Capítulo 07.2
Alpha Traum, Capítulo 7 – ❀ A spring breeze, Parte 02
Como Dohyun sugerira, a sala de exibição era menor que a casa de Wooyeon. Como era um filme popular, os assentos estavam cheios, e os dois se sentaram em algum lugar no meio da fileira de trás. Eles conseguiram assentos decentes reservando cedo pela manhã, apesar do horário de exibição ambíguo.
Assim que Wooyeon se sentou, verificou o apoio de braço à sua direita. Muitas vezes havia cenas em filmes ou dramas em que as pessoas levantavam o apoio de braço e se apoiavam umas nas outras. Dohyun, que por acaso estava à direita de Wooyeon, baixou a voz e sussurrou:
— O quê, você quer levantar isso?
Wooyeon arregalou os olhos e assentiu. Então, em uma voz similarmente baixa, sussurrou de volta:
— Isso realmente sobe?
— Sim.
Dohyun afastou sua bebida e prontamente levantou o apoio de braço. Fascinado pela visão dele subindo até o nível do encosto da cadeira, Wooyeon seguiu o exemplo exatamente como Dohyun fez. Depois de levantá-lo e abaixá-lo algumas vezes, Wooyeon perguntou calmamente:
— Posso deixar assim?
— Faça como quiser. Coloque sua bebida do outro lado.
Wooyeon recebeu a bebida dele e a colocou do outro lado, então abaixou o apoio de braço. Realmente pareceu diferente depois de abaixá-lo, mas parecia um pouco impraticável se apoiar na pessoa ao lado como em filmes ou dramas. Poderia forçar a coluna se você se apoiasse em alguém por duas horas inteiras.
“Não preciso depender dele…”
Com o coração cheio de emoções, Wooyeon guardou o apoio de braço, mas, felizmente, Dohyun não pareceu notar. Ele provavelmente pensou que Wooyeon, que tinha ido ao cinema pela primeira vez, só queria experimentar de tudo. Wooyeon, com o coração palpitante, abraçou o balde de pipoca contra o peito.
Antes de o filme começar, vários anúncios apareceram na tela. Até comerciais de grandes empresas foram mostrados, e o casal sentado ao lado deles começou a conversar.
— Ah, eles estão construindo apartamentos ali agora.
— Ouvi dizer que estão até planejando construir uma creche em breve. Talvez construam um país inteiro.
O som de risadas, cheio de excitação, perfurou os ouvidos de Wooyeon. Não era uma voz particularmente alta, mas Wooyeon podia ouvir distintamente alguém dizendo: “Eles são de uma família muito rica”, seguido de risadas. Wooyeon tentou se distrair arranhando o saco de pipoca com as unhas, esperando desviar a atenção daquela direção.
— Wooyeon…
Nesse momento, Dohyun inclinou a cabeça em direção a Wooyeon. Wooyeon podia sentir os feromônios de alfa dominante calmantes emanando dele enquanto se aproximava. Wooyeon se aproximou de Dohyun e inclinou levemente a orelha.
— Você disse que é bom com filmes de terror, certo?
O sussurro pareceu estranho como uma carícia. Não era nada especial, mas seu estômago ficou tenso. Enquanto Wooyeon endireitava as costas, Dohyun falou com uma voz ainda mais suave:
— Se você ficar com medo, me avise. Podemos sair no meio do filme.
Em vez de responder, Wooyeon assentiu levemente. O filme começou logo depois, mas a mente de Wooyeon estava preenchida apenas com a voz de Dohyun.
No final das contas, o filme não foi ruim. Wooyeon estava mais compenetrado do que qualquer outra pessoa no cinema. Dohyun também estava assistindo bem, mas, sempre que havia cenas horríveis, ele franzia a testa.
— Você é muito bom em observar coisas assustadoras — Dohyun comentou, surpreso.
— Não tenho medo de nada falso.
A única vez que Wooyeon reagiu foi quando uma cena de sexo inesperada apareceu. O relacionamento sexual entre o Alfa e o Ômega foi retratado de forma explícita. Wooyeon olhou para Dohyun toda vez que um gemido saía do alto-falante.
Então, seus olhos se encontraram em meio à escuridão. Sem chance de desvios, os olhares permaneceram travados até que o som cessasse. Dohyun, que antes parecia entediado, subitamente fixou sua atenção em Wooyeon:
— O que você quer comer no jantar?
—… Ah.
Wooyeon, que estava perdido em pensamentos, de repente voltou a si. Wooyeon balançou a cabeça e piscou os olhos.
— Estou bem com qualquer coisa para o jantar.
Dohyun levantou o canto da boca como se estivesse se divertindo.
— “Qualquer coisa”… — murmurou ele, piscando o olho esquerdo para Wooyeon. — Qualquer coisa, exceto frango e comida barata?
—… Eu vou com a opção mais barata — Wooyeon sussurrou com um toque de brincadeira.
Dohyun estreitou os olhos e ponderou sobre onde ir. Wooyeon também pensou em vários lugares, mas a maioria exigia reserva. Havia um lugar adequado, mas ele não tinha certeza de como sugerir.
—… Se estiver tudo bem para você… — Wooyeon falou hesitante. — Você gostaria de vir à minha casa?
***
Dizem que a vida é uma comédia de longe e uma tragédia de perto. Da mesma forma, o céu noturno parecia apagar a tragédia contida no que se olhava mais de perto. Wooyeon olhou para fora, lembrando das palavras de Garam sobre “paisagens noturnas serem os infortúnios dos trabalhadores de escritório”.
— É lindo à noite — Dohyun fez um comentário monótono enquanto olhava para a paisagem do terraço.
— Já que você me mostrou o filme, deixe-me convidá-lo para jantar.
Sem expressar surpresa particular, Dohyun simplesmente baixou os olhos por um momento e perguntou em voz baixa:
— Está tudo bem?
Wooyeon assentiu. Como já tinham estado lá uma vez, não houve hesitação. O jantar foi preparado na parte mais larga do terraço. Quando chegaram, os pratos estavam prontos graças à governanta. Dohyun riu da variedade.
— É muita coisa para retribuir apenas um filme.
—… Eu disse que traria um amigo, então ela ficou um pouco animada.
Havia até champanhe no centro da mesa, criando uma atmosfera agradável. Para Wooyeon, que geralmente pulava refeições, a governanta claramente tinha ido com tudo.
— Por enquanto… vamos aproveitar a refeição. Por favor, transmita minha gratidão a quem preparou a comida — Dohyun falou afetuosamente, usando os utensílios com etiqueta impecável. Seu comportamento sugeria o ambiente refinado em que cresceu.
—… Você gostaria de um pouco de champanhe? — Wooyeon pegou a garrafa, hesitando sobre como abrir a rolha.
Dohyun riu e se levantou. Pegou o champanhe da mão de Wooyeon e falou em voz baixa:
— Não vou conseguir dirigir se beber isso.
Wooyeon percebeu o deslize. Não poderia convidá-lo para dormir lá, mas também não havia como ele dirigir. Wooyeon tentou guardar a garrafa, mas Dohyun sorriu.
— Tem certeza de que está tudo bem?
—… O que você quer dizer?
De alguma forma, um sentimento desconfortável surgiu. A voz terna de Dohyun trouxe uma sensação de crise.
— Nada.
Dohyun respondeu despreocupadamente enquanto olhava para o rótulo.
— Isso tem um alto teor alcoólico.
Enquanto ele dizia isso, Wooyeon sentiu os feromônios secos de Dohyun flutuando na brisa da primavera. Wooyeon involuntariamente endireitou as costas, esperando o que viria a seguir.
— Você não se lembra, Wooyeon?
Os olhos de Wooyeon se arregalaram. Dohyun sorriu gentilmente, com o rosto suave de sempre e os olhos se enrugando de forma encantadora. As curvas suaves do seu olhar eram incrivelmente cativantes.
—… Lembrar?
Por enquanto, Wooyeon perguntou despreocupadamente, como se nada tivesse acontecido. Seu rosto ficou pálido e ele sentiu um arrepio na nuca, mas tudo o que podia fazer era agir como se estivesse tudo bem. Após respirar fundo algumas vezes, seus cílios trêmulos finalmente se estabilizaram.
— O quê… não?
Ele abaixou o olhar e examinou cuidadosamente a comida. Estava definitivamente com fome, mas agora seu estômago estava embrulhado. Ele movia as mãos mecanicamente, mas sequer considerou colocar a carne na boca. Observando Wooyeon daquele jeito, Dohyun afirmou com firmeza:
— Eu deveria ter feito essa pergunta antes.
Sua voz era resoluta, como se não fosse mais fingir que não sabia de nada. Ele arrancou o lacre que cobria a rolha de champanhe e riu vagarosamente.
— O momento estava errado.
O momento? Ele não podia perguntar sobre isso. Antes que Wooyeon pudesse responder, ele continuou falando:
— Quando eu perguntei “você se lembra”?
—…..
— Em vez de dizer “não”, você deveria ter perguntado: “O que eu fiz”?
O rosto de Wooyeon pareceu perder a cor. Ele sentiu um impulso de abrir aquela garrafa agora mesmo e engolir tudo de uma vez. Talvez pudesse salvar a situação antes que Dohyun dissesse mais alguma coisa?
— Você é tão desajeitado quando tenta enganar alguém.
Como se não pretendesse lhe dar escolha, Dohyun terminou habilmente de abrir o champanhe. Ele desenrolou o arame que segurava a rolha, cobriu delicadamente o topo com o polegar e girou-o suavemente. O rosto de Wooyeon se iluminou enquanto observava os movimentos lentos e carinhosos das mãos de Dohyun.
“Solte.”
Por que, de todas as vezes, o filme da memória tinha que ser cortado de forma ambígua? Teria sido melhor se ele tivesse esquecido tudo, como fez durante o MT. A sensação da mão segurando seu pulso, a sensação dela deslizando sobre sua cueca e o toque dela envolvendo o pau exposto sem qualquer hesitação.
— Você disse que estava envergonhado, Wooyeon.
Wooyeon se lembrava daquele dia. Especificamente, ele só se lembrava do tipo de ato que fez. Ele só se tornou consciente quando a mão de Dohyun o tocou. Na verdade, era inevitável. Para alguém como Wooyeon, que nem se masturbava, o toque áspero era excessivamente intenso e estimulante. No auge do prazer desconhecido, quando seu corpo se contorcia de intoxicação, sua racionalidade já tinha voado pela janela, substituída por um tipo diferente de desejo.
— Estou bem…
Wooyeon hesitantemente deu desculpas, evitando nervosamente o contato visual. Embora soubesse que Dohyun não acreditaria, ele também não podia simplesmente aceitar. Mais uma vez, Dohyun o aconselhou com um rosto gentil:
— Não é difícil explicar verbalmente.
Era um tom indicando que ele explicaria de bom grado se Wooyeon quisesse. Desta vez, Wooyeon abaixou a cabeça profundamente em silêncio. O pescoço corado e os feromônios revelavam o quão envergonhado ele estava. Dohyun colocou a rolha na mesa e estendeu o champanhe graciosamente.
— Pretendo continuar esta conversa… — A boca da garrafa parecia tentadoramente sedutora. Dohyun gesticulou para a taça, sutilmente o incitando: — Quer uma bebida?
***
Entre os métodos para limpar a mente, nenhum era tão eficaz quanto o álcool. Percebendo essa verdade simples, Wooyeon não hesitou em se entregar ao champanhe. Uma taça, duas taças e depois três. O alto teor alcoólico era real; em pouco tempo, a embriaguez começou a subir. Em contraste, Dohyun não bebeu uma única gota. Ele apenas enchia os copos vazios ou bebia água, mantendo a postura.
—… Como você sabia, exatamente? — Wooyeon perguntou com os olhos turvos e uma pitada de ressentimento.
— Você achou que eu não saberia?
Dohyun parecia surpreso que Wooyeon não tivesse percebido sua perspicácia. Wooyeon, sem saber da surpresa dele, discretamente batia os dedos sob a mesa.
— Claro que você não saberia.
Naquele dia, quando Wooyeon acordou na cama de Dohyun, achou que sua atuação era perfeita. Embora parecesse muito nervoso, achou que era uma reação comum para quem bebeu demais.
— Porque eu não me lembrava disso durante o MT… — Além disso, ele já tinha um precedente de esquecimento. Ele discutiu com um aluno e xingou em inglês sem lembrar de nada depois. “Isso não é mentira”, acrescentou apressadamente.
Dohyun sorriu lentamente, seus olhos se estreitando como se estivesse se divertindo.
— De fato… você não conseguia se lembrar disso.
—… O quê?
Sulcos se formaram na testa de Wooyeon. Ele sentia que o que Dohyun chamava de “aquilo” poderia ser diferente do que ele sabia.
—… Sunbae. Por que você é tão perspicaz?
Na visão de Wooyeon, Dohyun era excepcionalmente hábil em ler as emoções dos outros. Conseguia avaliar a atmosfera e alcançar os resultados desejados. Era uma habilidade reconfortante, mas ocasionalmente cutucava suas vulnerabilidades.
— Quando você se acostuma com alguma coisa, você se torna proficiente nela — Dohyun avaliou o champanhe restante e o rosto de Wooyeon. Seu olhar escrutinador avaliava o nível de embriaguez.
— Por que você se acostumou com isso?
— Bem….
Parecia que Dohyun não queria contar. Ele frequentemente agia assim com tópicos pessoais, como primeiros amores ou preferências.
— Não é disso que estamos falando — Dohyun cortou com voz firme.
A expressão de Wooyeon ficou sombria. O que o decepcionou foi que Dohyun ignorou sua pergunta. No entanto, o sentimento sumiu quando Dohyun abriu a boca novamente:
— Quanto você lembra?
A pergunta foi direta, dissipando parte da sonolência do álcool.
— Não me lembro de tudo… — Wooyeon ponderou. Ele não podia dizer: “Lembro de quando você me tocou”, mas não podia mais fingir ignorância. — Apenas escassamente…
Agora ele precisava desesperadamente de álcool para acalmar os nervos.
—… Posso tomar só mais uma bebida?
Após considerar, Dohyun entregou a garrafa. Wooyeon a arrebatou com as duas mãos.
— Você vai ficar bêbado se beber tudo isso.
Wooyeon sabia, mas queria evitar a situação atual a qualquer custo. Dohyun apenas observava, esperando.
— Foi o álcool — Wooyeon soltou, após o efeito da bebida.
—… Álcool?
Inexplicavelmente, os feromônios de alfa dominante de Dohyun pareceram pesados e opressivos. Sua voz geralmente gentil endureceu. Ele emitiu feromônios secos, e seus lábios se estreitaram.
— Ah, álcool.
Sua voz monótona soou estranhamente amarga. Wooyeon tensionou os ombros. Dohyun, com um sorriso pesado, respondeu:
— Então teria sido o mesmo com outra pessoa. Como o Danny ou algo assim.
— Por que eu seria assim com o Danny? — Wooyeon deixou escapar, perplexo por ele mencionar o amigo que estava nos Estados Unidos.
A resposta veio imediatamente:
— Então por que você foi assim comigo?
Wooyeon emudeceu. Percebeu o erro tarde demais. A embriaguez e o constrangimento se misturavam. Dohyun abriu a boca calmamente:
— Ei. — Era uma voz tão cativante que fez o estômago de Wooyeon apertar. — No que você estava pensando quando assistimos ao filme?
O olhar de Wooyeon tremeu. Assim que ouviu as palavras, uma cena veio à mente: tons de pele e gemidos nos alto-falantes. A sensação daquele dia voltou a inundar seus sentidos. Ele reagia de forma sensível demais.
— Diga-me o que acabou de vir à sua mente — Dohyun continuou, interrogativo.
—…..
Wooyeon agarrou a garrafa de champanhe e a virou na taça. Em meio à confusão de Dohyun, ele a pegou. Três goles foram o suficiente. Dohyun não conseguiu pará-lo. Wooyeon engoliu tudo com uma expressão determinada e, logo depois, sua testa bateu na mesa com um baque surdo. Ele havia adormecido.
Em momentos de crise, as pessoas fazem escolhas diferentes. Alguns se esforçam para resolver a situação, alguns ficam bravos, enquanto outros simplesmente ignoram. Entre eles, Wooyeon pertencia à categoria de tentar evitar o problema por qualquer meio necessário.
Até o momento em que virou todo o champanhe de uma só vez, sua mente estava cheia de pensamentos como: “Quero fugir!”, “Quero desaparecer!”, “Queria poder me esconder em um buraco de rato!”, “Quero voltar ao passado e fazer tudo isso sumir!”.
Naturalmente, Wooyeon escolheu a opção mais viável: “Eu quero fugir”. Como um lagarto cortando a própria cauda para escapar, ele se jogou sem considerar as consequências. Mesmo sendo imprudente, era melhor do que encarar uma conversa com Dohyun sóbrio.
Ele não conseguia entender por que Dohyun trouxe tal assunto à tona. Não queria saber e, mesmo que quisesse, não achava que nada mudaria. No entanto, pouco antes de perder os sentidos, sentiu que o último rosto que viu parecia um tanto decepcionado.
Na luz fraca do amanhecer, Wooyeon acordou com uma dor de cabeça latejante. Os sonhos que teve durante a noite foram excessivamente violentos, e nem mesmo despertar o fez se sentir revigorado. Pensando que deveria dormir mais, ele encolheu o corpo, mas sentiu um calor estranho ao seu lado.
—…..
Wooyeon levantou lentamente as pálpebras. Conforme a manhã se aproximava, suas pupilas rígidas gradualmente recuperaram o foco. Quarto familiar, cobertor familiar, teto familiar e dedos familiares entrelaçados com os seus. Não, precisamente, duas mãos direitas segurando uma à outra.
Ao se esticar, Wooyeon moveu os dedos. Um era o seu, mas o outro não. As unhas perfeitas na ponta dos dedos retos pareciam familiares. No momento em que Wooyeon estava prestes a soltar a mão, ponderando de quem poderia ser, uma voz suave veio ao seu lado:
— Você acordou?
Sentindo que seu coração iria parar, Wooyeon levantou a cabeça. Sob seu olhar enviesado, viu a aparência impecável de Dohyun. Ele estava encostado na cabeceira da cama, olhando casualmente para o telefone, e então desviou os olhos preguiçosamente para Wooyeon.
— Você está acordado?
—…!
A sonolência desapareceu instantaneamente. Suas pupilas dilataram e seu corpo inteiro enrijeceu. Não era só porque Dohyun estava na sua frente. Era porque Dohyun estava segurando sua mão e não usava nada na parte superior do corpo.
Os ombros largos eram retos e elegantes. Mesmo quando ele estava vestido, Wooyeon percebia que era um corpo que seria musculoso mesmo sem exercícios. Wooyeon se viu involuntariamente baixando o olhar para o peito de Dohyun, descobrindo o abdômen bem definido, e rapidamente impulsionou o tronco para cima.
— Por que… por que você… por que você está assim?
O alarme tomou conta de suas pupilas redondas. Wooyeon, que soltara a mão de Dohyun sem perceber, recuou para o pé da cama como se o outro fosse agarrá-lo. Dohyun, observando a reação dele como se assistisse a uma comédia, murmurou como se fosse um absurdo:
— Há algum problema com a minha aparência?
Finalmente, Wooyeon percebeu que havia um vazio excessivo entre suas pernas. Não apenas ali, mas seu pescoço e ombros sentiam o mesmo. Enquanto baixava o olhar distraidamente, viu seu corpo coberto apenas por um roupão.
— P-Por que eu estou assim?
Apressadamente juntando as pernas, Wooyeon se atrapalhou com a gola do roupão. O cinto estava meio frouxo, mas ele não conseguia raciocinar para amarrá-lo direito. Dohyun, observando Wooyeon, levantou o canto da boca em um sorriso perplexo.
— Sim, essa é a reação de alguém que não se lembra de nada.
Ele estendeu a mão lentamente em direção a Wooyeon. Desatou o cinto torcido e até amarrou a fita corretamente. Wooyeon, ainda encolhido, abriu os olhos apenas pela metade, desviando o olhar vagamente depois que Dohyun se afastou.
—…..
—…..
Um silêncio assustador se infiltrou no ar tenso. Seus feromônios misturados vagavam entre eles sem serem notados. Sem que nenhum dos dois falasse, Wooyeon percebeu outro fato.
“Isso é loucura…”
Ele não estava usando nenhuma cueca. A sensação do roupão entre suas pernas era definitivamente a da pele nua. Por que diabos isso estava acontecendo? Sua cabeça tonta rapidamente resgatou os pensamentos de quando assistiam ao filme.
“No que você estava pensando quando assistiu ao filme?”
Ontem, logo após ouvir essas palavras, Wooyeon prometeu a si mesmo que iria apagar. Então ele bebeu o champanhe e, como resultado, deixou sua mente vagar como bem entendesse. Foi uma ação impensada, mas ele nunca imaginou que acordaria assim.
— Por que… não, o que… o que está acontecendo? — Wooyeon perguntou com a voz vacilante. Pela tensão, quase parecia que ele ia chorar.
Dohyun, com os olhos semicerrados, afastou o cobertor que o cobria.
— Como parece para você?
Ao contrário de Wooyeon, Dohyun estava usando as calças corretamente. Virando as costas e saindo da cama, ele deu de ombros levemente. Enquanto Wooyeon observava seus músculos bem definidos, perdeu momentaneamente os sentidos e admirou as costas de Dohyun.
Embora não fosse exageradamente musculoso, seu corpo era perfeitamente tonificado. Cada movimento destacava os músculos das costas, fazendo Wooyeon corar ao se lembrar de ser erguido sobre aqueles ombros. Então, de repente, ele notou algo nas costas de Dohyun e apertou os olhos.
—… Uma tatuagem?
Uma tatuagem se estendia dos ombros até as omoplatas. Não era um desenho, mas parecia ser algum tipo de texto. Considerando que Wooyeon, que era proficiente em inglês, não conseguia ler, provavelmente era em outra língua.
Dohyun esfregou o ombro distraidamente antes de falar de forma vaga:
— Ah, isso…
Seus dedos grossos traçaram a tatuagem sem pressa. Era um gesto insignificante, mas Wooyeon ficou envergonhado ao ver. Ele desviou o olhar sutilmente, então hesitou, percebendo que não era hora de se surpreender com uma tatuagem, e lambeu os lábios nervosamente.
— Hum… eu perguntei porque… eu não sei o que está acontecendo…
Sua cabeça estava girando. Por que ele estava de roupão, por que Dohyun estava daquele jeito, e por que os dois estavam deitados na mesma cama. Não importava o quanto ele quebrasse a cabeça, não havia muitas razões que lhe vinham à mente.
Então Wooyeon decidiu perguntar primeiro sobre a parte mais preocupante.
— Por que eu… não estou vestindo nada de novo?
— De novo?
Dohyun encarou Wooyeon enquanto respondia. Suas pupilas tinham um brilho misterioso. Dohyun franziu as sobrancelhas brevemente, mas logo soltou uma risada fraca.
— Mais uma vez, você pensa algo assim?
—…..
Depois de andar em círculos, era a mesma pergunta novamente. Wooyeon percebeu que nem champanhe havia desta vez e abaixou a cabeça, desanimado. Como era possível que, toda vez que bebia, ele criava um novo passado que queria esquecer? Na próxima vez, sentiu que deveria mudar de nome para não ser reconhecido.
— Eu… eu só queria ouvir de você.
Wooyeon murmurou com o rosto profundamente vermelho. Agora, além de envergonhado, sentia uma ponta de ressentimento. Dohyun sabia perfeitamente o que aconteceu, então por que fingiu não saber até agora?
Mas Dohyun respondeu com firmeza:
— Você é quem deveria dizer.
Embora seu rosto ainda exibisse um sorriso, seu olhar escureceu levemente. Dohyun parecia cansado enquanto olhava para Wooyeon, que estava inquieto. As veias nas mãos que devem tê-lo segurado a noite toda estavam claramente visíveis.
— Pode haver uma razão para você não dizer, mas se você não falar, não saberá de nada.
—…
— Como se você não soubesse o que fizemos ontem à noite.
Wooyeon sentiu um formigamento no peito. Enquanto seus próprios segredos vinham à tona, ele também se lembrava das coisas que Dohyun não havia lhe contado. Ele teria entendido Dohyun mal nos últimos quatro anos porque ele escondeu que era um alfa dominante?
Wooyeon soltou um suspiro. Era mais uma determinação resoluta do que um lamento. A cada respiração ele se acalmava, então olhou para Dohyun seriamente.
—… Nós… dormimos juntos?
Mesmo achando improvável, ele não tinha certeza se não havia acontecido. Dohyun era um alfa dominante, ele era um omega dominante, e eles já tinham feito algo parecido uma vez. Especialmente acordando nu na cama, as coisas poderiam ter seguido esse rumo.
—…..
Dohyun apertou os olhos levemente e inclinou a cabeça. Wooyeon abaixou o rosto profundamente sob o olhar penetrante de Dohyun e mexeu nos lóbulos das orelhas. Mesmo tentando se cobrir com o cobertor enquanto o outro estava seminu, sentia-se ainda mais constrangido.
— Achei que você não se lembraria, mas… — O murmúrio fraco pareceu um sinal positivo. Sua cabeça esfriou, mas seu coração afundou. Poderia ser que algo realmente tivesse acontecido? Teria cometido um erro sob a influência do álcool que não conseguia recordar?
— A julgar pelo estado do seu corpo… — Dohyun tossiu levemente e cobriu a boca. O suspiro que se seguiu pareceu indicar que ele havia percebido algo. Ele desviou o olhar antes de encarar Wooyeon com incerteza. — Você sabe pelo estado do seu corpo, certo?
Foi uma pergunta inesperada. Wooyeon respondeu com uma expressão vazia: “Hã?”. Foi nesse momento que Dohyun levantou o canto da boca.
— Quero dizer, a dor muscular.
—… Dor muscular?
Demorou um tempo para Wooyeon entender. Ele arquejou ao perceber, seu rosto ficando ainda mais pálido.
—…..
Agora que ouviu a explicação, seu corpo todo parecia dolorido, especialmente em áreas como a cintura e a pelve, que normalmente não doíam. Não era grave o suficiente para atrapalhar sua rotina, mas era definitivamente uma dor muscular.
— Sério…
Wooyeon não conseguiu dizer mais nada e ficou em silêncio. Era evidente que eles tinham dormido juntos, mas ouvir isso tornou tudo inegável. Enquanto lutava para encontrar as palavras, Dohyun pegou algo do chão com um sorriso irônico.
— Você provavelmente não deveria ouvir isso de mim.
Uma camiseta branca estava na mão de Dohyun. Se a memória de Wooyeon não falhava, era a peça que Dohyun usara na noite passada. Wooyeon sentiu que poderia desmaiar e arregalou os olhos.
— Eu vou indo. Descanse bem hoje.
Com isso, Dohyun saiu do quarto. Não houve uma resposta clara e direta sobre se tinham dormido juntos ou não.
Ele perguntou: “Você sabe pelo estado do seu corpo, certo?”. Infelizmente, Wooyeon não tinha nada com que comparar para ter certeza.
Durante todo o fim de semana, Wooyeon passou seu tempo em vários estados de confusão. Começou questionando se ele realmente tinha dormido com Dohyun, até se perguntar se era ok ter intimidade com alguém enquanto estava bêbado. Embora o veterano que ele conhecia não fosse do tipo que fazia esse tipo de coisa, não havia uma razão convincente para acreditar nisso.
Dormir com ele ou não, essa era a questão. Esses pensamentos conflitantes se chocavam implacavelmente, cada um defendendo sua própria posição a cada segundo. O primeiro encontrou evidências em circunstâncias visíveis, enquanto o último encontrou provas em uma confiança invisível. Wooyeon pesou essas duas opções por um longo tempo, mas, no final das contas, lembrou-se do fato de Dohyun ser um alfa dominante e endureceu sua determinação.
“Eu não deveria alimentar nenhuma expectativa.”
Não havia nada tão frágil quanto a suposição de que não poderia ser verdade. Wooyeon gostava de Dohyun, mas isso não significava que Dohyun não fosse um alfa. Se ele o tivesse abraçado enquanto emitia feromônios, também havia a possibilidade de que tivesse sido fiel aos seus instintos.
Assim que esse pensamento lhe ocorreu, Wooyeon foi atingido por um arrependimento avassalador. Mesmo que suas intenções não estivessem refletidas em suas ações, sentiu mais injustiça do que desconforto. Já que a situação tinha chegado a esse ponto, teria sido bom pelo menos lembrar. A experiência de ser segurado por Dohyun poderia nunca mais se repetir.
Wooyeon também sabia o quão tolo esse pensamento era. Se tivesse um raciocínio normal, deveria estar decepcionado pelo fato de Dohyun ter tocado em uma pessoa bêbada. Em vez de recordar o corpo firme de Dohyun, deveria sentir raiva e ressentimento.
Mas, como sempre, sua cabeça não conseguia vencer o coração. Wooyeon já gostava demais de Dohyun para odiá-lo por isso. Estava tão cego pelo fato de Dohyun ter correspondido a ele, que nutria até uma pequena esperança de que houvesse uma possibilidade real.
Então, três dias se passaram. Assim que chegou a manhã de terça-feira, depois de uma noite sem dormir, Wooyeon sentiu que algo estava errado com seu corpo. Ele contatou imediatamente seu médico particular, que veio às pressas e realizou vários testes.
— Então… você está dizendo que não está sentindo o efeito do supressor?
— Sim, eu também tive um sangramento ontem.
Apesar de tomar o remédio diligentemente, seu corpo inteiro estava sensível. Os feromônios estavam agitados, e um desejo inexplicável continuava aumentando. A razão pela qual não conseguiu dormir a noite toda também era porque se lembrava vividamente das sensações que Dohyun havia proporcionado.
— Por enquanto, pode ser um sintoma temporário, então continue tomando o remédio normalmente. Os resultados dos testes não mostram problemas maiores, mas até que sua condição melhore, é melhor você descansar em casa.
O médico respondeu calmamente enquanto mexia na bolsa que trouxera. Vendo sua testa ligeiramente franzida, parecia que ele não entendia bem o problema. Wooyeon perguntou sutilmente enquanto pressionava o local onde o sangue fora colhido:
— Estou um pouco hesitante em faltar à faculdade. Existe alguma outra maneira?
Ele poderia usar um atestado médico, mas hoje tinha duas aulas importantes. Era difícil perdê-las, pois entender a matéria já era um desafio. Não seria difícil faltar hoje, pedir desculpas aos professores e tirar a semana de folga.
— Eu poderia te dar uma injeção, mas o efeito pode não durar muito… — O médico respondeu com uma expressão pouco entusiasmada. — Eu realmente não recomendo.
Embora ele tenha acrescentado essas palavras depois, Wooyeon foi persistente:
— Só por hoje.
—… Se você insiste, darei a injeção por enquanto. Mas você realmente deve descansar em casa amanhã. Entendeu?
Em resposta ao pedido fervoroso, Wooyeon assentiu vigorosamente. Toda a conversa de hoje seria relatada à sua mãe; se algo acontecesse, o médico seria imediatamente demitido. Ele provavelmente sabia disso, e por isso hesitou em prescrever o medicamento tão livremente.
— Você não precisa mencionar a injeção… — Wooyeon murmurou sem querer, e o médico riu gentilmente. Então, acrescentou com seriedade:
— Você deve ter cuidado porque é um omega dominante.
Desde que se manifestou, Wooyeon levava esse conselho tão a sério quanto fazer as refeições. Costumava ouvir isso três vezes ao dia, especialmente logo após a manifestação. No entanto, Wooyeon já era cauteloso o suficiente.
— Você pode sentir um pouco de dor.
A injeção aplicada pelo médico suprimiu temporariamente os feromônios. Não houve efeitos colaterais específicos, mas a resistência poderia se desenvolver, por isso não podia ser usada com frequência, apenas em emergências. O efeito duraria exatamente 12 horas, então ele recebeu a instrução de voltar para casa dentro desse tempo.
— Voltarei amanhã no mesmo horário, então tome cuidado na faculdade.
O médico particular não demorou e saiu com seus pertences. Wooyeon sabia que ele não gostava de conversas longas. Provavelmente ligaria para sua mãe no caminho de volta e explicaria tudo detalhadamente.
—… Sinto sua falta, Sunbae.
Wooyeon suspirou profundamente enquanto pressionava o braço enfaixado. Sua cabeça já estava confusa o suficiente, e agora o período de cio também o incomodava. Na verdade, queria perguntar ao médico se a atividade sexual teve algum impacto, mas mencionar isso poderia fazer com que fosse arrastado de volta para casa imediatamente.
***
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna