Capítulo 11
Alpha Traum, Capítulo 11 – ❀ Dawn
O festival terminou com grande sucesso. Os membros do clube, que maximizaram seus lucros com “apenas alguns milhares de wons em açúcar”, foram ao pub com os bolsos cheios. O maior contribuidor do dia foi Seongyu, que atraiu clientes com sua habilidade inesperada de criar nuvens perfeitas.
Os graduados naturalmente se juntaram a eles no caminho. Minjeong, Seongjae e até mesmo o assistente de ensino, Yoonwoo. O assistente os cumprimentou com sua habitual expressão indiferente, confundindo os nomes de alguns membros. Observando-o, Wooyeon teve certeza de que ele nem sequer lembraria o nome de Seongyu.
— Aos clássicos ingleses!
— Saúde!
Como o grupo era grande, ocuparam um bar dividido por divisórias e portas. Seongjae, que nem era mais aluno, puxou o brinde com uma energia contagiante. Dohyun estava sentado ao lado dele, já que Seongjae insistira em “ficar perto do mais novo para variar”.
— Minjeong, nocauteie ele — brincou Dohyun, ouvindo a voz alta do amigo.
— Um tranquilizante para ursos exige autorização do governo — rebateu Minjeong, fazendo Wooyeon rir. Seongjae realmente tinha o porte de um urso.
Minjeong virou-se para Wooyeon com um sorriso caloroso: — Você ficou bem da última vez?
A “última vez” foi o dia em que Minjeong fez misturas de bebidas e as memórias de Wooyeon foram cortadas. Ele lembrava apenas de ter bebido demais por ciúmes de Dohyun e de ter acordado em casa.
— Sim, sinto muito por aquilo.
— Do que está arrependido? Eu que te fiz beber — Minjeong piscou.
— É verdade, o Wooyeon bebeu muito naquele dia — Garam concordou, enquanto Yoonwoo, o assistente, apenas brincava com o celular, alheio à conversa.
— Oppa, quando o Taegyeom Sunbae chega? — perguntou Garam.
— Está quase aqui. O trânsito parou tudo — Yoonwoo respondeu, deixando o celular sobre a mesa.
Mesmo sob a luz fraca, o anel no dedo anelar esquerdo de Yoonwoo brilhava. Wooyeon fixou o olhar ali e perguntou baixinho: — Ele é o… “Deus da Administração”?
— Humpf — Yoonwoo cobriu a boca, rindo. Sua expressão gélida derreteu em um instante. O sorriso era tão genuinamente afetuoso que até Wooyeon sentiu o coração palpitar. — Oh… desculpe. Taegyeom não gosta desse apelido. Se possível, não mencione na frente dele.
— Ele é seu namorado?
— Sim, é ele mesmo.
Wooyeon ficou surpreso. Era a primeira vez que via o assistente exalar uma aura tão calorosa. O simples som do nome “Taegyeom” transformava o homem.
— Mas Wooyeon, você ainda o chama de “assistente”! — Minjeong interveio. — Chame-o de Hyung. Yoonwoo Hyung não se importa.
Yoonwoo assentiu com um olhar sereno: — Pode me chamar como se sentir confortável.
Minjeong começou a preparar o somaek (soju com cerveja) com habilidade. Wooyeon olhou para Dohyun, sentado longe, e hesitou. Estava preocupado que, se bebesse, suas memórias fossem cortadas de novo.
— Vou ao banheiro por um momento.
Ele precisava de ar. Mais do que isso, sentia falta de estar colado em Dohyun. Ao sair da divisória, percebeu que o bar era um labirinto.
— Sala 17… Sala 17 — recitou para não se perder.
Ao virar o corredor, um feromônio Alfa extremamente potente o atingiu. Wooyeon parou bruscamente, a apenas um passo de colidir com alguém que vinha na direção oposta.
Ele levantou a cabeça e congelou. O homem diante dele era assustadoramente bonito, com olhos marcantes e ombros largos como os de Dohyun. Mas o que realmente o definia era a aura: “Alfa Dominante”.
Wooyeon recuou imediatamente, com o rosto contorcido em desgosto. Independente da beleza, ele detestava o cheiro agressivo de Alfas que não fossem Dohyun.
— Por favor, passe — disse Wooyeon, seco.
O homem tinha uma expressão idêntica à dele. Embora mais sutil, exalava um desconforto visível através de seus feromônios. Sem dizer uma palavra ou pedir desculpas, o Alfa apenas ignorou Wooyeon e seguiu seu caminho.
— Nossa, que grosseria — resmungou Wooyeon, voltando para o quarto 17. Ao abrir a porta, ouviu o burburinho aumentar e um nome ser pronunciado:
— …Taegyeom Sunbae?
***
Wooyeon agora olhava alternadamente para Yoonwoo, o assistente gentil, e para o Alfa arrogante de antes. Eles estavam sentados lado a lado.
— Este é Choi Taegyeom — apresentou Yoonwoo. — Ele é um veterano do clube e meu namorado.
— E o Deus da Administração — completou Minjeong.
Taegyeom franziu o cenho ao ouvir o apelido. Wooyeon percebeu que o desgosto dele era real, não apenas charme. Quando os olhos de Taegyeom encontraram os de Yoonwoo, porém, o Alfa sorriu — um sorriso capaz de desarmar qualquer um, exceto Wooyeon, que sentiu repulsa instintiva.
— Aonde você foi sozinho? — Dohyun perguntou, surgindo ao lado de Wooyeon e segurando sua mão firmemente por baixo da mesa. Dohyun havia trocado de lugar apenas para ficar perto dele.
— Fui ao banheiro. O Sunbae me seguiu?
— Sim. É perigoso ficar sozinho em bares assim.
Wooyeon relaxou ao sentir o cheiro de Dohyun. Era seco, limpo e refrescante — o oposto total da agressividade que Taegyeom emanava.
— Estou cansado, Yoonwoo — murmurou Taegyeom, encostando a cabeça no ombro do namorado. Wooyeon fez uma careta. O homem parecia uma pessoa completamente diferente agora.
Yoonwoo notou a expressão de Wooyeon e sorriu sem jeito. — Ele foi rude com você lá fora?
— Eu também não gosto de Alfas — Wooyeon respondeu secamente.
Taegyeom olhou para ele com indiferença. — É recíproco. Ele é um Ômega. — O Alfa parecia entender o ponto de Wooyeon; como um dominante, ele provavelmente também estava farto de ômegas se atirando nele.
— É bom ouvir isso — retrucou Taegyeom. Mas então, ele olhou para Dohyun, que ainda segurava a mão de Wooyeon. — E ele? Ele está “liberado”?
Wooyeon sentiu as orelhas queimarem. Dohyun acariciou as costas de sua mão e Wooyeon respondeu baixinho: — O Sunbae é diferente. Ele e o Yoonwoo Hyung estão bem.
— O que está acontecendo entre vocês dois? — Yoonwoo perguntou, finalmente percebendo o clima. Wooyeon corou furiosamente.
— Eu sabia! — Minjeong exclamou.
— Ladrão — Yoonwoo murmurou, olhando para Dohyun.
Até Taegyeom lançou um olhar de “eu não esperava isso” para Dohyun. Wooyeon sentiu-se indignado.
— Temos apenas quatro anos de diferença!
— Um veterano que já serviu o exército namorando um calouro que acabou de entrar na faculdade é chamado de ladrão — Minjeong apontou para os dois. — Você é um calouro recém-saído do ensino médio, Wooyeon. E ele…
Uma voz calma e profunda vinda de Dohyun interrompeu a conversa:
— Não é mesmo, ladrão?
Alguém riu suavemente. Era Dohyun, que acariciava gentilmente a mão de Wooyeon. Ele trouxe as mãos deles, com os dedos entrelaçados, para o próprio colo e as segurou com firmeza.
— Seu pequeno ladrão.
As pontas dos dedos dele roçaram lentamente a palma de Wooyeon. Sentindo o rastro daquele toque, Wooyeon cerrou o punho. Sentia um formigamento estranho abaixo do umbigo, mesmo que tivesse sido apenas um toque leve.
— Às vezes eu roubo, entre outras coisas — Dohyun respondeu.
Sua voz era leve e o tom tão indiferente que até Taegyeom, que parecia não se importar com nada, não conteve o riso. Taegyeom alternava o olhar entre os dois com uma expressão divertida.
— O mais novo cresceu muito.
— Quando foi que eu fui o “mais novo”?
Perto dos veteranos, o professor parecia se transformar em alguém diferente. Ele soava um pouco mais afiado e espirituoso do que em sua maturidade habitual. O toque na mão de Wooyeon continuava afetuoso, mas suas palavras tinham outro peso.
— Bom… de qualquer forma, acabou bem. Parabéns.
Minjeong trouxe uma garrafa e ofereceu a Dohyun. Ele colocou a mão de Wooyeon sobre sua coxa e estendeu o copo com as duas mãos. O líquido transparente encheu o copo de um só gole.
— Você quer um pouco, sênior?
Um por um, os copos foram preenchidos. Wooyeon e Yoonwoo, o assistente, foram os únicos que não beberam. Por fim, Minjeong brindou com Garam.
— Saúde!
A festa logo se animou. De um lado, Seongjae liderava jogos de bebida barulhentos, enquanto outros conversavam casualmente. Conforme as garrafas esvaziavam, Minjeong se levantou.
— Vou comprar sorvete, alguém quer vir?
— Sorvete? — Dohyun olhou confuso. Garam se ofereceu, mas Minjeong a empurrou de volta para o assento. Dohyun abriu um refrigerante para Wooyeon e decidiu seguir Minjeong. — Volto em um momento.
Ele bagunçou o cabelo de Wooyeon com sua mão grande antes de sair. Wooyeon observou os dois partirem. À sua frente, Taegyeom estava encostado em Yoonwoo, agindo de forma manhosa.
— Yoonwoo, acho que estou ficando bêbado.
Com o rosto enterrado no pescoço do namorado, ele não parecia nada bêbado. Yoonwoo parecia pensar o mesmo, dizendo para ele limpar a saliva da boca, mas a mão que acariciava a bochecha de Taegyeom era extremamente cuidadosa.
— Como vocês dois se conheceram? — Garam perguntou curiosa. Wooyeon também prestou atenção. Era intrigante que Taegyeom, que parecia detestar ômegas, estivesse com Yoonwoo.
— Somos amigos desde jovens — Yoonwoo respondeu, acostumado à pergunta.
— Ah, então são amigos de infância? — Garam pareceu desapontada com a resposta simples.
Uma lembrança súbita atingiu Wooyeon: o “tipo ideal” de Dohyun — alguém que não tivesse amigos de infância. Aquilo o incomodou assim que ouviu.
— Há quanto tempo estão namorando?
— Cerca de quatro anos.
— Uau, quem se confessou primeiro?
— Confessou… Bem, é ambíguo quem fez isso primeiro.
Zing. O celular de Dohyun, deixado sobre a mesa, vibrou. Era uma ligação. Wooyeon aproveitou a distração de Garam perguntando “Quem gostou de quem primeiro?” para pegar o aparelho e se levantar.
— Volto em um momento.
***
Wooyeon saiu do bar com o telefone vibrando. Ele queria levar o aparelho, mas, no fundo, só queria ver o rosto de Dohyun. Ele os encontrou em um beco próximo; Dohyun segurava uma sacola de conveniência ao lado de Minjeong. Ao se aproximar, a voz dela soou clara:
— Quando você começou a namorar o Wooyeon?
Wooyeon parou atrás da parede. Não era seu hobby bisbilhotar, mas a situação era sutil.
— Não faz muito tempo. Pouco mais de uma semana — Dohyun respondeu.
— É, realmente faz pouco tempo.
Ouviu-se o farfalhar da sacola. O telefone na mão de Wooyeon parou de vibrar.
— Quer fumar um momento? Tenho algo a dizer — pediu Minjeong.
— Parei de fumar. Só diga.
Wooyeon se surpreendeu. Realmente, não via Dohyun fumar desde aquela vez no terraço.
— Sobre o que quer falar?
— Eu estava pensando se a reunião de hoje foi boa para você. Você não parece se dar bem com o Taegyeom.
Toda vez que falavam no “Deus da Administração”, Dohyun franzia o cenho. Wooyeon achava que eles não se davam bem, apesar de sentarem à mesma mesa.
— Do nada… tem algo errado? Sempre nos reunimos assim — disse Dohyun.
— É mesmo?
— Sim. Não é que eu não me dê bem com ele.
Minjeong silenciou por um tempo. O som dos insetos preenchia a pausa vaga até que Dohyun falou:
— Noona, é porque eu gostava do Yoonwoo Hyung?
O coração de Wooyeon deu um salto, como se um balão tivesse estourado em seu ouvido. Sua mente ficou em branco. O tipo ideal absurdo, a carranca para Taegyeom, o rosto do assistente… tudo se encaixou.
— Bem… — Minjeong não confirmou nem negou, o que soou como um sim.
Dohyun riu, intrigado: — Há quantos anos foi isso, exatamente?
A reação dele foi indiferente, mas Wooyeon sentiu o peito apertar. Mordeu o lábio com força.
“Levei cerca de um mês para esquecer alguém de quem eu gostava na sua idade.”
Era o Yoonwoo. Um mês era muito tempo. Ver Dohyun conversando com o assistente agora lhe causava uma onda de raiva súbita. Wooyeon respirou fundo, determinado a ouvir tudo para não criar mal-entendidos.
— Foi só um momento. Desisti rapidamente — Dohyun continuou. Ele não parecia estar fingindo; parecia genuinamente sem sentimentos persistentes. — Não foi nem um primeiro amor… Quando somos jovens, queremos o que não podemos ter, não é?
— Você ainda é jovem.
— Antes, você me chamou de ladrãozinho.
A voz normal de Dohyun era o único consolo de Wooyeon.
— Estar com o Taegyeom sunbae é só… como uma aversão entre espécies parecidas. Ele provavelmente sente o mesmo.
— Ele te acha fofo porque você é o mais novo.
— Ah, eu odeio isso. Ele sabe que eu não gosto disso.
Ouvir Dohyun resmungar como um “jovem” era estranho para Wooyeon. Ele sentia a distância entre seu mundo e o passado do professor. Uma melancolia começou a afundá-lo, mas a voz de Dohyun o resgatou:
— Não estou me encontrando com ele casualmente.
O tom tornou-se incrivelmente sério.
— Não sei por que você está preocupada, mas… já chega de duvidar dos meus sentimentos. Eu gosto muito dele.
Wooyeon sentiu o nariz formigar. Ouvir aquilo era como um milagre.
— É incrível o quanto você pode gostar de alguém. Eu gosto dele o suficiente para que esse pensamento me ocorra.
Minjeong suspirou: — Eu não estava preocupada com sentimentos persistentes. Você não é tão sentimental assim. Se continuarem se encontrando e o Wooyeon descobrir, ele pode se machucar. Ele parece sensível.
— Você o observou bem — Dohyun retrucou com sarcasmo. — Não se preocupe, eu não vou deixar que ele se machuque.
Parecia uma promessa solene.
— Eu não vou tropeçar como aqueles veteranos. E não vou deixar o Wooyeon tropeçar também. Meu bebê cresceu muito bem, então não vou deixá-lo cair desse jeito.
O conteúdo era alegre, mas o tom era sério. Wooyeon esfregou a orelha e abaixou o olhar. “Ele cresceu tão bem”. Não era mentira, mas ouvir aquilo de outra pessoa era estranho.
— Então, não se preocupe. Primeiro a Moon Garam, e agora você; eu não sabia que eu era o tipo de pessoa em quem ninguém confia — Dohyun disse, com um espinho escondido em sua voz suave. Era um tom que ele nunca usava com Wooyeon.
Minjeong perguntou: “Garam?”, mas logo continuou: — Eu não deveria dizer isso, já que só o vi duas vezes… mas o Wooyeon é um pouco… peculiar. Meu coração estranhamente se compadece dele.
— …..
— Não estou dizendo que estou interessada, então relaxe esse rosto. O Yoonwoo Oppa não disse que sua cara entrega tudo?
Ela sentia por ele, mas também o achava peculiar. Ao contrário do tom indiferente, o conteúdo transbordava afeição. Dohyun, que ouvia em silêncio, respondeu levemente: — Bem, se ele é bonito aos meus olhos, deve ser bonito aos olhos dos outros também.
Wooyeon sentiu-se ainda mais envergonhado e pensou em se levantar. Ele preferia não ouvir elogios assim; sentia que não combinavam com ele. Quando a conversa pareceu terminar, ele planejou fingir que nada aconteceu e voltar para dentro.
Mas ele não podia simplesmente deixar os dois sozinhos e entrar. Assim que deu um passo, o celular em sua mão vibrou. Ding! O susto o fez estremecer.
— Ah…!
Ele não caiu, mas o aparelho escapou de seus dedos. O telefone voou e atingiu o chão com um baque surdo. Wooyeon arregalou os olhos ao ver o dispositivo estirado no asfalto.
— Você ouviu alguma coisa? — perguntou Minjeong.
Por que os celulares sempre caíam com a tela para baixo? Ele torcia pelo melhor, mas o som do impacto indicava que a tela provavelmente estava estraçalhada. O medo de confirmar só aumentava.
— Huh? Que som?
— Ouvi algo caindo…
Antes que pudesse reagir, ouviu o som de passos. Dohyun saiu do beco e o encarou.
— …..
— …..
Dohyun pareceu surpreso. Wooyeon, à beira das lágrimas, sussurrou com a voz embargada:
— Sunbae…
— …Yeon-Ah.
Dohyun aproximou-se e inclinou-se para olhar nos olhos de Wooyeon. Seus olhos carregavam emoções complexas, mas Wooyeon só conseguia pensar no estrago.
— Desculpe.
— …O quê?
— Vou te dar um telefone novo, eu sinto muito mesmo.
Não foi preciso explicar. Wooyeon olhou para baixo e Dohyun seguiu seu olhar, pegando o aparelho lentamente enquanto Minjeong aparecia.
— O que houve? — perguntou ela.
Como esperado, a tela estava um mosaico de rachaduras. O rosto de Wooyeon empalideceu. Dohyun suspirou e murmurou: — …O que eu deveria dizer?
Houve um alívio estranho em sua voz, apesar do prejuízo. Wooyeon estendeu a mão, sem conseguir encará-lo. — Eu não fiz de propósito. Vim trazer porque você recebeu ligações…
— Tudo bem — Dohyun apertou o botão lateral. Tirando os cacos, a tela ainda ligava. Ele guardou o telefone no bolso. — Pode ser consertado. Não se preocupe com isso.
Dohyun foi incrivelmente calmo. Ele abriu a sacola plástica que trazia; tinha comprado sorvetes Jju Jju Bar para todos. Escolheu o de chocolate, abriu e entregou a Wooyeon.
— Foram várias chamadas — insistiu Wooyeon.
— Eram apenas chamadas de spam. Você não precisava atender.
Wooyeon mordeu a ponta do sorvete, que já estava levemente derretido. Mas algo ainda o incomodava. Dohyun semicerrou o olho esquerdo, examinando o rosto dele, e perguntou com a voz subitamente rígida:
— Quanto você ouviu?
***
Ao retornar para a mesa, Wooyeon começou a beber sem parar. Taegyeom estava experimentando soju de frutas pela primeira vez, então pediram vários tipos: uva, ameixa, morango… um total de doze garrafas.
— Este aqui… e este… são deliciosos — murmurou Wooyeon, piscando para tentar focar a visão embaçada.
— O Wooyeon está bêbado? — Yoonwoo perguntou preocupado. Dohyun franziu os lábios, observando-o em silêncio.
— Eu não estou bêbado — Wooyeon falou pausadamente. Por fora, parecia sóbrio, mas sua mente estava uma nuvem.
“Eu ouvi tudo desde o começo”. Tinha sido sua resposta lá fora. Ele não estava exatamente bravo, mas a descoberta de vestígios de outra pessoa — o assistente Yoonwoo — no passado de Dohyun o deixava amargo. Mesmo sabendo que os sentimentos de Dohyun haviam mudado, o fato de existir uma história que ele não conhecia o irritava profundamente.
— Yeon-Ah. — Dohyun segurou seu pulso gentilmente, impedindo-o de levar o copo à boca. — Pare de beber agora.
— …Por quê?
— Porque se você começar a emitir feromônios aqui, teremos um problema.
Wooyeon mordeu a língua. Olhou para Taegyeom e Garam sentados à frente; realmente, não podia perder o controle ali. Relutante, ele encostou a cabeça no peito de Dohyun. Sentiu o alfa estremecer quando ele enterrou o rosto em seu pescoço.
— Eu… esta noite… — Wooyeon respirou o cheiro seco e forte de Dohyun. — Quero dormir na sua casa.
Eles saíram antes do fim da festa. Wooyeon perdeu a consciência em flashes durante o trajeto. Lembrava-se de ser carregado, de ganhar uma boneca branca em uma máquina de garras e de se agarrar à cintura de Dohyun pedindo: “Por favor, me abrace”.
Dohyun sussurrou em seu ouvido: — Yeon-Ah, paciência é uma virtude.
Quando Wooyeon acordou, era madrugada. O quarto estava mergulhado em um tom azulado. A realidade voltou como um balde de água fria: ele estava nos braços de alguém.
Muito cuidadosamente, ele tentou remover os braços enrolados em sua cintura. Não precisava perguntar de quem eram. Só precisava fugir antes de passar vergonha por ter ficado bêbado de novo.
Mas, antes que pudesse se levantar, uma força irresistível o puxou de volta.
Com um baque, ele caiu na cama. Os braços de Dohyun o envolveram com ainda mais força, trazendo-o para perto. O calor e os feromônios do alfa o cercaram por trás.
— Yeon-Ah — a voz em seu ouvido foi um choque elétrico. — Onde você pensa que vai?
Seu coração batia forte, ecoando no silêncio do quarto. A respiração que roçava sua nuca parecia quente e estranha. Enrolado firmemente nos braços do alfa como um cobertor, era impossível para ele se mexer ou se virar.
— …Eu estava indo ao banheiro.
Sua voz saiu contida, quase um sussurro. Embora achasse uma boa desculpa, Wooyeon não acreditava que Dohyun o deixaria escapar.
— Banheiro? — Dohyun perguntou e riu, como se tivesse ouvido algo fascinante.
Toda vez que ele falava, seus lábios roçavam a nuca de Wooyeon. A sensação áspera, porém suave, aguçava seus sentidos já sensíveis. Wooyeon encolheu os ombros e prendeu a respiração, mas Dohyun apenas pressionou mais os lábios contra sua orelha.
— Você está tentando fugir de novo?
Um som úmido e embaraçoso ecoou quando os lábios de Dohyun encontraram o ouvido de Wooyeon. Pressionando-os mais uma vez, ele sussurrou: — Você bebeu muito ontem à noite.
Wooyeon sabia disso sem precisar de confirmação. Ele havia excedido seu limite e, felizmente, sua memória não tinha se apagado por completo — pelo menos até chegar à casa de Dohyun; depois disso, tudo era uma lousa em branco.
— Ajudei você a se lavar e troquei sua roupa.
Só então Wooyeon percebeu que as roupas eram outras. A camiseta era grande demais e cheirava intensamente aos feromônios de Dohyun. Era, sem dúvida, dele.
— Você… me lavou?
— Sim, eu lavei.
Dohyun respondeu despreocupadamente e se pressionou ainda mais contra ele. Suas costas e o peito do alfa estavam colados. A mão grande de Dohyun subiu pelo pescoço de Wooyeon, segurando seu queixo e virando seu rosto para encará-lo.
— Assim como da última vez.
Seus olhos se encontraram. Antes que Wooyeon pudesse processar o significado daquela “última vez”, Dohyun sorriu gentilmente. — Mas e se você for embora assim?
— …Eu não estava tentando ir embora.
Embora Dohyun estivesse sorrindo, um arrepio percorreu a espinha de Wooyeon. Quanto mais ele tentava se esquivar, mais persistentemente o alfa o segurava.
— Eu realmente preciso ir ao banheiro… — gaguejou, mas Dohyun não prestou atenção. Os lábios do professor roçaram a lateral de sua orelha e desceram para seu queixo. Uma sensação elétrica surgiu em seu baixo ventre.
— Eu, eu realmente sinto que vou…
Antes que ele pudesse piscar, seus lábios se encontraram. Dohyun segurou firmemente o queixo de Wooyeon, deslizando a língua entre seus lábios. Incapaz de afastá-lo, Wooyeon fechou os olhos com força. Havia um calor persistente — do álcool, da manhã ou dos feromônios, ele não sabia. Sentia apenas a pressão enquanto Dohyun explorava sua boca.
Como se tentasse acalmá-lo, Dohyun deu um tapinha gentil em seu peito. Quando Wooyeon soltou um gemido confuso, o alfa separou os lábios e ajustou a postura. Apoiando as mãos na cama, ele se inclinou sobre Wooyeon.
— É uma sensação boa?
Sua voz rouca parecia uma tentação. Wooyeon assentiu lentamente, com o rosto em brasas. Dohyun o observou por um longo tempo, analisando cada detalhe: olhos, nariz, lábios, cada cílio. No momento em que o olhar de Dohyun se intensificou, seus lábios se uniram novamente.
O beijo foi muito mais assertivo. Dohyun envolveu os braços de Wooyeon em seu pescoço, com um senso de urgência que não existia antes.
— Mmm…
Wooyeon agarrou-se desesperadamente a ele. Seu abdômen formigava; ele não conseguia recuar. Tudo o que podia fazer era contorcer os quadris, tentando absorver mais daqueles feromônios. Quando se separaram, a respiração de ambos estava curta e quente.
— …Yeon-Ah.
Para Wooyeon, aquele chamado era mágico. Uma única palavra do professor limpava sua mente. Dohyun mordiscou seu lábio inferior e perguntou: — Você se lembra do que eu disse ontem?
Wooyeon engoliu em seco, o pomo de Adão oscilando. Mesmo sem resposta, Dohyun continuou calmamente: — Uma vez quando você estava bêbado, uma vez durante seu cio e uma vez ontem à noite.
O tom era afetuoso, mas o olhar era sinistro, quase um aviso. — Acabou depois de três vezes.
Wooyeon não era tolo. A enxurrada de feromônios deixava o recado claro.
— …Eu nunca disse para você se conter três vezes.
Dohyun riu da resposta atrevida. — Posso tocar em você, então?
Sem esperar, Dohyun abaixou a mão. Sua palma o provocou rudemente entre as pernas, sobre o tecido. A sensação da carne endurecida sendo tocada fez os pelos de Wooyeon se arrepiarem.
— Você está excitado.
— Ah, não…
Onde estava a confiança de antes? Wooyeon recuou ao toque, mas Dohyun riu suavemente. — Não? — Ele pressionou a palma firmemente. Wooyeon se curvou, enterrando o rosto no pescoço do alfa. Após ouvir o menor implorar baixinho, Dohyun sussurrou: — Então, posso usar a boca em você?
***
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna