Alphega — Episódio 101
A declaração que Haeil soltou de repente congelou, num só instante, a sala de estar antes cheia de um ar acolhedor.
Em meio ao silêncio gélido, a primeira a abrir a boca foi Lee Yerin, mãe de Baek Kanghyeon. Em vez de mostrar uma expressão de choque, como os pais de Haeil, ela apenas exibiu um sorriso ainda mais intenso.
— O que isso significa, exatamente?
— É exatamente o que eu disse.
O sorriso jovial de Haeil ficou ainda mais luminoso.
— O corpo e o coração de Baek Kanghyeon, tudo é meu. E eu sou dele.
Chegava a parecer arrogante, de tão confiante.
A boca de Lee Yerin claramente sorria, mas seus olhos estavam afiados, como se quisessem arrancar de Haeil cada intenção escondida.
Recebendo aquele olhar penetrante com facilidade, Haeil continuava parecendo tranquilo e confiante, como se não houvesse a menor mentira em suas palavras.
Sem saber o que fazer, sua mãe Jeong Eungyeong cutucou o flanco de Haeil com a mão. Observando a reação de Yerin, ela soltou uma risada carregada de constrangimento e desconforto.
— Ai, meu Deus… esse aqui está brincando demais… rá, rá…
— Você sabe que eu não brinco com esse tipo de coisa, mãe.
Só depois de ouvir a resposta de Haeil, o sorriso de Jeong Eungyeong se desfez.
Eungyeong lembrou da imagem de Kanghyeon que tinha visto recentemente na mídia.
Por mais que pensasse, aquilo parecia estar bem longe do tipo de pessoa que seu filho Kwon Haeil costumava gostar, e, além disso, o traço genético dele era o de um alfa dominante, tipo de pessoa que Haeil nunca tinha demonstrado interesse antes. Ela só tinha pensado que, já que ele estava se mudando para a casa ao lado, sendo de idade parecida e também um dominante, seria bom se tornassem amigos alfas de mente afinada, mas nunca imaginou que ele fosse criar uma situação tão absurda como aquela.
Não, para começar, será que aquilo era mesmo verdade?
Deixando de lado o coração, e o corpo… será?
Eungyeong sentiu o rosto esquentar sem motivo.
De qualquer forma, precisava resolver aquela situação absurda de algum jeito. O clima de Yerin estava consideravelmente afiado, e, se continuasse daquele jeito, ela poderia acabar explodindo de raiva de forma assustadora.
Eungyeong olhou rapidamente para o marido, Kwon Taejun, pedindo ajuda com o olhar. Mas ele só olhou de volta para ela com um rosto confuso, parecendo igualmente sem saber o que fazer.
Enquanto isso, Yerin, ainda encarando Haeil, disse a Eungyeong sem sequer desviar o olhar:
— Eungyeong, será que posso conversar um pouco a sós com o rapaz Haeil?
— Ah, s-sim.
Mesmo tendo respondido, Eungyeong não conseguia tirar o olhar preocupado de cima de Haeil. Se ele não tivesse dito, sorrindo, que estava tudo bem, ela talvez tivesse insistido em ficar, teimosa.
Depois que os pais de Haeil saíram.
Lee Yerin cruzou as pernas com elegância e pegou a xícara de chá. O chá preto, de aroma perfumado, refletia balançando no rosto dela.
— O Kanghyeon costuma ser muito atencioso com os outros. Talvez por isso, tenha havido muitas pessoas que confundiram essa atenção com afeto.
Bebendo um gole do chá com lábios mais vívidos do que a própria bebida, Yerin se desculpou sorrindo.
— Desculpe, por meu filho ter feito você entender errado.
— Aquelas pessoas que entenderam errado não eram todas “ômegas”? Eu sou alfa.
Haeil sorriu de volta, com um sorriso suave.
— Não precisa se desculpar. Não é um mal-entendido.
Haeil estendeu seu celular para Yerin. Na tela escura do aparelho, diferente do chá preto, refletia-se o rosto de Yerin.
— Se estiver desconfiada, quer ligar pra confirmar?
O sorriso de Yerin se contraiu levemente.
— Acabamos de nos falar por telefone há pouco, então, se ligar agora, ele vai atender na hora.
O olhar de Yerin, fixo no celular, se voltou para Haeil. Ele, observando atentamente cada gesto e reação dela, acrescentou:
— Pode ligar e confirmar. Perguntar que tipo de relação tem com Kwon Haeil.
A mão de Yerin, segurando a alça da xícara, se enrijeceu. O olhar dela, ao encarar Haeil, tremeu de forma estranha.
Depois de ficar calada por um instante, Yerin disse, com o rosto sem nenhum traço de sorriso:
— Não sei se você sabe, mas o Kanghyeon já tem alguém com quem vai se casar. Que tal desistir e continuar sendo bons amigos?
— Amigo não dá. E esse noivado, sou eu quem vai fazer.
As palavras confiantes de Haeil deixaram o olhar de Yerin ainda mais afiado.
— Será que você ouviu direito o que eu acabei de dizer? Eu disse que já existe alguém com quem ele vai noivar.
— Sim, é exatamente por isso que estou dizendo que sou eu essa pessoa.
— O noivo do Kanghyeon é um ômega dominante.
— A senhora está enganada. O noivo de Baek Kanghyeon é um alfa dominante.
Apontando para si mesmo com um sorriso, Haeil estendeu o celular mais uma vez.
— Já que a senhora parece não acreditar, que tal ligar diretamente para Baek Kanghyeon, só pra confirmar?
— …….
A xícara nas mãos de Yerin tremeu visivelmente por um instante. Seus olhos afiados, sem conseguir esconder totalmente o desconforto, relaxaram ligeiramente a forma por um momento.
— Parece que está sendo difícil entrar em contato com ele.
Soltando aquela suposição de forma significativa, Haeil tocou ele mesmo, com o próprio dedo, a tela do celular que segurava.
— Então eu ligo.
Haeil foi apertando um por um os números do teclado na tela, digitando pessoalmente. Já que o número de celular de Kanghyeon estava salvo como discagem rápida, nem precisava digitar os números diretamente, mas ele moveu os dedos de propósito, ostensivamente, só para ver a reação de Yerin.
Tap, tap, tap, o som dos dedos de Haeil digitando os números capturou a atenção de Yerin. Um pequeno tremor surgiu nos olhos dela.
Logo depois, Lee Yerin, mudando o olhar, pousou a xícara. Ao ouvir o som da xícara pousando no pires refinado, os dedos de Haeil também pararam ao mesmo tempo.
— Parece que você sabe bastante coisa.
— Tenho o hábito de querer saber tudo o que está ligado a Baek Kanghyeon.
Haeil retirou a tela do celular, que exibia o número de Kanghyeon, e perguntou:
— Há um motivo específico para ter mandado Baek Kanghyeon pra casa ao lado da minha, não é? Não foi só pra facilitar uma colaboração de trabalho…
O dedo indicador comprido de Haeil bateu de leve na própria ponta do nariz.
— Na verdade, foi por causa disso, não foi?
Dessa vez, era impossível não se surpreender com a perspicácia de Haeil.
Yerin, com os olhos um pouco mais arregalados, observou Haeil com atenção.
— Por que você pensa assim?
A resposta seguinte de Haeil a surpreendeu mais uma vez.
— Porque a senhora já sabe sobre o traço genético de Baek Kanghyeon.
Lee Yerin não conseguiu esconder totalmente o susto. Seus olhos arregalados e os lábios vermelhos ligeiramente entreabertos ficaram parados por um instante.
Como Haeil tinha dito, Yerin sabia do segredo de Baek Kanghyeon.
Só que aquele fato nem Baek Kanghyeon sabia. Os outros membros da família, que acreditavam que Kanghyeon era apenas um alfa dominante, também não sabiam.
Mesmo assim, o alfa à sua frente tinha chegado com facilidade até aquele segredo que ela escondia.
— A senhora esperava que eu mesmo espalhasse esse segredo com a minha própria boca, não era?
Ainda mais, ele a questionou suavemente, como se estivesse enxergando dentro da cabeça de Yerin.
— Entre os VVIPs da balada, há muita gente querendo estabelecer, de alguma forma, uma conexão com uma empresa das três grandes, como a Baekcheong. Para esse tipo de pessoa, o segredo genético de Baek Kanghyeon poderia ser uma boa ferramenta de negociação com a Baekcheong.
Sem tirar os olhos de Yerin nem uma vez, Haeil continuou:
— A pessoa que fornecesse a informação naturalmente receberia uma recompensa enorme, então a senhora deve ter julgado que não havia motivo para recusar.
O beneficiário disso, claro, seria Kwon Haeil.
Tudo o que Haeil disse era acertado. Mesmo assim, Yerin manteve a calma, fingindo indiferença.
— Você está dizendo coisas estranhas. Que vantagem eu teria fazendo algo assim?
Yerin poderia ter se levantado e saído dizendo que ele estava falando bobagem, mas não fez isso. Queria saber até onde Kwon Haeil tinha compreendido.
— Tem sim uma vantagem. Porque isso seria o gatilho para mudar o pensamento alfa-supremacista do presidente Baekcheong.
Haeil respondeu com fluência, como se tivesse preparado um roteiro de antemão.
— Ao saber que o filho alfa na verdade tem um traço genético raro que também carrega características de ômega, ele ficaria confuso na hora, mas, no fim, acabaria aceitando.
A frase seguinte de Haeil surpreendeu Yerin de verdade.
— Porque Baek Kanghyeon é o único “filho biológico” dos dois.
— Como você…
Diante da pergunta surpresa que escapou da boca de Yerin, Haeil deu de ombros.
— Ainda não conheci o primeiro hyung, mas, pelos feromônios dos outros dois hyungs, senti que não tinham nenhuma ligação com Baek Kanghyeon. Percebi rapidamente que nenhum dos dois carregava o sangue de nenhum dos pais.
Dessa vez, Haeil, enquanto investigava a estrutura de sucessão da Baekcheong, também tinha se aprofundado na família do presidente.
O presidente Baek Jungman apresentou os filhos pela primeira vez à mídia há 34 anos.
Na época, o primeiro filho, Baek Seongju, tinha dez anos, e o segundo, Baek Seohoon, cinco. Foi dois anos antes de Baek Kanghyeon nascer.
Não dava para saber como era o feromônio de Baek Seongju, já que Haeil nunca o tinha encontrado pessoalmente.
Mas Baek Seongju e Baek Seohoon foram anunciados como filhos da Baekcheong no mesmo dia. Ambos, que eram “alfas”, por algum motivo também tiveram, ambos, uma variação de traço para “ômega” — uma coincidência que só podia levantar suspeitas.
Variações de traço eram raras, mas plenamente possíveis. Como o feromônio afetava, para bem ou para mal, aquele que carregava o traço, dizia-se que dependia do grau de exposição e da influência genética se poderia haver manifestação tardia ou variação de traço.
Só que, entre os dois irmãos, a palavra “simultâneo” era usada com frequência demais.
Por isso, Haeil chegou a uma conclusão baseada em seu instinto e sensibilidade.
— Os três hyungs de Baek Kanghyeon, na verdade, não são todos adotados?
Diante da pergunta de Haeil, Yerin não negou imediatamente.
Não, ela parecia não ter intenção nenhuma de negar.
Aquilo já era suficiente.
Mesmo já esperando aquilo, Haeil sentiu, mais uma vez, que suas ideias se organizavam na cabeça.
— Adotados achando que eram alfas, mas, na verdade, eram ômegas… consigo mais ou menos imaginar o tipo de tratamento que esses hyungs receberam até agora.
O olhar de Haeil, fixo em Yerin, foi ficando cada vez mais frio.
— Redenção pelo abuso sofrido pelos três filhos adotivos, e uma mudança na ideologia do presidente. Esse era o objetivo, não era?
O sorriso que sempre estivera nos lábios de Haeil foi aos poucos se apagando, até dar lugar a uma expressão tão fria quanto seu olhar.
— Mas, se for só isso, fico um pouco irritado.
As duas mãos de Haeil, apoiadas nos joelhos, se fecharam em punhos, quase de forma dolorosa.
— O momento que nosso Baek Kanghyeon vem esperando fica sendo adiado. Enquanto o presidente muda de ideologia, aos poucos, aquela pessoa vai ter que sofrer vagamente — e o que a senhora preparou como compensação por isso? Existe alguma compensação?
Haeil fixou um olhar afiado nos olhos de Yerin, que o encarava de volta.
— Por isso, eu vim receber essa compensação da senhora, em nome de Baek Kanghyeon.
Lembrando do rosto de Kanghyeon, Haeil fez, mais uma vez, uma declaração confiante.
— A procuração para o exercício das ações da Baekcheong que a senhora possui, eu, como futuro genro, gostaria de assumir.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna