Alphega — Episódio 104
As luzes acesas em vários cantos da casa e os sapatos de Baek Kanghyeon deixavam claro, assim que a porta se abriu, que ele estava ali dentro.
Mas, por mais que chamasse, não havia resposta, nem nenhum sinal de presença, então, ligando apressadamente para o celular dele, ouviu-se uma vibração fraca vinda de algum lugar mais para dentro.
O lugar aonde chegou seguindo aquele som foi justamente ali: o closet.
— Isso… é o quê…
Parado no closet iluminado, Haeil não conseguia entender aquela situação.
Por que Baek Kanghyeon estava profundamente enterrado, dormindo, naquele monte de roupas que claramente tinha tirado com as próprias mãos?
Por um instante, seus pensamentos travaram, mas logo voltaram a funcionar. Não sabia o motivo, mas a imagem de Kanghyeon adormecido no chão nu, sem nem estar na cama, cercado das próprias roupas, definitivamente não era normal.
Achando que talvez tivesse desmaiado, se apressou até Kanghyeon e ergueu a cabeça dele com cuidado.
— Baek Kanghyeon! Você está be…
No meio das palavras que despejava, Haeil não deixou de notar uma respiração calma e regular. Sua voz, que estava prestes a acordá-lo, ficou subitamente mais baixa.
— Peraí, você está dormindo?
Um alívio tão grande que chegava a ser esvaziante fez a força sumir do corpo dele. Um suspiro longo de alívio escapou.
— Ah, porra… levei um susto do caralho.
Soltando um riso involuntário, Haeil olhou fixamente para Kanghyeon, completamente adormecido.
Fazia tempo que não via Baek Kanghyeon dormindo tão profundamente assim.
Fora as vezes em que ele desmaiava sem querer por causa de sexo intenso, ele não era do tipo de dormir feito morto assim, normalmente. Era alguém sensível, que acordava até com um pequeno barulho enquanto dormia, então era estranho vê-lo naquele estado.
E, além disso, aquela situação era até engraçada.
Kanghyeon tinha tirado várias roupas do closet, espalhado no chão e ao redor, e estava deitado bem no meio, coberto por várias camadas de camisas, como se fossem um cobertor. Era uma cena bem incomum, difícil de imaginar vindo do Baek Kanghyeon de sempre.
“O que diabos aconteceu aqui?”
Haeil, com olhos confusos, tentava entender a situação enquanto erguia levemente o tronco de Kanghyeon para tirá-lo dali no colo. Ao fazer isso, as camisas que cobriam o corpo de Kanghyeon como cobertor deslizaram até a cintura. Por causa disso, apareceu outra camisa que Kanghyeon abraçava com os dois braços, escondida sob as demais.
Ao ver aquilo, Haeil ficou em silêncio por um instante.
Logo depois, com o rosto rígido, Haeil deitou Kanghyeon de volta, com cuidado. Levantando-se devagar sem bagunçar nada ao redor, ele recuou em silêncio e, então, pegou o celular.
Clique clique clique clique clique clique clique clique clique clique clique clique clique-
Era uma velocidade de disparo absurda, impossível de contar quantas vezes ele apertou.
Kwon Haeil mudava de ângulo repetidas vezes, fotografando feito um louco Kanghyeon dentro do ninho, abraçando até a própria roupa como se fosse um bicho de pelúcia. O rosto de Haeil ficou vermelho num instante, como se estivesse animado, e o canto dos lábios subiu tão alto que quase chegava às orelhas.
Quando o viu num estado confuso, sem entender a situação, aquilo parecia só uma cena estranha, mas, depois de entender tudo direitinho, a paisagem à sua frente parecia completamente diferente.
— Porra… porra… caralho…
Testemunhando pela primeira vez um ninho de verdade, algo que só tinha ouvido falar, Kwon Haeil não conseguia dizer nada apropriado. O que saía da boca dele eram só palavrões no lugar de exclamações de espanto.
A sessão de fotos maluca de Kwon Haeil continuou por um bom tempo depois disso.
Kanghyeon, que tinha caído em sono profundo, abriu os olhos umas duas horas e pouco depois disso.
— Mm…
Saindo aos poucos de um sono agradável, Kanghyeon piscou devagar os olhos. Talvez por já ser noite fechada, tudo ainda estava escuro ao redor.
“Acho que… não apaguei a luz…”
Ainda com a cabeça meio entorpecida, recém-acordado, tentando reunir memórias vagas, Kanghyeon sentiu um toque quente no rosto.
— Acordou? Podia continuar dormindo.
Ao sentir lábios macios tocando seu rosto e uma respiração familiar, seguida da voz, sua mente despertou de vez.
Kanghyeon só então percebeu que estava enfiado no colo de Kwon Haeil. Pela maciez do chão sob o corpo e pelo ambiente familiar, parecia estar deitado junto com ele na cama de Haeil.
— Quando você chegou?
— Cheguei em casa faz uns duas horas, talvez?
— Podia ter me avisado.
— Avisei, mas parece que uma certa pessoa estava dormindo tão bem que nem atendeu.
Haeil riu baixinho e esfregou a bochecha na cabeça de Kanghyeon. Cada gesto familiar daqueles parecia dizer “estou aqui”, e Kanghyeon sentiu, quase por reflexo, o peito se aquecer.
Com o sono completamente espantado graças a Haeil, Kanghyeon de repente se lembrou de como tinha adormecido.
Lembrou de ter vindo até a casa de Haeil porque não conseguia dormir de jeito nenhum, mesmo deitado na própria cama, tentando de tudo.
Tinha entrado no closet só para pegar roupas de Haeil de novo, como no dia anterior, na esperança de conseguir fechar os olhos e descansar um pouco. Mas o closet, repleto do feromônio e do cheiro de Haeil, era como uma armadilha irresistível. Sem conseguir sair de jeito nenhum, acabou espalhando as roupas no chão e dormindo ali mesmo.
Ao lembrar de si mesmo dormindo no chão do closet, junto com as roupas, Kanghyeon ficou um pouco constrangido. Sem perceber isso, Haeil mostrou uma foto na tela do celular.
— Acabei fotografando sem querer, posso guardar isso pra sempre?
Na tela, aparecia Kanghyeon dormindo no closet.
Assustado ao ver a própria foto dormindo tão tranquilamente, Kanghyeon olhou para o rosto de Haeil, iluminado pelo brilho do celular. Ao ver aquele olhar cheio de afeto refletido na foto do celular, não conseguiu dizer que não.
Kanghyeon olhou para aquela foto, sem nada de especial, mostrando ele apenas enterrado nas roupas, dormindo, e perguntou:
— Quantas fotos você tirou?
— 119. Tiro mais uma pra arredondar?
— Você não pensa em apagar as outras 118?
— Não são iguais, sabe. O ângulo muda ligeiramente em cada uma.
Haeil argumentou com confiança, sorrindo na escuridão.
— Então dá pra deixar pelo menos uma?
Kanghyeon assentiu no colo dele, quando Haeil mencionou que, das 119, só uma seria a “extra”.
— Sim. Não precisa apagar as outras também.
— Sério?
Foi como uma bênção inesperada, a julgar pela reação dele.
Kanghyeon olhou para aquele Haeil sorrindo.
— Não poder ver alguém que você quer ver é uma sensação bem ruim.
Desde o encontro no hotel, os dois não tinham conseguido se ver de jeito nenhum. Mesmo antes disso, tinham passado dias sofrendo em silêncio, sem se encontrar.
Enquanto isso, Kanghyeon se arrependeu algumas vezes. Se tivesse uma foto de Kwon Haeil guardada, poderia ter se consolado olhando para ela, mas não tinha nada assim.
Assim que percebeu isso, sentiu um vazio estranho em algum lugar do peito. Chegou até a sentir uma inquietação, como se os dias passados com Kwon Haeil parecessem apenas um sonho.
Foi o momento em que sentiu, na pele, o quanto a solidão era dolorosa, acima de tudo.
— Eu também.
Compartilhando o sentimento de Kanghyeon, Haeil guardou o celular e o abraçou com força. Como quem diz “estou bem aqui”.
— Por isso, de agora em diante, vou tirar bastante foto sua. Ah, claro, eu também vou deixar você me fotografar bastante.
— Tá bom.
Kanghyeon sorriu baixinho, e os lábios de Haeil tocaram seu rosto repetidas vezes. A mão quente acariciava com carinho seus cabelos macios, enquanto a outra dava tapinhas gentis nas suas costas.
Em cada um daqueles gestos carregados de afeto, sentia-se o cheiro de Haeil. Já completamente acostumado, a ponto de nem mais lembrar que era feromônio de outro alfa, aquele aroma familiar o envolvia por completo. Uma sensação de plenitude e conforto que nem as roupas conseguiam oferecer completamente acariciava Kanghyeon com tranquilidade.
Sentindo profundamente, com o próprio corpo, a presença de Kwon Haeil ao seu lado, Kanghyeon disse, com uma voz um pouco preguiçosa:
— Recebi contato da minha mãe.
Kanghyeon lembrou da ligação que tinha recebido de Lee Yerin naquela manhã.
Dizendo que tinha recebido o número de Kwon Haeil, sua mãe falou com uma voz um pouco mais leve do que de costume. Diferente de sempre, quando parecia sempre desconfortável e severa com ele.
Lee Yerin perguntou como ele estava, de forma casual, mas de repente ofereceu um pedido de desculpas. Só então Kanghyeon soube o que era aquele apartamento onde ele passou a morar, e com que intenção Yerin tinha preparado tudo aquilo.
Ficou surpreso, mas não sentiu raiva. Pelo contrário, se sentiu grato.
Se não fosse por Yerin, ele nunca teria conseguido ficar tão próximo de Kwon Haeil.
— Por que você não me contou? Que a pessoa que você ia encontrar era a minha mãe.
Ao perguntar, lembrando da voz da mãe que tinha ouvido depois de tanto tempo, Haeil demonstrou desconforto e culpa.
— Hm… desculpa por não ter contado.
— Tudo bem. Deve ter tido um motivo.
Kanghyeon não repreendeu Haeil por ter agido por conta própria.
Haeil percebeu que a atitude de Kanghyeon vinha de uma confiança profunda nele. Parecia acreditar que ele jamais faria algo que o prejudicasse.
Bastante emocionado com aquilo, Haeil cobriu o rosto de Kanghyeon de beijos novamente e disse:
— Achei mesmo que você fosse me impedir de encontrá-la. Parece que estou arrastando alguém que se mantinha neutro pra um confronto sem necessidade.
— Se fosse o eu de antes, talvez sim, mas agora não é o caso.
Kanghyeon entendia bem os sentimentos de Haeil.
Como ele tinha investigado sobre a sucessão, provavelmente já havia percebido, desde cedo, que Lee Yerin não apoiava nenhum dos irmãos abertamente.
Para realizar o plano feito junto com Kwon Haeil, o número de ações que Lee Yerin possuía com certeza seria um fator relevante. Claro que, sozinha, sua participação nem chegaria perto de ser suficiente, mas, por outro lado, cada ação a mais era preciosa naquele momento.
Kanghyeon passou o braço pelas costas de Haeil e fechou os olhos suavemente.
— Eu também quero, ao menos uma vez… ser egoísta.
Entenderia. Se fosse aquela mãe que sempre o observava de longe com pena, vendo-o ser puxado de um lado para outro pelo pai.
— Sim. Você pode ser assim.
Rindo diante da fala rebelde de Kanghyeon, Haeil respondeu abraçando-o com carinho de volta.
— A partir de agora, vamos viver de forma egoísta juntos.
Aquelas palavras carinhosas, ditas com tanta naturalidade, pareceram fortalecer ainda mais a determinação de Kanghyeon.
˚˚˚
Os preparativos para a cerimônia de noivado avançaram rapidamente sob o comando do presidente Baek Jungman.
A notícia de que a sucessão do Grupo Baekcheong começaria oficialmente a partir daquela cerimônia agitou toda a mídia.
O holofote sobre Baek Kanghyeon, futuro presidente do Grupo Baekcheong, não parava de brilhar sobre ele. Junto disso, o interesse sobre quem seria o noivo de Baek Kanghyeon explodiu igualmente.
O principal candidato entre os possíveis noivos era Seong Taerim, o ômega dominante que já tinha sido fotografado ao lado dele. A famosa foto que circulava era do momento em que iam experimentar as roupas de noivado. Quem não sabia que uma das peças de noivado, na verdade, pertencia a outra pessoa, e não a Seong Taerim, comentava animadamente como o casal combinava.
Por outro lado, havia também quem apresentasse teorias absurdas, dizendo que Seong Taerim só estava acompanhando por conta de uma amizade pessoal.
Em meio a todo esse alvoroço.
Baek Seongju e Baek Seohoon fizeram expressões sutis ao ver Kanghyeon e Haeil, que os procuraram secretamente.
— …Grávido? Quem?
Diante da pergunta rígida de Seohoon, Kanghyeon, sentado à frente dele, respondeu com calma, como quem faz um cumprimento leve.
— Eu.
Assim que aquela frase saiu, o rosto de Seohoon se contorceu de forma assustadora, como um demônio. Seu olhar assassino se voltou para Kwon Haeil, que sorria como um raio de sol ao lado de Kanghyeon.
— Seu ladrão maluco!
Num instante, Seohoon, completamente estourado, agarrou a gola de Haeil.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna