Capítulo 13.3
Capítulo 13 – ❀ Kim Do-hyun, Parte 03
— …..
— Diga-me, se você estivesse na minha posição, manteria alguém como você perto do seu filho?
A voz de Soo Hyang exalava feromônios, o peso de suas palavras pressionando os ombros de Dohyun. Seu olhar gelado o perfurou.
Dohyun abaixou a cabeça como alguém culpado. Sua mente estava em branco; ele não sabia o que dizer. Mesmo que Soo Hyang não tivesse a intenção de repreendê-lo, apenas ouvir essas coisas era um teste em si.
— Deixar você ficar ao lado dele em primeiro lugar foi meu erro.
Embora Dohyun tenha permanecido em silêncio, Soo Hyang continuou. Depois de abaixar o olhar brevemente, ela olhou para cima novamente.
— Mas foi você quem acabou com tudo.
Com as mãos firmemente entrelaçadas na mesa, Soo Hyang falou em um tom leve, quase amigável.
— Espero que nosso encontro desta vez não acabe com tudo.
Suas palavras eram cheias de sutileza, mas também carregavam um aviso claro: dessa vez, ela não mostraria misericórdia. Dohyun não conseguiu responder, e a conversa terminou ali.
Reencontrar-se depois de quatro anos era incrivelmente improvável. Dada a situação financeira de Wooyeon e sua decisão de estudar no exterior, não havia razão para ele retornar à Coreia. Sua matrícula no departamento de inglês e perguntas sobre alguém chamado Kim Dohyun, tudo isso levou Dohyun a uma conclusão.
Mas era apenas uma suposição que ele havia alcançado. Na realidade, Wooyeon não mostrou nenhum sinal de reconhecê-lo e até parecia evitá-lo ultimamente. Talvez ele simplesmente quisesse encerrar o capítulo sobre seu relacionamento passado.
Depois de pensar muito, Dohyun decidiu deixar de lado seus sentimentos por Wooyeon. Ele se distanciou, fingindo seguir um caminho diferente. Durante suas aulas compartilhadas, ele se sentava no fundo, mas não conseguia deixar de olhar para as costas de Wooyeon com saudade.
Naquele momento, ele pensou que poderia parar. Wooyeon o estava evitando, e seus próprios sentimentos ainda estavam nos estágios iniciais. Ele pensou que tudo ficaria bem. Mas logo depois, Dohyun percebeu que era apenas sua arrogância.
Naquele dia, para animar os membros do clube que se preparavam para suas provas, Dohyun comprou hambúrgueres para todos. Infelizmente, era quarta-feira, o dia em que ele e Wooyeon tinham estudo em grupo. Arrependido de seu momento, Dohyun ainda reservou uma sala de estudo perto da escola.
— Ei!
— Dohyun! Sentimos sua falta!
— Vocês são tão previsíveis.
A sala do clube estava excepcionalmente cheia. Todos estavam comendo hambúrgueres e cumprimentando Dohyun com rostos alegres. Ele sorria habitualmente, examinando a sala.
— Só quando tem comida, hein…
Wooyeon estava sentado no sofá com um moletom branco, fazendo sua pele pálida se destacar ainda mais. Suas mãos pequenas seguravam um hambúrguer firmemente, e seu rosto amuado, com a boca cheia, era tão adorável que Dohyun não conseguia desviar o olhar.
— O que há de errado?
Era porque Wooyeon era fofo, e porque o coração de Dohyun doía. A visão de Wooyeon lutando com o hambúrguer era simplesmente muito cativante. Mas então, Dohyun evitou o olhar de Wooyeon e se virou.
— Não é nada.
Apenas um olhar fugaz. Um momento que passou antes mesmo que pudesse ser chamado de encontro. No entanto, parecia que seu coração havia sido aceso.
Dohyun tentou se recompor, sentando-se o mais longe possível de Wooyeon. Mas ele não conseguia parar de lançar olhares furtivos para o outro lado da sala. O jovem mestre, que provavelmente nunca havia experimentado fast food, estava curvado, comendo o hambúrguer vorazmente.
— Desculpe, tenho que sair mais cedo.
Ele pensou que talvez Wooyeon estivesse com problemas digestivos. Seu rosto não parecia bem, estava pálido e tenso. Deve ter sido difícil para ele engolir comida à qual não estava acostumado.
— E… a sala de estudos?
— Eu já reservei.
Ainda assim, Dohyun não conseguiu perguntar se Wooyeon estava bem. Ele não conseguiu oferecer uma palavra reconfortante, nem mesmo encontrar os olhos de Wooyeon. Tudo o que ele podia fazer era fingir ser ele mesmo, falando levemente.
— Há espaço no café em frente à escola. Depois da aula, vá até o portão da escola.
Ele sentiu o olhar pesado e triste pairando sobre ele. Os feromônios frescos de Wooyeon diminuíram, tornando-se tão sombrios quanto o tempo lá fora. Wooyeon disse que os veria mais tarde e saiu da sala do clube, enquanto Dohyun não se virou para olhá-lo enquanto ele se afastava.
Esperando por ele mais tarde, Dohyun sentiu-se compelido a parar em uma loja de conveniência. Nuvens escuras estavam se formando, sinalizando uma tempestade se aproximando. Junto com um guarda-chuva, ele pegou um pequeno frasco de remédio digestivo.
— Vocês vão para o café primeiro.
A ansiedade o atormentava quando Wooyeon não apareceu no portão da escola, mesmo depois do horário marcado. A aula certamente havia terminado há muito tempo, mas não havia nenhuma ligação ou mensagem. Mandando Garam e Seongyu na frente, Dohyun caminhou rapidamente pelo campus.
Foi instinto, mais do que qualquer outra coisa. Quando as gotas de chuva começaram a cair, ele abriu seu guarda-chuva e deixou seus passos o guiarem. O nome da classe de Wooyeon, Liderança Global, estava gravado em sua mente.
Como ele temia, Wooyeon estava sentado em um banco perto do prédio da sala de aula. Sob as flores de cerejeira desabrochando, sua figura encolhida parecia mais frágil do que nunca. Cada passo mais perto fazia o coração de Dohyun bater mais forte.
— … Eu estava me perguntando por que você não veio.
Se alguém perguntasse quando começou, ele não saberia. Esse sentimento havia se infiltrado despercebido e, quando ele percebeu, era incontrolável. Se começou há quatro anos ou depois de encontrar Wooyeon novamente, ele não conseguia distinguir.
— Você vai pegar um resfriado assim.
Ele gostava de Wooyeon. Ele gostava do olhar puro em seus olhos, da sinceridade em seu coração. Ele gostava desse jovem inocente e desajeitado chamado Wooyeon.
— E…
Ele se lembrou da voz que o chamava de seonsaeng. Ele não conseguia esquecer o calor do abraço de Wooyeon quando ele chorava e se agarrava a ele. Não importava quanto tempo passasse, Dohyun permanecia ligado a Wooyeon.
— … Seo.. Sunbae.
Aquela voz o trouxe de volta à realidade. A imagem de Soo Hyang surgiu, junto com as palavras sobre a dor passada de Wooyeon.
— Às vezes…
Às vezes, uma única decisão pode mudar o futuro. Se estender a mão ou se conter era uma escolha que, mesmo depois de quatro anos, ele achava difícil.
— Não é fácil.
Wooyeon não respondeu, simplesmente enterrou a cabeça nos joelhos. Gotas de chuva deslizavam por seu nariz afilado.
— Deixa eu te carregar nas costas?
— …..
As palavras escaparam antes que ele pudesse impedi-las. No entanto, no momento em que as disse, ele quis agir de acordo com elas. Desistir, ignorar ou fingir que não sabia, ele já tinha feito o suficiente disso quatro anos atrás.
— Deixe-me levá-lo para casa.
Sem hesitar, Dohyun se agachou e quase forçou Wooyeon a subir em suas costas. Suas pernas frias roçaram os dedos de Dohyun, mas o calor de seu corpo ofereceu algum alívio. Dohyun não queria perder mais nenhuma das respirações, palavras ou murmúrios silenciosos de Wooyeon.
— Por que você está sendo tão gentil comigo?
Os feromônios de Wooyeon, frescos como frutas maduras, ainda eram um pouco ingênuos, fazendo Dohyun se sentir em paz.
— Eu só quero ser bom para você.
Um pedido de desculpas era apenas uma desculpa para esconder seus sentimentos. O desejo de recomeçar era um desejo egoísta que ele não conseguia suprimir. Dohyun simplesmente não queria perder essa conexão preciosa novamente.
— … Então continue sendo bom para mim.
— Eu vou me certificar de não machucar Wooyeon.
Quando Dohyun apareceu sem avisar, Soo Hyang não o expulsou imediatamente da sala. Em vez disso, ela se dirigiu a ele com um olhar frio, dizendo: “Eu não confio em você.” Respirando fundo, Dohyun falou suavemente.
— Pretendo contar tudo a ele.
Antes que fosse tarde demais, ele queria revelar a verdade e implorar a Wooyeon para não deixá-lo. Ele esperava que, com o coração gentil de Wooyeon, o perdão pudesse ser possível.
— Você é terrivelmente confiante.
Soo Hyang dispensou a determinação de Dohyun com um único comentário. Sua pergunta calma carregava um tom cortante.
— Você acha que Wooyeon ainda vai te amar quando souber de tudo?
Isso era algo que Dohyun não tinha certeza, e Soo Hyang parecia ter esperado sua hesitação. Ela estalou a língua.
— Se isso fosse apenas um romance passageiro e tolo, eu não interviria. Mas não importa o resultado, você terá que arcar com as consequências.
Ele não tinha certeza do porquê interpretou as palavras dela como uma forma de aprovação. Talvez fosse porque a reação dela foi menos dura do que ele esperava, e ela não estava obstruindo-o ativamente. No entanto, suas palavras finais foram frias como gelo.
— Eu farei o que for preciso para proteger meu filho.
Dohyun esperou pacientemente pelo momento certo. Quando a situação, o momento e o local eram favoráveis, ele se expressava calmamente. Às vezes, ele queria fingir que não estava ciente e deixar as coisas passarem, mas ele constantemente se lembrava de que não podia fazer isso.
— Eu também… quero fumar.
Sem saber de seus pensamentos, Wooyeon seguiu Dohyun como um pintinho recém-nascido. Ele até expressou o desejo de tentar fumar, levando Dohyun a decidir secretamente parar. Ainda assim, ele não podia negar que isso representava uma boa oportunidade.
— Vou te levar para ver um filme.
Uma “recompensa” disfarçada de encontro e um trampolim para confessar tudo. Sabendo que Wooyeon perseguiria resolutamente um objetivo uma vez determinado, Dohyun propôs este desafio. Se Wooyeon se concentrasse em estudar, isso por si só deixaria Dohyun feliz.
— Vou até te dar pipoca e refrigerante.
Tão inocente como sempre, Wooyeon rapidamente concordou com essa “recompensa”. Com guloseimas saborosas e uma atividade agradável em vista, ele tinha certeza de dar o seu melhor para um bom resultado. Na verdade, Dohyun deliberadamente estabeleceu critérios vagos, planejando elogiar Wooyeon independentemente do resultado.
No entanto, duas coisas não saíram como planejado: Wooyeon ficou arrasado com os resultados de seu exame final e depois ficou tão bêbado em uma festa que desmaiou.
— Você pode me ajudar a tirar minhas calças?
Mesmo depois de reconhecer seus sentimentos, Dohyun nunca pensou em Wooyeon de uma forma sexual. Ele o tinha visto em seu uniforme e, além dos feromônios, Wooyeon ainda exalava o cheiro de juventude. Mesmo que Wooyeon começasse a despir-se, Dohyun estava confiante de que ele não vacilaria.
— … Você está deitado na minha cama.
Mas sua mente ficou em branco. Culpar os feromônios não era o suficiente; o rosto corado de Wooyeon irradiava uma inocência mortal. Seus olhos sonhadores e pernas pálidas destruíram todo o autocontrole de Dohyun.
“Ha… Droga, para o inferno com isso.”
Ele quase deixou tudo se desenrolar naturalmente. Ele gentilmente acariciou Wooyeon, seu toque o incitando. Cercados por feromônios, seus olhares se encontraram, e um impulso avassalador surgiu através dele.
— …..
— …..
Ele queria beijá-lo. Para saborear a doçura em sua boca, misturar-se com os feromônios dele e explorar cada centímetro de seus lábios. Esse era o limite final de sua contenção. Wooyeon mal tocou seu maxilar, mas Dohyun só conseguia fechar os olhos, cerrar os dentes e manter as mãos ocupadas. Quando Wooyeon atingiu seu pico, a respiração reprimida de Dohyun escapou como uma mola se desenrolando.
— … Yeon-ah.
Claro, Wooyeon não ouviu aquele sussurro. Ele simplesmente ficou ali, relaxado, soltando gemidos suaves.
— Ah… seonsaeng…
No dia seguinte, Wooyeon fugiu sem olhar para trás. Dohyun não teve a chance de perguntar sobre Danny — que tinha vindo para a Coreia para conhecer Wooyeon — ou por que ele estava hospedado na casa de Wooyeon em vez de um hotel, nem por que Wooyeon fingiu não se lembrar de nada da noite anterior.
Mas, na verdade, nada disso importava mais. Depois que Wooyeon o chamou de “seonsaeng”, a segunda vez seria mais fácil. Talvez começar a próxima conversa com essa memória não fosse uma ideia tão ruim.
Dohyun ajudou Wooyeon com as tarefas do grupo e, com base na sugestão de Yoonwoo, planejou um encontro no cinema. Wooyeon, como uma criança obediente, seguiu tudo o que ele disse sem suspeitar. Finalmente, o encontro chegou. Sem hesitar, Wooyeon convidou Dohyun para sua casa.
— … Você quer champanhe?
Depois de beber a ponto de fazer essas coisas, Wooyeon ainda queria beber. Parecia que ele não tinha entendido completamente que esta era sua casa e que eles estavam em um encontro.
— Você se lembra, não é, Wooyeon?
Honestamente, Dohyun se sentiu frustrado. Wooyeon o chamou de “seonsaeng”, mas agiu como se não se lembrasse de nada. Uma pequena lembrança do passado certamente o faria se retrair em constrangimento.
— … Por que você é tão sensível, Sunbae?
— Tudo se torna mais fácil com a experiência.
Entender os olhos de outras pessoas era algo a que Dohyun se acostumou. Do orfanato ao seu lar adotivo, ele vivia todos os dias no limite.
— Por que você está acostumado com isso?
— Hmm… Eu não sei.
Ele não respondeu por insegurança. Falar sobre suas circunstâncias com Wooyeon, que cresceu em uma boa família, o fez se sentir envergonhado. Embora Wooyeon parecesse triste, o orgulho frágil de Dohyun não o permitia explicar. Felizmente, Wooyeon não perguntou mais nada e mudou de assunto, embora sua resposta não tenha sido a que Dohyun esperava.
— É por causa do álcool.
Essa declaração drenou o sangue do rosto de Dohyun. Parecia que, mesmo que não tivesse sido ele, aquela noite teria se desenrolado de forma semelhante.
— Então, se tivesse sido outra pessoa, você teria feito o mesmo?
As emoções de Dohyun borbulhavam enquanto ele pressionava Wooyeon gentilmente, mas com firmeza. Ele sabia que estava sendo irracional, mas ver Wooyeon nervoso o desequilibrou. Wooyeon não disse nada, apenas abriu a boca e de repente agarrou a garrafa de champanhe com determinação.
— …..!
Isso foi inesperado. Antes que Dohyun pudesse pará-lo ou pegar a garrafa, Wooyeon já havia engolido o champanhe, apenas para cair para a frente na mesa momentos depois.
— …..Pfft.
Dohyun riu, cobrindo os olhos com uma mão. Não era assim que ele imaginava as coisas, e as palavras importantes ainda não tinham sido ditas. Ele sentiu uma mistura de decepção, confusão e humor.
— Eu nunca posso vencer você…
Ele sempre era levado por Wooyeon sem saber o que o esperava. Os pensamentos simples e as expressões genuínas de Wooyeon eram imprevisíveis. Hoje mesmo, quando Dohyun pensou que o havia encurralado, Wooyeon bebeu champanhe para escapar da situação.
Depois de alguns momentos de decepção, Dohyun se levantou e se aproximou de Wooyeon. Enquanto ele gentilmente tocava o topo de sua cabeça, Wooyeon gemeu e se virou.
— Sua testa está vermelha.
O rosto pálido de Wooyeon destacou a vermelhidão em sua testa. Felizmente, não havia hematomas, mas o local que ele atingiu parecia dolorido. Dohyun esfregou levemente a área com o polegar antes de se agachar na frente dele.
— Seon Wooyeon.
— …..
— Wooyeon.
— …..
— Yeon-ah.
Os longos cílios de Wooyeon tremeram suavemente. Seus lábios rosados se moveram levemente, como se ele estivesse saboreando algo. O doce aroma de seus feromônios se misturou com sua respiração irregular, criando uma atmosfera encantadora.
— … Você confia em mim tão incondicionalmente?
Um ômega dominante, mas deitado ali com uma expressão tão inocente e descuidada. Wooyeon era claramente filho de Soo Hyang, mas ele tinha tantas lacunas vulneráveis. E se Dohyun fizesse algo que não deveria?
Ao contrário desses pensamentos, Dohyun não conseguiu tocá-lo, simplesmente observando Wooyeon em silêncio. Ele inclinou a cabeça, como se quisesse gravar cada característica do rosto de Wooyeon em sua mente. Sua pele era pálida e lisa como farinha fina, sem uma única mancha áspera, delicadamente impecável.
Depois de um longo momento, Dohyun estendeu a mão para Wooyeon. Apoiando seu corpo flácido, ele o levantou sem esforço, como se estivesse carregando uma criança. Antes, quando ele tinha Wooyeon nas costas, parecia que ele poderia carregá-lo para qualquer lugar com facilidade.
— Mas isso não seria certo, seria?
Dohyun riu baixinho enquanto carregava Wooyeon. Guiado pela intuição, ele encontrou o quarto e colocou Wooyeon gentilmente na cama. Assim que o fez, os olhos de Wooyeon se abriram. Eles piscaram, turvos de intoxicação.
— Você está acordado?
— …..
Sem responder, Wooyeon sentou-se lentamente, quase tombando antes de recuperar o equilíbrio. Curvando a cabeça, ele murmurou fracamente, os lábios ligeiramente separados.
— Eu preciso tomar um banho…
Ele começou a se despir, aparentemente alheio à presença de Dohyun. Tirando o moletom e desabotoando as calças, ele cambaleou em direção ao banheiro, tirando suas roupas como camadas descartadas.
— Isso é só…
Dohyun só conseguia observar a figura de Wooyeon se afastando, sem palavras. Quando Wooyeon estava prestes a remover sua última peça de roupa, Dohyun se virou exasperado. Apesar de bêbado, Wooyeon se movia com uma desajeitada agilidade estranha, não dando a Dohyun chance de intervir.
Dohyun abriu a porta do banheiro somente após ouvir um barulho alto lá dentro. Talvez Wooyeon tenha escorregado ou derrubado alguma coisa. De qualquer forma, não era seguro deixá-lo assim.
Felizmente, era apenas um frasco de xampu que havia caído. Wooyeon sentou-se obedientemente na banheira, deixando a água cair em cascata sobre ele do chuveiro. Quando Dohyun entrou, Wooyeon olhou para cima com os olhos arregalados.
— … seonsaeng?
— Você ainda me reconhece?
Dohyun riu surpreso, aproximando-se dele lentamente. Ele ajustou a temperatura da água para deixá-la mais quente, e Wooyeon estendeu a mão para fora da banheira, agarrando a camisa de Dohyun com uma expressão perplexa.
— Onde você foi?
— Ir para onde? Eu estava lá fora e entrei aqui.
— Não, não isso…
O vapor subiu densamente no quarto. Decidindo ajudar, Dohyun começou a lavar Wooyeon, com a intenção de levá-lo de volta para a cama depois. Wooyeon inclinou a cabeça para frente obedientemente, resmungando baixinho.
— Você não estava aqui…
— Estou aqui agora.
Sua experiência cuidando de seus irmãos mais novos foi útil. Wooyeon bêbado não era muito diferente de uma criança incapaz de cuidar de si mesma, exceto por seu corpo maior. Se não fosse pela agitação desconfortável em seu intestino, cuidar de Wooyeon teria sido mais simples.
— Tudo bem, vamos te levar para a cama agora.
Brincando, Dohyun vestiu Wooyeon com um roupão em vez de roupas normais. Ele amarrou o cinto firmemente, embora parecesse que era ele quem estava sofrendo por isso. Wooyeon, sem saber como estava, agarrou-se à camisa de Dohyun.
— Você está indo embora agora?
Seu olhar estava desamparado, seus olhos redondos e brilhantes cheios de lágrimas não derramadas. Ninguém poderia dizer adeus em tal momento.
— Eu tenho que ficar?
No final, Dohyun cedeu e deitou-se ao lado de Wooyeon. Como Wooyeon não gostava da sensação úmida, Dohyun tirou a camisa, mas nem isso foi o suficiente para ele. Dohyun finalmente ofereceu sua mão, deixando Wooyeon agarrá-la com força. Wooyeon sorriu contente, segurando-a como se tivesse medo de soltar.
— Você gosta disso?
— Sim.
A resposta foi resoluta. Bêbado, Wooyeon não hesitou. Dohyun riu baixinho, murmurando:
— Por que você gosta de mim?
— Porque você é meu seonsaeng, então eu gosto de você.
Que adorável hábito bêbado. Sua pronúncia era clara e suas respostas eram diretas. Se Dohyun não o tivesse visto bêbado antes, ele poderia ter pensado que Wooyeon estava completamente sóbrio.
— Então quem é Danny?
Era uma pergunta infantil, mas Dohyun queria clareza. Wooyeon olhou para longe, seus olhos sonhadores.
— Talvez… um amigo.
— Talvez?
Uma resposta vaga. Um amigo é um amigo, ou não é. O que “talvez” significava? Talvez fosse algum relacionamento especial dos EUA? Como Dohyun especulou, Wooyeon elaborou:
— Um amigo, mas é complicado.
— Quão complicado?
— É só que…
Algo parecia estranho. Seu tom carregava uma pitada de amargura, diferente de quando ele falava sobre um amigo. A voz fraca escapou de seus lábios corados.
— Foi minha mãe que me fez chegar perto dele.
A atmosfera antes alegre se tornou gelada. Os feromônios pesados de Dohyun pareciam congelar o ar. Wooyeon, alheio à mudança, continuou em um tom cansado e sonolento:
— Não posso confiar totalmente nele.
Parecia um golpe forte na nuca. A mente de Dohyun ficou em branco e sua visão turvou. As palavras que ele havia preparado para dizer a Wooyeon desapareceram, sem sentido, no ar.
Às vezes, ser perceptivo não é uma bênção. Se ele não tivesse entendido o significado por trás das palavras de Wooyeon, poderia ter sido melhor. Mas Dohyun imediatamente sacou a situação: quem era Danny, como Wooyeon e Danny se tornaram próximos e qual seria a reação de Wooyeon se ele revelasse a verdade.
— Me segure, seonsaeng.
Wooyeon puxou Dohyun para mais perto enquanto dizia isso. Seus olhos desfocados lentamente se fecharam e reabriram, ainda sem clareza. Dohyun gentilmente passou a mão pelo cabelo de Wooyeon.
— Um abraço pode significar tantas coisas.
Em vez de responder, Wooyeon simplesmente olhou para Dohyun. Seus olhos semicerrados, inclinados para cima, pareciam pedir um beijo. Quando Dohyun se inclinou, seus lábios mal se tocaram, leves como uma pena.
— …..
— …..
Seus lábios se separaram brevemente antes de se encontrarem novamente, dessa vez por causa do apelo sussurrado de Wooyeon.
— Só mais uma vez…
Como se estivesse hipnotizado, Dohyun tomou os lábios de Wooyeon mais uma vez. Ele mordeu suavemente o lábio inferior, criando espaço para deslizar sua língua. A sensação doce e apertada o deixou tonto de desejo.
— Mm…
Wooyeon soltou um som suave e prazeroso, mas Dohyun sabia que ele não se lembraria de nada disso amanhã. Ele esqueceria os feromônios misturados, as respirações úmidas e tudo o que havia passado entre eles.
— … Yeon-ah.
Mesmo assim, Dohyun se agarrou à esperança de que talvez, desta vez, Wooyeon se lembraria. Ele se afastou lentamente, segurando o queixo de Wooyeon, e rezou silenciosamente.
— Me chame de “seonsaeng” novamente amanhã, ok?
— …..
— Não finja que não me conhece.
Se houvesse uma pequena chance, ele estava pronto para expor tudo. Apesar de saber o que o futuro reservava, não estava pronto para desistir. Sabia que estava sendo um covarde, mas tudo o que queria era mais uma chance.
— … Eu não posso.
Mas as coisas não saíram como ele queria. A voz fria de Wooyeon esmagou o que restava de sua esperança.
— Eu não vou dizer isso.
Com isso, Wooyeon caiu em um sono profundo. Dohyun apertou sua mão direita com força e suspirou, decepcionado.
Como esperado, Wooyeon não se lembrava de nada na manhã seguinte. Dohyun, que tinha ficado acordado a noite toda, percebeu várias coisas ao ver a confusão de Wooyeon. Primeiro, Wooyeon nunca traria o passado à tona por conta própria. E segundo, ele mesmo nunca teria coragem de contar tudo a Wooyeon.
Ele não conseguia entender por que Wooyeon fingia não saber. Talvez Wooyeon tivesse suas razões, mas sem compartilhá-las, nada poderia ser resolvido. No final, até a coragem de falar era algo que Dohyun havia perdido.
Enquanto tomava banho, memórias do passado continuavam passando por sua cabeça, eventualmente o levando de volta ao dia em que ele e Wooyeon terminaram. Wooyeon parecia completamente devastado, lágrimas escorrendo pelo rosto enquanto dizia que queria terminar o relacionamento.
“De agora em diante, não vou mais gostar de você.”
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna