Capítulo 07.3
Alpha Traum, Capítulo 7 – ❀ A spring breeze, Parte 03
Assim que chegou à universidade, Wooyeon foi ver os professores e entregou os atestados médicos. Estava preocupado que pensassem que ele estava dando desculpas, mas sua imagem de aluno dedicado costumava ajudar. Especialmente o professor que o assistente mencionara antes encorajou Wooyeon, chegando a dar um tapinha em seu ombro.
Depois de resolver suas pendências, ele foi naturalmente para a sala do clube. Como chegou muito cedo, ainda tinha bastante tempo, e Seongyu ainda estava dormindo em casa. Àquela hora, a porta estaria aberta, então ele poderia passar o tempo antes da aula.
“Nenhum contato…”
Wooyeon murmurou, pegando o telefone enquanto andava. Conforme sua confusão diminuía, surgia uma sensação de decepção que não sentira antes. Não ajudava o fato de seu telefone ter ficado em silêncio o fim de semana inteiro.
Não importa o quão bêbado alguém esteja, não deveria contatar a outra pessoa depois que algo assim acontece? Mesmo que Wooyeon estivesse embriagado, Dohyun estava sóbrio.
“Eu nem vou vê-lo esta semana…”
Ao final do dia, teria que descansar em casa, então teria que esperar pelo menos uma semana para encontrá-lo. Perguntar se realmente tinham dormido juntos ou questionar por que o veterano fizera aquilo teria que ser adiado. Mais uma vez, era frustrante perceber que ele era o único ansioso.
—… Tudo bem.
Um momento depois, ao chegar à entrada da sala do clube, Wooyeon parou ao ouvir a voz de Garam lá dentro. Houve reclamações ultimamente de que a porta não fechava direito, e agora ela estava ligeiramente entreaberta. Quando ia tocar na maçaneta, parou bruscamente.
— Por que você está flertando com o Wooyeon?
Um tópico que ele não podia ignorar atingiu seus ouvidos em cheio. Como a pronúncia era clara e precisa, era impossível ter ouvido errado. Wooyeon reflexivamente parou e prendeu a respiração.
—… Eu?
A resposta veio lentamente. Era uma voz tão familiar que, se não tivesse recebido a injeção supressora, ele teria liberado feromônios. Dohyun, que ele tinha certeza de que não veria até a semana que vem, estava na escola, atrás daquela porta. Seu coração começou a bater mais forte: tum, tum, tum.
— O que você está fazendo é exatamente flertar.
Garam falou com uma voz fria, diferente de como falava com Wooyeon. Ele não conseguia entender toda a situação, mas era evidente que ela não estava satisfeita. Wooyeon encostou na parede e se concentrou na conversa.
— Pagar refeições, pagar bebidas, ajudar nos estudos… Tudo bem, como veterano, acho que você pode fazer isso.
A voz dela estava carregada de irritação, como se tentasse se convencer de que aquilo era normal. Mas as palavras seguintes foram uma pergunta direta para Dohyun:
— Mas e o resto? Prometer cinema se ele for bem nas provas?
Wooyeon estremeceu. Era algo que ele contara a Garam sem consultar Dohyun. Não houve pedido de segredo, mas ele sentiu como se tivesse feito algo errado.
— Você está sendo cínico, droga. Levando um garoto para assistir a um filme de terror.
Ouviu-se o som de alguém estalando a língua. Ironicamente, fora Wooyeon quem escolhera o filme de terror, mas agora Dohyun estava sendo mal interpretado. Enquanto Wooyeon hesitava se deveria entrar, Dohyun respondeu casualmente:
— O Wooyeon já viu a série inteira.
Diferente de Garam, o tom de Dohyun era extremamente calmo. Ele não parecia surpreso nem chateado. Garam respondeu com um “Sério?” e tossiu levemente para mudar de assunto.
—… De qualquer forma, por que alguém como você, que sabe impor limites tão bem, flertaria com o Wooyeon?
Wooyeon, encostado na parede, olhou para o nada.
“Sabe impor limites tão bem.” Foi uma observação dolorosa para Wooyeon, que fora expulso daquela fronteira quatro anos atrás. Ele sabia melhor do que ninguém como Dohyun era bom em cortar laços.
— O que você está planejando? Isso não é do seu feitio.
— Tenho que responder o que é “do meu feitio”?
— Você enlouqueceu?
Wooyeon sentou-se no chão e abraçou os joelhos. Não queria ser xereta, mas já que ouvira até ali, não conseguia ir embora. Mas também não podia simplesmente interromper.
Depois de soltar alguns palavrões, Garam baixou o tom de voz, ficando mais séria:
— Por que você o abraça enquanto ele chora? Você tem noção do quanto ele pode acabar esperando de você?
Metade curiosidade, metade ansiedade. Wooyeon aguçou os ouvidos. Embora o abraço de Dohyun não passasse de um simples conforto, para os outros parecia algo extraordinário.
— Você sabe como deixar as pessoas virem e irem sem as prender. Mas, ainda assim, você conhece os limites entre a vida pública e a pessoal.
Parecia que eles já tinham visto de tudo. Como não houve uma refutação por parte de Dohyun, Wooyeon acreditou ainda mais naquelas palavras.
— Você é rápido para entender as coisas… Sabendo que o Wooyeon gosta de você, por que está agindo assim?
—…..
Em um instante, a cabeça de Wooyeon latejou. Ele não esperava que esse assunto surgisse; ouvir aquilo da boca de outra pessoa foi um golpe duro. Mesmo para quem olhava de fora, era óbvio. Esse fato o deixou profundamente envergonhado.
— Se você não for sincero, pare com isso. Quero manter o Wooyeon por perto por muito tempo.
Mais uma vez, Garam atingiu Wooyeon em vez de Dohyun. Qualquer que fosse a intenção dela, no fim, era uma forma de causar dor. A resposta de Dohyun não foi diferente:
—… Ele disse que eu pareço insincero quando sorrio para ele.
Dohyun falou lentamente, quase como se estivesse irritado. Era uma crítica que o próprio Wooyeon já havia feito em um momento de frustração. Antes que Garam pudesse responder, ele soltou uma risada seca:
— Eu me pergunto por quanto tempo ele vai continuar pensando isso.
Assim que ouviu essas palavras, Wooyeon se levantou. Sua cabeça estava nebulosa e ele se sentiu estranho. Embora não conseguisse mais ouvir nada lá dentro, um estrondo desconhecido continuou a ecoar em seus ouvidos.
— Ei, você…
Assim que Garam abriu a boca, as pernas dele começaram a se mover. Sem parar, seu passo gradualmente acelerou e, quando deu por si, já estava correndo para fora do prédio como se fugisse para salvar a própria vida.
***
Com a cabeça vazia, Wooyeon vagou sem rumo pelo campus. No momento em que ouviu as últimas palavras de Dohyun, uma sensação sinistra de mau presságio tomou conta dele. Sentiu que, se ouvisse mais, não seria capaz de ficar de pé e fingir que nada tinha acontecido.
“Gosto de você, veterano.”
Em sua juventude, a confissão de Wooyeon fora mais parecida com resignação do que com coragem. Quando percebeu que não conseguia conter as emoções que já tinham florescido, ele as deixou ir, basicamente descartando-as. Naturalmente, milagres não aconteceram, e Wooyeon sofreu uma dor indescritível.
Qual era a dor daquele desgosto sem sentido? Depois, não importava o que acontecesse, parecia que nada poderia fazer seu coração doer mais. Ele ficou bem, mesmo quando Junseong o xingava; estava acostumado à indiferença de sua mãe; permaneceu composto quando foi para os Estados Unidos sozinho.
Não era o tipo típico de mudança em que o chão endurece após uma chuva forte, ou alguém ganha força após superar a adversidade. Era só que a ferida dentro dele era tão profunda que ele não conseguia nem sentir um novo arranhão. Mas não importava o quão insensível à dor ficasse, não havia como tocar na área ferida sem que doesse.
— Oh, Wooyeon, aqui!
Ao chegar à sala de aula, Seongyu, sentado no meio da sala, o cumprimentou calorosamente e tirou a bolsa do lugar ao lado. Enquanto Wooyeon se aproximava hesitantemente, os olhos de Seongyu se arregalaram.
— O que houve? Algo está te incomodando?
Wooyeon largou a bolsa e deu um tapa leve na própria bochecha. Sabia que sua expressão tinha endurecido, mas não percebeu que era o suficiente para ser notado. Mais uma vez, pensou que teve sorte de não ter entrado na sala do clube antes.
— Eu só não consegui dormir bem.
