Capítulo 10
Alpha Traum, Capítulo 10 – ❀ Cotton candy
O festival se aproximou num piscar de olhos, esgueirando-se bem debaixo do nariz dos participantes. Apesar do nome “Festival da Flor de Cerejeira”, as cerejeiras estavam abundantes com folhas em vez de flores, mas a atmosfera era tão animada quanto o verão que se aproximava.
Em meio a todos ocupados com os preparativos, Wooyeon estava passando os dias em um turbilhão por um motivo diferente.
“Estamos namorando?”
Naquele dia, enquanto esclareciam seu relacionamento no terraço, compartilharam calor por um longo tempo antes de se afastarem. Puxar Wooyeon para seus braços no transe do primeiro beijo marcou o início de seu relacionamento com Dohyun. Deixando para trás Wooyeon, que estava lamentavelmente desejando mais, ele terminou o jantar e se levantou.
“Estamos realmente namorando?”
Wooyeon perguntou várias vezes até chegar à porta. Era realmente verdade que estavam namorando e que aquilo não era apenas um sonho? Será que tudo seria esquecido até amanhã?
A princípio, Dohyun respondeu calmamente, mas depois que a mesma pergunta foi repetida cerca de cinco vezes, ele falou sério com um olhar determinado:
— Se você repetir mais uma vez, eu dormirei aqui.
Embora o conteúdo não fosse ameaçador, o tom era próximo disso. Dohyun beijou levemente o subjugado Wooyeon e prontamente voltou para casa. Wooyeon se arrependeu tardiamente, pensando: “Eu deveria ter perguntado mais uma vez”, mas o elevador que levava Dohyun já havia descido.
Wooyeon estava perdido em um estado nebuloso até pouco antes de adormecer. Os feromônios que permaneciam na casa e o calor deixado em seus lábios faziam as profundezas de seu estômago queimarem. Parecia que seus sentidos ficariam aguçados, como num ciclo de cio, se ele deixasse de lado até mesmo um pouco de racionalidade.
Era inevitável. Apesar de ter uma queda por Dohyun por um longo tempo, Wooyeon nunca desejou um relacionamento com ele. Até mesmo abrigar sentimentos de afeição parecia exagerado, então ele tentou suprimir essas emoções várias vezes. Para Wooyeon, Dohyun era alguém que ele só podia admirar, desejar e atrair, como uma miragem.
Mas agora estavam em um relacionamento. Trocaram palavras de carinho e compartilharam um beijo cheio de amor. O calor se misturando profundamente dentro deles parecia tão viciante que parecia que apareceria nos sonhos de Wooyeon naquela noite. Só uma vez. Sim, foi só uma vez, afinal.
— O Wooyeon já chegou?
No dia do festival altamente antecipado, Wooyeon chegou à sala do clube mais cedo do que o horário combinado. Era cerca de uma hora antes do normal, mas Garam e alguns veteranos já estavam lá. Eles estavam lendo as instruções com atenção enquanto colocavam uma máquina de algodão-doce na mesa.
— Para onde foi o sênior Dohyun?
Wooyeon se aproximou da mesa familiarmente, procurando por Dohyun. Como presidente do clube, ele teria chegado mais cedo do que qualquer um, mas Dohyun não estava à vista. Como esperado, Garam respondeu casualmente:
— Ele foi buscar algo bem rápido. Já volta.
Sentindo-se decepcionado e aliviado ao mesmo tempo, Wooyeon pressionou os lóbulos das orelhas e respirou fundo, encontrando conforto no fato de que tinha algum tempo para se preparar mentalmente.
— Então, adicione açúcar aqui…
Assim como Garam disse, Dohyun retornou à sala do clube em menos de cinco minutos. Foi no momento em que os membros do clube fizeram uma bagunça tentando fazer seu primeiro algodão-doce, como se tivessem descoberto um tesouro, que ele abriu a porta e entrou com uma grande caixa em uma mão.
E quando ele virou a cabeça, seus olhos encontraram os de Wooyeon.
— …..
— ….Olá.
O olhar deles permaneceu fixo por um longo tempo. Embora Wooyeon o cumprimentasse, Dohyun o encarou sem piscar. Seus olhos continham emoções que não podiam ser expressas apenas com palavras.
— O Kim Dohyun chegou? Ei, olha isso. Nosso algodão-doce está incrível.
Garam quebrou casualmente o silêncio sutil. Dohyun tinha muitas coisas que queria dizer, mas, por enquanto, desviou o olhar de Wooyeon. Então, ele franziu a testa enquanto olhava para o algodão-doce (ou o que quer que fosse aquilo) que Garam havia oferecido.
— …Isso é para ser algodão-doce?
Só então Wooyeon exalou profundamente, colocando a mão no peito. O bater do seu coração devia estar evidente pelo seu rosto corado. Se Garam não tivesse falado, ele certamente teria saído correndo da sala do clube em pouco tempo.
— Fazer parecia fácil. Mas vendo isso, talvez não.
— Esse bastardo acha que pode competir com nossa obra-prima. Tente fazer você mesmo.
Já fazia uma semana que Wooyeon e Dohyun começaram a namorar. Sempre que se encontravam, Wooyeon exibia reações tão estranhas. Não era porque o relacionamento alterado parecia pesado ou que o romance repentino parecia estranho, nem mesmo porque ainda não parecia real. Era simplesmente porque olhar para Dohyun o deixava envergonhado demais para sequer levantar a cabeça.
“Devo estar louco.”
O motivo da reação de Wooyeon retornava ao dia em que começaram a namorar. Naquele dia, intoxicado por várias emoções, Wooyeon encontrou uma situação inacreditável em seu sonho. Isso mesmo, exatamente no mesmo momento em que ele estava bêbado e gozou na mão de Dohyun.
“Por favor, tire esses shorts.”
O esquecimento não era de forma alguma uma bênção eterna. As memórias que ocasionalmente surgiam na época eram tão vívidas no sonho que Wooyeon até se lembrava do que queria dizer quando pedia “uma mão”. O prazer da mão grande, a sensação de quase gritar ao segurá-lo e a sensação de gozar. Sim, se tivesse terminado ali, Wooyeon não teria ficado tão envergonhado.
— Passe-me a tesoura. Esta fita não corta.
— O que é aquilo?
O verdadeiro problema foi acordar na manhã seguinte e encontrar a parte de baixo de seu pijama úmida. Ele não era um adolescente passando pela puberdade, nem estava no ciclo de cio, mas teve um sonho erótico com Dohyun. Autoaversão e constrangimento. Em meio a toda a turbulência, Wooyeon se viu, pela primeira vez na vida, lavando a própria cueca.
— Ah, as tiaras chegaram!
Naturalmente, desde aquele dia, Wooyeon tinha evitado Dohyun como um louco. Sabia que Dohyun ficaria confuso e que não era certo evitá-lo assim, mas sempre que tentava organizar seus pensamentos, seu corpo agia primeiro. Dohyun seguiu Wooyeon com os olhos, mas como estava ocupado com os preparativos do festival, não pediu explicações.
— Também tem uma camiseta.
— Uau, isso é muito fofo. Wooyeon, venha aqui. Vamos testar tudo em você.
Enquanto Wooyeon se afogava em vergonha, aproximou-se de Garam com o rosto vermelho como uma beterraba. A caixa que Dohyun trouxe continha itens que tinham pedido após não conseguirem chegar a um acordo no dia anterior. Orelhas de gato, orelhas de coelho e até fitas.
— Ok, tente este primeiro.
Garam tirou uma tiara com orelhas de coelho e ofereceu a Wooyeon. Ele olhou para o objeto franzindo a testa. A tiara era preta e as orelhas eram brancas, então, se fosse usada em cabelos pretos, apenas as orelhas se destacariam.
— …Eu realmente tenho que usar isso?
Se tivesse sorte, ele poderia ser grato por seu cabelo estar castanho de tanto tingi-lo. Garam assentiu com uma expressão séria.
— Claro. Outros podem não usar, mas você tem que usar, Wooyeon.
— Isso mesmo, o mais novo sempre veste primeiro.
— Mais novo, apresse-se e experimente.
Wooyeon recebeu a insistência dos membros do clube. Ele sentiu o olhar de Dohyun firmemente fixado nele. Enquanto Wooyeon hesitantemente colocava a tiara, muitos olhos brilhantes focaram nele.
— Isso parece estranho…
Mesmo sem olhar no espelho, sentiu que devia estar parecendo ridículo. Afinal, nem Dohyun estava olhando para ele com aquela cara séria? Incapaz de superar o constrangimento, Wooyeon tocou as orelhas de coelho. Garam engoliu em seco.
— Ei, isso é…
Foi nesse momento que Dohyun, que estava quieto até então, aproximou-se de Wooyeon. Seu toque rápido e preciso removeu a tiara da cabeça dele. Naquele momento, Wooyeon parou de respirar e congelou com a proximidade.
— Tente mais tarde, não agora.
Dohyun disse aquilo e jogou a tiara de volta na caixa. Sua expressão, agora fria, parecia inesperadamente brava. Wooyeon esqueceu que o estava evitando e perguntou com uma voz ressentida:
— É tão difícil para você olhar para mim desse jeito?
Dois olhares se chocaram. Um era o olhar de Dohyun e o outro era o de Garam. Em meio aos membros do clube perplexos, Garam sorriu, revelando sua diversão.
— Oh, não gosta das orelhas de coelho? Que tal orelhas de gato então?
Com uma expressão alegre, ela tirou diferentes tipos de tiaras. Enrolou-as entre os dedos e estendeu o pacote em direção a Wooyeon. Seu sorriso era contagiante. Naturalmente, Wooyeon recusou com uma expressão envergonhada.
— Eu não vou usar.
Mesmo que não gostasse particularmente, qual era o sentido de tirá-lo sem dizer uma palavra? Ele não queria usá-lo de qualquer maneira, mas sentia-se envergonhado sem motivo.
— Ah, vamos lá, experimente as orelhas de gato.
— Eu não quero. Você está me provocando, Noona?
— Esse garoto… Não entende nada do coração da Noona.
Garam persistiu e empurrou a tiara em Wooyeon. De alguma forma, a atmosfera lúdica se espalhou, e até mesmo os outros membros estavam entrando na conversa. Mais uma vez, Dohyun foi quem interveio.
— Não o force a usar se ele não quiser.
Dohyun sentou-se no sofá e casualmente puxou o braço de Wooyeon para sentar-se ao seu lado. Assustado, Wooyeon acomodou-se, com uma expressão confusa. Tentou se levantar imediatamente, mas Dohyun foi mais rápido.
— Olha, seu cabelo está uma bagunça.
Ele virou o corpo em direção a Wooyeon, passando os dedos pelos cabelos dele. Da testa para o lado e para trás da cabeça, seu toque era meticuloso demais para ser chamado de mera “arrumação”. Enquanto o rosto de Wooyeon ficava vermelho, um dos membros do clube perguntou hesitantemente:
— …Vocês dois estão namorando?
Um silêncio se instalou na sala do clube. Wooyeon só conseguiu revirar os olhos, sentindo-se inseguro sobre como responder. Eles não tinham exatamente tentado manter aquilo em segredo, mas ele se perguntou se estava tudo bem falar sobre isso tão abertamente. No entanto, antes que pudesse fazer qualquer coisa, Dohyun respondeu:
— Sim.
Dohyun gentilmente tocou o lóbulo da orelha de Wooyeon uma última vez antes de retirar a mão. Embora a mão tivesse sido removida, parecia que seus feromônios permaneceram onde ele tocou. Enquanto Wooyeon gaguejava, Dohyun franziu as sobrancelhas.
— Eu estava tentando não dar na cara…
Embora estivesse sério, ele parecia estranhamente satisfeito. Dohyun olhou para os membros do clube e levantou os cantos dos lábios.
— Parece que eu me entreguei de bandeja.
Ninguém acreditou nessas palavras. Apenas Wooyeon, com uma expressão confusa, olhou ao redor. Garam murmurou um “Bastardo nojento”, mas sua voz baixa não alcançou os ouvidos dele.
Os membros prontamente mudaram o foco e os bombardearam com todo tipo de perguntas, como se estivessem esperando por esse momento. Enquanto Dohyun respondia despreocupadamente, ele finalmente disse a Wooyeon: — Eu não vi dessa forma, mas acho que me falta consciência — e apertou firmemente sua mão.
Wooyeon teve que ficar sentado no sofá, segurando a mão dele até que toda a atenção se dissipasse. Feromônios eram emitidos pelo calor do toque, mas ele suprimiu qualquer reação. Sempre que tentava se esquivar, os dedos de Dohyun se entrelaçavam aos seus com ainda mais força.
Felizmente, logo os membros do clube voltaram a se preocupar com o festival. Conforme a hora de ir embora chegava, começaram a arrumar as malas. Wooyeon tentou se levantar, mas os outros foram mais rápidos.
— Estaremos lá fora nos preparando!
— Não tenha pressa, não tenha pressa.
— Nos vemos em breve, Wooyeon!
Antes que ele pudesse reagir, esvaziaram a sala. A agilidade para levar a máquina de algodão-doce e o açúcar foi sem precedentes. Quando Garam estava prestes a largar a caixa de tiaras e camisetas, ela semicerrou os olhos para os dois.
— Leve isso com você.
Sem olhar para trás, ela saiu. A única coisa que restou entre Wooyeon e Dohyun foi aquela caixa solitária. Assim que todos se foram, Dohyun soltou a mão dele e vasculhou o conteúdo.
— Por que você veio tão cedo hoje?
— Huh? Ah, eu não consegui dormir… — respondeu Wooyeon, mexendo nervosamente na mão ainda quente.
Pensando se deveria lavá-la para tirar o rastro dos feromônios, ele se surpreendeu quando Dohyun ofereceu algo.
— Você quer experimentar?
Era a tiara de coelho de antes. Wooyeon franziu a testa; não entendia por que ele queria que a usasse agora, sendo que a tinha tirado antes. Em vez de entregar o objeto, Dohyun puxou levemente seu queixo.
— Venha aqui.
Como sempre, se era um comando do seonsaeng-nim, seu corpo reagia. Dohyun colocou a tiara cuidadosamente. Wooyeon apenas se encolheu com o toque, observando-o sem resistência.
— Você parece bem. — Dohyun assentiu, satisfeito. Ele examinou cada detalhe do rosto de Wooyeon, cobrindo a própria boca e apertando os olhos. — É fofo.
Por um momento, Wooyeon ficou sem palavras. O tom de voz soou excessivamente doce.
— Você é fofo mesmo sem ela.
Wooyeon tirou a faixa, com o pescoço corando. Enquanto a jogava na caixa, Dohyun estalou a língua com pesar.
— Eu não estava brincando com você. Vamos tentar esta aqui desta vez.
O que ele ofereceu agora foi a tiara de orelhas de gato: fofa, branca por fora e rosa por dentro.
— …A Garam Sunbae é sua Noona?
— Sim, ela é a Noona e eu sou o sunbae.
Apesar dos protestos, Dohyun colocou a tiara nele. Sentados lado a lado, não havia para onde escapar. Após ajustar o cabelo de Wooyeon, Dohyun sorriu largo.
— É fofo. Tudo bem, então vamos conversar agora.
Com o braço sobre o encosto do sofá, Dohyun acariciou a nuca de Wooyeon. O toque era terno, fazendo cócegas. Wooyeon desviou o olhar, sentindo o calor das memórias daquele dia voltarem: a sensação em seu membro, as palavras sussurradas, até os palavrões que Dohyun murmurou.
Vê-lo proferir “Foda-se, eu não sei” tinha sido surpreendentemente sexy.
— Yeon-Ah. O que eu fiz de errado? — perguntou Dohyun, tocando a bochecha de Wooyeon com o polegar. — Por que você está me evitando?
— É que… as coisas estão um pouco… — Wooyeon não podia confessar que ele tinha aparecido em seus sonhos eróticos.
— Você não gostou do beijo?
— Não! — Wooyeon respondeu rápido demais. — Isso… eu gostei. Sério.
Dohyun olhou para ele com os olhos semicerrados. — Realmente?
— Realmente — Wooyeon engoliu em seco, umedecendo os lábios secos com a língua.
Dohyun falou gentilmente: — Assim, coloque a língua para fora.
— …..?
Wooyeon obedeceu. Antes que pudesse perguntar o motivo, Dohyun segurou firme a parte de trás de sua cabeça e capturou sua língua com os lábios.
— …Ah!
Os dentes de Dohyun mordiscaram levemente a ponta da língua dele. Antes que Wooyeon pudesse se afastar, Dohyun forçou sua língua contra a dele. Parecia que sua mente estava derretendo. Os feromônios se misturaram profundamente. Dohyun sugou a língua dele, inclinou a cabeça e ajustou a postura.
Dohyun sentiu Wooyeon gemer e riu contra seus lábios, achando o som fofo. Ele pegou a mão hesitante de Wooyeon e a colocou em volta de seu próprio pescoço. O segundo beijo foi mais intenso. Wooyeon liberava ondas de feromônios ômega involuntariamente.
Toda vez que a língua de Dohyun roçava o céu de sua boca, uma tensão corria para seu abdômen inferior. Wooyeon piscou e empurrou os ombros de Dohyun com força.
— …Por quê? — perguntou Dohyun, sem entender, com os lábios ainda úmidos.
Wooyeon cobriu a boca com a mão, os olhos úmidos e trêmulos. O olhar de Dohyun desceu lentamente para a reação óbvia nas calças de Wooyeon.
Não houve conversa. Wooyeon simplesmente saiu correndo da sala do clube sem olhar para trás.
Ele se trancou no banheiro no fim do corredor, inundado por autoaversão.
“Ele deve ter visto.”
Por que seu corpo reagia tão fortemente a apenas um beijo? De todas as vezes, por que sua camisa tinha que estar por dentro das calças, tornando o volume tão perceptível? Wooyeon arrancou a tiara de gato que ainda usava e jogou água fria no rosto, mas a excitação não diminuía.
“Eu quero morrer…”
Quão pervertido ele deve ter parecido para o professor? Só de pensar nisso, tudo escureceu diante de seus olhos.
Quando Wooyeon saiu do banheiro, mais tempo havia se passado do que ele havia previsto. Incapaz de encarar Dohyun ainda, não voltou para a sala do clube e, em vez disso, saiu direto. Mesmo sem terem se falado, parecia que Dohyun esperava que Wooyeon fosse embora primeiro, pois saiu da sala logo depois carregando uma caixa.
Depois de terminarem de montar o estande, todos retornaram após trocarem de roupa. As tiaras foram distribuídas por ordem de chegada, e Wooyeon acabou ficando com a de coelho. Dohyun, tendo acabado de distribuir as roupas, tinha ido para algum lugar, então não havia ninguém para impedir as brincadeiras dos membros do clube.
— Ei, o Kwon Seongyu não tem talento?
Seongyu, que chegou atrasado, inesperadamente mostrou habilidade em fazer algodão-doce. O formato perfeitamente redondo que ele criava era completamente diferente das tentativas desastrosas dos veteranos. Ele ergueu a nuvem doce, com os olhos brilhando.
— Se eu não conseguir um emprego, talvez ganhe dinheiro com isso.
— O calouro faz declarações bastante esperançosas — Garam zombou, quebrando a determinação de Seongyu. Sobre a cabeça de Garam havia orelhas de gato, enquanto uma fita vermelha brilhante adornava a de Seongyu. Nela combinava, mas Seongyu parecia desconfortável. — Wooyeon, quer experimentar um pouco?
Wooyeon, perdido em pensamentos, despertou ao ouvir a voz de Seongyu. Dohyun ainda não havia retornado e, por causa disso, ele estava mergulhado em reflexões sobre a situação deles. Se Seongyu não tivesse falado, ele teria permanecido ali parado como uma estátua.
— Aqui, pegue um pouco.
Wooyeon aceitou o doce, mas não conseguia se livrar do mal-estar. Sentia-se desconfortável a ponto de perder o apetite, arrependido por ter mostrado um lado tão “feio” de si mesmo mais cedo.
Certamente, ele nunca foi de desejos fortes. Quando era jovem, tinha apetite por doces apenas para aliviar o estresse. Seu desejo sexual era muito menor comparado aos ômegas típicos; raramente se envolvia em autoprazer, mesmo nos ciclos de cio, já que usava supressores. Então, fantasiar sobre Dohyun daquela forma era algo que normalmente nunca aconteceria.
“Gostaria que o chão me engolisse.”
— Hah…
Uma voz familiar ressoou ao seu lado. Wooyeon endireitou o corpo, virando a cabeça com um movimento travado. Dohyun, vestindo a camiseta rosa combinando que todos escolheram, estava se aproximando.
— Oh…. Quando você veio?
— Agora mesmo — Dohyun respondeu casualmente enquanto pegava o algodão-doce da mão de Wooyeon. Seu olhar afetuoso varreu Wooyeon da cabeça aos pés. Toda vez que os olhos se cruzavam, Wooyeon estremecia, encolhendo os ombros.
— Um coelho.
Sua voz era ambígua. Parecia estar de bom humor, mas de alguma forma também parecia contrariado. Embora tivesse dito que ele era fofo na sala do clube, agora não parecia particularmente satisfeito.
— Os Sunbaes me disseram para usar… — Wooyeon justificou-se, distanciando-se cautelosamente. Ele temia que Dohyun estivesse chateado por ele ter fugido após o beijo, mas o constrangimento o impedia de pedir desculpas. — …Algo errado?
— Não, não há nada errado — felizmente, Dohyun suavizou a expressão e riu levemente. O sorriso dele era tão radiante que chegava a cegar, mesmo que houvesse algo ligeiramente sinistro ali. — O Seongyu que fez isso?
— Sim, ele leva jeito.
— É, ele provavelmente poderia vender algodão-doce.
Wooyeon mexeu no lóbulo da orelha, roubando olhares. Como Dohyun fingiu não notar o climão, ele conseguiu suportar. O “professor” parecia maduro o suficiente para ignorar o comportamento estranho do namorado.
— Você já experimentou?
— Não.
Dohyun, vestindo rosa e segurando o doce, parecia incrivelmente legal. Wooyeon não tinha percebido como cores brilhantes ficavam bem nele. Além disso, estando lado a lado com roupas iguais, pareciam um casal, o que fazia seu coração palpitar.
— Eu realmente ia fazer isso para você… — a voz de Dohyun sumiu enquanto ele rasgava um pedaço do doce com a mão direita. Ele ofereceu o pedaço pequeno a Wooyeon. — Aqui, abra a boca.
Wooyeon sentiu os olhares do grupo. Com as bochechas coradas, hesitou. Quando tentou se virar para fugir da atenção alheia, Dohyun sorriu de canto.
— Vamos terminar o que estávamos falando antes?
— …OK.
Wooyeon abriu a boca imediatamente. Dohyun, satisfeito, deu-lhe o pedaço. Quando o açúcar tocou sua língua, os olhos de Wooyeon se arregalaram.
— É gostoso?
— …É delicioso.
— Quer mais?
Wooyeon assentiu ansiosamente. Dohyun sorriu feliz enquanto destacava outro pedaço. — Achei que você gostaria. É feito de açúcar, então só pode ser doce. Quer mais?
Enquanto esperava o próximo pedaço, Dohyun fez uma sugestão em tom caloroso: — Você quer tentar fazer um?
Para encurtar a história: Wooyeon não tinha talento nenhum para aquilo. Dohyun até conseguiu um formato decente, mas Wooyeon fez todos no clube desistirem. Tudo o que ele precisava fazer era enrolar o açúcar no palito, mas os fios grudavam na mão dele em vez de no suporte.
— A máquina está com defeito? — reclamou, mas ninguém concordou. Dohyun apenas virou o rosto para o lado, segurando o riso. Garam balançou a cabeça e tirou o palito da mão dele.
— Wooyeon… a Noona normalmente não diz isso, mas apenas compre e coma.
Ele olhou para as mãos pegajosas, derrotado. Dohyun tirou um lenço umedecido da caixa. — Dê-me sua mão, eu limpo para você.
Enquanto limpava meticulosamente os dedos dele, Dohyun caía na gargalhada ocasionalmente, murmurando que o desastre de Wooyeon era “fascinante”. Wooyeon obedeceu, mas quando Dohyun riu pela terceira vez, ele retrucou: — Por que você não está usando uma tiara, Sunbae?
Dohyun jogou o lenço no lixo e encarou Wooyeon. — Eu deveria?
Seus dedos longos tatearam as costas da mão de Wooyeon. Quando o polegar dele fez cócegas em sua palma, Wooyeon sentiu uma tensão correr por sua espinha. Tentou puxar a mão, mas Dohyun a segurou firme.
— Você continua tentando fugir, Wooyeon.
O toque parecia vívido demais. Era estranho, como se estivessem se beijando apenas através das mãos. — Se você continuar fugindo assim, vou começar a me sentir estranho.
Wooyeon tensionou os dedos. Se relaxasse, sentia que seus feromônios jorrariam como uma inundação.
— Eu não vou fugir…
Somente então Dohyun soltou sua mão. Wooyeon já estava vermelho como a fita de Seongyu. Tentou tocar a orelha, mas lembrou que os feromônios de Dohyun estavam em sua palma.
— Sunbae! Pode me ajudar com isso? — Dohyun foi chamado por outro membro. Ele acariciou gentilmente a nuca de Wooyeon, instruindo-o a continuar comendo, e se afastou.
— Ei, isso é demais. Estamos trabalhando e ele diz para você ficar comendo — Garam comentou, mas logo amoleceu. — Bem, ainda não terminamos tudo. Coma este também, Wooyeon. Fiz em formato de coração.
Wooyeon aceitou o doce, tentando acalmar o coração que batia como se tivesse corrido uma maratona. Viu Dohyun conversando calmamente com os outros sobre os banners. A diferença de postura era clara: Wooyeon estava inquieto e ansioso, enquanto Dohyun permanecia composto.
“Eu não deveria pedir mais.”
Dohyun era doce em palavras e ações, mas era só isso. Wooyeon ainda não tinha certeza do porquê Dohyun gostava dele ou da intensidade desse sentimento. Naquela relação, sentia que nunca estaria em uma posição de igualdade.
Antes de começar o negócio, eles se lançaram em uma promoção em larga escala. Seongyu misturou rosa e azul-celeste para fazer algodão-doce com sabor de uva, e decidiram usá-lo para atrair clientes junto com banners pré-fabricados. Eles não tinham decidido quem faria a promoção, mas, surpreendentemente, Garam assumiu a liderança.
— Vocês todos confiam em mim? Hoje, estou assumindo a responsabilidade pelo negócio — Garam declarou confiante, segurando o doce em uma mão e uma faixa na outra. As faixas tinham frases como “Algodão-doce” e “Doces tradicionais”. A caligrafia elegante e os desenhos adoráveis pareciam polidos.
— Você vai sozinha? — Wooyeon piscou, perplexo. Ele pensou que deveria ir, já que não era o melhor em fazer os doces. Embora Dohyun tivesse dito que não o forçaria, Wooyeon não achava que seria útil ficar apenas na barraca. Mas ninguém lhe deu atenção.
— Só confie em mim. Se o nosso Wooyeon for promover, alguém pode simplesmente sequestrá-lo.
— A mesma conversa de sempre — Dohyun riu levemente e colocou a mão no ombro de Garam. Em vez de desejar sorte, ele a empurrou para frente, pedindo que fosse rápido.
— Você realmente vai enviar a Garam sozinha? — Seongyu perguntou, mas os veteranos responderam casualmente. Era sempre ela quem ia, e sua habilidade em lidar com a promoção era impressionante.
— Vamos parar de nos preocupar com a Moon Garam e nos preparar — Dohyun organizou a atmosfera e tomou seu lugar em frente à máquina. Como uma não era suficiente, um membro buscou outra emprestada. Seongyu usaria uma, e Dohyun a outra.
Wooyeon embalava o algodão-doce feito pelos dois. O processo de ensacar os doces para evitar que murchassem exigia mais esforço do que o esperado.
— Mas Hyung, você não vai usar uma tiara?
— Ah, certo. Esqueci completamente.
Wooyeon escutou a conversa. Após Seongyu apontar que apenas Dohyun estava sem o acessório, as reclamações surgiram em tom de brincadeira. Dohyun respondeu com indiferença: — É o privilégio de ser o líder do clube.
— Ah, vamos lá. Não existe isso! O líder deve dar o exemplo! Certo, Wooyeon, você não quer que ele dê o exemplo também?
Assustado, Wooyeon acabou achatando o doce que segurava. Olhando para Dohyun, ele se sentiu tranquilo com o olhar gentil do outro.
— Está tudo bem, você pode comer os que amassar.
— É, o algodão-doce não é importante agora. Wooyeon, diga alguma coisa.
Wooyeon hesitou. Ele não queria forçar Dohyun, mas estava honestamente curioso. A camiseta rosa ficava tão bem nele que orelhas de animais provavelmente combinariam também. Ele corou timidamente.
— …Que tipos de tiaras sobraram?
Dohyun acabou se tornando o protagonista de um “desfile de acessórios”. Teve que experimentar desde fitas até orelhas de gato. Quando viu os olhos de Wooyeon brilharem, Dohyun relutantemente cedeu sua cabeça.
— As orelhas de coelho parecem combinar melhor com você — Wooyeon disse, animado. Dohyun acabou ficando como o coelho do grupo.
— Posso dobrar as orelhas? — Dohyun curvou-se levemente. Wooyeon estendeu a mão e dobrou a orelha direita ao meio; havia um arame interno que permitia mudar o formato. Wooyeon estava radiante olhando para o seu “Seonsaeng-nim de coelhinho”.
— Tão fofo.
Dohyun riu suavemente. — Não sei quem é mais fofo — murmurou, despenteando o cabelo de Wooyeon. Como Wooyeon tinha dado sua tiara para Dohyun, ele estava com a cabeça livre.
— Hum… vocês estão vendendo algodão-doce aqui?
Eles pareciam estudantes. Olhavam hesitantes para Dohyun e Wooyeon.
— A pessoa com a tiara de gato disse que poderíamos comprar aqui…
— Oh, sim! Isso mesmo! — Seongyu assumiu o controle. Dohyun cumprimentou os convidados com um sorriso amigável, fazendo a pessoa da frente corar imediatamente.
— Quanto algodão-doce você gostaria?
Sentindo o bom humor se esvair ao ver a reação alheia, Wooyeon ia se afastar, mas Dohyun agarrou firmemente seu braço. — Vamos terminar isso e depois passear à tarde — sussurrou para Wooyeon. O comentário fez toda a diferença, e o humor do menor melhorou significativamente.
***
O movimento superou as expectativas, formando filas. No entanto, o humor de Wooyeon voltou a cair.
— Hum, com licença, você pode me dar seu número?
Crinkle. O doce que Wooyeon embalava foi esmagado novamente. Garam olhou para ele, confusa. Wooyeon respirou fundo, e logo ouviu a voz familiar recusar educadamente: — Já estou saindo com alguém.
Quem disse foi Dohyun, entregando o doce com um sorriso profissional. Foi a quinta vez. Dohyun traçava a linha com firmeza, e Wooyeon descontava sua frustração no açúcar.
— … Desculpe, vou pagar pelos que estraguei — Wooyeon murmurou, colocando o doce amassado de lado. O formato arruinado parecia o reflexo de seu interior.
— Está tudo bem. É mais rápido comer assim. Vamos jogar fora — Garam pegou o doce estragado, comprimiu-o em uma bolinha e ofereceu a Wooyeon, que aceitou reflexivamente. — Não fica mais gostoso quando você come assim?
Wooyeon assentiu. Apesar da doçura, seu humor estava péssimo. — Você parece bem irritado — Garam comentou, rindo sarcasticamente. — O Kim Dohyun parece inocente à primeira vista, não é? As pessoas costumam pedir números para ele o tempo todo.
Ao ver Wooyeon murchar, ela tentou consolar: — Não se preocupe. Você sabe o quão firme ele pode ser. Se está chateado, vá se encharcar de feromônios e volte. Ele deixou a marca dele em você.
Garam franziu o nariz. Toda vez que Dohyun tocava em Wooyeon, seus feromônios permaneciam. — O quanto você acha que ele se incomoda quando acontece o mesmo com você?
— O que há para o Sunbae se preocupar? Não é como se eu fosse popular — Wooyeon respondeu, olhando brevemente para Dohyun. Seus olhos se encontraram por um segundo.
Garam hesitou, riu e comprimiu outro pedaço de doce. — Aqui — ofereceu a Wooyeon novamente. Ele abriu a boca e aceitou. Enquanto ele mordiscava, uma voz firme perfurou o ar.
— Garam.
Sentindo os feromônios de Dohyun surgirem, Wooyeon virou a cabeça. Dohyun, que se aproximou sem ser notado, tirou a tiara de coelho, colocou-a sobre a mesa e olhou seriamente para a amiga.
— Vá fazer algodão-doce.
A expressão de Dohyun estava desconfortavelmente rígida. Seus olhos estavam endurecidos e sua testa profundamente franzida. Garam, no entanto, não deu a mínima para o clima pesado e resmungou de volta:
— Sério? Você está me mandando fazer algodão-doce logo depois de eu ter ficado horas promovendo?
Apesar do protesto, não havia sinal de aborrecimento real em seu rosto. Pelo contrário, um brilho travesso dançava em seus lábios, como se ela achasse a irritação dele um entretenimento de primeira classe. Garam se levantou, deu um tapinha provocativo no ombro de Dohyun e seguiu em direção aos clientes.
— Hah.
Dohyun soltou um suspiro longo e afastou a franja, revelando sua testa elegante. Wooyeon, que o observava com uma mistura de receio e expectativa, perguntou baixinho:
— Vamos fazer uma pausa agora?
O olhar de Dohyun voltou-se para ele. O cheiro de açúcar queimado flutuava pesadamente no ar. Talvez por isso, os feromônios do alfa pareciam ainda mais doces e densos hoje. Dohyun suavizou a expressão instantaneamente e apontou para o algodão-doce rosa que Garam estivera segurando.
— Esse aí.
— O quê?
— Como há corante no açúcar, sua boca fica tingida quando você o come.
— …Realmente? — Wooyeon arregalou os olhos e pegou o telefone, tentando usar a câmera como espelho. Mas ele não viu cor nenhuma. Dohyun pegou o aparelho da mão dele, colocou-o sobre a mesa e murmurou: — Sua boca está rosa agora.
O estômago de Wooyeon aqueceu subitamente. Aquela voz doce soava como um sinal de perigo para sua sanidade. Ele fechou a boca rapidamente, e então sentiu os dedos de Dohyun se entrelaçarem aos seus.
— Vamos ver o festival.
***
Passear pelo festival com Dohyun foi muito melhor do que Wooyeon imaginara. Acostumado a ir a eventos apenas com a mãe, ele ficou impressionado com a variedade das barracas. Dohyun comprava tudo o que despertava o interesse de Wooyeon, terminando com raspadinhas coloridas para os dois.
— Está bom?
Wooyeon inclinou a cabeça, sugando o canudo. A raspadinha era bicolor: vermelho em cima e azul embaixo. Quando ele hesitou entre os sabores, o estudante da barraca se ofereceu para misturar os dois.
— Parece que eles se prepararam muito — comentou Wooyeon, observando desde bolinhos de arroz até linguiças fritas. Havia até leitura de tarô e venda de itens diversos. — Eles sempre venderam álcool assim na trilha?
— Não, as barracas de comida ficam aqui, mas os pubs temporários ficam mais abaixo, onde há espaço para mesas — explicou Dohyun. — Eles mesmos cozinham tudo.
— O Sunbae também cozinhava?
— Eu basicamente servia as mesas.
Dohyun pegou o copo vazio de Wooyeon e o descartou. Ao notar que as mãos do menor estavam geladas por causa da raspadinha, ele instintivamente pegou a mão direita de Wooyeon. O aperto era firme e reconfortante.
— Naquela vez… o seonsaeng-nim disse que não poderia vir para a aula por causa do festival — lembrou Wooyeon, tocando a própria orelha quente com a mão livre. — Você trabalhou no bar naquele dia?
Dohyun semicerrou os olhos, como se buscasse uma memória distante.
— Sim, eu trabalhei. Mas não conseguia me concentrar.
— Por quê?
Dohyun roçou o polegar na palma da mão de Wooyeon. — Você estava sozinho em casa e eu fiquei preocupado.
Wooyeon baixou a cabeça. “Preocupado”. Não importava quantas vezes ouvisse, aquela palavra sempre o desarmava.
— Felizmente, batemos a meta rápido e uma Sunbae se ofereceu para ficar no meu lugar. Você sabe, a Minjeong.
— Ah, eu sei. A Minjeong Noona.
Dohyun fez uma pausa brusca. — Quando foi que ela se tornou “Noona”?
Wooyeon olhou para ele, confuso, mas Dohyun apenas deu de ombros, embora tenha apertado os dedos entre os de Wooyeon com mais força. — Você se sente melhor agora?
— Melhor?
— Você parecia chateado na barraca mais cedo.
Wooyeon corou ao perceber que tinha sido descoberto. — Ah, isso… não foi nada.
— O que você não gostou? Conte-me.
Wooyeon hesitou. Como explicar aquela pontada de desconforto? Ele fingiu observar as barracas ao redor, mas a voz suave de Dohyun confessou:
— Eu estava com ciúmes.
Wooyeon travou.
— Eu me senti desconfortável porque você aceitou o doce que a Moon Garam ofereceu. Isso me incomodou — admitiu Dohyun. — Vou perguntar de novo, Yeon-Ah. O que você não gostou?
Demorou para Wooyeon encontrar as palavras. — Eu não gosto quando o Sunbae… se força a sorrir.
Dohyun era impecável e gentil com todos, mas vê-lo forçar um sorriso profissional para outras pessoas deixava Wooyeon inquieto. — Não há necessidade de fingir um sorriso.
Dohyun parou de andar e encarou Wooyeon, genuinamente surpreso. — É interessante. Você consegue diferenciar?
Wooyeon não soube o que responder. Dohyun voltou a caminhar, pensativo. — De qualquer forma… se você tiver algo a dizer, não esconda. Coisas pequenas apodrecem se ficarem guardadas. Outros podem não entender, mas você pode me contar qualquer coisa. Sempre.
Foi uma declaração tão terna que os olhos de Wooyeon umedeceram. Ele apertou a mão de Dohyun, que sorriu lindamente. — É isso que significa estar em um relacionamento.
O clima pesado se dissipou, substituído pelo aroma doce dos feromônios.
— O Sunbae fará o mesmo? — perguntou Wooyeon cautelosamente.
Dohyun assentiu com seu sorriso mais gentil. — Eu vou.
Eles continuaram o passeio, vendo caricaturas e tatuagens temporárias. Wooyeon lembrou da tatuagem real nas costas de Dohyun e sentiu o rosto esquentar com as memórias que vieram em seguida.
— Estão dizendo que haverá uma apresentação de ídolos. Quer ver?
— Não, não tenho interesse em celebridades.
Eu nem sabia quem eram os famosos porque não assistia TV. Devia haver muita gente no local da apresentação, e eu odiava me misturar a multidões. Dohyun também parecia ter sugerido por cortesia, como se secretamente esperasse que eu recusasse.
— Bem, então vamos indo. Vamos ver se os outros estão se saindo bem.
Segui Dohyun sem dizer muito. Já tínhamos visto o suficiente e provado de tudo. Era uma pena que o nosso tempo a sós tivesse acabado, mas não podíamos ficar enrolando para sempre.
— Vamos beber depois do festival?
— Sim, haverá uma festa com os membros do clube depois. Outros veteranos virão. — Dohyun mencionou nomes como Minjeong e Seongjae, e até citou um novo conhecido chamado Choi Taegyeom. Como Yoonwoo hyung decidiu aparecer, Dohyun comentou que ele talvez não viesse buscá-los, demonstrando uma pontada de desapontamento. — Sempre fazemos uma festa após o festival. Geralmente bebemos no pub do clube, mas hoje vamos a um bar.
— Então… você veio à minha casa aquela vez sem ir à festa de encerramento primeiro?
— Bem… festas para beber sempre existem.
Eu, que ainda estava concordando, de repente senti algo estranho e pisquei. O fato de ele ter desistido da festa para me ver era tocante, mas senti um mal-estar súbito, como se tivesse esquecido de algo importante.
”O que está acontecendo?”
Quatro anos se passaram. A imagem do professor caminhando pelo jardim era vívida, enquanto todo o resto era um borrão. Eu apenas lembrava que houve muitas coisas ruins e que tudo melhorou graças a Dohyun, como se ele tivesse limpado a sujeira da minha vida.
— Não aceite se a Moon Garam lhe der algo estranho de novo.
— Ela nunca me deu nada de estranho antes.
Bem, deve ser apenas impressão. Afastei a sensação incômoda que me inundava. Agora que estou de mãos dadas com Dohyun, tudo parece doce como algodão-doce. Nada mais parecia importar.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna