Capítulo 05.2
Alpha Traum, Capítulo 5 – ❀ Professor, Parte 02
Os olhos de Wooyeon se arregalaram de surpresa. Assim como quando Dohyun entrou no café há pouco, as emoções persistentes hesitaram quando seus olhares gentis se encontraram. Até mesmo os feromônios de Junseong, que antes impregnavam seu pulso, não eram mais detectáveis.
— Não, quem é você…
Junseong deu um passo para trás de forma desajeitada, com uma expressão perplexa. Ele pareceu bastante surpreso com a aparição repentina de Dohyun. Qualquer um podia ver que ele era um veterano; não era irracional ficar chocado, especialmente considerando que Dohyun era mais alto que ele. Wooyeon, ignorando Junseong, agarrou o casaco de Dohyun.
— A reunião acabou.
Ele não poupou um olhar sequer para Junseong, não acrescentou nenhum comentário e não demonstrou qualquer desconforto ao olhá-lo. Apenas relaxou o olhar e encarou Dohyun com uma expressão satisfeita.
— Vamos, veterano.
Dessa vez, Junseong também não conseguiu segurar Wooyeon. Dohyun seguiu Wooyeon silenciosamente, observando sutilmente o rosto de Junseong.
Depois de entrarem na sala de estudos, eles tiveram dificuldade em lidar com Garam e Seongyu. Os dois reclamaram sobre o que aquela “cabeça amarela” tinha feito e ficaram em choque ao saber que Junseong fora escolhido como o líder do projeto. Após um tempo de silêncio, Seongyu sugeriu seriamente: “Vamos nos aproveitar dele”, e Wooyeon se viu rindo involuntariamente.
— Mas como você soube e apareceu?
Wooyeon, segurando sua bolsa, olhou ao redor e verificou a janela. Talvez esperando ver o lado de fora, notou que havia uma película meio opaca na parte inferior da vidraça larga. Era difícil saber a situação externa, pois apenas silhuetas eram mal visíveis.
— Eu simplesmente tive um bom timing — Dohyun disse isso enquanto apontava para os cigarros que havia tirado.
Parecia que ele se levantara para fumar e acabou olhando para fora através da parte transparente acima da película. Garam se levantou, vasculhando sua bolsa, e caiu na gargalhada.
— Ei, pensei que Kim Dohyun tivesse saído de repente porque precisava cagar.
— Noona, eu também quero um cigarro.
Eles se levantaram e olharam pela janela por um tempo. Comentaram que parecia que o cara já tinha ido embora e que, se ele ainda estivesse lá, não o teriam deixado sair facilmente. Enquanto tinham essa conversa aleatória, Dohyun falou casualmente:
— Tirem o cheiro antes de voltar.
Parecia que ele não tinha intenção de ir junto. Garam olhou para ele com uma cara confusa.
— Você não vem?
— Não estou com vontade.
— E quanto ao Wooyeon?
— Ele parou de fumar.
— Uau, eu não tinha percebido isso.
Eles saíram da sala de estudos, deixando Wooyeon concentrado apenas em estudar. Os dois que voltaram depois de fumar ficaram surpresos com a dedicação dele. Exceto por momentos ocasionais quando Dohyun lhe dizia para fazer uma pausa para esfriar a cabeça, Wooyeon não tirou os olhos do livro por horas.
— Graças ao Wooyeon, estudei muito hoje.
— Eu também. Fiquei motivado sem motivo.
Conforme o tempo reservado chegava ao fim, Wooyeon tirou os óculos e esfregou os olhos. Por estar tão absorto, palavras em inglês rastejavam como vermes em sua mente. Dohyun, arrumando as coisas, olhou para Wooyeon e riu de brincadeira.
— Ficou a marca dos óculos.
O que aquela frase significava? Seu rosto ficou vermelho brilhante. Ele cobriu os ouvidos com as mãos, mas o pescoço rubro não pôde ser escondido. Era um dia tranquilo, como se nada tivesse acontecido.
Um encontro com Dohyun. Só de pensar nisso, Wooyeon deu o seu melhor. Além de comer e dormir, passava a maior parte do tempo sentado em sua mesa, ocasionalmente divagando em pensamentos sobre Dohyun. Era um foco semelhante aos dias de antigamente, quando queria impressionar seu professor — uma concentração que dizia: “Cai fora, estresse de prova.”
Então, Wooyeon recebeu uma nota perfeita na redação que escreveu em inglês para o primeiro exame. Foi justamente por causa das informações que Dohyun forneceu, mas Seongyu, que havia recebido as mesmas dicas, teve sua nota reduzida. Suprimindo o desejo imediato de se gabar, Wooyeon se preparou para o próximo teste.
O segundo exame também foi bem-sucedido. Ao receber uma folha em branco e a ordem de escrever tudo o que memorizou, Wooyeon não hesitou e preencheu o papel até a borda. Para Wooyeon, que estudou sem muita estratégia, problemas que exigiam apenas recitação eram muito mais fáceis.
O terceiro e o quarto exames também não foram difíceis. Às vezes, o conteúdo era memorizado pouco antes da prova, e em algumas ocasiões, todas as questões eram baseadas nos pontos que Dohyun ressaltava. Além disso, e felizmente, a aula de artes liberais com Junseong se tornou um período livre para “preparar-se para o exame”, então não houve contato com os membros da equipe. Wooyeon decidiu se concentrar nos exames por enquanto.
E finalmente, a tão esperada sexta-feira. Wooyeon organizou o conteúdo em suas anotações antes do último exame. A aula de fonologia inglesa que ele teve com Dohyun era difícil, e entender os conceitos não fora fácil. Embora Dohyun tivesse ajudado um pouco, Wooyeon ainda não estava confiante.
— Você acha que vai se sair bem?
Wooyeon levantou a cabeça fracamente, parecendo desanimado. Dohyun apertou os olhos para a falta de confiança de Wooyeon. Então, com uma breve hesitação, ele estendeu a mão para a nuca de Wooyeon.
— Não fique nervoso, relaxe.
Dedos longos despentearam seu cabelo. Os fios desgrenhados agarraram-se às pontas dos dedos de Dohyun. Wooyeon endireitou as costas e olhou para o veterano com os olhos levemente semicerrados.
— Só leia as perguntas com cuidado. Entendeu?
Um sorriso levemente desenhado inundou seu coração. Embora Dohyun tenha removido a mão rapidamente, o toque permaneceu. Sentindo como se pudesse ouvir seu próprio batimento cardíaco nos ouvidos, Wooyeon gaguejou e franziu os lábios.
— Veterano, você também…?
Seu rosto ficou intensamente vermelho. O calor em sua cabeça tornou difícil lembrar o que ele tinha estudado até ali. Em vez de aliviar a tensão, seu corpo inteiro ficou tenso de uma forma diferente.
— Boa sorte com o exame.
Wooyeon mal conseguiu pronunciar essas palavras e abaixou a cabeça. Antes de desviar o olhar, Dohyun pareceu ter uma expressão de surpresa, mas Wooyeon nem conseguia prestar atenção nisso. Seu coração batia tão rápido que, se relaxasse por um momento, seus feromônios poderiam jorrar.
Se a intenção era aliviar a tensão, fora um fracasso. Mas, se a intenção era distraí-lo e eliminar as preocupações sobre a prova, fora um sucesso. Até o professor entrar e distribuir os papéis, a mente de Wooyeon estava cheia apenas de pensamentos sobre Dohyun.
— Ugh, os exames finalmente acabaram…
Garam, com o rosto brilhante, quase irrompeu na sala do clube, mas hesitou ao entrar. A atmosfera sutilmente pesada picou sua pele, o que a fez parar. Quando ela se calou, Dohyun e Wooyeon estavam sentados um de frente para o outro em uma mesa.
Dohyun, com uma expressão um tanto apologética, virou-se para olhar para Garam. Seu silêncio sugeria que algo realmente havia acontecido. Garam olhou para Wooyeon, que parecia à beira das lágrimas.
— O que foi?… Você está tentando impor disciplina militar?
O rosto de Dohyun se contorceu em uma carranca. Com uma expressão confusa, ele abriu a boca, a voz tingida de irritação. Em resposta à pergunta “Eu por acaso sou louco?”, Garam coçou a bochecha de brincadeira.
— Se não é isso, então por que o clima está assim? Aconteceu alguma coisa?
Garam entrou lentamente na sala. Em vez de se sentar ao lado de Dohyun, mudou de curso e sentou-se ao lado de Wooyeon. Assim que ela se acomodou, Dohyun franziu os lábios enquanto a observava.
— Ugh, o garoto murchou feito um balão.
Wooyeon olhou fracamente para Garam. Seus olhos, normalmente redondos, pareciam úmidos e sombrios hoje. Garam suavizou sua expressão, sentindo que ele poderia explodir em lágrimas a qualquer momento.
— Tudo bem, conte para a sua Noona. Foi o Kim Dohyun? Ou aquela cabeça amarela daquela vez?
— Noona… — Wooyeon hesitou em falar.
Mesmo diante da hesitação, Garam esperou pacientemente. Logo, com ambas as mãos cobrindo o rosto, Wooyeon murmurou com a voz embargada:
— Eu errei na última prova…
Wooyeon estava nesse estado desde o momento em que recebeu a prova. Até então, estava imerso na excitação de seus sentimentos por Dohyun, mas assim que leu as perguntas, perdeu o foco. Não por causa de Dohyun, mas simplesmente porque as questões eram difíceis.
Não eram nada parecidas com os testes que tinham durante as aulas. Embora tivesse memorizado todos os conceitos e interpretado as questões perfeitamente, ele simplesmente não sabia o que aplicar. Uma vez que sentiu a dificuldade, confundiu-se com outros conceitos e, no final, tudo o que tinha memorizado desapareceu.
— Ele pediu para mudar as características e formar outro fonema, mas eu não sei o que é o quê. E enquanto isso, me confundi com lacunas acidentais e outras coisas…
Garam ouviu distraidamente. Fosse sobre lacunas aleatórias ou o que fosse, para ela, Wooyeon era apenas um júnior em sua frente. Embora se lembrasse de estudar fonologia, além de ter tirado um D+, ela não conseguia se recordar de mais nada.
— Ah… entendo… — Garam hesitou, retirando a mão incerta antes de dar um tapinha no ombro dele.
Dohyun, sentindo-se estranho sob o olhar dela, que parecia questionar o que fazer, desviou o olhar desajeitadamente. Era evidente que ele também não conseguia encontrar uma forma de confortar Wooyeon e permaneceu sentado em silêncio.
— Ainda assim, Wooyeon, se foi difícil para você, deve ter sido difícil para os outros também…
— O veterano disse que se saiu bem.
—…
Garam lançou um olhar severo para Dohyun. “Por que você fez isso, seu idiota?”. Com aquele olhar, Dohyun sutilmente evitou o contato visual. Na verdade, como Dohyun frequentava as aulas desde o primeiro ano, era inevitável que tivesse um desempenho melhor que Wooyeon.
Quanto tempo havia passado? Garam finalmente desistiu de tentar confortá-lo. Wooyeon tentou fingir que estava bem, mas parecia ainda mais lamentável. Eventualmente, quando Garam estava prestes a se sentar de forma mais composta, alguém bateu na porta.
— Oh, vocês estão todos aqui? Mas os exames acabaram…
Seongyu teve exatamente a mesma reação de Garam. Entrou entusiasmado, mas parou de falar assim que pisou na sala. A presença estranha dos veteranos e a aparência do júnior que parecia prestes a chorar o fizeram recuar.
— Se vocês estão impondo disciplina militar, eu vou embora.
Wooyeon sabia o quanto os três se preocupavam com ele. Ele sabia que não tinha errado o suficiente para ficar tão deprimido e, se fosse para ser crítico, também sabia que suas notas no exame de meio de semestre seriam boas.
No entanto, saber de tudo isso não mudava os resultados do exame final. Dohyun havia prometido levá-lo ao cinema se ele se saísse bem, então não havia mais razão para pedir o passeio. Ele se sentia mais chateado por perder esse tempo com Dohyun do que por ter arruinado o trabalho duro que dedicou aos estudos.
— Wooyeon, anime-se. Você pode compensar isso nos exames finais.
Garam liderou o desanimado Wooyeon e reuniu os membros do clube. Eles reservaram um pub para uma festa e confortaram Wooyeon, dizendo para ele tomar uma bebida e sacudir a poeira. Wooyeon disse por cortesia, “Estou bem agora”, mas foi imobilizado por Seongyu, que lhe disse para não mentir.
— Vamos, vamos beber juntos. Se você não quiser beber, então não beba.
Wooyeon assentiu enquanto brincava com um pequeno copo de soju. Garam encheu o copo dele. Enquanto erguiam os copos, outros membros do clube próximos se juntaram a eles.
— O que é isso? Fiquei de fora do brinde!
— Eu também!
— Ei, eu também!
A celebração do brinde se espalhou como ondas, naturalmente alcançando onde Dohyun estava. Wooyeon, um pouco afastado deles, sentiu Dohyun olhando em sua direção.
— Kim Dohyun! Você não tem nada a dizer como presidente do clube?
— Ah, um brinde!
— Veterano, você é demais! Por favor, diga alguma coisa!
—… Parece que todos vocês já beberam antes de vir para cá.
Embora ninguém tivesse tomado um gole ainda, a atmosfera parecia inebriante. Dohyun, aparentemente familiarizado com o jeito dos membros, levantou seu copo de soju. Ironicamente, o brinde veio de Garam, não de Dohyun.
— Pelos Clássicos Ingleses! Entenderam? Pelos Clássicos Ingleses!
— Pelos Clássicos Ingleses!
Após brindar com Garam, Wooyeon abaixou seu copo. Ele estava relutante em beber devido à lembrança de seu erro anterior. Garam, ao vê-lo abaixar o copo, repreendeu os outros de brincadeira, sem impor nenhuma restrição a Wooyeon.
— Ei, olha esses caras saindo sem brindar.
— Ah, Noona, para com isso. Você está agindo como aquele sênior folgado.
— Uau… como você pode dizer uma coisa dessas…
Garam começou a imitar o aluno que retornou com um olhar magoado. Seongyu tremeu, pedindo para ela parar, mas ela não parou. A maneira como ela levantava a garrafa, perguntando para onde o copo do veterano “semelhante ao céu” escaparia, era a personificação perfeita de um veterano inconveniente.
Wooyeon soltou uma risada vazia, encostando-se na parede. Durante a cerimônia de abertura, fora apenas estranho; durante a reunião do clube, irritante. Agora, sentia apenas uma distração. No entanto, apesar disso, a figura de Dohyun, um pouco distante, estava vividamente em seu campo de visão.
Logo que Dohyun entrou na festa, sentou-se no assento central antes de qualquer outra pessoa. Após o grupo se formar ao redor dele, Wooyeon não teve escolha a não ser sentar em um canto com Seongyu. Se Garam não tivesse vindo por ali, ele poderia ter evitado a situação embaraçosa que enfrentou antes.
Depois de ouvir os calouros por um tempo, Dohyun sorriu e levantou a garrafa. Após encher os copos dos juniores e o seu próprio, ele naturalmente fez um brinde. No momento em que Wooyeon virou a cabeça, sentindo o estômago revirar, viu o sorriso afetuoso característico de Dohyun.
— Quem quer jogar um jogo de bebida?
Um desconforto inexplicável surgiu dentro dele. Não era a excitação usual, mas algo mais intenso. Não importava o quão próximo se sentisse de Dohyun, tornava-se evidente mais uma vez que ele era apenas mais um entre os juniores.
— Você quer jogar, Wooyeon? — Garam alegremente girou a tampa de uma garrafa de soju e perguntou, pegando Wooyeon desprevenido enquanto ele mordia o interior da bochecha.
— Um jogo de bebida?
— Sim, se você jogar, Noona te deixa de café com leite.
— O quê? Por que você está favorecendo o Wooyeon!
— Ei, vocês não sabem de nada. Se ele tiver que pagar castigo, teremos que fechar o bar hoje mesmo.
Embora quisesse beber, Wooyeon não esquecia o incidente em que xingou em inglês. Teria sido bom beber com moderação, mas ele ainda não tinha essa habilidade.
— Sério, eu tenho que beber?
— Bem, então beba apenas água.
Garam assentiu alegremente e trouxe uma garrafa grande de água. Como a história do incidente com o veterano folgado já havia se espalhado, ninguém se opôs.
— Vamos abrir a tampa da garrafa!
Com o comando de Garam, a tampa girou de mão em mão. Wooyeon observou as ações dela e, seguindo o exemplo, petelecou a tampa com o dedo. A peça seguiu caminho até a vez de Seongyu, onde se quebrou de forma limpa.
— Oh, Seongyu foi pego! Beba tudo de uma vez.
— Hein? Não era a minha vez de fazer alguém beber?
— O que importa? Você foi pego!
Seongyu fez uma cara de perplexo, mas obedeceu e tomou o soju. Não importava o quanto ele insistisse, parecia que todos já tinham previsto o seu destino. Wooyeon aprendeu ali a ideia equivocada de como os jogos de bebida deveriam ser.
Outros jogos continuaram sem fim. Wooyeon permaneceu mais sóbrio que qualquer um, mas consumiu mais água do que todos. No início, duvidaram de suas habilidades, mas depois passaram a admirá-lo sinceramente.
— É um talento não conseguir ganhar uma única vez.
— Bem, você pode não ser bom em jogos, Wooyeon, mas é bonito, então está tudo bem.
Wooyeon bebeu, confuso se devia ficar feliz ou triste. Ainda era desafiador se adaptar; as regras variavam e cada jogo tinha uma música e gestos diferentes que faziam sua cabeça quase explodir.
— Moon Garam.
Quando já haviam consumido três garrafas de álcool, Dohyun se aproximou por trás de Garam. Apontando para um dos juniores com os pauzinhos, Garam inclinou a cabeça para trás de brincadeira.
— O quê?
Embora a pergunta fosse para Garam, Wooyeon sentiu a tensão aumentar. Ele apertou os pauzinhos, enrijecendo o rosto. Os feromônios que estavam distantes momentos atrás agora estavam perigosamente próximos.
— Desça um pouco. Os veteranos chegaram.
Apesar da atmosfera carregada, a voz de Dohyun estava calma. O tom suave fez o interior da boca de Wooyeon formigar.
— O quê? Venha sozinho.
— A Minjeong Noona também está aqui.
Garam se levantou abruptamente assim que a conversa terminou. Após soltar alguns xingamentos baixos, ela rapidamente arrumou a aparência, soltando o cabelo e colocando-o atrás das orelhas.
— Ei, eu estou bem?
Mesmo sob a iluminação fraca, o rosto tenso dela era visível. Dohyun olhou para Garam com indiferença e respondeu no mesmo tom:
— Você quer uma resposta honesta?
— Não, apenas fique quieto.
Como se não esperasse muito, Garam saiu apressada. Sua saída do bar, com o cabelo esvoaçante, pareceu triunfante. Wooyeon observou a figura dela se afastar e se virou quando Dohyun olhou para ele.
Sentiu uma pontada de decepção. Dohyun iria embora novamente e não voltaria até o fim da bebedeira. A curiosidade sobre quem era essa “Minjeong Noona” misturou-se a um ressentimento inexplicável. Imagens dele conversando com outros juniores passaram por sua mente, até que uma voz suave o alcançou.
— Você bebeu muito?
Dohyun o observava atentamente. Examinou-o do topo da cabeça até as orelhas antes de se sentar casualmente no lugar que Garam ocupara.
—… Isso é álcool?
— Nós estávamos jogando.
Dohyun pegou o copo e cheirou-o levemente para confirmar se era álcool ou água. Wooyeon respondeu, um pouco atordoado:
— É água. A Garam Noona me deixou de café com leite.
— Café com leite?
Uma risada leve escapou dele. Ele devolveu o copo, dizendo “Felizmente”, com um suspiro de alívio. Parecia genuinamente reconfortante, e Wooyeon, sem perceber, deixou escapar:
— Você tem medo que eu fale palavrões em inglês de novo?
Dohyun não respondeu, mas seu olhar ganhou um brilho sutil. Era como se dissesse: “Claro, por que não?”. Sem uma intenção clara, Dohyun murmurou vagamente:
— Estou preocupado que você possa ficar bêbado.
A palavra “preocupado” fez seu estômago dar voltas. O fato de Dohyun ter se sentado ao lado dele e conferido seu copo, tudo isso era “preocupação”. Dohyun provavelmente falou sem pensar muito, mas isso fez Wooyeon se sentir estranhamente animado.
— Mas Hyung, quem é Minjeong Noona? — Seongyu, que estava na frente deles, perguntou. Os veteranos pareciam familiarizados com ela. Dohyun assentiu.
— Ela é uma veterana que já se formou, mas era do clube.
— Uau, quantos anos ela tem?
— Provavelmente um ano a mais que eu…
Wooyeon admirou discretamente o perfil de Dohyun. Com a pele sem sinais de embriaguez e um comportamento composto, era difícil crer que ele tinha bebido. Dohyun tranquilizou Seongyu, dizendo que eles eram bons veteranos. Sua expressão era genuinamente agradável, diferente do sorriso que Wooyeon às vezes percebia como insincero. Ao ver os lábios dele formando uma linha gentil, uma sensação de formigamento percorreu Wooyeon.
—… Por que os veteranos vieram? — Wooyeon mascarou suas emoções com uma expressão neutra.
— Temos mais um chegando. O antigo presidente do clube.
A menção ao “antigo presidente” lembrou Wooyeon do que Garam dissera: o “Deus da Gestão” que reviveu o clube.
— O Deus da Gestão está vindo?
— Aquele cara…
Era uma pergunta inocente, mas a expressão de Dohyun mudou. Ele franziu a testa por um segundo antes de suavizar o rosto em um sorriso nada natural.
— Por que? Está curioso para ver como ele é?
Wooyeon levantou a cabeça. Garam dissera que ele era bonito ou que tinha um brilho próprio, mas Wooyeon não estava interessado. Além disso, se ele era o parceiro do assistente de ensino, não seria ele o dono daqueles feromônios intensos de alfa dominante?
— Bem, ele é apenas um alfa de qualquer maneira…
Com as palavras de Wooyeon, os lábios de Dohyun se contraíram levemente. Antes que ele pudesse responder, a entrada do bar ficou barulhenta. Ele suspirou, comentando sobre o amigo ser “sempre previsível”, e virou a cabeça.
— Parece que ele chegou.
— Ei! Juniores!
Foi um timing surpreendentemente impecável. O barulho foi tão alto que fez o bar tremer e, sem querer, Wooyeon agarrou a manga de Dohyun. Quando ele discretamente se moveu para o lado e inclinou a cabeça, um homem enorme, como um urso, apareceu.
— Ei, já faz um tempo, pessoal!
— Sênior, quanto tempo!
— Hyung, não consigo esquecer os jogos de bebida que fazíamos juntos!
— Sim, sim. Eu sabia que era por isso que eu vinha.
Similar em altura a Dohyun, mas parecendo duas vezes mais volumoso, o homem não estava acima do peso, mas sua figura imponente o fazia parecer gigantesco. Apesar disso, seus olhos eram gentis, não passando uma impressão assustadora.
— Park Sungjae, você é muito barulhento.
Atrás dele estava uma mulher pequena. Seu cabelo mal chegava aos ombros e seu rosto inexpressivo exalava uma imagem fria. Wooyeon percebeu instantaneamente que ela era “Minjeong Noona”, pois estava parada ao lado de Garam.
“Ambos são Betas.”
Os ombros de Wooyeon, que estavam rígidos de ansiedade, relaxaram. Ele estava preocupado que, se fossem alfas, ele não gostaria deles; e se fossem ômegas, isso o incomodaria desnecessariamente. Felizmente, ambos eram Betas. Os dois, que estavam envolvidos em uma discussão animada, de repente notaram Dohyun e se aproximaram alegremente.
— Ei, Kim Dohyun! O veterano veio para o aniversário do mais novo e você nem apareceu…
O homem riu com vontade. Seus olhos se arregalaram e suas pálpebras duplas se moveram lentamente para Wooyeon. Wooyeon, ainda olhando distraidamente, voltou sua atenção quando a mulher também o encarou, tornando-se consciente da situação.
Em algum momento, ele estava segurando as roupas de Dohyun. Sentindo-se estranho, soltou rapidamente, mas leves marcas de mãos ficaram no tecido rígido da camisa do veterano. Wooyeon não conseguiu se desculpar direito, sem saber se tentava desdobrar a roupa ou ignorar, então apenas murmurou sem jeito:
— Sinto muito pelas marcas das mãos.
— Tudo bem.
Dohyun respondeu despreocupadamente e se levantou. Então, aproximou-se do homem, agarrando seu braço de forma amigável.
— Hyung, por que parece que você ganhou peso? Você não disse que emagreceu enquanto estudava?
—… Ei, perdi mais de 5 kg! — o homem retrucou rapidamente.
Dohyun, brincando, o espremeu na multidão. O problema era a mulher parada ali com uma expressão nada impressionada. Wooyeon a ouviu murmurar claramente, embora em voz baixa:
— Ladrão.
A palavra soou nítida nos ouvidos de Wooyeon. Dohyun provavelmente ouviu também, mas fingiu que não e abriu espaço para ela. Ela casualmente levantou os cantos da boca e tocou levemente o braço de Dohyun.
— Está tudo bem. Eu cuido disso. Apenas sente-se.
Ela disse isso e sentou-se em frente a Wooyeon. Garam empurrou Seongyu para o lado e sentou-se ao lado da mulher. Dohyun prendeu brevemente o cabelo na parte de trás e retomou o assento ao lado de Wooyeon.
Assim que se acomodaram, um homem do outro lado reuniu pessoas para jogar. Dohyun chamou um garçom para trazer soju e cerveja, enquanto a mulher fazia uma pergunta a ele:
— Quantos novos recrutas este ano?
— Quatro. Havia muitos candidatos, mas nenhum deles conseguia escrever o título em inglês corretamente.
— “Os Miseráveis” também foram escritos este ano?
— Isso acontece todo ano.
Wooyeon achou estranho Dohyun usar honoríficos. Ele tinha usado um tom educado quando se conheceram, mas agora era diferente; era como se ele fosse realmente o mais novo ali.
— Unnie… Você está bem?
— Estou indo bem. Você foi bem nas provas, Garam?
—… Não vamos falar sobre isso, ok? — Garam timidamente colocou o cabelo atrás das orelhas.
Seongyu pareceu surpreso com sua aparência recatada. Dohyun, casualmente, colocou um copo de mistura à frente da mulher. Ela levantou uma sobrancelha.
— Você me chamou aqui para preparar shandy para você?
— Por que eu chamaria você? Com o Sungjae Hyung, o pagamento é o suficiente.
— O Park Sungjae sabe disso? — os olhos da mulher se estreitaram, achando divertido.
Embora ela estivesse ameaçando abertamente “quebrar as costas” de alguém, não parecia disposta a compartilhar a informação com o homem.
— Bem… o Park Sungjae cuidará disso.
A mulher começou a preparar a bebida habilmente. Servindo o soju e depois a cerveja, usou os hashis para mexer, criando uma mistura perfeita sem transbordar — a habilidade de quem já fizera aquilo muitas vezes. Então, entregou o copo para Wooyeon.
— Você parece jovem. Qual é o seu nome?
Wooyeon ficou surpreso. Não esperava que ela falasse diretamente com ele. Antes que pudesse pegar a bebida, Dohyun inesperadamente estendeu a mão e pegou o copo.
— Este é Seon Wooyeon. Não é um nome estrangeiro, Seon é o sobrenome, Wooyeon o nome.
Tendo respondido, Dohyun tomou um gole. Assim como em festas anteriores, ele engoliu tudo de uma vez. A mulher comentou “isso não é seu”, mas ele não se importou.
— Como esperado, a bebida da Noona é saborosa.
Seu sorriso provocador era travesso. A mulher pareceu concordar, pois riu e mostrou a língua levemente. Depois de um tempo, ela gesticulou para Wooyeon.
— Um calouro, certo?
— Sim.
— Você parece bem jovem.
— Tenho 20 anos.
— Você não era assim quando tinha 20, Dohyun.
—… Você está me insultando agora?
Wooyeon, segurando seu copo de água, calou-se. Era estranho ouvi-la falar sobre o veterano como se ele não estivesse ali. A atmosfera parecia amigável de um jeito que Wooyeon não conseguia decifrar.
— Unnie, faz uma para mim também.
— Acha que sou uma máquina?
— Ah, eu também estou curioso… — Seongyu comentou.
— Caramba, até os calouros agora.
A mulher rapidamente se tornou amigável com Seongyu. Apesar do rosto inexpressivo e tom frio, ela não era desagradável. Ela preparou mais duas bebidas e, depois de entregar a Garam e Seongyu, sorriu para Wooyeon.
— Você gostaria de uma também?
— Noona — Dohyun chamou suavemente.
A mulher olhou para ele e depois de volta para Wooyeon.
— Não estou forçando, se não quiser, pode dizer. Você não aguenta álcool?
— Não é isso.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna