Capítulo 05
Alpha Traum, Capítulo 5 – ❀ Professor
Seon Wooyeon nunca soube como esconder seus sentimentos. Era verdade quando ele se apaixonou pela primeira vez e continuava o mesmo agora que estava ciente de suas emoções fugazes. Sempre que seu coração disparava e seu olhar seguia o outro, ele se sentia impotentemente levado pela brisa.
Hoje, também, Wooyeon admirou distraidamente o perfil lateral de Dohyun. Inicialmente, ele roubou olhares discretos, mas em algum momento, estava olhando fixamente. Garam tinha adormecido na cama improvisada e Seongyu tinha saído para resolver outros assuntos, não deixando ninguém para impedi-lo.
“Ele é muito bonito.”
Seu nariz reto parecia meticulosamente trabalhado, e até mesmo suas sobrancelhas levemente franzidas, as pálpebras duplas tênues em seu olho esquerdo e seus lábios bem fechados cativaram o coração de Wooyeon.
Pensando bem, mesmo durante as sessões de tutoria, Dohyun se sentava do lado direito de Wooyeon. A distância era próxima o suficiente para que seus ombros ocasionalmente se tocassem, e o ângulo era perfeito para ver suas pálpebras se dobrarem quando ele sorria. Quando Dohyun inclinava a cabeça de vez em quando, Wooyeon conseguia sentir o cheiro agradável e característico de Dohyun.
—…
Sim, assim como agora.
Feromônios secos, sutis e reminiscentes de folhas de outono, envolviam os arredores. Embora fosse um dia quente de primavera com uma brisa suave, os feromônios de Dohyun eram tão refrescantes quanto o outono. Wooyeon encostou os lábios no moletom perto de seu próprio pescoço e esfregou a orelha.
Desde que Wooyeon disse, “Sênior, seus feromônios estão bem”, Dohyun aumentou a quantidade que emitia diariamente. Começou em um nível mínimo e, como Wooyeon não mostrou sinais de resistência, gradualmente se transformou em uma presença mais proeminente, semelhante a um alfa dominante.
Depois de uma semana, Wooyeon podia sentir a proximidade de Dohyun até de olhos fechados. Claro, se Wooyeon não fosse um ômega, ele poderia não ter notado.
— Parece que você está tendo problemas para se concentrar.
A voz gentil de Dohyun interrompeu os pensamentos de Wooyeon. Ele estava escrevendo algo em seu caderno e perguntou com um tom suave:
— Eu deixei alguma coisa no rosto?
Wooyeon voltou a prestar atenção e virou a cabeça. Sem que percebesse, estava encarando Dohyun enquanto mergulhava em pensamentos. Não é como se ele estivesse anunciando que gosta dele.
— Não, você não tem nada no rosto — Wooyeon murmurou e abaixou a cabeça.
Algo apareceu em seu rosto, mas o problema era que se tratava de atratividade ou charme. Se ele mencionasse isso, Dohyun provavelmente acharia um absurdo.
— Se houver algo que você não entenda, me avise.
— Okay.
Wooyeon coçou levemente a bochecha e se concentrou em seu livro didático principal. Com as provas de meio de semestre se aproximando, não havia tempo para sonhar acordado como uma criança inexperiente; ele não podia se dar ao luxo de estragar os exames.
No entanto, apesar de tamanha determinação, Wooyeon não conseguia ficar cinco minutos sem olhar para Dohyun. Seu olhar deslizou discretamente, explorando os lábios firmes e o contorno ao redor. Enquanto admirava os lábios de Dohyun, ele suspirou e abaixou a caneta.
—… Não está funcionando.
Ele se levantou e pegou o maço de cigarros que havia colocado ao lado dele. Assustado, Wooyeon arregalou os olhos e Dohyun casualmente ajeitou o cabelo sem muita cerimônia. No meio disso, Wooyeon pensou que até seu cabelo desgrenhado parecia bom.
— Vou estudar mais tarde. Vou fumar um pouco e já volto.
Dohyun disse isso e imediatamente foi em direção à saída da sala. Enquanto ele verificava se havia um isqueiro no maço de cigarros, Wooyeon fez o mesmo.
— EU…!
Sua voz foi muito direta. Antes que pudesse pensar sobre isso, Wooyeon impulsivamente deixou escapar sem muita consideração. Encarando Dohyun, que olhou para ele com uma expressão desconhecida, Wooyeon hesitou, mas continuou:
— Eu… eu também quero fumar.
Na estação em que a brisa da primavera soprava e a chuva parava, o campus estava cheio do doce perfume das flores. As flores de cerejeira já estavam meio caídas, mas as folhas recém-brotadas enchiam os galhos das árvores. Suprimindo a excitação que borbulhava dentro dele, Wooyeon seguiu Dohyun alegremente.
Desde que saiu da sala do clube, Dohyun estava andando rapidamente em silêncio. Era incomum para ele, e Wooyeon achou desafiador alcançá-lo. Enquanto Wooyeon lutava para acompanhar o passo largo de Dohyun, o mais velho olhou para trás.
—… Você está indo bem nos estudos?
Wooyeon abaixou a cabeça, colocando a mão no bolso do moletom. Em vez de se sair bem, ele mal conseguia se lembrar de ter se concentrado direito desde a semana passada. Embora tenha conseguido passar no teste na sexta-feira, não teria sido possível sem a ajuda de Dohyun.
— Não… o conteúdo é difícil e há muito a ser abordado. Não consigo me concentrar.
Sem que percebessem, seus passos se tornaram sincronizados. Apesar de saber que não era nada especial, o coração de Wooyeon inchou com o fato de estar caminhando lado a lado com ele. Dohyun olhou para Wooyeon e depois para frente com uma leve carranca.
A área de fumantes não ficava longe da sala do clube. Recentemente reformada com painéis de madeira para privacidade, Dohyun entrou e tirou um cigarro.
— E você?
— Eu?
— Você fuma?
Wooyeon vasculhou desajeitadamente os bolsos em vez de sentar no banco. Depois de procurar em cada bolso do casaco e da calça, ele riu sem jeito.
— Acho que esqueci de trazê-los.
— É mesmo?
Sem dizer muito, Dohyun acendeu um cigarro. Wooyeon, hipnotizado pela visão de Dohyun cobrindo o cigarro com uma mão para acendê-lo, ficou atordoado. Nunca foi assim quando Daniel fumava, mas quando Dohyun o fazia, parecia uma sessão de fotos.
— Desde quando você fuma?
Wooyeon tocou o banco e se inclinou para a frente. Como ele continuou a encarar Dohyun, o outro soltou uma risada despreocupada, mas então virou a cabeça de forma um pouco tensa na direção oposta.
— Só, você sabe… na época em que os outros começam a fumar.
— Você aprendeu no exército?
— Não, eu fumava antes mesmo de ir para o exército.
A leve fumaça do cigarro se dispersou no ar. Olhando para o perfil de seu rosto ligeiramente virado para o lado, Wooyeon teve uma sensação estranha, como se já o tivesse visto fumar de perto antes.
—… Posso tentar só uma vez?
Dohyun virou o olhar como se questionasse o que tinha acabado de ouvir. Ele exalou a fumaça lentamente enquanto olhava para Wooyeon. O hálito exalado se misturou com a fumaça do cigarro.
— Eu tentei da última vez. É muito forte para ômegas.
— Então… só uma tragada.
Wooyeon persistiu e apontou para o cigarro que o outro segurava entre os lábios. Estreitando o olhar e calculando algo, Dohyun se aproximou dele. O cigarro segurado por seus longos dedos aproximou-se lentamente da boca de Wooyeon.
— Só no final, ok?
Por alguma razão, parecia estranhamente intrigante. Wooyeon hesitou por um momento, então abriu a boca para tocar a ponta do cigarro com os lábios. Talvez porque Dohyun era quem estava fumando, os feromônios agradáveis estavam fortes.
— Você tem que inalar.
Dohyun sussurrou com uma voz suave. Seu olhar observador parecia tão persistente quanto um toque de mãos. Encantado, Wooyeon inalou profundamente a fumaça do cigarro.
Tosse!
A fumaça apressada encheu sua garganta bruscamente. Ardia do fundo da garganta até as narinas. Entre o cheiro de cinzas, feromônios e o odor peculiar de tabaco, Wooyeon, que se afastou do filtro como um louco, começou a tossir.
Cof, cof!
Sem hesitar, Dohyun guardou o cigarro. Ele descartou a ponta após apagá-la e foi até uma máquina de venda automática. Logo retornou com uma bebida isotônica para Wooyeon.
— Por algum motivo, foi estranho.
— Uh…
Lágrimas brotaram. O som de Dohyun abrindo a lata foi ouvido ao seu lado. Incapaz de dizer qualquer coisa, Wooyeon apertou o nariz. A fumaça parecia ter ido pelo caminho errado, fazendo seu sistema respiratório formigar.
— Beba, você vai se sentir melhor.
Dohyun entregou a lata para Wooyeon e deu um tapinha leve em seu rosto. Seus olhos úmidos, agora levemente inchados, tinham lágrimas escorrendo por eles. Depois de fechar a boca brevemente, Dohyun acariciou suavemente as costas de Wooyeon.
— Por que você está agindo de forma tão corajosa se nem fuma?
Wooyeon mal conseguiu engolir a bebida da lata em sua mão. Enquanto bebia o conteúdo, o gosto de cinzas ainda era levemente incômodo. Depois que Wooyeon bebeu mais algumas vezes, Dohyun silenciosamente esperou que ele se acalmasse.
Depois de um longo ataque de tosse, Wooyeon finalmente conseguiu limpar a garganta. Com um rosto que parecia prestes a chorar, ele perguntou, pressionando a mão contra o maxilar:
—… Como você sabia que eu não fumo?
Ele não fumava, mas já tinha colocado um cigarro na boca algumas vezes. Não havia nenhuma razão em particular, era só para se enturmar, já que todos os outros fumavam. Atualmente, o ato de Dohyun fumar parecia legal, o que despertou sua curiosidade.
— Eu não vi você acendê-lo.
Dohyun respondeu graciosamente, apertando os olhos. Ele era perspicaz e observador. Seongyu e Garam ainda achavam que Wooyeon era fumante; quando ele descobriu a verdade?
— Eu sei que pode parecer engraçado, mas se possível, não aprenda a fumar. É melhor não fumar de jeito nenhum.
Sentindo-se um pouco repreendido, Wooyeon assentiu. Ele não tinha interesse real em cigarros e não tinha intenção de fumar, mas observar Dohyun o fez querer experimentar. Agora que foi exposto como um não fumante, era apenas uma formalidade.
— Não comece a fumar por minha causa.
—…!
Wooyeon arregalou os olhos e se virou para Dohyun. Em outras palavras, aquilo significava que ele nunca mais veria Dohyun fumar. Significava que, durante saídas como a de hoje, ele veria apenas as costas de Dohyun enquanto ele estudava.
— Não posso simplesmente vir assistir?
Wooyeon tentou parecer o mais lamentável possível. Não havia nada a dizer se perguntassem o porquê, mas ele só queria forçar a barra. Dohyun olhou para Wooyeon e respondeu com um tom gentil:
— Mas você não gosta do cheiro de cigarro.
— Eu não desgosto disso.
— Quantas vezes eu já te disse que você não sabe mentir?
A expressão de Wooyeon mudou de forma desajeitada. Vendo suas sobrancelhas levantadas, Dohyun riu baixinho. Abaixando a cabeça, ele olhou para Wooyeon em um ângulo leve.
— Quantas disciplinas você pegou para a prova de meio de semestre?
—… Eu peguei cinco disciplinas.
Estranhamente, a tensão se dissipou assim que seus olhos se encontraram. Wooyeon sentiu seu coração batendo alegremente e abaixou o olhar. Toda vez que ele percebia isso de repente, uma excitação incontrolável surgia.
— Parece que você não conseguiu se concentrar nos estudos.
Naturalmente, ele não conseguia se concentrar. Não só isso, mas também era desafiador manter a compostura com Dohyun à sua frente. Dohyun viu Wooyeon emburrado e, em vez de zombar, suavizou a voz como se indicasse algo.
— Se você for bem nos exames, eu lhe darei uma recompensa.
—… Um prêmio? — Os olhos de Wooyeon brilharam momentaneamente.
Dohyun, como se estivesse perguntando quando os pássaros cantaram, calmamente levantou a cabeça para a expressão iluminada de Wooyeon. Wooyeon não perdeu a chance e rapidamente confirmou:
— Qual prêmio?
“Prêmio” era uma palavra que fazia o coração de qualquer um palpitar só de ouvi-la. Mas o que exatamente ele iria dar a ele? Muitos pensamentos correram por sua mente. Dohyun soltou um suspiro suave, então inclinou a cabeça levemente, fechando os olhos.
— Bem, você gostaria que eu lhe desse aquele chocolate?
Ao mencionar “chocolate”, um pacote envolto em fita branca veio à sua mente. Era uma recompensa que recebeu do professor durante o ensino fundamental. E, mais recentemente, era a sobremesa que Dohyun havia comprado para Wooyeon na doceria quando ele era veterano.
— Eu não sou uma criança, no entanto… — Wooyeon resmungou um pouco descontente.
O chocolate era delicioso, mas ele não o queria como recompensa para as provas de meio de semestre. Além disso, ele não gostava de como Dohyun estava casualmente dando recompensas como essa, especialmente usando algo que ele havia recebido no passado. Era apenas uma memória entre ele e o professor, nada mais. Mesmo agora, embora ele seja apenas um júnior, é a mesma coisa.
— Então, o que você quer?
— Hm…
Wooyeon ponderou com uma expressão séria. Ele parecia ter esquecido completamente que estava de mau humor há um momento. Enquanto pensava em várias coisas, ele de repente levantou a cabeça e encontrou o olhar de Dohyun.
— Você vai me dar qualquer coisa?
Uma luz confusa brilhou nos olhos de Dohyun. Cobrindo o maço de cigarros que segurava com a mão, como se escondesse seus pensamentos, ele respondeu:
— Nada de cigarros.
—… Não vou pedir isso.
Alguém poderia pensar que Wooyeon era menor de idade e não podia comprar cigarros. Wooyeon, que abaixou a cabeça um pouco timidamente, olhou para cima sutilmente.
— Então me compre bebida.
Eles tinham feito tal promessa há muito tempo. Se ele entrasse na mesma universidade que o professor, ele lhe compraria bebida como um veterano. Dohyun riu de brincadeira com essa observação, gentilmente dando tapinhas na cabeça de Wooyeon.
“Quando você entrar na faculdade, eu te pago umas bebidas.”
“Álcool?”
Dohyun sorriu sutilmente. Suas sobrancelhas bem-feitas se ergueram e seus lábios se curvaram levemente. Wooyeon, percebendo que o que ele disse poderia ser mal interpretado, rapidamente estendeu sua mão.
— Não, hum, não por nenhum outro motivo, mas porque não sou bom em beber.
Embora não fosse uma declaração sincera, após uma consideração cuidadosa, soou estranho. Pedir álcool parecia dar uma tarefa. Dohyun fez um som como se uma rajada de vento estivesse soprando enquanto balançava a cabeça para a expressão de desculpas de Wooyeon.
— Você quer aprender a beber?
Wooyeon assentiu vigorosamente. Apesar de sua positividade excessiva fazer parecer que havia “outra razão”, Dohyun sorriu como se dissesse que tentaria.
— Vamos beber juntos de qualquer maneira. Depois dos exames, vamos comemorar.
— Uma celebração?
— Sim, nos reunimos no clube e também em nosso departamento. Claro, a presença é opcional.
Quanto a uma festa posterior, ele tinha ido uma vez durante a cerimônia de abertura. Havia muitos rostos desconhecidos e Wooyeon tinha passado algum tempo no canto e finalmente começou a falar com Seongyu. Ele não estará sozinho desta vez, mas por outro lado, haverá muitas pessoas ao redor de Dohyun.
— E você, veterano?
— Tenho que ir porque sou o presidente do clube.
— E as reuniões de departamento?
— Estou pensando nisso.
Rostos de alfas dominantes do mesmo departamento passaram pela mente de Wooyeon. Entre eles estava, é claro, o aluno que retornou e que costumava atormentá-lo durante os eventos do clube. Wooyeon fechou a boca seriamente por um momento, então assentiu lentamente.
— Então eu quero ir também.
—… Vou dizer de novo.
Dohyun tinha uma expressão preocupada. Com os lábios levemente franzidos, ele falou com um tom um tanto sério, como se tivesse muito a dizer:
— Você não precisa beber algo que não gosta.
Wooyeon assentiu novamente. Embora a expressão de Dohyun parecesse insatisfeita, ele não levantou nenhuma objeção.
— Então, vamos falar de outra coisa. Você pode beber a qualquer hora.
“A qualquer hora que pudesse beber”. Mesmo que sugerisse beber juntos, Dohyun definitivamente recusaria. No final das contas, o pedido de Wooyeon para comprar álcool foi rejeitado, e ele soltou um suspiro de alívio.
— Algo mais…
— Sim, então vamos fazer assim — Dohyun sugeriu sutilmente.
Os cantos de sua boca, que tinham subido levemente, pareciam estranhamente confiantes.
— Vou te levar ao cinema.
Foi uma sugestão completamente inesperada. Wooyeon murmurou enquanto mexia os dedos:
— Ver um filme?
— Sim, um filme.
Não é que ele não gostasse de filmes, mas eles não o interessavam particularmente. A maioria dos filmes estava disponível em casa com um projetor, e se ele investisse em uma subsidiária, poderia assisti-los antes mesmo de serem lançados. Assim que Wooyeon estava prestes a perguntar se havia um filme que ele queria ver, Dohyun sutilmente acrescentou com uma voz gentil:
— Vamos assistir no cinema.
Os olhos de Wooyeon se arregalaram. Confirmando seu novo interesse, Dohyun desviou o olhar suavemente.
— Também comprarei pipoca e bebidas.
Foi como quando eles disseram que comeriam bolo juntos. “Vamos comer pipoca de caramelo.” Com essas palavras, as bochechas de Wooyeon ficaram levemente vermelhas. Um cinema era um lugar em que Wooyeon nunca tinha estado antes.
Wooyeon aceitou a proposta com uma expressão completamente animada. Afinal, ele precisava ir bem nas provas, e isso era benéfico de qualquer forma. Além disso, ele percebeu tardiamente que assistir a um filme juntos seria como um encontro. Um encontro com o professor, um golpe de sorte inimaginável.
Sentindo-se animado, Wooyeon parou na sala do clube para pegar seus pertences. Garam já estava acordada, e Seongyu havia retornado. Wooyeon ouviu alguém sugerindo que se encontrassem no portão principal dessa vez, então ele foi até a sala para a palestra de artes liberais.
E no momento em que entrou na sala de aula, ele percebeu outro fato que havia esquecido.
—…
—…
Um silêncio pesado zumbiu entre eles. Junseong, que estava sentado no fundo da sala de aula, fez uma expressão vaga assim que seus olhos encontraram os de Wooyeon. Lembrando-se do que ele havia dito da última vez, Wooyeon franziu a testa.
“Eu realmente odeio caras como você.”
Ele tinha esquecido completamente. Ele se perguntava como podia esquecer algo tão importante. Desde aquele dia, ele tinha sido tão consumido pelos pensamentos de Dohyun que Junseong nunca passou pela sua cabeça.
Wooyeon fingiu não conhecê-lo e entrou. Felizmente, havia um assento vazio bem longe. Assim que ele colocou sua bolsa no chão e sentou-se, o professor entrou na sala de aula.
A palestra que se seguiu foi dolorosamente desprovida de conteúdo. Consistia principalmente nas histórias de viagem do professor, ocasionalmente abordando tarefas. Wooyeon ignorou os olhares ocasionais de lado e aceitou as piadas em inglês que o professor jogava em seu caminho.
Cerca de uma hora depois, o professor os encorajou a trabalhar duro na tarefa de meio período e saiu da sala de aula. Talvez porque o professor tenha encerrado a aula mais cedo, houve muitos comentários sobre ele ser gentil nas avaliações do curso.
— Ei.
Alguém estava em pé na frente de sua mesa no momento em que Wooyeon estava prestes a juntar suas coisas. Wooyeon levantou a cabeça lentamente e percebeu que era Junseong, franzindo o rosto em uma expressão relutante.
— Você não tem a próxima aula, certo? Me dê um momento.
Wooyeon hesitou, querendo perguntar por que deveria. Mesmo que quisesse ignorá-lo, Junseong era seu companheiro de equipe para o projeto do grupo e era até mesmo o líder da equipe. Com apenas duas semanas restantes até a apresentação, se isso estivesse relacionado a isso, ele não poderia evitar.
— Por quê?
Poderia ser sobre criar um chat em grupo agora mesmo? Ou era sobre discutir a apresentação? “Wooyeon foi dispensado de fazer o PPT?” Ignorando todas essas suposições, Junseong levantou a questão mais básica:
— Precisamos ter uma reunião sobre nossas ideias de invenção.
Eles criaram um chat em grupo primeiro e foram para um café perto do portão principal. Faltavam quarenta minutos para o estudo começar, então, se eles tivessem uma reunião agora, o momento seria o certo. Wooyeon desligou o telefone depois de enviar uma mensagem, só para garantir, caso se atrasasse, e levantou a cabeça.
— Então, alguém tem alguma ideia?
Junseong olhou ao redor de sua equipe com uma expressão um tanto desconfortável. Os companheiros de equipe, incluindo Wooyeon, olharam nervosamente uns para os outros. Claro, eles estavam apenas lendo a atmosfera; nenhum deles tinha boas ideias.
— Ha… bastardos frustrantes.
O ar parecia gelo congelado, sufocante em sua intensidade. A atmosfera já sombria, com uma sensação de desespero, parecia minar o entusiasmo de Wooyeon. Wooyeon tirou seu caderno e caneta da bolsa e escreveu: “Invenções na Era Global.” Isso foi tudo o que ele escreveu, percebendo que, surpreendentemente, não tinha mais nada para anotar.
— Como é possível que não haja uma única pessoa com uma boa ideia?
Junseong continuou a expressar sua irritação sem parar. Quando ele chegou a dizer “Mostrem algum respeito, pelo menos”, Wooyeon não aguentou e retrucou:
— Ei, não fale assim quando você está na mesma situação.
Culpar os outros não era algo que mudava as coisas, nem agora nem antes. Ele próprio não tinha ideias, mas estava reclamando, ostentando o título de líder da equipe. Embora fosse frustrante que os membros da equipe permanecessem em silêncio, o comportamento de Junseong era ainda mais desagradável.
—… Há.
Surpreendentemente, Junseong não retrucou nem gritou de volta em irritação. Ele simplesmente fechou a boca e olhou para Wooyeon com um olhar enigmático. Wooyeon levantou sua caneta novamente e começou a escrever em seu caderno.
— Já que é uma invenção, devemos pensar nos inconvenientes.
Diferença de fuso horário, idioma, discriminação racial. Wooyeon escreveu algumas coisas que sentiu, mas os membros da equipe permaneceram em silêncio. Wooyeon considerou seriamente desistir dessa matéria e pensou que seria melhor tirar um F.
A reunião improdutiva continuou até que estava perto da hora do estudo. Durante esse tempo, Wooyeon sugeriu cerca de três ideias sozinho, enquanto os outros membros da equipe alternavam entre admiração e silêncio. Junseong, com a boca fechada como se estivesse protestando, tornou a atmosfera desconfortável. Wooyeon, depois de suportar por um tempo, largou a caneta e falou:
— Vamos nos dispersar, e cada um de nós pode pensar em três invenções até amanhã. Tenho que ir para minha sessão de estudos.
Coincidentemente, uma ligação chegou naquele momento. O autor da chamada era Kwon Seongyu. Wooyeon pegou o telefone, suprimindo sua irritação em relação aos membros da equipe.
— Alô?
— Ei, Wooyeon! Estamos indo para o café agora. Se você estiver atrasado, vá direto para lá.
A voz leve e única de Seongyu podia ser ouvida pelo telefone. Em meio ao silêncio frustrante, essa foi uma notícia muito bem-vinda para Wooyeon. Seongyu ofereceu um pequeno conforto dizendo que o projeto do grupo era difícil e então disse que eles estavam quase no café.
Ding, o som da campainha da porta tocou naquele momento. Wooyeon distraidamente virou a cabeça em direção à fonte do som. Então, as palavras que deveriam ter vindo pelo telefone foram ouvidas ao vivo:
— Acabamos de entrar no café…
— Acabamos de entrar no café…
Após uma breve pausa, as mesmas palavras fluíram de seus telefones. Wooyeon piscou e olhou para aqueles que tinham entrado no café há pouco tempo. A outra pessoa parecia ter notado Wooyeon e estava olhando para ele com os olhos arregalados.
— Ah? Ah, Wooyeon!
O primeiro a reagir foi Garam. Garam, com o cabelo preso no alto e vestindo uma jaqueta jeans sobre outra peça jeans, acenou para Wooyeon com um sorriso. Wooyeon, quase sem perceber, levantou-se parcialmente de seu assento.
— Vocês…
Eram Seongyu, Garam e Dohyun. Eles devem ter vindo ao café onde reservaram uma sala de estudo. Wooyeon, que só tinha ouvido as palavras “perto do portão principal”, ficou surpreso.
— Uau, que reunião. Vocês iam fazer o projeto de grupo aqui?
— Fiquei surpreso quando liguei.
Eles se aproximaram de Wooyeon, cada um comentando algo. Dohyun apenas trocou contato visual e foi até o balcão, mas Wooyeon não conseguia tirar os olhos dele. Foi porque seu humor melhorou assim que viu o rosto limpo de Dohyun, como se perguntasse quando ele tinha ficado irritado.
“Ainda há muito a fazer?”
Então, você pode se sentir assim só de olhar para um rosto bonito. Do pescoço reto aos ombros largos e até mesmo suas costas limpas, Wooyeon não conseguia parar de encará-lo.
— Não, terminamos.
— Ótimo timing. Vamos entrar na sala agora mesmo para estudar.
A sensação desconfortável foi lavada como se tivesse sido enxaguada. Wooyeon assentiu e pegou o caderno e a caneta que havia colocado na mesa. A reunião já estava em seus estágios finais, e ninguém estava entusiasmado o suficiente para insistir em ter mais discussões. Mas quando ele estava prestes a entrar na sala com sua bolsa, uma voz aguda o parou.
— O que você está fazendo?
Wooyeon levantou sua bolsa e olhou para cima. Junseong estava olhando para ele com uma cara severa. Desajeitadamente, os membros que estavam se preparando silenciosamente para ir também hesitaram, olhando uns para os outros.
— A reunião ainda não acabou e você está indo embora?
Era um tom irritante. Garam e Seongyu, que estavam avaliando a atmosfera, distanciaram-se de forma sem jeito, dizendo que iriam para a sala de estudos. Wooyeon desviou o olhar de Junseong e colocou a bolsa no ombro.
— Vocês nem sequer têm ideias, e querem ter mais reuniões. Concordamos em trazer três ideias cada um até amanhã, não concordamos?
— Você é o líder?
Até Wooyeon não conseguiu evitar fazer uma careta com essas palavras. Junseong torceu o rosto duramente e cuspiu como se estivesse mastigando algo:
— Quem decide isso? Ei, me diga. Você pode trazer três ideias até amanhã?
Naturalmente, não houve resposta. Como esperado, mesmo amanhã, não haveria ninguém trazendo ideias. Sentindo-se sufocado, Wooyeon colocou sua bolsa na mesa.
— Então termine. Eu não vou.
Wooyeon caiu em seu assento. Os membros que estavam de pé, sem jeito, não conseguiam fazer nada. Wooyeon recostou-se no encosto com os braços cruzados.
— Faça a reunião.
Junseong olhou ferozmente para Wooyeon, e Wooyeon o encarou com um olhar direto.
— Com licença… não temos nenhuma ideia de qualquer maneira…
— Você não vai se sentar?
Joo Won, um dos membros inexperientes, abriu a boca, mas Junseong o cortou decisivamente. Desamparados, eles se sentaram ao redor da mesa novamente, assim como Wooyeon.
Naturalmente, nenhuma palavra foi trocada. Até Wooyeon, que estava liderando a reunião, fechou a boca, deixando apenas um silêncio pesado entre eles. Um minuto, dois minutos. O fluxo lento do tempo pareceu uma eternidade. Se não fosse pela música calma vinda do café, teria sido tão silencioso que você poderia ouvir o som de insetos rastejando.
Wooyeon piscou silenciosamente e virou seu olhar com indiferença. Ele não tinha certeza da causa da insatisfação, mas estava familiarizado com o temperamento de Junseong. Mesmo no ensino médio, ele havia atormentado Wooyeon por coisas irracionais. Em tais momentos, a maneira mais eficaz de irritá-lo não era ficar bravo ou discutir, mas simplesmente ignorá-lo.
— Ha, porra. Ei, pare com isso.
Como esperado, não muito tempo depois, Junseong balançou a cabeça vigorosamente. Seu cabelo tingido de amarelo se espalhou desordenadamente. Wooyeon olhou para ele com indiferença e falou com uma voz seca:
— Parar o quê? Você disse que teríamos uma reunião, não disse?
Parecia haver um som de estalo de desgosto. Junseong, que não conseguia controlar sua raiva, cerrou os punhos. Ele fechou os olhos algumas vezes e então comandou os membros de sua equipe:
— Ei, vocês, podem ir.
Os membros da equipe, com expressões perplexas, levantaram-se relutantemente. Observando os membros fugirem, Wooyeon também pegou sua bolsa e se levantou. Ou melhor, ele tentou se levantar.
— Porra, onde você pensa que vai?
Junseong agarrou rudemente o braço de Wooyeon. Os feromônios raivosos foram transmitidos pelo seu pulso. Wooyeon torceu o braço para puxá-lo para longe e, impacientemente, afastou a mão de Junseong.
— Não me toque.
A atmosfera tornou-se assustadora, enviando arrepios pela espinha; uma sensação de desconforto se espalhou pela pele como insetos rastejando. Junseong brevemente usou uma expressão assustada antes de rapidamente elevar a voz com um olhar feroz:
— Por que você me odeia tanto?
Por um momento, Wooyeon ficou sem palavras. Ele nunca esperou que Junseong dissesse uma coisa dessas. Wooyeon olhou para ele com uma expressão perplexa e perguntou em descrença:
— Você está tentando falar sobre isso agora?
Se ele fosse explicar por que não gostava de Junseong, nem três dias e noites seriam suficientes. Arruinar os três anos de ensino médio de Wooyeon já era desagradável o suficiente, e o fato de ele ter conseguido entrar em uma boa universidade e viver uma vida comum também irritava Wooyeon. Nesse ponto, ele não tinha energia para explicar por que não gostava dele e queria evitar discussões sem sentido.
— Ei, eu me sinto injustiçado.
Mas parecia que Junseong não via dessa forma. Ele franziu as sobrancelhas como se estivesse realmente se sentindo injustiçado, então bateu com a mão na mesa.
— Eu te xinguei? Bati em você? Ou fiz você se sentir mal? Eu não fiz nada disso, então por que você está me tratando assim?
Por um momento, Wooyeon engoliu uma risada amarga. Não era porque cada palavra que Junseong dizia era sobre o fato de que Wooyeon tinha feito algo errado no passado. Era simplesmente porque suas últimas palavras eram semelhantes ao que ele havia dito cinco anos atrás.
“Por que você é assim comigo?”
Demorou um ano para Wooyeon cuspir essas palavras. Depois de suportar, suportar e suportar, ele finalmente perguntou quando ficou claro que a compreensão estava fora de alcance. No entanto, Junseong estava pressionando Wooyeon após apenas três reuniões. E Wooyeon nem tinha feito nada a ele.
— De qualquer forma, estamos no mesmo grupo e temos que fazer o projeto. Vamos nos dar bem pacificamente. Por que incomodar as pessoas só porque você quer começar uma briga?
De um a dez, era exatamente o que Wooyeon queria dizer quando estava no ensino fundamental. Estamos na mesma classe de qualquer maneira, temos que nos dar bem, então por que não nos dar bem pacificamente? Por que incomodar as pessoas só porque você quer começar uma briga?
—… Viemos aqui para uma reunião de ideias, certo?
Wooyeon abriu a boca, tentando controlar o desconforto interior. A sensação dos feromônios de Junseong ainda permanecia em seu pulso.
— Como você disse, eu não te xinguei nem te bati, então qual é exatamente o problema?
— Porra, você continua…
Junseong, que havia levantado a voz, fechou a boca abruptamente, olhando ao redor. Os olhares que estavam se reunindo desde que Wooyeon se levantou tornaram-se mais abertamente críticos. Junseong, respirando pesadamente, falou em um tom reprimido:
— Você continua… ignorando as pessoas. É uma merda.
Era realmente um motivo absurdo. Depois de despejar todos os tipos de insultos há pouco, ele agora estava chateado com as meras ações de Wooyeon. Ele não disse nada que implicasse culpa por tratar os membros de sua equipe desrespeitosamente por ser o líder, nem disse nada sobre se sentir tratado injustamente.
— Então me ignore também.
Wooyeon falou em um tom frio. Quanto mais Junseong falava, mais as memórias confusas do passado ficavam presas em sua mente. Pensamentos sobre as ações que Junseong havia tomado contra ele voltaram, fazendo as emoções girarem caoticamente.
— Eu disse que não gosto de caras como você.
Se ele ficou surpreso ou não, não importava para Wooyeon. Ele não queria explicar os motivos, nem queria agir amigavelmente. Mesmo depois de terminar o projeto do grupo, o fim estava próximo, e encarar um ao outro assim era desagradável.
— Se você odeia alguém, simplesmente ignore-o. Ajam como se não se conhecessem e sigam a vida.
— Então por que você me odeia? Eu te vi pela primeira vez quando fizemos a eletiva juntos. O que eu fiz para você agir assim? Eu te incomodei?
Houve uma sensação interna como se algo tivesse quebrado. Parecia que a compostura forçada estava falhando. Sem perceber, os feromônios de Wooyeon fluíram para fora, e apenas um pensamento dominou sua mente.
“Seu porco maldito, toda vez que te vejo, sinto vontade de vomitar.”
“Você, quem é você para me odiar assim? O que eu fiz para você me odiar tanto? Criticando minha aparência, arruinando meus sentimentos e me lançando em um abismo sem fim — qual é a razão de tudo isso?”
— Não há porra nenhuma de razão para isso.
— Existe mesmo uma razão?
Parecia que seu coração, que ele pensava estar melhor, estava na verdade mais ferido. O curativo surrado estava prestes a cair, ardendo fortemente. Embora a situação e as posições tivessem mudado, mais uma vez, foi Wooyeon quem acabou com o coração ferido.
— Eu simplesmente odeio você. Não gosto de xingamentos, fofocas e não gosto que as pessoas me toquem assim.
— Pare de procurar motivos e deixe para lá. Não tenho mais nada a dizer, então estou indo embora.
Dizendo isso, Wooyeon tentou sair do café imediatamente. Se Junseong não tivesse se levantado para segui-lo, ele certamente teria ido embora sem olhar para trás.
— Ei, ainda não terminei de falar…
Houve um som, como algo colidindo. Mais precisamente, era o som de duas mãos se tocando. Feromônios familiares flutuavam suavemente pelo ar, e uma voz calorosa bloqueou seu caminho.
— Eu só ia esperar…
Feromônios secos como os do outono os cercavam fracamente. A sensação desconfortável que estava persistindo desapareceu num piscar de olhos. Wooyeon arregalou os olhos e lentamente se virou em direção à fonte do som.
— Então, hoje em dia, estamos fazendo projetos em grupo como este?
Dohyun, que havia falado casualmente, soltou a mão de Junseong. A mão que havia sido agarrada perto de Wooyeon parecia ter a intenção de alcançar seu ombro ou bolsa. Dohyun olhou para Wooyeon por um momento, então perguntou com uma voz incrivelmente gentil:
— A reunião ainda não terminou?
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby, Othello&Belladonna