Alphega — Episódio 103
Depois do encontro com Kwon Haeil.
De volta à suíte do hotel, Lee Yerin permaneceu imersa em pensamentos profundos até o sol se pôr e a noite avançar. Em suas mãos, ela segurava o celular o tempo todo.
Os dedos de Yerin, movendo-se devagar, acenderam a tela do celular. Nela, aparecia um número de celular começando com +82.
“É o novo número de Baek Kanghyeon. É um número que nem o pai dele conhece, então será mais fácil entrar em contato à vontade.”
Lembrando das palavras de Haeil, os dedos de Yerin hesitaram repetidas vezes sobre o botão de discar.
Naquele horário, certamente seria manhã na Coreia, então não atrapalharia o sono dele. Mesmo assim, ela não conseguia decidir facilmente fazer a ligação. Ainda sentia uma culpa profunda por ter tentado usá-lo sem considerar os sentimentos que Kanghyeon poderia sentir.
Enquanto hesitava por um bom tempo.
De repente, outro número apareceu no celular de Yerin. Assustada com a ligação repentina, ela se acalmou um pouco ao verificar o nome salvo.
Ao atender, ouviu a voz clara de um homem.
[— Boa noite, mãe.]
[— Bom dia, meu filho.]
Os dois trocaram cumprimentos leves, adaptados ao dia e à noite de cada um.
Percebendo o tom animado na voz de Yerin, o homem puxou assunto.
[— Parece que a senhora se encontrou com ele.]
[— Sim. Nos vimos hoje de manhã.]
[— E o que a senhora achou dele?]
[— Como me disseram, ele é uma pessoa peculiar.]
Yerin lembrou do rosto confiante de Kwon Haeil.
Assim como o primeiro filho, esperto como sempre, tinha previsto, Kwon Haeil, que a procurou de repente, era realmente fascinante. Tinha uma personalidade completamente oposta à que se esperaria do namorado do caçula Baek Kanghyeon, tanto que era estranho imaginar como os dois tinham se conectado.
Mesmo assim, não dava para não dar nota máxima ao coração sincero e à capacidade de ação que Kwon Haeil demonstrou.
[— É alguém que ama Kanghyeon profundamente, tanto quanto vocês.]
Um sorriso satisfeito surgiu nos lábios de Yerin.
[— Se for esse tipo de pessoa, acho que dá pra confiar.]
[— Se a senhora está dizendo isso, deve ser verdade mesmo.]
Ouvindo aquela voz elegante e calma do outro lado da linha, Yerin chamou o nome dele.
[— Seongju.]
[— Sim, mãe.]
Diante da resposta imediata de Baek Seongju, Yerin disse, com palavras carinhosas, como quem acaricia:
[— Meu primeiro filho, é você, sempre e sem mudança nenhuma. Todas as outras crianças também são meus filhos preciosos. Então, se você quiser, esta mãe pode ficar ao seu lado a qualquer momento.]
Era uma frase carregada de significado.
Se fosse Baek Seongju, ele certamente entenderia todos os significados por trás daquilo, mas sua resposta era sempre a mesma.
[— Só de ouvir isso, já sou grato.]
Esperou um pouco mais, mas nenhuma outra palavra saiu de Seongju.
No fim, Yerin, como se já esperasse aquilo, soltou um suspiro deliberadamente audível.
[— Você realmente não tem nenhuma ambição. Os outros também não têm.]
Ao ouvir as palavras de Yerin, a voz de Seongju se misturou com um leve tom de riso.
[— Não, mãe. Não existe ninguém tão ambicioso quanto nós.]
Lee Yerin conseguiu facilmente imaginar em quem Baek Seongju estava pensando ao dizer aquilo.
Entendia, mas, de qualquer forma, o “complexo de irmão idiota” continuava intacto.
[— Isso não se chama ambição, se chama afeto.]
Recostada no sofá, Yerin, lembrando do caçula que era o milagre em pessoa, riu baixinho junto com Seongju.
˚˚˚
— O que a mãe disse?
Assim que Baek Seongju desligou o telefone, Baek Seohoon, sentado no sofá da sala de vice-presidência dele, perguntou. Seongju, que estava olhando para o celular por trás dos óculos sem aro, respondeu:
— Disse que é confiável.
— Aquele ladrão maluco.
Seohoon, praticamente derrubado no sofá, torceu o rosto.
— Por que aquele cara está atrás da procuração das ações?
Seongju respondeu com tranquilidade à pergunta dele:
— Provavelmente quer criar uma situação de escolha entre dois lados.
— Escolha entre dois lados?
Logo depois de saber que a cerimônia de noivado de Kanghyeon seria realizada, Baek Seongju tinha recebido um contato secreto de Taerim.
Dizendo que o noivo de Kanghyeon não era ele.
Só com aquela frase, Baek Seongju já conseguiu entender rapidamente os pensamentos de Kanghyeon. Inclusive quem era o verdadeiro noivo dele.
Depois disso, observando secretamente os movimentos do homem que se presumia ser o noivo de Kanghyeon, conseguiu deduzir mais ou menos o que ele estava pensando. Por isso, já tinha avisado a mãe com antecedência, mas nunca imaginou que ele fosse fazer contato tão rápido assim. Realmente, como tinha ouvido, era um homem com uma capacidade de ação notável.
— Provavelmente vai me procurar em breve também. Finalmente vou conhecê-lo pessoalmente.
— Você vai fazer o que ele quer?
Seohoon fez uma expressão desconfiada.
Ele sabia que Kwon Haeil era um cara melhor do que parecia, mas isso não significava que confiava nele enormemente. Não importava o que as pessoas dissessem, ele continuava sendo um cara maluco que tinha conquistado, com jeito manhoso, o irmão mais querido deles.
Seongju também não desconhecia o sentimento de Seohoon. Além do mais, ao menos Seohoon já tinha se encontrado com ele; tudo que Seongju sabia sobre Haeil era o que tinha ouvido de terceiros.
Por isso, seria natural desconfiar de imediato, mas Seongju assentiu como se fosse óbvio.
— Sim.
— Sério mesmo?
— O Kanghyeon confia nele. Isso já é suficiente.
Seohoon, desconfiado, disse com seriedade, tomado por uma preocupação:
— Ele pode estar sendo enganado.
— Se isso for verdade, então não é que ele está sendo enganado sem saber — é que ele está sendo enganado sabendo.
Diante das palavras de Seongju, que pareciam conhecer bem Kanghyeon, Seohoon abaixou a cabeça e soltou um suspiro. Como Seohoon também conhecia Kanghyeon tão bem quanto Seongju, não conseguiu rebater aquela fala.
— Se você também está pensando no Kanghyeon, faça o que ele pedir quando ele vier te procurar. Pelo menos, se ele conseguiu ir pessoalmente até a mãe e receber a aprovação dela, é alguém em quem dá pra confiar.
— …Eu sei disso também.
Respondendo sem força, Seohoon estava com os lábios franzidos, insatisfeito com alguma coisa. Parecia sentir, no fundo, um pouco de ciúmes, ao perceber que o irmão querido tinha sido “roubado”.
Poderia ter consolado Seohoon, mas Seongju, ao contrário, fez uma expressão fria e severa.
— Se não fosse pelo Kanghyeon, nós não estaríamos onde estamos hoje. Não esqueça isso.
As palavras de Seongju fizeram os olhos de Seohoon se abaixarem, distantes.
Um mesmo momento do passado passou pela cabeça dos dois, ao mesmo tempo.
No início, sem dúvida, odiavam a existência de Baek Kanghyeon. Porque, só por ser o filho biológico, ele recebia todo tipo de amor que eles mesmos nunca chegaram a experimentar de verdade.
Mas odiá-lo não durou muito tempo.
“Vou viver como o meu pai quer.”
“Então, por favor… não abandonem meus hyungs.”
Com apenas sete anos, Kanghyeon salvou Seongju e Seohoon com essas duas frases. Além disso, Kanghyeon também trouxe de volta com dignidade para Cheongwoonjae Baek Heewoo, que tinha sido praticamente abandonado no interior logo ao nascer.
Depois disso, o pai sempre usou o paradeiro deles como refém. Se Kanghyeon não agisse conforme ele queria, o pai costumava mandar Baek Heewoo, o mais novo dos três adotados e praticamente amigo de Kanghyeon, para uma ilha isolada por um tempo.
Isso gravou em Kanghyeon um trauma claro, junto com um sonho firme.
O sonho de mudar o pai, e a Baekcheong marcada por sua ideologia irracional de aversão, pelos hyungs.
O motivo de Baek Kanghyeon ter se esforçado tanto para se tornar o filho ideal do pai era, todo ele, por causa deles.
Como esse fato ainda continuava valendo até hoje, Seohoon respondeu com o rosto solene:
— Não esqueço. É por isso que estou dizendo que vou fazer o que o hyung decidir, com as minhas ações também.
Porque Baek Seongju jamais faria algo que prejudicasse Kanghyeon.
Mostrando aquela confiança, Seohoon disse, com um rosto complicado:
— …Ultimamente tenho pensado nisso, mas acho que teria sido bom se o hyung tivesse virado presidente. Se fosse assim, talvez o Kanghyeon pudesse ter vivido um pouco mais livre e tranquilo.
— Duvido que o pai deixasse isso acontecer.
— Mas, na verdade, seria perfeitamente possível, se você quisesse mesmo. O Kanghyeon também teria desistido da sucessão há muito tempo, se você quisesse.
O olhar de Baek Seongju ficou afiado. Sentindo aquele frio cortante, Seohoon rapidamente ergueu as duas mãos, como quem se rende.
— Não olha pra mim assim. Só estou dizendo que, olhando com frieza, é assim mesmo.
Desviando o olhar de leve e coçando a bochecha, Seohoon resmungou baixinho.
— É que… eu simplesmente não gosto de ver o Kanghyeon vivendo de um jeito tão difícil, só isso. Sinceramente, queria que ele pudesse namorar tranquilo com aquele maluco e sair um pouco por aí sem preocupação.
Mas Seongju continuava firme.
— Mudar a Baekcheong por nós é o sonho antigo de Kanghyeon. Por causa desse sonho, ainda precisamos continuar sendo hyungs dignos de pena e cuidado.
Para Baek Kanghyeon, preso na culpa de que os hyungs viveram de forma difícil por causa dele, qualquer coisa que fizesse precisava carregar o rótulo de “pelos meus hyungs”. Se precisassem de hyungs pobrezinhos para isso, ele estava disposto a interpretar esse papel o quanto fosse necessário. Esse era o motivo pelo qual Baek Seongju, mesmo capaz de vencer uma disputa de sucessão e engolir a Baekcheong, ainda escolhia permanecer como um hyung digno de pena que precisava da proteção de Kanghyeon.
Baek Seohoon também entendia isso, então não disse mais nada. Apenas assentiu em silêncio, como quem concorda.
Lembrando do rosto carinhoso de Kanghyeon que tinha visto pela última vez, Seongju de repente se lembrou de uma parte da conversa que teve com Lee Yerin.
— Pensando bem, parece que a mãe está escondendo algo sobre o Kanghyeon.
Diante de Seongju, que revisitava o conteúdo da ligação, Seohoon arregalou os olhos com curiosidade.
— Por quê? Teve algo suspeito?
— Não, não é isso…
Seongju repetiu para Seohoon o que Yerin tinha dito durante a ligação.
“Na cerimônia de noivado, provavelmente vocês também vão se surpreender bastante. Se preparem mentalmente com antecedência.”
— Ela falou como se houvesse uma boa notícia que fosse nos surpreender. O que será que é?
Independente da oposição do pai, já era um fato conhecido que o noivo não seria Seong Taerim, mas sim Kwon Haeil. Então não devia ser sobre o noivo — mas então que tipo de notícia seria essa, a ponto de precisarem se preparar mentalmente?
Sem nenhuma pista, Seohoon disse, desanimado:
— Sei lá, deve ser aquele ladrão que engravidou o Kanghyeon ou algo assim.
Naquele momento, Baek Seohoon jamais imaginaria que a piada absurda que tinha feito acabaria acertando quase metade.
˚˚˚
Kwon Haeil embarcou no voo de volta à Coreia na mesma noite em que encontrou Lee Yerin. Seus pais, com os olhos marejados, seguraram os dois braços dele, implorando para que ficasse ao menos mais uma noite, mas, já com tudo resolvido, Kwon Haeil não tinha mais motivo para continuar nos Estados Unidos.
— Não segurem! Tenho um namorado extremamente lindo me esperando sozinho!
Assim que terminou o que tinha ido resolver, Haeil, já impaciente, embarcou no voo direto que tinha reservado e voltou imediatamente para a Coreia.
Ao chegar, a Coreia já estava numa noite bem profunda.
Haeil ligou para Kanghyeon a caminho do carro do diretor Park, que o esperava na frente do aeroporto.
Mas Kanghyeon, que certamente deveria estar em casa naquele horário, não atendeu. Mandou mensagem, e não teve resposta; ligou de novo, e foi a mesma coisa.
Tomado por uma ansiedade repentina, Haeil, com o rosto tenso, entrou no carro e pressionou implacavelmente o diretor Park. O diretor Park, sem nem saber direito o que estava fazendo, pisou fundo no acelerador, e assim o carro que levava Kwon Haeil chegou rapidamente à garagem subterrânea do prédio.
Assim que chegou ao último andar, bateu na porta da casa de Kanghyeon e tocou a campainha imediatamente.
— Baek Kanghyeon, cheguei! Aqui é o Kwon Haeil!
Apesar de todo aquele alvoroço barulhento, o interior da casa de Kanghyeon permanecia silencioso.
Com a ansiedade aumentando ainda mais, Haeil, prestes a sair correndo para procurar Kanghyeon, pensou em ir até a própria casa, só por precaução.
Foi então que se deparou com uma situação totalmente inesperada.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna