Alpha Trauma História Extra 03
Alpha Trauma História Extra 03
Sentado à beira da janela do café, Wooyeon estava imerso na atmosfera inconfundível do verão: a nuca exposta, a camiseta carregando o leve rastro de feromônios alfa, shorts folgados e até mesmo um relógio combinando com o de Kim Dohyun.
Kim Dohyun se viu incomodado de forma incomum com a roupa, de resto normal, de Wooyeon. Seria a brancura gritante de suas pernas sob os shorts ou a tela impecável, quase em branco, de seu pescoço? De qualquer forma, ele sabia que seus nervos estavam à flor da pele.
— Você perdeu seu telefone?
Parecia um teste de compreensão auditiva de inglês. Kim Dohyun, ponderando sobre o pensamento trivial, alcançou a bebida na mesa. Ele não estava particularmente com calor, mas sua sede não havia passado desde mais cedo. Afastando o canudo de papel com o dedo, encostou os lábios no vidro, fazendo Wooyeon olhar para ele.
— Sim, finalmente encontrei, mas a polícia não falava inglês…
O homem sentado do outro lado da mesa não mostrava o menor interesse por Kim Dohyun. Com olhos azuis brilhantes e penetrantes fixos em Wooyeon, ele simplesmente sorriu. Logo, o homem deu um grande sorriso e falou em um tom animado.
— Foi quando eu liguei para você.
O gelo tilintou no fundo da xícara de café. Era um som ligeiramente irritante, mas o homem não pareceu se importar e continuou contando sua história. Kim Dohyun traçou a condensação na xícara, observando-o silenciosamente.
— Realmente me aliviou de uma preocupação.
Cabelo loiro-escuro curto, olhos gentis de cachorro. Ele era mais baixo que Kim Dohyun, mas seu porte físico era assustadoramente grande. Apesar de um físico que facilmente poderia torná-lo um quarterback se jogasse futebol americano, sua expressão era totalmente inocente.
“Então este deve ser o ‘Danny’.”
Em circunstâncias normais, Kim Dohyun não teria motivos para conhecê-lo, mas lá estava ele, encarando-o nos últimos dez minutos. Kim Dohyun o observava, Danny observava Wooyeon, fosse qual fosse o caso, eles estavam ali.
A razão para esse encontro constrangedor remontava a cerca de uma hora antes.
Uma hora atrás, Kim Dohyun havia limpado Wooyeon minuciosamente, secado seu cabelo molhado e estava pensando no que comer. Estava calor, e talvez Wooyeon precisasse de algum nutriente. Depois do sexo, Wooyeon tendia a ficar completamente esgotado, um fato que lhe pareceria absurdo se mencionado. De repente, Wooyeon soltou uma exclamação assustada.
“Hã?”
Seus olhos meio fechados se arregalaram. Em seu telefone, equipado com uma capinha dada por Seongyu, estava um nome que Kim Dohyun reconheceu. Wooyeon apertou o botão de chamada e imediatamente começou a questionar a pessoa do outro lado.
— Danny? Você está na Coreia?
Essa pergunta colocou tudo em movimento. Começando com um pedido de desculpas por ter perdido a ligação por estar ocupado, Wooyeon ouviu e respondeu com cuidado, falando em um inglês simples o suficiente para Kim Dohyun entender. Kim Dohyun esfregou distraidamente a parte de trás do cabelo úmido, agindo como o parceiro complacente.
— Se você quiser se encontrar, eu te levo.
Era uma declaração meio de teste, em parte seu desejo de que Wooyeon não fosse, em parte uma curiosidade teimosa de ver Danny por si mesmo. Sabendo que a energia de Wooyeon estava baixa, Kim Dohyun estava confiante de que seria recusado.
— …Tudo bem por você?
Mas Wooyeon rapidamente acenou com a cabeça com uma expressão ansiosa. Vendo a expectativa em seus olhos, Kim Dohyun não conseguiu dizer “Não”. Ele simplesmente pegou as chaves do carro em silêncio e colocou uma camiseta em Wooyeon, aquela completamente encharcada com seus feromônios.
Juntos, arrastaram seus corpos cansados até o local do encontro com Danny. Kim Dohyun gostaria de ter alimentado Wooyeon primeiro, mas desistiu quando Wooyeon se mostrou sem apetite. Ele imaginou que poderiam pelo menos comer um bolo no café. Sem saber, Wooyeon começou a falar sobre Danny.
— Porque o Danny não fala coreano…
— Quando eu estava sofrendo discriminação, o Danny…
— Naquela época, o Danny me trouxe o supressor…
Danny, Danny e mais Danny.
Ouvindo em silêncio, Kim Dohyun sorriu calorosamente quando surgiu a história de Danny ajudando no primeiro ciclo de cio de Wooyeon. Batendo no volante, ele perguntou suavemente:
— A propósito… o Danny é um ômega, certo?
Felizmente, Danny era um beta. Aliviado por ele não conseguir detectar feromônios, Kim Dohyun estalou a língua para a camiseta que ainda estava em Wooyeon, com sorte, mas não totalmente.
— Chegamos, eu acho.
O local do encontro era uma franquia de café popular, inclusive com filiais nos EUA. Uma placa de madeira estava pendurada do lado de fora, e as paredes de vidro permitiam total visibilidade do interior. Kim Dohyun avistou o estrangeiro de óculos escuros e encostou o carro na lateral.
— Vou esperar por perto, então me ligue quando se despedir do seu amigo.
— Uh…
Mesmo depois que Kim Dohyun desafivelou o cinto de segurança, Wooyeon hesitou em sair. Vendo-o hesitar, Kim Dohyun fingiu decepção, desejando silenciosamente que ele se juntasse a eles.
— …Você quer vir comigo?
Quando Wooyeon perguntou, Kim Dohyun sentiu vontade de comemorar por dentro. Ainda assim, ele não podia demonstrar abertamente, então apenas acariciou sua bochecha pálida e fechou os olhos suavemente.
— Faz tempo que você não vê seu amigo; pode ser estranho se eu me juntar.
Era uma mentira piedosa. Como já fazia muito tempo, Kim Dohyun queria dar uma boa olhada nesse cara.
— Está tudo bem. Ele não é do tipo que se preocupa com isso.
Gentilmente, Wooyeon inclinou a cabeça e esfregou o rosto. Ele costumava ser tímido antes, mas agora lidava com o toque casual como um pequeno animal bem treinado.
Erguendo os olhos suavemente, sugeriu com uma voz calma:
— Vamos encontrá-lo juntos.
No final, Kim Dohyun cedeu e saiu do carro. Antes de entrar no café, fez questão de perguntar o nome completo de Danny. Wooyeon lhe disse: “Daniel Connor”, acrescentando que não havia problema em chamá-lo informalmente.
E assim, agora. Os três estavam no meio de uma conversa fiada diante de três bebidas. Daniel falava a maior parte do tempo, Wooyeon cuidava das respostas e perguntas, e Kim Dohyun assumia o silêncio. Desde o primeiro aperto de mão com Kim Dohyun (ele ficou genuinamente satisfeito, mas não perguntou quem ele era), Daniel nem sequer olhou para ele.
— Não admira que você não tenha atendido o telefone…
Diante das palavras murmuradas de Wooyeon, Kim Dohyun inclinou o olhar em sua direção. “Você ligou?” Esse era o significado pretendido, embora Wooyeon não tenha percebido. Bem, na verdade, o que havia de tão importante em ele fazer uma ligação para um amigo?
— Uma ligação? Você me ligou?
Aparentemente, era um assunto muito mais importante para Daniel. Seus olhos se arregalaram e sua expressão mostrou um sinal de comoção. Em contraste, Wooyeon balançou a cabeça como se não fosse nada.
— Naquela época, porque as notícias estavam por toda parte, entrei em contato com você. Não achei que poderia deixar você ficar na minha casa.
— Ah.
Daniel imediatamente fez beicinho de decepção. Ele encolheu os ombros, como se dissesse: “Eu já sabia”.
— Faz sentido. Você entrar em contato comigo sem motivo… Espere, segure a onda. Você acha que não pode me deixar ficar?
Foi uma notícia como um raio em um dia claro. Seus olhos azuis brilhantes se moveram de um lado para o outro, sem saber onde focar.
— Então o que eu devo fazer?
— É por isso que você deveria ter dado a data com precisão.
Kim Dohyun achou a frieza em Wooyeon incomumente marcante. Ocasionalmente indiferente, ele era normalmente de coração mole, mas ali estava ele, traçando uma linha nítida com precisão.
— Wooyeon… estou realmente começando a me sentir magoado. Estamos realmente no tipo de relacionamento em que temos que fazer planos assim?
— Eu continuo dizendo, mas nós temos esse tipo de relacionamento…
“Amigos, mas… meio ambíguo.”
Ah, então era isso que significava.
Kim Dohyun olhou para o perfil de Wooyeon, sentindo um vazio vago. A expressão de traição, os olhos claramente decepcionados, tudo me veio à mente.
Se ele não tivesse pego Wooyeon naquela época… então eles teriam se tornado nada diferentes de Daniel. Um relacionamento casual, indiferente, onde não importava se entravam em contato ou não.
“…Não posso confiar em você, Seonsaeng-nim.”
Sua visão escureceu. O cabelo ricamente colorido, os vislumbres da testa, o nariz afiado, os lábios bonitos, ele poderia ter perdido a chance de vê-los novamente. Isso fez seu coração acelerar.
— …Hyung?
Kim Dohyun, quase hipnotizado, estendeu a mão e passou a mão na nuca de Wooyeon. Enquanto ele acariciava a nuca, as orelhas arredondadas de Wooyeon ficaram vermelhas.
— Por que…
Depois de fazer coisas muito mais obscenas, seu rosto ficava vermelho apenas com um único toque. É verdade que Kim Dohyun o havia manuseado intensamente mais cedo, mas nem sequer havia pressionado a palma da mão contra a bochecha de Wooyeon na ocasião.
— Há algum problema com seu amigo?
Kim Dohyun retirou a mão naturalmente e olhou de soslaio para Daniel. Wooyeon, ainda como uma maçã perfeitamente madura, cobriu a orelha com a palma da mão.
— Uh… eu deveria originalmente deixar o Danny ficar na minha casa. Mas eu não tenho uma casa agora…
— Sério? Nesse caso, a nossa casa também serve.
Só então Daniel olhou para Kim Dohyun. Encontrando o olhar do gentil e descontraído Kim Dohyun, ele retribuiu o sorriso.
— Ainda há espaço na casa. Não será desconfortável.
— Hyung, por que você está indo a tais extremos?
Wooyeon balançou a cabeça como se dissesse que não entendia o que aquilo significava. A julgar pelo sulco profundo em sua testa, ele claramente achou desnecessário. Daniel, que ostentava uma expressão brevemente sutil, olhou para Kim Dohyun com um leve aceno de cabeça.
— Mas este aqui… apenas um amigo?
Uma risada curta e oca escapou de Kim Dohyun. Qualquer um poderia vê-lo claramente como um amante. A intenção de chamá-lo deliberadamente de “amigo” era transparente. Fingindo que ele não estava lá, a maneira como o havia examinado da cabeça aos pés quando se conheceram, tudo acionou os instintos sensíveis de Kim Dohyun como um sinal de alerta zumbindo.
— Não.
Mas esse sinal de alerta logo perdeu a força. Em pouco tempo, Wooyeon, tendo composto o rosto, mexeu no relógio de pulso e casualmente deixou escapar.
— Amante.
Ah, ele era insuportavelmente fofo. Realmente.
— …Amante?
— Sim, amante.
Não foi em um tom ganancioso. Ele apenas enrijeceu o pescoço, mexeu as mãos sem sentido e, aproveitando o momento, acrescentou um pequeno pensamento tardio.
— Não faz muito tempo. Cerca de três meses.
Kim Dohyun não conseguiu conter o sorriso que escapou e cobriu a boca. Uma tosse leve ajudou a fazer o movimento não parecer muito antinatural. Ele tinha pensado que Wooyeon o tinha trazido junto para evitar que ele sentisse ciúmes, mas pensando bem, Wooyeon não era um amante tão perceptivo assim.
— Hoje faz 78 dias.
“Ainda assim, tão fofo…”
Era exatamente como alguém que acabou de começar a namorar agia. Contando os dias em que estavam juntos, sutilmente exibindo o parceiro. Este não era um momento para apresentar Daniel a ele, mas um momento para mostrá-lo a Daniel. Pensando até ali, Kim Dohyun engoliu o riso.
“Acho que terei que comemorar o aniversário de 100 dias também.”
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Faby&Othello