Capítulo 56
Depois que Kim Ji-a voltou para a sala estéril, o tratamento medicamentoso começou imediatamente. A freira responsável teve que ficar ao lado dela como acompanhante, então Marvin cuidou da criança por um tempo.
Já era hora do jantar. O menino, que dissera estar com fome, comeu o pão que Marvin comprou e pegou no sono. De qualquer forma, ainda levaria mais tempo até que a aplicação terminasse. Marvin estava preocupado de ele pedir para brincar, mas acabou dando tudo certo.
Marvin apenas trocou breves comprimentos com Kim Ji-a. Ela não disse nada, mas parecia ter adivinhado por que Marvin tinha ido até lá. Talvez se sentisse culpada, pois não parava de chorar. Estava muito mais magra do que da última vez em que a vira, visivelmente desgastada pela vida.
Marvin não conseguia afastar a sensação de peso em seu ombro, então apoiou o quadril da criança com uma das mãos. Seu ombro machucado doía, mas ele não podia acordar o menino adormecido.
Ele vagou pelo saguão à procura de um banco comprido. Deitou o menino de lado sobre o assento e ofereceu a própria coxa como apoio. O corpo pequeno, que se contorcia antes, sossegou novamente, usando o casaco que o cobria como cobertor.
Os arredores estavam desertos. Os funcionários de plantão guardavam seus postos escassamente, e os acompanhantes olhavam para seus celulares, com rostos exaustos.
Então, ele ouviu passos que pareciam se aproximar. Marvin levantou o olhar e observou o homem que caminhava em sua direção. Tinha ouvido para esperar, mas a situação de ele realmente aparecer ali parecia de certa forma surreal.
O homem vestia um sobretudo comprido, como de costume, mas estava vestido de forma um pouco mais casual do que o habitual. Seus olhos tinham voltado ao normal, como se o rut estivesse encerrado. Ele teria tomado supressores? Sabendo que não seria possível se recuperar tão rapidamente de outra forma, Marvin evitou tirar conclusões precipitadas. Não queria se decepcionar novamente.
— Espero que esse não seja seu filho.
O homem, que já tinha chegado bem perto dele, olhou de relance para a criança dormindo nos braços de Marvin.
— Ele não se parece comigo?
— Não consigo ver o rosto dele.
— Eu não tive tempo para fazer um filho.
— É um alívio. Pensei que houvesse outra história oculta.
Ele se sentou ao lado dele. Afastou os joelhos adequadamente, apoiou os braços sobre eles e inclinou o tronco para a frente. Seu olhar, que vinha observando o hospital devagar, voltou-se para Marvin. Tinha uma expressão que dizia ser novidade se encontrarem em um lugar como aquele.
Marvin tossiu sem jeito. Desta vez, a relação de hierarquia estava devidamente estabelecida. Além disso, ele só tinha recebido uma promessa verbal de empréstimo, então não podia agir com tanta confiança. Queria dizer a ele para ir pagar a conta, já que o tratamento já tinha começado.
— Uma irmã gêmea?
— Sim.
— Você tem certeza?
Marvin teve que perguntar de volta: “Como?”, como se tivesse ouvido uma pergunta completamente inesperada.
— Você fez um teste genético?
O rosto dele endureceu involuntariamente diante do absurdo da pergunta.
— Não. Não havia necessidade. A freira que cuidou dela desde que nasceu no centro me contou, e, além de tudo isso, a medula óssea nem seria compatível se não fôssemos irmãos em primeiro lugar.
Jang Jin-woo encarava-o com uma expressão de quem não estava muito convencido. Marvin soltou um suspiro curto e deu um riso seco. Ele continuava sendo uma pessoa que ultrapassava as expectativas. Nunca pensou que ele fosse suspeitar de algo assim.
— O senhor não confia demais nas pessoas?
— É o que eu faço normalmente.
Ele culpou sua profissão com indiferença.
— Se o senhor estiver relutante em ajudar, eu posso assinar uma nota promissória. Vou entregar o dinheiro que devo receber semanalmente do Leste de forma semanal. Tenho algum dinheiro em mãos e posso cobrir cerca de metade disso imediatamente. Então, se estiver tudo bem para o senhor, poderia ir e…
Ele pausou por um momento. Foi porque ele o encarava muito intensamente. Marvin engoliu em seco uma vez e continuou:
— Se estiver tudo bem para o senhor, poderia ir e pagar a conta agora? O tratamento já começou.
A criança dormindo nos braços de Marvin se mexeu. Ele se perguntou se estava barulhento demais, então puxou delicadamente o casaco que o cobria sobre as orelhas dele, e Jang Jin-woo deu a resposta que ele esteve esperando:
— Eu já paguei.
Marvin, com um olhar um pouco surpreso, fechou a boca imediatamente, prestes a dizer algo. Ele era sem dúvida eficiente para resolver as coisas. Não parecia querer ouvir palavras incômodas de gratidão, então expressou sua educação de forma simples:
— Obrigado. Posso enviar cerca de 8 milhões de won imediatamente. Pagarei o restante assim que receber o dinheiro.
— Tudo bem.
Ele não parecia se importar com alguns milhões de won. Então Marvin se perguntou por que ele viera até ali se era apenas para enviar o dinheiro.
— O senhor não estava… ocupado? Não precisava ter vindo pessoalmente.
— Vim te buscar porque você parecia ter fugido de casa.
— O quê?
Ele riu de forma sutil, como se perguntasse por que Marvin estava tão surpreso. Em seguida, mudou de postura novamente. Talvez desconfortável com a cadeira baixa do hospital, suas pernas compridas ficaram espalhadas em formato de ziguezague.
— Você não vai para casa desde aquele dia, vai? Não havia sinal de que você dormiu lá.
— Ah, sim. Só por precaução.
Ele não tinha nada a dizer. Era verdade que tinha evitado encontrar Jang Jin-woo. Mas estava planejando ir para casa hoje.
— Não vamos ficar sem jeito por causa disso. Eu já disse, mas esqueça o assunto. Eu cometi um erro.
— Não. Eu fui indelicado demais também. Não é seu papel se desculpar, Promotor-nim.
Marvin moveu os lábios sem jeito e finalmente fez a pergunta sobre a qual estivera se perguntando o tempo todo:
— O senhor… resolveu bem o rut?
Como se capturasse o olhar de Marvin que tinha se erguido ligeiramente, ele respondeu imediatamente:
— Tomei supressores.
Os olhos de Marvin se arregalaram.
— Foi a primeira vez que fui rejeitado por alguém, então simplesmente perdi a vontade de ter relações.
Jang Jin-woo ergueu os cantos da boca como se estivesse meio brincando. Marvin ficou desconfiado, mas secretamente satisfeito. Também gostou da forma como ele o elogiara. Ele realmente sabia como brincar com os sentimentos das pessoas. Enquanto reclamava por dentro, acabou dando uma risadinha.
De qualquer forma, estava feliz por ter superado aquilo sem passar mais constrangimento. Pensando naquela noite em que gritara que jamais dormiria com ele, dava vontade de chutar as cobertas enquanto dormia, mas agora aquilo virara história passada.
“Não vamos cometer outro erro.”
Ele estufou o peito, reafirmando sua determinação. Então viu a freira descendo. Parecia que o primeiro tratamento tinha terminado em segurança.
Jang Jin-woo levantou-se da cadeira primeiro e abriu caminho.
— Diga adeus e vá para o estacionamento.
— Ah, mas Promotor-nim…. Eu também trouxe meu carro.
Como ele se movera rápido demais, a criança que apoiara as pernas fez uma birra. Enquanto Jang Jin-woo observava Marvin afagando as costas do menino, respondeu com indiferença:
— Vamos no meu carro. Tenho algo para conversar. Vou chamar um motorista de aplicativo para levar o carro de Kim Marvin-ssi para casa. Me diga o número da sua placa.
— Como? Por que fazer algo tão desnecessário…
Por que chamar um motorista se os braços e pernas dele estavam ótimos? Mas ele já estava fazendo a ligação sem dar chance de ser interrompido.
— Estacionamento da Ala do Centro de Câncer do Hospital Dong Seoul, o número é… — Ele parou ali e olhou para Marvin.
— 31Seo43….
A freira aproximou-se de Marvin, que respondera como se estivesse possuído. A criança, meio adormecida, abraçou-a.
— Terminou bem. Disseram que a evolução parece ser boa.
— É um alívio.
Enquanto conversavam por um momento, Jang Jin-woo já ia se afastando sozinho. Marvin explicou que todas as taxas de tratamento da semana tinham sido pagas e deu um número a ela.
— Ficarei na Coreia por um tempo. Se precisar de algo, entre em contato por este número. Tenho um assunto para resolver, então vou indo na frente.
Ele acariciou a cabeça da criança que entregara e curvou-se para a freira. Em seguida, apressou-se para ir atrás de Jin-woo.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello