Capítulo 13.4
Capítulo 13 – ❀ Kim Do-hyun, Parte 04
Foi errado da parte dele gritar “Yeon-ah” com raiva quando Wooyeon quis acabar com tudo depois de apenas uma noite? Ou foi seu próprio senso de traição, apesar de ser o primeiro a deixar Wooyeon, que foi o verdadeiro erro?
No momento em que o pensamento de perder Wooyeon surgiu, Dohyun não conseguia pensar direito. Ele só queria manter Wooyeon ao seu lado, independentemente de culpa ou moralidade. Qualquer justificativa que ele tivesse para o passado desmoronou como um castelo de areia.
Mais uma vez, Dohyun deixou Wooyeon escapar e, dessa vez, não conseguia pensar em nenhuma maneira de segurá-lo. Tudo o que conseguia pensar era que precisava vê-lo, mesmo sem um plano concreto.
Dohyun verificou as horas em seu relógio e ficou esperando do lado de fora do prédio onde a primeira aula de Wooyeon era realizada. Com os exames finais se aproximando, o campus estava movimentado no início da manhã. Wooyeon deveria chegar em cerca de duas horas.
— Ufa.
Fazia muito tempo que Dohyun não se sentia tão tenso seu corpo inteiro parecia retorcido em nós. Talvez fosse a noite sem dormir ou as memórias que ressurgiram, mas algo parecia estranho.
— Ei, bom dia!
— Você chegou cedo, hein?
Enquanto ele esperava, várias pessoas passaram e o cumprimentaram. Em um dia normal, ele teria respondido, mas hoje ele só conseguiu um breve aceno de cabeça. Até mesmo estranhos provavelmente poderiam dizer que algo estava errado.
— Ei, aí está você!
A voz chamando por ele agora pertencia a Seongyu, que havia chegado ao campus antes de Wooyeon. Ele rapidamente se aproximou, notando o rosto pálido de Dohyun.
— Você não dormiu? Você está com olheiras.
— Sim, fiquei acordado a noite toda… É tão óbvio?
Dohyun esfregou os olhos, sem graça. Embora se sentisse cansado, não achava que parecia tão mal. Queria causar uma boa impressão em Wooyeon, mas sua aparência o traiu.
— Não se preocupe, você ainda é bonito!
Seongyu riu e fez um sinal de positivo, claramente tentando aliviar o humor de Dohyun. Dohyun tentou sorrir de volta, mas não conseguiu reunir energia.
— Uh, então…
Seongyu olhou para ele hesitante, como se estivesse juntando as peças. Ele parou por um momento antes de perguntar suavemente:
— Você e Wooyeon… brigaram?
— Só aconteceram algumas coisas — Dohyun respondeu vagamente.
— … Vocês ainda não terminaram, certo? — Seongyu perguntou cautelosamente.
Quando essas palavras saíram da boca de Seongyu, um carro parou na frente do prédio. Era um carro de luxo raro com vidros escuros, exalando uma aura que deixava claro que seu dono não era um estudante comum. Dohyun olhou para o veículo, murmurando como se estivesse falando consigo mesmo.
— Eu não quero isso, é por isso que estou esperando.
A porta abriu com um clique, não a de trás, mas a do motorista. Um homem bem-vestido saiu, ignorando Dohyun completamente enquanto andava ao redor do carro para abrir a porta traseira. Seu rosto era muito familiar para Dohyun.
— … Motorista Yoon.
Deixando um Seongyu confuso para trás, Dohyun foi em direção ao carro.
Alguns alunos próximos se viraram para olhar quando um rapaz com um boné branco saiu do veículo. Sua pele clara e feições perfeitamente equilibradas se destacaram — era Wooyeon.
— Eu virei buscá-lo na hora certa, jovem mestre…
Mas Wooyeon não pareceu ouvir as palavras do motorista Yoon. Ele foi embora sem olhar para trás, ignorando os olhares curiosos ao seu redor. Uma mão segurava sua bolsa, a outra pressionava o boné firmemente na cabeça enquanto caminhava em direção ao prédio.
Respirando fundo, Dohyun gritou com uma voz rouca:
— Yeon-ah.
— …..
Wooyeon parou no meio do caminho. O motorista Yoon, prestes a retornar ao carro, também olhou para cima.
Havia uma chance de o motorista Yoon relatar tudo o que acontecesse ali para Soo Hyang. Se Soo Hyang tivesse dado alguma instrução, o motorista poderia intervir para impedir Dohyun de se aproximar. Mas o motorista Yoon agiu como se não tivesse visto nada e voltou para o carro. Não havia guarda-costas com Wooyeon, provavelmente devido a um acordo entre ele e Soo Hyang. Depois do incidente que Wooyeon mencionou, até mesmo começar uma conversa poderia se tornar impossível em breve.
— Vamos conversar um pouco.
Wooyeon levantou a cabeça e olhou diretamente para Dohyun. A distância entre eles era de apenas um passo. Dohyun parou ali, sem diminuir o espaço. Embora muitos alunos os cercassem, parecia que eram os únicos dois em seu próprio mundo.
— Só por um momento.
Ao apelo de Dohyun, Wooyeon mordeu o lábio inferior. O olhar de Dohyun nunca o deixou, observando cada mudança sutil na expressão dele. Enquanto seus lábios rosados ficaram pálidos, Wooyeon finalmente falou em voz baixa, quase inaudível:
— Não tenho nada a dizer.
Wooyeon se virou, passando por Dohyun sem parar. De longe, Seongyu ficou congelado, com os olhos arregalados de surpresa. Mas Dohyun esperava essa reação e silenciosamente seguiu Wooyeon.
— …..
— …..
Era uma visão estranha. Wooyeon andava na frente, olhando para o horizonte, enquanto Dohyun o seguia atrás sem dizer uma palavra. Ambos eram figuras conhecidas no campus e, se continuassem assim, isso certamente geraria fofocas.
— Yeon-ah.
Quando Wooyeon chegou à porta de sua sala de aula, Dohyun o chamou mais uma vez. Wooyeon hesitou, mas não se virou ao responder:
— Não me chame assim.
— …..
— Esse não é meu nome.
A voz de Wooyeon era fria e cortante, carregando um ar de autoridade condizente com o filho de Soo Hyang. Ainda assim, Dohyun não desistiu e persistiu:
— Vou esperar até sua aula acabar.
— …..
— Sinceramente, eu gostaria de assistir a essa aula com você.
Com isso, Dohyun abriu a porta da sala. Coincidentemente, era um curso básico do primeiro ano, então havia muitos rostos familiares lá dentro. Enquanto os alunos o cumprimentavam calorosamente, Dohyun acenou para Wooyeon.
— Você vai entrar?
— … O que você está fazendo?
Finalmente, Wooyeon se virou para encará-lo. Embora sua expressão fosse rígida, era o rosto em que Dohyun estivera pensando a noite toda. Resistindo à vontade de abraçá-lo, Dohyun sussurrou alto o suficiente para que apenas Wooyeon ouvisse:
— Você não pode terminar comigo.
Foi a mesma coisa que ele disse no dia anterior. E foi a mesma coisa que Wooyeon respondeu, dizendo que não podia mais confiar em Dohyun. As sobrancelhas de Wooyeon franziram, como se ele estivesse se preparando para repetir esse sentimento.
— Você…
— Inscrição no curso.
Dohyun o interrompeu com essas duas palavras. A carranca de Wooyeon se aprofundou e seus lábios se apertaram. Ignorando os protestos, Dohyun pegou a bolsa dele e a colocou em uma mesa perto do fundo da sala.
— Você disse que me pagaria uma refeição se eu te ajudasse a se inscrever nas aulas.
Mesmo que parecesse ridículo, isso não importava. Mesmo que Wooyeon reclamasse que muito tempo havia passado, não importava. Contanto que houvesse uma chance de conversar, Dohyun estava disposto a esperar, não importa o quão desesperado isso o fizesse parecer.
— Você disse que seria uma boa refeição, não algo barato. Você mesmo disse.
Wooyeon olhou para ele, com os olhos cheios de desafio sob a aba do boné. O silêncio se estendeu, mas Dohyun sabia que essa tática funcionaria.
— Vou tratar isso como a última vez.
A palavra “última” fez o olhar de Wooyeon vacilar. As emoções que ele não conseguia suprimir revelaram que ele não havia se desapegado completamente. Colocando suas esperanças naquele pedaço de vulnerabilidade, Dohyun lhe deu um sorriso fraco e cansado.
— Só dessa vez, Yeon-ah.
Seongyu entrou atrás deles e escolheu um assento bem distante, mas ficou de olho na situação. Wooyeon pegou sua bolsa e rapidamente se distanciou de Dohyun, mas Dohyun imediatamente se sentou ao lado dele. Talvez Wooyeon tenha pensado que o professor expulsaria Dohyun da sala, mas infelizmente, o professor ficou feliz em vê-lo.
ー Já faz um tempo que você não vai à aula. Sinta-se à vontade para vir quando quiser. − Disse o professor alegremente, e Dohyun respondeu com um sorriso educado.
Quando a palestra começou, Dohyun apoiou o queixo na mão, observando Wooyeon atentamente. Em sua mesa havia um caderno emprestado de Seongyu e uma caneta pertencente a ele, mas os olhos de Dohyun estavam fixos apenas em Wooyeon. Wooyeon ignorou o olhar de Dohyun, tentando se concentrar na palestra.
“Ele provavelmente é como sua mãe ômega”, pensou Dohyun. Se Soo Hyang era vívida e animada como uma pintura a óleo, Wooyeon era gentil e delicado como uma aquarela diluída. Olhos grandes sob um boné, um nariz reto e um rosto refinado criavam uma imagem harmoniosa e suave.
Wooyeon parecia cansado, talvez por falta de sono? Dohyun notou seu pescoço parcialmente escondido por uma gola alta macia. Embora o material fosse leve, usá-lo naquele clima parecia desnecessário. Dohyun sabia por que Wooyeon o usava para esconder as marcas escuras deixadas por sua intimidade anterior.
“Como posso desistir dele assim?”, ele pensou. Mesmo que Wooyeon tentasse evitá-lo, apenas tê-lo por perto fazia o coração de Dohyun palpitar. O sutil cheiro de feromônio de Wooyeon cativava todos os seus sentidos, e até mesmo seus menores gestos o hipnotizavam. Até o hábito de Wooyeon de tocar sua orelha era tão cativante que Dohyun queria mantê-lo ao seu lado para sempre.
ーVocê não está prestando atenção na palestra? Wooyeon perguntou, virando-se para ele.
ーNão preciso. − Respondeu Dohyun.
Wooyeon corou levemente, parte constrangimento, parte irritação. Dohyun sentiu uma vontade de provocá-lo mais. Ele ficaria bravo se o tocasse? Só ter Wooyeon na frente dele assim era satisfatório, mas a ideia de ele ir embora de novo era insuportável.
Girando uma caneta na mão, Dohyun cobriu a boca com a palma da mão e continuou a observar Wooyeon tomando notas diligentemente. No entanto, o conteúdo das notas de Wooyeon parecia incorreto.
ーVocê está escrevendo errado. − Dohyun apontou.
ー…..
ーO romantismo começou no final do século XVIII.
Wooyeon riscou o “século XIX” que havia escrito e o corrigiu. Dohyun pensou em ajudá-lo a listar autores notáveis, mas parou quando viu Wooyeon suspirar.
Wooyeon pegou um lápis do estojo e escreveu uma pequena nota no canto do caderno: “Não consigo me concentrar porque você está aqui.”
Inicialmente, dizia “sunbae”, mas ele mudou para “você”. Dohyun sorriu e usou a caneta de Wooyeon para escrever uma resposta: “Desculpe”.
Wooyeon apagou sua nota, mas deixou o “Desculpe” de Dohyun intocado. Quando Wooyeon tentou pegar sua caneta de volta, Dohyun escreveu outra pergunta: “O que você quer para o jantar?”
Wooyeon olhou para ele, surpreso, como se estivesse pensando: “Por que você está falando sobre o jantar quando ainda não almoçamos?”
Como esperado, Wooyeon escreveu: “Por que falar sobre o jantar quando o almoço ainda não acabou?”
Dohyun reprimiu uma risada, seus olhos suaves enquanto olhava para Wooyeon. As reações sinceras de Wooyeon sempre aqueciam o coração de Dohyun.
“Então o que você quer para o almoço?” Dohyun respondeu.
Wooyeon finalmente percebeu suas intenções, mas antes que pudesse recusar, Dohyun já havia preparado uma lista:
“1. Carne; 2. Macarrão; 3. Arroz
1-1. Carne de porco 1-2. Carne bovina
Nada barato.”
Wooyeon riu baixinho, achando a lista detalhada de Dohyun divertida, especialmente porque ele nem tinha confirmado a refeição ainda. Eventualmente, Dohyun circulou “Carne” e acrescentou: “Que tal o lugar que fomos da última vez?”
Ele se lembrou do passeio anterior quando Wooyeon preferia doces a arroz. Quando Dohyun lhe entregou uma trufa de chocolate, Wooyeon tinha uma expressão tão complexa que Dohyun sentiu vontade de chorar também.
Wooyeon franziu os lábios e agarrou seu lápis com força, parecendo perdido em pensamentos. Depois de um momento, ele escreveu rapidamente: “Vou almoçar com Seongyu.”
“Seongyu tem trabalho do conselho estudantil”, Dohyun respondeu confiantemente.
Wooyeon lançou um olhar furioso para Seongyu. Na verdade, Dohyun não tinha certeza, mas ele chutou como sempre. Wooyeon, cativantemente fácil de perturbar, lutou para recusar sem um motivo válido.
“Pare de olhar furioso para Seongyu.”
Os dois continuaram sua troca de bilhetes, sua conversa mundana, mas de alguma forma interminável. Mesmo quando o professor ocasionalmente chamava Dohyun por sorrir demais, ele respondia com seu charme amigável de sempre.
ーVamos terminar a palestra de hoje aqui. — Anunciou o professor.
“Oh…” Wooyeon ficou surpreso e olhou para o quadro. Ao contrário do quadro densamente escrito, seu caderno continha quase nada, exceto a correção de “19” para “18”. Vendo sua expressão confusa, Dohyun largou a caneta.
ーVou te emprestar minhas anotações.
Wooyeon olhou para ele com uma expressão quase traída. Sufocando uma risada, Dohyun gentilmente ofereceu:
ーTambém vou te dar meus materiais de estudo para as provas finais.
ーNão precisa. − Wooyeon retrucou rispidamente, embora estivesse claro que ele precisava. Fechando seu caderno, ele evitou encontrar os olhos de Dohyun.
ーEu nunca fiz isso antes, sabia? Fazer anotações durante uma palestra.
ー…..
A expressão de Wooyeon mudou um pouco. Embora ele não tenha dito nada, provavelmente era a primeira vez que ele passava por algo assim também. Talvez seja por isso que seus movimentos enquanto ele guardava seu caderno eram tão hesitantes e lentos.
ーEntão, o que você quer para o almoço?
Assim que Wooyeon fechou o zíper de sua bolsa, Dohyun casualmente a pegou. Wooyeon franziu a testa como um cachorrinho cuja comida foi tirada. Ele olhou para sua bolsa, então para Dohyun, seus pensamentos claramente acelerados.
ーNão é almoço… E o jantar?
Foi a única desculpa que ele conseguiu dar depois de pensar muito. Dohyun inclinou a cabeça, encorajando-o a continuar. Wooyeon desviou os olhos, segurando nervosamente a bainha de sua camisa.
ーVou te levar para jantar, mas não posso almoçar agora.
Uma mentira descarada, já que Dohyun havia definido a agenda de Wooyeon ele mesmo. Talvez Wooyeon estivesse ganhando tempo para pensar em uma desculpa melhor.
ーEntão que horas é o jantar?
ー… Te mando uma mensagem mais tarde.
Na verdade, mesmo que o dia passasse, amanhã Wooyeon ainda teria aula com Dohyun. Wooyeon nunca faltava às aulas e sempre aparecia consistentemente. No entanto, Dohyun não tinha paciência para esperar até amanhã.
ーEu não tenho mais celular.
ーO quê?
Wooyeon apertou os olhos em descrença, como se não tivesse ouvido direito. Dohyun deu de ombros e respondeu com indiferença.
ーEstá quebrado.
Esta manhã, quando ele verificou, seu telefone não ligava. Na verdade, ele o havia jogado com tanta força que seria estranho se não tivesse quebrado. Ele não se importava em não receber ligações, mas perder alarmes era um pouco inconveniente.
ーMas você consertou outro dia! Como?
ーEu só…
Dohyun hesitou como sempre, mas parou quando notou a expressão de Wooyeon uma mistura de frustração e exasperação que parecia dizer: “Isso de novo não”. Não querendo parecer fraco, Dohyun se virou desajeitadamente e apertou ainda mais a alça da bolsa.
ー…Eu joguei.
ーO quê?
ーEu estava com raiva, então joguei…
ー…..
ーE agora não liga.
Dohyun sentiu o olhar incrédulo de Wooyeon sobre ele, um olhar de perplexidade misturado com descrença. Wooyeon murmurou, como se estivesse falando consigo mesmo: “O que poderia fazer você jogar isso…”
Em vez de explicar, Dohyun estendeu a mão para Wooyeon. Por hábito, Wooyeon entrelaçou os dedos, mas depois de um breve momento, ele puxou a mão de volta desajeitadamente.
ー…..
ー…..
A atmosfera entre eles ficou tensa e estranha. Agora, apenas os dois permaneciam na sala de aula, sem mais ninguém por perto. Wooyeon, com uma expressão complicada, abaixou a cabeça e puxou o boné para baixo.
ー…Vamos almoçar.
Como de costume, eles foram para a sala do clube. Dohyun não tinha trazido seu carro, e ir longe demais arriscaria chamar a atenção dos repórteres. Levando Wooyeon para dentro da sala, ele imediatamente trancou a porta.
ーPor que você está trancando a porta?
ーPorque eu não quero ser incomodado.
A chave estava em posse de Dohyun, e ele havia informado Garam de antemão. Ninguém entraria nesta sala até que a conversa terminasse. Ele temia que Wooyeon pudesse se sentir desconfortável, mas o outro parecia não se incomodar com a porta trancada.
ーYeon-ah, sente-se.
Estimando que tinham cerca de duas horas, Dohyun colocou a bolsa na mesa e observou Wooyeon, que relutantemente sentou-se no sofá, parecendo confuso. Envolto em uma jaqueta grande demais e um boné puxado para baixo, Wooyeon parecia estar escondido dentro de camadas de tecido.
ーO que você quer comer? Qualquer coisa que você goste.
ーEu me sinto desconfortável perto de você.
A resposta inesperada de Wooyeon deixou Dohyun sem palavras, cortando o que ele tinha planejado dizer. A calma na voz de Wooyeon pareceu pisotear o coração de Dohyun.
ーEu te convido para uma refeição mais tarde, mas por enquanto, eu só quero ouvir o que você tem a dizer e ir embora. Além disso, você não parece com fome.
Essa foi uma rejeição clara. Dohyun sabia disso. Seu peito apertou como se um peso pesado tivesse se acomodado ali.
ーVocê pode não notar, mas eu não posso fingir que nada aconteceu, diferente de você.
ーVocê acha que não sou afetado por tudo isso?
Wooyeon não disse nada, apenas apertou os lábios. Era evidente que ele não podia negar a verdade das palavras de Dohyun. Qualquer um podia ver que Dohyun estava lutando com algo significativo.
ーEu não dormi nada, pensando em você.
ー…Você acha que consegui dormir?
A voz de Wooyeon estava tingida de tristeza, suas emoções transbordando depois de serem reprimidas por tanto tempo. Dohyun soltou um suspiro suave e começou a falar lentamente.
ーYeon-ah, eu…
Havia tanta coisa que ele queria dizer. Coisas que ele queria expressar e coisas que ele precisava esclarecer. Ele tinha sido desonesto por tanto tempo, e desta vez ele queria ser verdadeiro. Foi por isso que ele procurou Wooyeon antes mesmo de enfrentar Soo Hyang.
ーEu sempre tive medo.
Embora suas palavras parecessem enigmáticas, Wooyeon não interrompeu. Ele simplesmente olhou para cima, seus olhos sonhadores fixos em Dohyun, esperando pacientemente pelo que ele diria em seguida. Esta foi a primeira vez que Wooyeon realmente olhou diretamente para ‘Kim Dohyun’.
ーQuando eu tinha oito anos, fui abandonado na porta de um orfanato.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna