Alpha Trauma História Extra 06
Alpha Trauma História Extra 06
Acordar todos os dias em meio a feromônios fazia com que o vazio de sua ausência não devesse parecer tão oco. Ele provavelmente tinha corrido para a sala de estar assim que acordou, procurando por ele. A imagem dele como um pintinho procurando pela mãe era perfeitamente clara em sua mente.
— Você está cansado?
— Apenas… meu cabelo se espalhou muito?
— Não, está ótimo.
Kim Dohyun, por hábito, inclinou-se para um beijo, mas recuou quando notou os olhos de Daniel. Feromônios de cheiro doce inflaram ao redor de Wooyeon. Se Daniel não fosse um beta, seu rosto teria ficado vermelho.
— Vá se lavar. Vamos comer.
Wooyeon acenou com a cabeça obedientemente e deslizou para a cozinha. Daniel, deixado sozinho, olhou para as costas dele em retirada, sem acreditar. Uma risada nervosa escapou de seus lábios entreabertos.
— Meu Deus.
Aquelas palavras carregavam tanto significado. Seus olhos exigiam uma explicação, mas Kim Dohyun simplesmente deu de ombros. O momento era perfeito, e o ensopado de kimchi estava pronto.
Depois de um café da manhã modesto, os três seguiram para a universidade lado a lado. Wooyeon, como sempre, sentou-se no banco do passageiro, e Daniel, como ontem, ocupou o banco de trás com uma expressão animada. Desta vez, Kim Dohyun optou por se juntar à conversa em vez de permanecer em silêncio.
O campus estava quase deserto quando eles chegaram. Alguns estudantes frequentando cursos de verão, um punhado de pessoas que pareciam estudantes de pós-graduação e alguns poucos de fora. Como as férias de verão ainda estavam em pleno andamento, não havia uma sensação de energia movimentada.
— Uau, é enorme!
Kim Dohyun estacionou o carro dentro do campus e os guiou principalmente em direção ao prédio de ciências humanas. Ele não podia mostrar o campus inteiro, que era grande o suficiente para ônibus circulares, então decidiu mostrar os prédios que eles usariam mais. Felizmente, o estrangeiro superanimado se maravilhava com tudo o que ele mostrava.
— Por que você iria querer deixar uma escola tão boa?
Diante das palavras de Daniel, Kim Dohyun olhou de relance para Wooyeon. Planejando trancar o curso? Quando ele enviou tal olhar, Wooyeon evitou seu olhar sem jeito.
— …Eu estraguei a minha inscrição nas disciplinas.
Parecia haver algo mais por trás disso, mas Kim Dohyun não pressionou. Era o começo do semestre, e ele já havia feito mais do que algumas coisas erradas. Ele até tinha provocado Wooyeon quando ele estava envergonhado, então a conversa sobre trancar o curso fazia sentido.
— Aquilo é uma área de fumantes?
— Sim, fume se quiser. Eu espero.
De trás das divisórias da área de fumantes, o cheiro de cigarro flutuava para fora. Provavelmente estudantes de pós-graduação, frustrados com suas teses, estavam queimando sua raiva contra os professores junto com seus cigarros. Kim Dohyun, com as mãos nos bolsos, relembrou algo de apenas alguns meses atrás.
“Eu quero fumar.”
Uma lembrança de quando Wooyeon tinha tentado inocentemente aprender a fumar. Foi também o momento em que ele resolveu largar os cigarros de feromônio que havia fumado por quatro anos inteiros. Por mais pervertido que pudesse parecer, naquela época Kim Dohyun sentira um calafrio estranho ao ver o filtro pendurado nos lábios de Wooyeon.
— E você?
— …Ah.
Voltando a si, Kim Dohyun ergueu a cabeça. O pensamento repentino de fumar o deixou sutilmente com sede. Depois de engolir a saliva seca, ele conseguiu falar com uma voz casual.
— Eu parei.
— Sério? Então eu vou parar também.
Daniel avançou a passos largos como se aquilo não importasse de forma alguma. Kim Dohyun o seguiu, olhando sutilmente para Wooyeon. Seus olhos continuavam derivando para os lábios dele, parecia uma crise de abstinência em mais de um sentido.
— E as salas de clubes? Eu quero ver essas também.
Um prédio repleto de salas de clubes apareceu não muito longe da área de fumantes. Daniel falou bem na hora, mas Wooyeon balançou a cabeça resolutamente.
— As salas de clubes são proibidas para pessoas de fora.
Rigorosamente falando, pessoas de fora não eram proibidas de entrar. Eles simplesmente tentavam minimizar as visitas porque o tráfego frequente dificultava a administração. Kim Dohyun, ponderando por um momento, perguntou indiretamente.
— Você quer ir ver?
Dois pares de olhos o seguiram, um de Daniel, o outro de Wooyeon. Ambos perguntaram ao mesmo tempo, com expressões muito diferentes.
— Eu posso entrar?
— Ele pode entrar?
Honestamente… agora ele entendia por que eles eram amigos.
— O que importa? Eu sou o presidente do clube.
Kim Dohyun puxou o telefone do bolso, pesando mentalmente a situação. Como eram férias, nenhum outro membro do clube estaria lá, e como presidente do clube, ele tinha a chave. Considerando o calor, talvez fosse melhor deixar Wooyeon descansar em um lugar mais fresco do que sob o sol escaldante.
— Devo ligar para Moon Garam e Seongyu também?
—
A sala do clube, deixada intocada por um mês, estava abafada com o calor do verão. Kim Dohyun primeiro abriu as janelas para ventilar o interior sufocante. Esqueça ligar o ar-condicionado por enquanto; primeiro ele precisava lidar com a camada de poeira pálida que havia se assentado.
— Ei, quanto tempo faz!
— Hyung, olá!
Garam e Seongyu chegaram bem no momento em que a sala do clube estava rudimentarmente arrumada. Eles devem ter se encontrado por perto, pois ambos carregavam sacolas plásticas idênticas cheias até a borda. O tilintar de garrafas de vidro lá dentro tornava o conteúdo fácil de adivinhar.
— Vocês dois não mudaram nada desde antes das férias.
Apenas a adição de duas pessoas fez a sala do clube parecer viva. Daniel pareceu notar isso também, seus olhos se arregalando em perplexidade. Naquele momento, Garam, caminhando para o lado de dentro, congelou em seus passos quando viu Daniel.
— …O quê, aluno de intercâmbio?
— Não, amigo do Wooyeon.
— Amigo do Wooyeon?
Garam repetiu a pergunta enquanto se aproximava do sofá. Ao lado de Daniel sentava-se Wooyeon, diagonalmente oposto estava Kim Dohyun, e no sofá oposto, Garam e Seongyu.
Wooyeon esperou até que eles se acomodassem antes de apresentar Daniel a eles. Ele explicou que este era Daniel Connor, um amigo de quem ele havia se tornado próximo na América. Garam, que estava prestes a cumprimentá-lo calorosamente, congelou como uma máquina ao ouvir a observação seguinte.
— Ele… não fala coreano?
— Sim.
— Nada mesmo…?
— Ele sabe “olá” e “obrigado”.
— …Uau.
Mesmo alguém tão amigável quanto Garam era uma exceção quando a comunicação era impossível. Estudar literatura inglesa não a tornava necessariamente fluente, e ela odiava falar inglês.
— Ei, Seongyu, tente cumprimentá-lo por mim.
— Noona, eu me especializei em inglês para o vestibular.
— Ainda assim, você provavelmente se sairia melhor do que eu.
— Em momentos como este, os sunbaes deveriam dar o exemplo.
— Existe uma coisa dessas?
Os murmúrios e resmungos baixos eram altos o suficiente para serem cômicos. Suas vozes eram pequenas, mas o alvoroço que faziam era impressionante. Kim Dohyun soltou uma risada intrigada ao ver os dois trocarem frases como “Como você está hoje?” e “Estou bem, obrigado, e você?”.
— Você pode falar o nome deles? “Garam” e “Seongyu”.
— Garam?
Enquanto isso, Daniel franziu as sobrancelhas, praticando os nomes que Wooyeon havia lhe ensinado. Observando-o repetir desajeitadamente “Garam” e “Seongyu”, Kim Dohyun de repente percebeu que Daniel nunca tinha chamado seu nome antes.
— Daniel, tente repetir depois de mim.
Foi apenas um capricho. Ele sentia que eles haviam se tornado próximos o suficiente, mas Wooyeon e Daniel pareciam próximos demais. Kim Dohyun inclinou a cabeça ligeiramente e disse com uma voz gentil:
— Kim, Do, Hyun.
— ……
As sobrancelhas de Daniel tremeram. Com um pequeno bufo, ele ergueu o queixo com orgulho, um sorriso torto surgindo em seus lábios.
— Eu não quero.
— Ei.
Wooyeon foi quem pareceu sem graça. Ele agarrou o braço de Daniel com uma expressão de falsa severidade. Ele parecia preocupado com os sentimentos de Kim Dohyun, mas Kim Dohyun estava mais incomodado com o fato de que aqueles dedos organizados de Wooyeon haviam tocado outra pessoa.
— Por que você está…
Como Wooyeon sussurrou em seu ouvido, Kim Dohyun mal conseguiu captar o resto das palavras. Ele inclinou a boca em um sorriso torto diante da cena. O que ele havia dito antes, algo sobre Daniel não ter sentimentos sexuais em relação a Wooyeon? Independentemente de suas emoções, a maneira como eles estavam pressionados um contra o outro não era inteiramente agradável.
— Ei, eu não me importo, vamos apenas beber. Daniel? Connor? Como devo te chamar?
Bem quando a paciência de Kim Dohyun estava chegando ao limite, Garam deu um pulo. Ela parecia um tanto esclarecida, como se não tivesse chegado a uma conclusão em sua conversa com Seongyu. Kim Dohyun ficou genuinamente feliz com a intromissão dela, mas fingiu o contrário.
— Moon Garam está entediada. Um encontro depois de tanto tempo e tudo o que vocês têm a fazer é beber?
— Parece uma namorada entediada resmungando. Não gostou? Então não beba.
— De qualquer forma, eu dirigi, então não posso beber.
— Ugh, aquele bastardo burguês que dirige o próprio carro.
Mesmo que um verdadeiro burguês estivesse bem ali. A escolha de palavras dela nunca se continha. É claro que Wooyeon não se importava nem um pouco.
— Oh, eu gosto desta aqui!
— O quê, você gosta disso? Beba. Tem um monte ali.
— Eu posso beber isso?
— Vá em frente, vá em frente. Beba tudo.
A sessão de bebedeira começou em um instante. Garam moveu-se com precisão rápida para trancar a porta, ligou o ar-condicionado e fechou as janelas pela metade. Ela distribuiu bebidas para todos e puxou petiscos, parecendo que estivesse esperando por este momento a vida inteira.
— O que devemos pedir? Qualquer coisa que vocês quiserem?
— Tteokbokki?
— Tteokbokki? Eu amo tteokbokki!
Kim Dohyun observou as decisões de menu dos três como um espectador. Dois falavam em coreano, um em inglês, mas de alguma forma uma conversa acontecia. Mais precisamente, todos apenas disseram que queriam tteokbokki, mas quem se importava?
— Wooyeon, você não vai beber?
— Ah, eu vou apenas…
Wooyeon hesitou, incapaz de estender a mão para o álcool. A expressão relutante em seu rosto sugeria que os erros do passado tornavam as situações de bebida desconfortáveis. Kim Dohyun estava prestes a lhe dizer para relaxar, mas Daniel se antecipou.
— Por quê? Vamos beber juntos, já faz um tempo.
Wooyeon estremeceu; seus olhos se estreitaram ligeiramente. Já faz um tempo. A própria expressão fez seus lábios se fecharem automaticamente.
— Eu queria experimentar cerveja coreana com você.
Kim Dohyun sabia que Wooyeon não tinha idade legal para beber na América. Ele não podia comprar álcool e, mesmo que pudesse, teria sido ilegal. No entanto, ali estava ele, bebendo com Daniel. Pelo tom das palavras de Daniel, parecia que isso tinha acontecido com bastante frequência.
— Você não pode tomar só um pouco? Hã?
— …..Fique quieto.
Wooyeon olhou de relance para Kim Dohyun e abaixou a voz. Ele respondeu surpreendentemente rápido, mas a parte realmente chocante veio a seguir.
— Eu desenvolvi um hábito estranho de bebida por sua causa.
— ……
Desta vez, Kim Dohyun se esforçou muito para não deixar sua expressão vacilar. Em meio à pronúncia fluida do inglês, apenas uma frase havia capturado sua atenção. Daniel pareceu igualmente afetado, inclinando a cabeça e perguntando novamente.
— Hábito de bebida?
“Uh…”
Uma breve lembrança piscou: um terraço noturno com uma vista bonita, e o rosto corado de Wooyeon enquanto ele dizia aquelas palavras.
“Era álcool.”
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Faby&Othello