— Achei que tinha visto o Kang Junseong de novo.
Seongyu distraidamente mexeu no telefone, sem suspeitar de nada. Wooyeon cobriu a boca com a mão e apoiou o queixo. Foi bom ter recebido a injeção; mesmo com suas emoções turbulentas, os feromônios não escaparam nem um pouco.
— Ei, Wooyeon. Vamos pedir algo para comer no dormitório depois da aula. A Garam disse que quer pagar.
Enquanto Seongyu transmitia o recado, Wooyeon respondeu secamente, ainda com o queixo apoiado na mão.
— Não estou me sentindo bem hoje, então vou direto para casa depois da aula.
— Não está se sentindo bem? — Seongyu virou a cabeça com um olhar decepcionado. Quando seus olhos se encontraram, ele insinuou: — O Dohyun disse que veio para a escola por causa da aula de reposição, e você vai mesmo embora?
Wooyeon mordeu o lábio inferior e baixou o olhar. De qualquer forma, ele confirmara com os próprios ouvidos que Dohyun estava na sala do clube, e essa era exatamente a razão pela qual queria ir direto para casa.
—… O que o veterano estar aqui tem a ver comigo?
— Oh. — Como se percebesse algo, Seongyu franziu as sobrancelhas. Ele desligou o telefone e sussurrou: — Você gosta do Dohyun, certo?
—…..
Ah, por que a sorte dele estava tão ruim hoje? Ter que confirmar os sentimentos que expressara não apenas uma vez, mas agora duas vezes através das palavras de terceiros. E tudo isso enquanto estava em um estado de espírito tão baixo.
— Não parece que você teve intenção de esconder… Sinto muito se te ofendi.
Seongyu admitiu o erro tardiamente e se desculpou, prometendo fingir que não sabia de nada no futuro. Wooyeon se forçou a suavizar a expressão e respondeu calmamente:
— Está tudo bem. Era bem óbvio, então não me surpreende que tenha descoberto.
Teria sido óbvio para qualquer um, especialmente para o observador Dohyun. Apesar de saber de tudo, ele ainda o ajudou, o abraçou, mostrou filmes e se comportou gentilmente. Se a razão por trás disso era “ver por quanto tempo ele continuaria pensando que era fingimento”, era cruel demais.
— Vamos para a sala do clube juntos. Vou passar lá por um momento e depois vou para casa.
— É mesmo? Então você vai dar uma chance por enquanto?
Seongyu rapidamente enviou uma resposta para Garam. Quando perguntado o que queria comer, Wooyeon casualmente respondeu que comeria qualquer coisa. Havia uma grande probabilidade de que pedissem tteokbokki.
— Ugh, não quero ir à aula.
O professor, que entrou cinco minutos depois, pulou a chamada e começou a aula. Wooyeon anotou mecanicamente as palavras do professor e apagou os pensamentos. As palavras que ouvira na frente da sala do clube e a figura de Dohyun de suas aulas particulares de anos atrás se misturavam.
Na memória de Wooyeon, ele era um professor infinitamente compassivo. Não o repreendia por esquecer o dever de casa e não corrigia seus erros duramente. Quando Wooyeon não conseguia se concentrar devido à sua condição, ele suavizava a voz e explicava tudo pacientemente de novo.
Uma vez, Wooyeon esperou que tal gentileza fosse exclusiva dele. Porque era sua primeira vez tendo aulas particulares, porque ele era jovem, porque sofria bullying. Ele se consolava com o pensamento de que, se fosse outra pessoa, talvez Dohyun não agisse assim.
Mas ele era gentil com todos os seus juniores. Pagava refeições, ajudava com os estudos e até bebia álcool indesejado no lugar deles. Então, Wooyeon inconscientemente começou a pensar que ele atenderia a todos os seus pedidos.
“Farei tudo o que você pedir.”
Do registro das matérias a acariciar sua cabeça, abraçá-lo e até mais do que isso. Não era exatamente o “não impedir alguém de vir e não segurar quem está saindo” o que Garam quis dizer? Em vez de sentir que estava sendo enganado, percebeu que não havia exclusividade. Mesmo se fosse outra pessoa, Dohyun teria a mesma reação. Não era tolice confundir a gentileza dada a todos como um privilégio?
Wooyeon repetiu esse pensamento até o fim da aula. Em algum momento, sua mão parou de tomar notas, mas ele não tinha forças para se importar. Arrumando as coisas e indo para a sala do clube, continuou vagando mentalmente até que Seongyu abriu a porta.
— Chegamos!
Ele tinha que desistir. Tinha que parar. Se continuasse correndo em direção a ele, acabaria caindo na armadilha chamada amor. Resistir e se machucar em todos os lugares acabaria levando-o a ficar à mercê do destino.
“Se vai ser assim mesmo…”
— Bem, já que pedimos tteokbokki, é melhor sentar.
Enquanto Wooyeon organizava os pensamentos, Garam de repente se levantou, pegou os cigarros e saiu. Seongyu também empurrou Wooyeon para dentro e o seguiu lentamente. Com o som da porta fechando, Wooyeon finalmente percebeu que os dois o estavam deixando sozinho de propósito.
E o olhar de Dohyun estava direcionado a ele.
— Onde dói?
Dohyun perguntou em seu tom afetuoso de sempre. A emoção refletida em seus olhos puros era do tipo doce que Wooyeon conhecia bem. Ao perceber que Dohyun estava preocupado, seus lábios inevitavelmente se contraíram.
— Estou com dor.
Imediatamente, os feromônios se aproximaram. O aroma seco de outono de Dohyun se aproximou gentilmente, flutuando de forma calorosa. Devido aos supressores de Wooyeon, apenas os feromônios dominantes estavam claros.
— Olhe para mim.
Dohyun abaixou levemente a cabeça e encontrou o olhar de Wooyeon. Ele ia estender a mão, tentando verificar se o garoto estava com febre, mas hesitou. Wooyeon agarrou a mão que parara no ar e a levou até a testa. Sua mão tremia levemente.
— Você não está com febre… — Murmurando isso, Dohyun gentilmente acariciou sua testa. Como ele viera de fora, sua mão estava mais quente que a pele de Wooyeon. Com os olhos bem fechados, Wooyeon enterrou o rosto na palma de Dohyun.
— Você pode me levar para casa?
Ele não precisava implorar; Dohyun o atenderia de qualquer maneira. Se seu júnior estivesse doente, o bondoso Dohyun não ignoraria. Como esperado, ele segurou a mão de Wooyeon para apoiá-lo.
— Vamos.
Sem nem comer, foram direto para o estacionamento. Dohyun parecia estar mandando mensagem para Garam, mas Wooyeon não notou enquanto mantinha a cabeça baixa. Dohyun abriu pessoalmente a porta do passageiro e até prendeu o cinto de segurança desta vez.
— Você não está com fome?
— Não, na verdade não.
Wooyeon, segurando a bolsa, encostou a cabeça na janela em silêncio. Mesmo que Dohyun não deixasse qualquer um no banco do passageiro, ele deixava Wooyeon sentar ali casualmente. Como ele poderia não alimentar expectativas?
— Já sentei no banco do passageiro três vezes.
Em vez de responder, Dohyun levantou as sobrancelhas. Após ligar o motor, virou a cabeça e encarou Wooyeon. O garoto piscou, sem desviar o olhar.
—… Entendo.
Foi uma resposta curta. Dohyun mudou de assunto como se nada tivesse acontecido. A expectativa, que transbordava diante de tanta indiferença, gradualmente se transformou em uma calma melancólica.
—…..
—…..
O caminho para casa pareceu particularmente longo hoje. Embora fosse uma distância que poderia ser percorrida a pé, ele se sentia ansioso. Com o fim da conversa, até o som da respiração parecia pesado.
— Você deve ter tomado supressores. — Eles estavam quase chegando quando Dohyun falou cautelosamente. Wooyeon murmurou uma resposta vaga e apoiou o queixo na bolsa.
Dohyun entrou suavemente no estacionamento subterrâneo e parou o carro perto da entrada.
—… Chegamos rápido. — Wooyeon murmurou palavras sem sentido enquanto soltava o cinto. Dohyun, sem desligar o motor, ficou observando-o em silêncio.
Após uma breve pausa, Dohyun falou lentamente:
— Descanse. Se estiver com muita dor, me avise.
—…..
Wooyeon respirou fundo. Seu coração batia forte e parecia que ele estava reprimindo seus feromônios à força. Mesmo inalando várias vezes, sua mente não se acalmava. Eventualmente, Wooyeon virou o corpo para o encarar.
— Eu não quero ficar sozinho.
Ainda parecia cedo. Dohyun tinha uma aula para repor, e o ciclo de cio de Wooyeon começaria em cinco horas. Apesar de saber de tudo isso, uma voz sincera fluiu dos lábios de Wooyeon:
— Vamos dormir juntos, veterano.
Não importa como se olhasse, a casa espaçosa não tinha a sensação de vivacidade que se esperaria de alguém que morasse ali. A sala de estar vazia, o sofá e a mesa dispostos de forma aleatória, a TV ocupando um lado da parede e a visão clara do lado de fora através da janela de vidro.
Já era a terceira vez que Wooyeon trazia Dohyun: uma vez para estudar, uma vez para jantar e agora para outro propósito. Cada vez, Wooyeon encontrava Dohyun sentado no sofá estranhamente desconhecido. Embora seu perfil enquanto assistia à TV silenciosamente fosse o mesmo de sempre, havia uma tensão sutil na mente de Wooyeon.
—… Você tem certeza sobre sua aula?
Na verdade, dizer a ele para dormir ali era quase como uma aposta. Não era o momento certo para tal conversa, e Dohyun já tinha um compromisso. Até Wooyeon sentiu que era um pedido um tanto forçado, mas uma vaga confiança moveu seus lábios. Felizmente, Dohyun simplesmente saiu do carro e entrou na casa sem qualquer problema.
— Está tudo bem, já que eles não fazem chamada de qualquer maneira.
O que quer que ele estivesse pensando, Wooyeon sentiu um pequeno conforto em suas palavras. Pelo menos o plano não seria interrompido, o que aliviou o clima melancólico.
— E mesmo que não esteja tudo bem, agora é tarde demais.
Dohyun inclinou a cabeça levemente e virou os olhos para Wooyeon. Era um olhar abertamente observador, mas Wooyeon não prestou muita atenção. Ele parecia apenas uma criatura pequena e ansiosa, encolhida com os joelhos dobrados.
— Você está se sentindo bem?
— Sim, estou bem.
Ainda faltavam cerca de quatro horas até que os efeitos da injeção sedativa passassem. Não era muito tempo, mas uma vez que a ansiedade começou, pareceu interminável. Enquanto Wooyeon verificava o tempo ansiosamente, uma voz gentil falou com ele:
— Parece que você não está se sentindo bem, afinal.
—…..
Wooyeon olhou para Dohyun com os lábios firmemente selados. Como estavam sentados separados em cada ponta do sofá, havia uma distância vaga entre eles. Dohyun se inclinou contra o braço do sofá, descansando a cabeça em um ângulo.
— É por causa daquilo?
Foi direto ao ponto. Embora não tenha sido abordado diretamente, ele não era ingênuo o suficiente para não entender. Wooyeon lembrou-se do tronco nu de Dohyun na cama e balançou a cabeça lentamente.
— Não estou mais preocupado com isso.
Naquela manhã, Wooyeon estava preocupado com esse assunto. Ele não conseguia dormir e, durante todo o fim de semana, não conseguia parar de pensar em Dohyun. Mas no momento em que ouviu a conversa na sala do clube, esqueceu todas essas preocupações.
— Já é passado…
Ironicamente, se não fosse por esse incidente, ele não estaria pensando assim. Apesar de ser uma ação lamentável, foi a melhor escolha para Wooyeon.
—… É assim mesmo?
Dohyun respondeu suavemente e cobriu a boca com a mão. Seus olhos, que voltaram para a TV, apenas refletiram a luz bruxuleante em vez de focar em Wooyeon. Dohyun fechou a boca por um momento, então perguntou educadamente com aquele tom terno:
— Você não vai falar sobre isso?
Já que ele abruptamente disse para irem dormir, Dohyun deve ter sentido algo estranho também. Provavelmente sabia que dizer que estava com dor era apenas uma desculpa desde o momento em que entrou no carro. Não perguntar nada na última hora foi sua própria forma de consideração.
— Eu só não queria ficar sozinho.
Wooyeon casualmente apoiou o queixo nos joelhos. Ele sentiu o olhar de Dohyun nele, mas, mais uma vez, seus olhos não se encontraram. Em vez disso, uma voz quase inaudível preencheu o espaço entre eles:
— Então, por favor, fique comigo por hoje.
—… Isso é uma coisa interessante de se dizer.
Dohyun, que estava olhando para o vazio, murmurou de repente. Os ombros de Wooyeon se contraíram como se ele tivesse sentido o olhar. Dohyun tinha um olhar persistente e intenso, como um predador mirando em sua presa.
— Só “por hoje”?
—…..
O brilho afiado em seus olhos de repente cintilou. A atmosfera parecia inquietante, e Wooyeon sentiu um peso no peito antes mesmo de abrir a boca. Os feromônios afundaram pesadamente, apertando seu coração com força.
— Então, o que acontece amanhã?
—…!
Assim como jogar uma pedra em um lago calmo, um pequeno feromônio criou uma onda forte. Wooyeon respirou fundo sem nem piscar.
Não foi uma quantidade significativa de feromônios. Não foi um assédio intencional, nem foi uma tentativa de pressionar Wooyeon. Foi apenas algo que fluiu com a mudança no humor de Dohyun, nada mais e nada menos.
No entanto, mesmo com apenas isso, seu estômago se contorceu violentamente. Seu rosto ficou pálido e seu coração batia forte como se fosse explodir. Quando Wooyeon sentiu a estranheza, ele se encolheu, mas seus feromônios, que já tinham começado a vazar, não puderam ser suprimidos.
— Wooyeon.
Dohyun se aproximou de Wooyeon com uma rara expressão de surpresa. Ele diminuiu a distância, envolveu os braços em volta dos ombros dele e examinou cuidadosamente seu rosto. Wooyeon levantou a cabeça com respirações ofegantes, sentindo algo desmoronar quando seus olhos se encontraram.
— Ugh..!
Os feromônios transbordantes inundaram o corpo inteiro dele como ondas. Um cheiro doce e espesso começou a encher o ar ao redor deles. Wooyeon instintivamente exalou respirações quentes como se estivesse mergulhando no abraço de Dohyun.
— Ah, ugh..
Não parecia seu próprio corpo. O calor fervia em seu estômago e seu peito parecia descontroladamente inquieto. Os feromônios incontroláveis miravam descaradamente apenas Dohyun.
Ele nunca havia experimentado tal sensação antes. Durante os ciclos de cio que vinham e iam, Wooyeon sempre mantinha a compostura. Parte disso era devido ao uso regular de supressores, e parte era devido à sua própria baixa libido. Esta foi a primeira vez que os feromônios fluíram tão livremente, encharcando alguém assim.
—… Hah, hah…
Mas sentir-se tão sobrecarregado era algo inédito para ele. A casa inteira parecia estar cheia do cheiro dos feromônios de Wooyeon. O cheiro era tão forte que quase o sufocou. Apesar de se agarrar a Dohyun com todas as forças, seu corpo já aquecido não conseguia se acalmar.
—… Você.
Dohyun olhou para Wooyeon com uma cara séria. Apesar da excitação evidente em seus olhos, nem um único feromônio Alfa foi liberado. E com a maneira como ele estava mordendo o lábio inferior com as presas, parecia que logo sangraria.
— Agora mesmo, isso é…
Antes que Dohyun pudesse terminar sua frase, Wooyeon olhou para cima. Sangue começou a escorrer dos lábios de Dohyun. Wooyeon tentou estender a mão, mas antes que pudesse, foi firmemente agarrado.
Em um instante, tudo virou de cabeça para baixo. Dohyun agarrou os pulsos de Wooyeon e o empurrou para baixo no sofá. Wooyeon, com os dedos tremendo, soltou um suspiro no ar enquanto sua cabeça pendia para trás. Ao vê-lo fechar os olhos sem resistência, um leve sorriso se formou no canto dos lábios de Dohyun.
—… Não é de se admirar que tenha parecido estranho.
No momento em que Wooyeon resolveu desistir dele, um pensamento cruzou sua mente simultaneamente. Se ele desistisse assim, queria deixar pelo menos um rastro. Ao contrário de quatro anos atrás, ele queria manter memórias vívidas dele em seu coração.
— Bem, vamos lá…
Já que eles dormiram juntos uma vez, a segunda vez deveria ser mais fácil. Afinal, Dohyun também era um Alfa, então se ele persistisse e se agarrasse, ele teria que ceder fingindo não ser capaz de resistir. Já que Alfas são todos iguais, ele poderia simplesmente desistir depois. Essa série de pensamentos trouxe Dohyun a esse ponto.
— O que lhe deu coragem para fazer algo assim?
Dohyun cortou suas palavras, segurando firmemente Wooyeon. Seus lábios, agora levemente ensanguentados, pareciam muito atraentes. O piscar ocasional de seus olhos provavelmente era para segurar a consciência restante.
— Só… acidentalmente…
— Acidentalmente?
Uma risada oca irrompeu, não de Wooyeon, mas de Dohyun. Ele abaixou a cabeça e murmurou com uma voz seca:
— Você realmente está fazendo jus ao seu nome.
Wooyeon admirou o fato de Dohyun ter mantido a compostura todo esse tempo. Se ele fosse qualquer outro Alfa, teria pulado nele há muito tempo, mas Dohyun nem tinha liberado seus feromônios. Embora estivesse segurando o pulso de Wooyeon como se fosse quebrá-lo, ainda assim era um meio de se controlar.
—… Veterano.
Então Wooyeon chamou Dohyun com uma voz chorosa. Dohyun piscou como se o encorajasse a continuar falando. A sanidade restante brilhava claramente através de seus olhos afiados.
— Vamos… vamos dormir juntos.
—…..
— De qualquer forma, já fizemos isso…
Lágrimas se misturaram em sua voz. Era porque seu toque instintivo sinalizava que algo estava errado. De acordo com o plano original de Wooyeon, Dohyun deveria ter perdido a consciência assim que Wooyeon começou a emitir feromônios. Ele deveria ter mostrado um rosto intoxicado de excitação, não essa expressão complexa.
— Então, apenas…
— Não é grande coisa ter sexo com você aqui, Wooyeon.
Dohyun abriu a boca com um tom anormalmente lento. As sílabas pareciam se arrastar como se sua mente estivesse lenta para processar. Então, uma voz mais baixa se seguiu:
— Nós não dormimos juntos.
A voz firme não soou nada como a de Dohyun. Wooyeon arregalou os olhos, lembrando-se do que tinha acabado de dizer. E Dohyun, parecia, estava pessoalmente revisando o que tinha dito.
— Não dormimos juntos naquele dia.
Algo que tinha sido empilhado cuidadosamente desmoronou de uma vez. Em vez de se alegrar pelo fato de que nada tinha acontecido, ele se sentiu desapontado pelo fato de que não era nada. Dohyun confirmou que Wooyeon estava distraído e soltou seu pulso.
— Você acha que eu tocaria em alguém que estivesse inconsciente?
Ele perguntou, descendo do sofá com uma voz firme. Ele tropeçou um pouco ao chegar ao chão, mas rapidamente recuperou o equilíbrio e levantou a cabeça. Vendo suas pupilas turvas, parecia que estava tonto com os feromônios crescentes.
— Se você sabia, então hoje…
— Por que você mentiu?
Wooyeon agarrou-se frouxamente às roupas de Dohyun. Dohyun deu um passo para trás desajeitadamente, seu rosto refletindo a confusão de quatro anos atrás quando rejeitou sua confissão.
— Por que você mentiu para mim sabendo que eu entenderia mal?
Os feromônios se agitaram, mas desta vez com um significado diferente. Não era apenas desejo; era também injustiça e tristeza. Ele tinha chegado até aqui com um certo sentimento e pensamento. Acabar em nada o fez sentir que perderia Dohyun.
Dohyun respondeu calmamente à pergunta de Wooyeon:
— Eu simplesmente não disse nada.
— Mas se você não tivesse dito isso, eu não saberia.
Foi uma declaração contraditória. Enquanto isso, ele segurou firmemente o vacilante Wooyeon. Wooyeon recuou novamente, olhando para ele com os olhos marejados, rangendo os dentes.
— No final, até isso…
— Você está chamando isso de mentira?
Interrompendo-o, Dohyun levantou levemente o canto da boca. Não era zombaria, nem era um sorriso alegre. Ele riu algumas vezes e então abriu a boca com aquele tom terno novamente:
— Yeon-ah.
Seus olhares se encontraram. Os feromônios pararam e parecia que sua respiração também tinha parado. O tom gentil soou como um ressentimento.
— Essas palavras não deveriam vir de você.
Incapaz de dizer uma palavra, Wooyeon arregalou os olhos em choque. Várias emoções giravam caoticamente dentro dele enquanto observava Dohyun se afastar. A suave brisa primaveril que os cercava pareceu deixar seu lado.
↫─☫ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna