Capítulo 59
O cheiro de carne assada que vinha do 4º andar impregnava todo o prédio. Quando Marvin abriu a porta, viu vinte gângsteres sentados sobre jornais espalhados pelo chão da sala. Uma festa de bebida barulhenta estava em pleno andamento, acompanhada pelo som chiado da carne na chapa.
— Gerente Kim, você chegou? Venha, entre. Ei, dêem espaço para ele.
Marvin abriu caminho entre os corpos grandes e se aproximou do Diretor Heo. Reconheceu alguns rostos, mas a maioria era de estranhos. Todos mastigavam com as bocas cheias de embrulhos de alface, olhando para ele com expressões que pareciam perguntar: “Quem é esse cara?”
— Olá!
— É.
Um dos capangas que trabalhava como segurança no Daekyung o reconheceu. Ele apresentou Marvin como Gerente do Daekyung para a pessoa ao lado e depois se gabou disso:
— Ele não é pra caralho? Eu te disse antes, tem um hyung super bonito que trabalha no lugar onde eu fico de guarda.
— Ah, olá.
— Sim.
Marvin respondeu casualmente às saudações e foi para o lado do Diretor Heo. Como se fosse algo natural, o Diretor Heo empurrou o subordinado ao seu lado e fez um espaço amplo para Marvin.
— É um estorvo se fizermos um jantar da empresa em um restaurante. As madams não gostam porque comemos muito e fazemos barulho. Então, comemos confortavelmente aqui no alojamento mesmo.
Marvin assentiu e aceitou um prato e um par de palitinhos. Duas fatias grossas de barriga de porco, pingando óleo, foram cortadas com uma tesoura e caíram no prato. O recipiente ficou pesado com a montanha de carne que se acumulou rapidamente.
— Um verdadeiro banquete para o almoço.
— Ah, nós não fazemos jantares de empresa à noite hoje em dia. Comemos todos juntos durante o dia e vamos para casa na hora de ir embora. Nossa empresa é muito moderna. Não prendemos o pessoal até tarde da noite para jantares de empresa nem nada do tipo. Certo, So-young?
— Sim.
Uma funcionária do escritório do 2º andar estava diligentemente colocando carne na boca em um canto. Ao lado dela estavam duas ajummas da limpeza e um motorista de caminhão.
— Tragam mais carne ali para aquele lado.
O Diretor Heo engatou um longo discurso sobre as operações do escritório. Ele havia contratado todas as tias e tios sentados ali como funcionários em tempo integral, não usava mão de obra terceirizada e nunca havia se atrasado com os salários. Perguntou se a empresa não era muito democrática e progressista, e todos deram risadinhas entre si.
— O senhor não vai me contratar como funcionário em tempo integral? — perguntou Marvin, mergulhando um pedaço de carne no sal e colocando-o na boca.
— O Gerente Kim tem que se tornar parte da nossa família. Funcionários são pessoas que recebem salário, e nós, membros da família, recebemos dinheiro para despesas.
Cinco fatias de barriga de porco foram empurradas para dentro da boca do Diretor Heo de uma só vez. Ele então comeu um pepino lambuzado com ssamjang vermelho e empurrou tudo com uma dose de soju. Sua boca parecia a de uma baleia.
— Tome um gole.
O Diretor Heo entregou um copo grande a Marvin. Ele também pediu mais duas garrafas de cerveja e misturou as bebidas. O álcool forte dançava como uma miragem no copo.
— Um gole para cada pedaço de carne, viu? Você trabalha em uma distribuidora de bebidas, não pode deixar as pessoas dizerem que é pão-duro quando se trata de acompanhamentos, entendeu? Beba tudo.
Assim que ele esvaziou um copo, o recipiente foi rapidamente reabastecido. Enquanto o Diretor Heo pegava uma folha de alface, Marvin despejou metade de sua bebida no copo vazio ao lado e rapidamente levou o copo aos lábios. Em seguida, molhou os lábios como se tivesse tomado um grande gole. O Diretor Heo deu uma risada, dizendo que Marvin já podia comer a carne.
— Está delicioso. Onde o senhor consegue? É carne fresca.
— Meu hyung cuida disso pessoalmente. Ele costumava trabalhar no ramo de abate. De vez em quando ele pega na faca por hobby e, se sobra alguma carne, compartilha com o pessoal daqui de baixo.
— O seu hyung não vem muito aqui? — perguntou Marvin com casualidade.
— Não, não vem. Por quê, está curioso?
Outra pilha de barriga de porco desapareceu na boca do Diretor Heo. Ele colocou alface na boca e mastigou, como se não quisesse ter o trabalho de fazer um embrulho. Mesmo assim, seus olhos estavam fixos em Marvin.
— Eu não sei que tipo de pessoa ele é.
— Ah, Gerente Kim, você não sabe porque não é daqui da área. Meu hyung trabalha no ramo médico e é muito bem-sucedido na China. É só que… você sabe.
O Diretor Heo mexeu os dedos em círculo, indicando que ele tinha muito dinheiro. Os subordinados ao lado assentiram e disseram: “Ele é rico pra caralho.”
O nome dele era Tae-gwan, ou algo assim. Parecia ser um coreano-chinês, exatamente como Jang Jin-woo lhe dissera. E o fato de ele estar no ramo médico parecia se encaixar de alguma forma.
— Que tipo de negócio médico ele tem?
Outra mistura de bebidas foi despejada no copo já vazio. Marvin fingiu pegar o pegador de carne e trocou seu copo pelo que estava ao lado. Manteve os lábios úmidos o tempo todo. Graças ao fato de seu rosto ficar corado facilmente mesmo com uma pequena quantidade de álcool, todos podiam ver que Marvin já havia bebido bastante.
— Você vai descobrir naturalmente sobre os negócios do meu hyung assim que se tornar da família. De qualquer forma, você precisa da permissão dele para entrar oficialmente, então pode ir dar um oi para ele mais tarde.
Colocaram kimchi na chapa. O suco do kimchi chiou e queimou, criando um cheiro picante enquanto soltava fumaça.
— Mas Chefe, o senhor realmente tem alguma intenção em relação a isso? Sobre entrar oficialmente para o nosso grupo? — perguntou um dos membros da gangue, que esteve ocupado limpando a chapa do outro lado. Era um cara que vinha olhando para Marvin com maus olhos há algum tempo.
— Bom, terei que pensar sobre isso se ficar sem o que fazer no Daekyung.
— O Yang Jin-man não te paga muito, não é? Ei, abra um pouco mais a janela.
O Diretor Heo virou a cabeça como se não precisasse ouvir a resposta. O mais novo deu um pulo e abriu a porta da varanda da sala e a janela da cozinha.
A velocidade com que devoravam a comida finalmente começou a voltar ao normal. Em pouco tempo, o álcool ficou mais popular do que a carne. Houve até um cara que ficou animado demais por causa da bebida e fez um barulho alto, apenas para levar uma bronca do Diretor Heo e ficar desanimado.
O copo de Marvin foi enchendo novamente. Desta vez, ele não pôde evitar o contato visual e honestamente virou a bebida na boca. Tinha recebido mais de vinte copos misturados até agora, e na verdade havia bebido cerca de três ou quatro deles. O Diretor Heo sorriu satisfeito enquanto olhava para Marvin, cujos olhos estavam ligeiramente desfocados.
— Comeu bastante?
— Sim.
— Parece que você é bom de copo, hein? Está aguentando bem.
A pilha de caixas de bebida havia diminuído significativamente. Houve uma confusão enquanto eles discutiam sobre quem ficaria com o uísque restante. A sala estava se tornando cada vez mais uma bagunça caótica.
— Quer um cigarro?
Marvin seguiu o Diretor Heo sem reclamar. Os dois desceram um andar.
O 3º andar estava vago. Fios elétricos e canos projetavam-se de forma irregular das paredes, que nem sequer estavam pintadas adequadamente. Manchas que pareciam de sangue eram visíveis aqui e ali no chão de cimento. Era óbvio para o que aquele local era usado.
A fumaça acre entrou em sua garganta engordurada. O Diretor Heo deu três tragadas consecutivas no filtro do cigarro e depois olhou de relance para o peito de Marvin.
— Suas roupas devem estar fedendo bastante, não é?
— Está tudo bem. Vou me trocar antes de ir para o hotel de qualquer forma.
— Que horas você vai trabalhar no Daekyung hoje?
— Estou pensando em ir por volta das 5 horas.
Depois de soltar uma tragada de fumaça, ele ergueu a testa bastante enrugada e disse:
— Vamos à sauna juntos e depois vamos para lá. Podemos lavar o cheiro e esfregar as costas um do outro.
Marvin forçou um sorriso, esticando os lábios de um lado para o outro com o cigarro na boca. Ele era realmente insistente.
— Meu braço ainda está um pouco…
— O que tem o seu braço? Tudo bem molhar um pouco. Não vai te matar. Porra, por que você é tão cheio de mi-mi-mi? — O Diretor Heo aumentou o tom de voz como se não pudesse mais ouvir desculpas. — O pessoal ainda está comendo, então é difícil pedir para eles saírem, então vamos logo, só você e eu, Gerente Kim. Termina em duas horas.
Marvin olhou para o Diretor Heo, que de repente ficara irritado. Ele não era um tolo que não sabia o que aquilo significava, mesmo sendo estrangeiro. Havia dois tipos de saunas na cidade de Oseong: lugares onde você realmente lavava o corpo e aproveitava a sauna com os outros, e saunas com quartos privativos.
O lugar aonde o Diretor Heo queria ir era, com toda a probabilidade, a segunda opção. Ele pretendia dar em cima dele. Mas não parecia ser apenas isso. Era como se estivesse deliberadamente procurando uma briga, ou testando-o. Marvin soltou a fumaça do cigarro e fingiu não perceber, mudando de assunto:
— Mas não é um pouco perigoso ir à sauna logo depois de beber? Ouvi dizer que os vasos sanguíneos se dilatam e o sangue sobe para a cabeça. E se o senhor desmaiar? Vamos curar um pouco a embebedez antes de ir.
— Você sempre tem tantas desculpas. Apenas vamos. Não vai te matar.
Como se não tivesse intenção de discutir mais, o Diretor Heo apagou o cigarro e segurou o braço de Marvin. Marvin pareceu ser puxado facilmente no início, mas depois torceu o corpo e se libertou.
— O senhor parece muito bêbado, não exagere.
— O que quer dizer com bêbado só por ter bebido aquilo? Ahn? Ora, olhe para isso…
Mesmo quando ele puxou novamente, Marvin não se moveu um milímetro. Não importava o quanto ele o empurrasse ou puxasse em sua direção, seu corpo permanecia imóvel. Pelo contrário, era o Diretor Heo quem estava cambaleando.
Com raiva, ele encarou Marvin e o pegou pelo colarinho. Com uma expressão que parecia prestes a dar um soco a qualquer momento, ele esticou o pescoço e examinou Marvin de cima a baixo.
— Seu desgraçado… Venho pensando nisso há algum tempo. Você sabe como se curvar, mas nunca parece estar intimado, não é?
Marvin desviou ligeiramente o olhar.
— O que você é? É realmente o hoobae da cidade natal do Presidente Yang?
Um dos olhos de Marvin, que se voltaram para o lado, estreitou-se ligeiramente. Parecia que ele estava planejando arrumar briga desde o início e o trouxera ali para esse propósito. Ele podia ver a bainha de uma faca sobressaindo do bolso interno do Diretor Heo. Parecia que ele havia marcado uma data, já que até trouxe uma arma…
Ele voltou a cabeça e forçou um sorriso, mas não adiantou nada. O Diretor Heo encarou seus olhos injetados de sangue e disse calmamente uma palavra:
— Você… é um policial, não é?
Os movimentos dos dois homens pararam como se o tempo tivesse congelado. Ao mesmo tempo, o rosto do Diretor Heo se contorceu grotescamente quando ele detectou as pupilas de Marvin se dilatando ligeiramente.
— Porra!
A mandíbula do Diretor Heo se torceu com um som estalado quando ele tentou puxar a faca às pressas. Antes que pudesse contra-atacar, o pé de Marvin atingiu seu rosto e ele caiu para trás, com o plexo solar sendo prensado para baixo. Não houve tempo para fazer nada.
— Ouça com atenção. O Senhor Heo Sang-je tem duas escolhas agora.
O Diretor Heo se contorceu como uma vaca no matadouro diante da sensação gélida da lâmina pressionando sua artéria carótida, bem abaixo da orelha.
— Uma é ligar para o lugar que fornece o remédio de manifestação do Estágio 2 agora mesmo e me conectar com eles.
A voz de Marvin soava diferente do habitual.
— A segunda é ter o seu pau cortado por mim aqui hoje e encerrar a sua vida de Alfa cheia de arrependimentos.
Naquele momento, a mão de Marvin escorregou entre as pernas do Diretor Heo. Suas partes íntimas, encolhidas pela tensão, foram impiedosamente esmagadas na mão de Marvin.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello