Quando, onde, por quê! Não, o que você fez pra fazer ele chorar?!
Diante da voz cheia de irritação, Haeil, subitamente sentindo um calafrio, olhou para uma montanha distante que, ali, não poderia nem existir.
— Ah, é que…
Sob o olhar afiado de Seohoon, Haeil sentiu a nuca esquentar de repente. Até Baek Seongju, que até então estava tranquilo, parecia não conseguir deixar passar o fato de que Kanghyeon tinha chorado.
“Ah… complexo de irmão é uma coisa realmente assustadora, porra. Preciso ter mais cuidado com o que digo.”
Tirando essa lição valiosa, Haeil teve que se refugiar discretamente atrás das costas de Kanghyeon.
˚˚˚
Na décima segunda semana de gravidez, faltando cerca de duas semanas para a cerimônia de noivado.
Foi bem naquele momento, quando tudo parecia estar correndo tranquilamente.
De repente, algo aconteceu com Baek Kanghyeon.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna