Capítulo 13.2
Capítulo 13 – ❀ Kim Do-hyun, Parte 02
O que começou como curiosidade transformou-se gradualmente em preocupação. A culpa que Dohyun tentava ignorar ficava mais forte a cada dia. Mesmo sabendo que deveria parar, ele ignorou os avisos de Soo Hyang.
Era o dia de seu primeiro festival universitário quando Dohyun tinha 20 anos. Naquele dia, ele tinha uma aula agendada, mas tirou uma licença; Wooyeon não respondeu às suas mensagens. Preocupado, Dohyun recebeu uma ligação perturbadora de Soo Hyang.
— Mandei Wooyeon para casa mais cedo. Ele odeia ficar sozinho, mas não tem ninguém em casa. Você pode dar uma olhada nele?
O tom de comando e o fato de Soo Hyang ignorar seus planos não importavam. O que importava era que Wooyeon odiava a solidão e estava desamparado.
Dohyun não conseguia esconder sua inquietação enquanto trabalhava no bar do clube. Não conseguia servir as mesas; em vez disso, ocupava-se separando o lixo e arrumando coisas desnecessárias. Seu comportamento nervoso chamou a atenção de Minjeong.
— Vá embora. Você não disse que tinha outro lugar para ir?
Assim que Minjeong falou, Dohyun correu para Wooyeon. Sem arrumar o cabelo desgrenhado ou trocar a camisa que dizia “Pub Romântico”, ele foi direto para a casa de Wooyeon.
E lá, Dohyun finalmente entrou no mundo dele.
— Seonsaeng… *soluço*…
Ele já viu muitas pessoas chorarem antes. No orfanato, as crianças estavam sempre chorando e, depois, suas ex-namoradas também. Mas ninguém nunca o deixaria tão nervoso quanto dessa vez.
— O que foi, Yeon? Você está bem?
Dohyun sentou-se ao lado dele, massageando os ombros trêmulos de Wooyeon. Ele chorou como uma criança, deixando a mente de Dohyun em branco.
— Você está machucado em algum lugar? Olhe para mim, ok?
Depois de um tempo, Wooyeon parou de chorar. Ofegante, ele nem percebeu que seus óculos estavam tortos. Dohyun gentilmente enxugou as lágrimas e colocou a mão na testa de Wooyeon.
— Terminou de chorar?
Wooyeon exalava um suave perfume infantil, provavelmente da loção que usava para sua pele sensível. A fragrância, delicada mas penetrante, penetrou mais profundamente no coração de Dohyun do que qualquer feromônio.
— Não parece que você está machucado…
Seus olhos se encontraram. Wooyeon corou e respirou fundo. Suas emoções estavam expostas, impossíveis de ignorar.
— …..
Dezesseis anos. Uma criança jovem e em formação. Amor não era algo que se deveria sentir por alguém tão jovem, nem era permitido.
Dohyun sabia que estava errado. Precisava manter distância, mas não conseguia; deveria ter traçado um limite, mas se aproximou. Sabendo muito bem que se apaixonaria por Wooyeon se aquilo continuasse, ele não soube como recuar e, em vez disso, manteve-se por perto.
— …..Você está bem agora?
Mas a preocupação de Dohyun era apenas por Wooyeon. Temia que algo pudesse acontecer com ele: que pudesse se machucar ou se afogar em sua tristeza sozinho. Mesmo que outros pudessem chamar isso de arrogância, ele sabia que era o único em quem Wooyeon podia confiar.
Daquele dia em diante, Dohyun percebeu que os sentimentos de Wooyeon por ele ficavam mais fortes a cada dia. O olhar de Wooyeon mudava, sua expressão mudava. Claramente, o garoto não sabia como parar, e não havia ninguém puxando os freios.
Na verdade, não foi totalmente desagradável. Ele até achou gratificante. Finalmente, tornara-se alguém especial, o ponto focal único e querido na vida de alguém. Embora não fosse a primeira vez que alguém gostava dele, não conseguia evitar a alegria com aquela afeição.
— Seonsaeng, eu gosto de você.
Mas no dia em que Wooyeon confessou, Dohyun admitiu seu erro. Deixar esses sentimentos crescerem sem controle acabou se tornando sua responsabilidade.
E naquele momento, ele percebeu:
— Yeon-ah.
Aquele que estava enredado pela afeição cega não era Wooyeon — era ele mesmo. Embora soubesse que Wooyeon não tinha escolha a não ser ficar imerso naquilo, Dohyun se iludiu com um senso de superioridade. Foi ele quem ficou realmente cativado, mas arrogantemente acreditava estar no controle.
— Vou me alistar em breve.
Aos 20 anos, Dohyun não sabia como resistir àquela doçura recém-descoberta. Não era apenas sobre sentimentos; era o desconforto sobre as emoções avassaladoras consumindo seu coração. Levado por esses sentimentos crus, ele tinha certeza de que, se continuasse, não escaparia.
— … Sinto muito.
Não sabia se Wooyeon sequer ouvira seu pedido de desculpas. Dohyun parou de dar aulas, mudou o número e cortou todo contato. Foi um ato de fuga, mas ele não conseguiu pensar de outra maneira. “Já chega”, Soo Hyang também não o impediu.
Cada encontro carrega a sombra de uma despedida, sem promessa de reencontro. Seja um vínculo para a vida toda ou uma emoção que se acredita eterna, todos são frágeis.
Até aquele momento, Dohyun acreditava que era um adeus definitivo.
O amanhecer começou a rastejar pela janela. A fúria que queimava intensamente antes agora desaparecera, tornando-se uma luz tênue de algum momento distante. Dohyun piscou seus olhos cansados algumas vezes, cobrindo-os com uma das mãos.
— Ha…
Apesar de ter ficado acordado a noite toda, sua mente estava irritantemente clara. Ao relembrar incessantemente a figura de Wooyeon se afastando, conseguiu recuperar um pouco da compostura. Embora ainda não houvesse palavra de Soo Hyang, aquilo não parecia mais tão importante.
Dohyun levantou-se do sofá e foi ao banheiro. Primeiro, planejou lavar o rosto e ir para a universidade mais cedo. Sem carro, iria a pé para clarear os pensamentos. Se esperasse perto do auditório, talvez pudesse ver Wooyeon.
“É tarde demais, Seonsaeng.”
— …..
A água fria do chuveiro caía em cascata pelo seu corpo. Mesmo encharcado da cabeça aos pés, Dohyun permaneceu parado, sentindo o fluxo enquanto as ondas inquietas de feromônios diminuíram.
Desde que se reencontrou com Wooyeon, cada momento foi carregado de arrependimento. O passado que ele conhecia, mas não conseguia mudar, caía sobre ele como uma maré de amargura. Mentiras se acumulavam para encobrir erros passados, piorando tudo.
Na verdade, Dohyun não estava totalmente sem desculpas. Se quisesse, tinha maneiras de se justificar. Mas mesmo que conseguisse superar esse desafio, duvidava que Wooyeon voltasse a confiar nele incondicionalmente. O desconforto persistente explodiria eventualmente, e ainda havia uma montanha enorme entre eles.
“…..Eu nem sei por que você gosta de mim.”
“…..Eu também não sei por quanto tempo você continuará gostando de mim…”
Wooyeon rapidamente percebeu o medo que Dohyun tinha do amor. Ele deve ter pensado que a distância entre eles vinha de emoções diferentes — que Dohyun era quem tomava as decisões, enquanto ele estava apenas se apegando.
“No final, se não for eu, deve haver muitas pessoas que gostam de você…”
Dohyun entendeu exatamente do que Wooyeon tinha medo. Talvez o garoto temesse que o relacionamento não passasse de uma brisa passageira, e esse medo o deixava ansioso. Por isso, não ousava dar um passo à frente. Talvez Wooyeon não tenha entendido como Dohyun se sentiu quando ouviu aquelas palavras.
— Você é o único de quem eu gosto.
Não fora uma declaração para apaziguar. Se Dohyun era o único para Wooyeon, então, para Dohyun, Wooyeon era o único entre inúmeras pessoas. A lacuna entre não ter escolha e escolher apenas uma pessoa era muito maior do que Wooyeon poderia perceber.
— O que devo fazer…
Dohyun abaixou a cabeça e fechou os olhos. Gotas d’água escorriam pelo seu cabelo. Na escuridão atrás de suas pálpebras, a imagem de Wooyeon indo embora surgiu mais uma vez.
Não era a primeira vez que ele via aquela figura recuando. Há apenas alguns meses, na festa de boas-vindas dos calouros, Dohyun testemunhara a mesma cena.
Era o frio cortante de fevereiro.
Dohyun não era o tipo de aluno que se destacava academicamente ou participava entusiasticamente de eventos escolares. Embora tivesse se tornado presidente de um clube, não era algo que realmente queria. Costumava beber, mas raramente participava de atividades do departamento.
— Isso é um incômodo…
Naquele dia, a única razão pela qual Dohyun compareceu à festa foi a insistência de Garam. Normalmente ignoraria, mas o convite para fazer uma aparição não pôde ser recusado. Como presidente do clube, precisava promovê-lo.
Havia apenas duas coisas que Dohyun não previra. Uma era que o tempo estaria mais frio do que o esperado; a outra era encontrar alguém que nunca imaginou ver ali.
— Ah.
Normalmente, ele não se viraria só porque alguém passou. Mas, desta vez, virou a cabeça por causa do raro feromônio que passou por seu nariz.
— Uh…
Era um Ômega dominante. O feromônio, fresco como uma fruta verde, era totalmente diferente de qualquer outro que Dohyun já encontrara. O rosto que o olhava curiosamente era igualmente cativante.
— … Você é um Alfa?
Antes que pudesse reconhecer a estranheza da pergunta, Dohyun sentiu uma sensação familiar. Lentamente, piscou e respondeu:
— Sim.
Aqueles olhos…
— Eu sou um Alfa.
Eram exatamente iguais.
Não houve tempo para dizer mais nada. Assim que essas palavras foram ditas, a outra pessoa se virou sem nem olhar para trás, indo embora com passos longos e raivosos. Dohyun ficou paralisado no lugar, observando atordoado a direção em que a figura desapareceu.
— Por que você está tão atrasado?
Garam não conseguiu se conter e foi até Dohyun, soltando uma enxurrada de reclamações. Ela resmungou sobre ter que vir até aqui e disse que não teria sido tão difícil se Dohyun tivesse chegado um pouco mais cedo. Depois de desabafar muito de sua frustração, o tom de Garam rapidamente ficou mais leve.
— Ei, você viu aquela pessoa antes, não viu? Aquele novo calouro? Ele não é adorável?
À primeira vista, ele parecia mais jovem, mas acabou que ele tinha 20 anos. Sua pele clara e feições delicadas em seu rosto pequeno eram inteiramente o tipo de Garam.
— Ele é do nosso departamento?
Dohyun perguntou, gradualmente perdendo o interesse na pessoa. Independentemente da aparência ou dos feromônios, se fosse um calouro do departamento dele, as coisas seriam diferentes. Envolver-se da maneira errada pode tornar a vida no campus exaustiva.
— Sim, convidei-o para a festa, mas ele disse que estava ocupado e foi embora imediatamente. Frio e não se incomodou em conversar muito.
— Não parece ser fã de festas.
— Droga… isso não vai funcionar…
— Onde está sua dignidade? Ele é apenas um calouro.
— Eu não estava planejando flertar nem nada. Só queria convidá-lo para o clube.
Em uma avaliação rápida, Garam notou que ele parecia muito estudioso e até mencionou algumas bobagens de adivinhação que ela havia pesquisado. Claramente, ela ficou impressionada o suficiente para se arrepender de não ter pedido o número dele.
— Ouvi dizer que o nome dele também é lindo.
— Qual é o nome dele?
Se a conversa tivesse terminado ali, Dohyun poderia ter concordado distraidamente e seguido em frente. Como eles estavam no mesmo departamento, sempre havia uma chance de se encontrarem eventualmente.
O problema era o nome que Garam mencionou.
— Seon Wooyeon.
— …..
Um arrepio percorreu o corpo de Dohyun. Suas pupilas dilataram e sua respiração ficou presa na garganta. Até os feromônios que naturalmente irradiavam dele pararam abruptamente. Sem hesitar, Dohyun correu na direção em que a outra pessoa havia desaparecido.
— Ei, para onde você está indo? Ei, Kim Dohyun!
Foi um ato quase imprudente. Dohyun correu até ficar sem fôlego, procurando ao redor do portão da escola como alguém perseguindo um fantasma. Ele agarrou algumas pessoas com roupas semelhantes, mas, infelizmente, nenhuma delas era Wooyeon.
— … Ha.
As oportunidades sempre surgem em momentos inesperados. Este encontro casual, sem qualquer aviso, tornou-se um ponto de virada em seus dias monótonos. Uma conexão que ele pensou que nunca mais se cruzaria estava agora ao seu alcance.
As memórias que ele acreditava ter enterrado eram meramente coisas que ele evitava confrontar. Assim que reconheceu a chance de desvendar aqueles fios emaranhados, ele se agarrou a ela como se estivesse agarrando uma palha.
Se alguém tivesse perguntado o que ele estava pensando, Dohyun não saberia como responder. Ele entendia bem o quão absurdo era voltar atrás agora, especialmente porque ele tinha sido o primeiro a sair. Talvez fosse uma simples sensação de alegria, ou talvez um afeto persistente. Arrependimentos tardios por um relacionamento que os machucou na juventude.
A única certeza era que, embora ele desejasse profundamente, não eram sentimentos românticos.
Por enquanto, Dohyun decidiu esperar. Ele esperou o novo semestre começar, esperou Wooyeon aparecer diante de seus olhos e esperou Garam convidar Wooyeon para se juntar ao clube deles.
Desta vez, ele esperava que o encontro começasse naturalmente, sem segundas intenções.
— Você conhece alguém chamado Seon Wooyeon?
Quando Yoonwoo perguntou isso a ele, Dohyun quase pulou de excitação. Embora ele não tenha duvidado muito, o último resquício de incerteza agora havia desaparecido.
— Aquele garoto perguntou sobre você. Achei que ele queria entrar para o clube, mas não parece ser o caso. Se ele fosse alguém que Garam conhecesse, ela o teria convidado para a reunião do clube de hoje…
Ele não tinha intenção de agir precipitadamente. Como o relacionamento deles já tinha dado errado uma vez antes, ele pretendia se aproximar com cautela e cuidado. Se não fosse pelas palhaçadas bêbadas de Garam irritando o garoto, Dohyun não teria falado com ele primeiro.
— Uau, Wooyeon com certeza tem muitos amigos, hein?
O hábito de Garam de ser excessivamente amigável quando bêbada era problemático. Independentemente de quem fosse, ela sempre agia de forma amigável, às vezes até fisicamente afetuosa. Naquela noite, ela perdeu o controle de seus feromônios, e ficou claro o quão desconfortável Wooyeon se sentia.
— Ela está fazendo isso de novo…
—Garam está agindo como uma velha embriagada.
Os ombros de Wooyeon ficaram tensos. Sentado contra a parede, cobrindo a boca com a mão, ele parecia um ouriço se enrolando em uma bola defensiva. Dohyun lembrou que Wooyeon nunca não gostou de Alfas.
— Ele não está se sentindo confortável.
Dohyun se colocou entre Garam e Wooyeon como se estivesse alheio. Ele protegeu Wooyeon dos feromônios de Garam e lhe entregou um copo de água para ajudar com seus soluços. Somente depois que Dohyun o incentivou a beber, Wooyeon pegou o copo.
— Obrigado.
Sua voz estava mais baixa e mais firme do que antes. Não era mais o tom fraco e delicado do passado, mas havia se tornado firme e maduro. Quatro anos se passaram, afinal. Essa percepção trouxe uma mistura de alívio e arrependimento.
— É ele.
O rosto de Garam, vermelho de álcool, fez suas palavras soarem rudes, apesar de sua alegria bêbada. Quando ela perguntou: — Viu o que eu quero dizer, certo? — Dohyun não conseguiu deixar de olhar para Wooyeon, mesmo sabendo que era indelicado.
Sob as luzes fracas, o rosto pálido de Wooyeon se destacou. Embora mais magro, suas características faciais não mudaram. Ele ainda não se parecia em nada com Soo Hyang, e seus olhos claros permaneceram como eram.
— Sim, é isso mesmo.
Garam disse que ele parecia adorável, não disse? Dizer que seu rosto era uma mistura de fofo e bonito não seria errado. Dohyun sabia sobre aqueles olhos grandes e nariz alto há quatro anos.
— Posso falar casualmente com você?
Agora, talvez ele pudesse contar tudo sobre o passado. Esse pensamento cruzou brevemente sua mente. O passado estava para trás, então talvez ele pudesse confessar honestamente. Então eles poderiam se tornar bons amigos ou pelo menos duas pessoas que antes confiavam uma na outra.
— Qual é seu nome?
— Seon Wooyeon.
Mas, diferente de Dohyun, Wooyeon não parecia querer reconhecer a conexão deles. Quando Dohyun confirmou seu nome, Wooyeon manteve um ar de desconhecimento. Ele o corrigiu firmemente, afirmando que seu nome não era “Seonwoo Yeon”, mas “Seon Wooyeon” com um tom inflexível.
— Oh, Wooyeon.
Quais eram as chances de um aluno que ele havia ensinado quatro anos atrás acabar na mesma universidade, no mesmo departamento? Ele tinha ouvido falar que Wooyeon havia estudado no exterior, nos EUA, um lugar onde ele poderia ter feito o ensino superior.
“Que coincidência.”
Se realmente fosse uma coincidência, ele esperava que fosse inevitável. Seria melhor começar do zero, fingindo não se conhecerem, como Wooyeon parecia querer. Se eles reconstruíssem sua conexão passo a passo, talvez um dia, Wooyeon pudesse chamá-lo de seonsaeng novamente.
— … Está tudo bem.
O fato de Wooyeon fumar o pegou desprevenido, mas não foi chocante. Ele entendeu que Wooyeon tinha saído em parte porque se sentia desconfortável. O que realmente surpreendeu Dohyun foi uma única declaração de Wooyeon.
— Eu não gosto desse seu sorriso. Parece falso.
Foi um golpe. Talvez tenha doído um pouco. As palavras foram tão inesperadas e surpreendentes que ele não conseguia acreditar nelas.
Fazia quatro anos. Nem muito longo, nem muito curto quatro anos sólidos. Um período longo o suficiente para a aparência e a voz de Wooyeon mudarem. E agora, a pessoa com quem ele se reuniu depois de todos esses anos disse a ele que seu sorriso era falso.
Dohyun não achou que fosse apenas um comentário passageiro. Ele tinha autoconsciência o suficiente para saber que seu sorriso poderia soar insincero às vezes. Mas o fato de Wooyeon poder ver através dele o enervou.
Dohyun nunca havia fingido um sorriso na frente de Wooyeon. Não há quatro anos, não agora. Toda vez que ele encarava Wooyeon, ele era completamente genuíno.
Talvez tenha sido por isso que essas palavras o deixaram um pouco teimoso. Sabendo que era um pouco infantil, ele ainda queria que Wooyeon visse seu sorriso como sincero. Ele não queria ser mal interpretado especialmente por Wooyeon.
Felizmente, houve muitas oportunidades para esclarecer o mal-entendido. Por coincidência, eles compartilhavam uma aula às sextas-feiras, e Wooyeon se juntou ao “Clube de Leitura de Literatura Inglesa Clássica”. Embora Wooyeon ocasionalmente parecesse irritado, ele parecia inegavelmente fofo quando perturbado por ser perguntado se ele estava desconfortável.
— … Alguém já lhe disse que sua personalidade é irritante?
Essa era uma pergunta que Dohyun só tinha ouvido de duas pessoas: Soo Hyang e Wooyeon.
Por várias semanas, Dohyun fez tudo o que podia por Wooyeon. Ele o ajudou a se registrar para as aulas, auxiliou com seus estudos e até comprou lanches baratos que Soo Hyang teria zombado. O “jovem mestre” que nunca tinha aberto a porta de um carro acabou amando guloseimas simples como chocolate e bolos de arroz picantes.
Aqueles foram dias significativos. Ver Wooyeon se adaptar ao clube, corar enquanto mexia nas orelhas ou xingar as pessoas bêbado em inglês foram todos momentos cativantes. Enquanto Dohyun ocasionalmente sentia uma vibração estranha, ele descartava isso como mera excitação.
— Então hoje, vamos ter um grupo de estudos na casa de Wooyeon.
A decisão de realizar o grupo de estudo foi impulsiva. Ele se sentiu desconfortável sobre como Wooyeon o estava evitando desde a primeira reunião do clube, e também ficou irritado com um Alfa que deixou um bilhete para Wooyeon na biblioteca. Desde a primeira festa de orientação, Dohyun notou que Wooyeon atraiu muita atenção indesejada.
— Isso… parece uma casa modelo…
A cobertura oferecia uma vista de tirar o fôlego. Em meio àquele cenário luxuoso, Dohyun teve um vislumbre do Wooyeon que ele conheceu quatro anos atrás. Embora a casa fosse diferente da “prisão” em que ele costumava viver, vê-lo isolado em um lugar tão alto fez Dohyun pensar em Wooyeon como alguém solitário.
— O que você está procurando?
— Copos. É estranho distribuir bebidas assim.
Dohyun riu quando viu Wooyeon se atrapalhando para preparar bebidas, sem saber onde os copos estavam guardados.
Embora provavelmente houvesse copos nos armários inferiores, Wooyeon procurou os superiores na altura dos olhos. Dohyun não conseguiu evitar pensar que poderia quebrar um. E, com certeza, como se fosse uma deixa, um copo escorregou das mãos de Wooyeon.
— … Sempre assim…
Os reflexos de Dohyun surpreenderam até a si mesmo. Ele esperava que o copo caísse, mas não pensou que o pegaria. Seus feromônios se inflamaram com o choque, e os olhos arregalados de Wooyeon refletiram sua imagem.
— Não consigo tirar os olhos de você.
A distância entre eles era de apenas um braço de distância. Durante suas sessões de tutoria, eles estavam ainda mais próximos do que isso. No entanto, por algum motivo, essa proximidade familiar agora fazia o coração de Dohyun disparar.
— Eu… me desculpe, preciso usar o banheiro…
Wooyeon saiu apressadamente, enquanto Dohyun ficou paralisado no lugar, incapaz de se mover por um longo momento. Os fracos feromônios que pairavam no ar pareciam se instalar profundamente em seu peito. Dohyun percebeu que seu coração acelerado não era por ter pegado o copo por pouco.
No caminho para casa, os pensamentos de Dohyun eram um turbilhão. Sempre que ele fechava os olhos, o rosto de Wooyeon aparecia, e seu coração se agitava com as emoções refletidas nas expressões de Wooyeon. Seus sentimentos começaram a mudar, e até mesmo o nome em seu coração mudou.
Era romântico. Era afeição, era amor.
Mas antes que ele pudesse começar a entrar em pânico com essa percepção, Dohyun teve que imediatamente suprimir essas emoções. No dia seguinte, recebeu uma ligação de Yoon, seu motorista.
— A presidente quer ver você.
Os eventos se desenrolaram como uma sentença de morte. Dohyun nunca se incomodou com as ligações de Soo Hyang, mas naquele dia, seus instintos o alertaram sobre algo ameaçador. Durante sua palestra e a caminho da empresa, uma premonição desconfortável se agarrou a ele.
— Sente-se. Não fique aí parado ouvindo.
Soo Hyang pulou as gentilezas. A secretária trouxe uma xícara de chá, mas em vez de pegá-la, Dohyun olhou fixamente para ela. O rosto que ele estava vendo depois de quatro anos não havia mudado muito.
— Você sabe por que eu liguei para você, não sabe?
A pergunta direta o deixou incapaz de responder imediatamente. Ele desviou o olhar sem jeito. Mesmo que não tivesse feito nada errado, o momento parecia longe do ideal.
— Sim… tenho uma ideia geral.
Com sua resposta hesitante, Soo Hyang começou a falar calmamente.
— Quatro anos atrás, depois que você saiu sem dizer uma palavra, Wooyeon ficou gravemente doente.
— … Doente?
Foi a primeira vez que ele ouviu sobre isso. Sem ninguém para mantê-lo atualizado sobre a situação de Wooyeon, não foi totalmente surpreendente. A expressão de Dohyun traiu seu choque, mas Soo Hyang permaneceu indiferente.
— Dizem que era uma forma de “doença de amor”.
Dohyun estava sem palavras. Imagens do Wooyeon que ele conheceu ontem e do Wooyeon de quatro anos atrás brilhavam em sua mente. Ele ainda conseguia se lembrar vividamente do olhar no rosto de Wooyeon quando eles se separaram.
— Ele não conseguia comer e só dormia como uma galinha doente. Ele chorava tanto que não conseguia nem beber água; não é de se admirar que tenha ficado doente.
A voz fria de Soo Hyang cortou o coração de Dohyun como uma lâmina implacável. Embora seu tom fosse comedido, quanto mais ele ouvia, mais sentia como se agulhas estivessem picando sua pele. Talvez fossem seus feromônios contidos intensificando a atmosfera pesada.
— Eu o enviei para os EUA, pensando que uma mudança de ambiente poderia ajudá-lo a esquecer você.
Olhando para trás, fazia sentido. Wooyeon inicialmente queria frequentar uma escola de idiomas especializada, e estudar no exterior não fazia parte de seus planos. Não havia razão para ele deixar a Coreia do Sul abruptamente daquele jeito.
— Mas agora ele está de volta depois de quatro anos.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna