Capítulo 55
A freira responsável, que não encontrava há bastante tempo, parecia extremamente desgastada. Perguntei se o trabalho andava muito difícil, mas ela apenas sorriu e respondeu que não era nada disso.
— Quando a gente envelhece, o esperado é ganhar um pouco de peso, mas eu não ganhei. Devo estar com essa cara por causa disso. O que o traz à Coreia? Obrigada por ter vindo.
O saguão da ala hospitalar estava silencioso naquele domingo. Não que não houvesse pessoas, mas ninguém levantava a voz. Nada mudara desde aquela época até agora. O cansaço acumulado e a melancolia da doença pareciam empossados densamente pelo chão.
Kim Ji-a estava definhando pálida ali. Naquela época, Marvin, que cumpria uma operação em Malta, não pôde retornar à Coreia imediatamente. O médico dissera que não havia esperanças, mas a vontade de viver dela a manteve firme por mais um mês. Nesse meio-tempo, Marvin, ao retornar ao país, doou células-tronco hematopoieticas. Sendo assim, ele fora o seu próprio salvador.
— Alguém a encontrou desacordada no ateliê na quarta-feira e entrou em contato conosco. Ela foi direto para a sala estéril e agora voltou para o quarto quádruplo. É perigoso. Nem mesmo para um quarto duplo ela conseguiu ir…
Parecia que ela tinha sido tirada de lá por não ter dinheiro para cobrir a conta do hospital. A expressão da freira, enquanto a voz sumia, era de puro constrangimento. No fim das contas, a razão pela qual enviara dois e-mails seguidos para Marvin fora o dinheiro.
— Eu vou pagar a conta. E a criança?
— Ele está com a Ji-a. Queria muito ver a mãe, então deixamos entrar um pouco. Teremos que cuidar dele quando ela voltar para a sala estéril.
— Obrigado.
A freira curvou a cabeça junto com Marvin. Ambos se sentiam gratos e, ao mesmo tempo, constrangidos um com o outro. Um irmão gêmeo sem vínculos legais e uma guardiã da infância cujas obrigações já haviam expirado. O contato, que ficara cortado por um tempo depois que Marvin atingira a maioridade, fora retomado três anos atrás.
“Pensei bastante sobre isso, mas acho correto deixá-lo ciente, então estou entrando em contato.”
Kim Ji-a era do mesmo centro de acolhimento. Eles não eram particularmente próximos, mas Marvin se lembrava de seu rosto pálido, já que ela estava sempre desmaiando devido a uma anemia severa.
Ela lhe desenhava um quadro todo ano no aniversário dele. Ele não entendia a resposta direta dela de que fazia aquilo simplesmente porque se sentia feliz em fazer, mas, na verdade, eles tinham a mesma data de nascimento.
Depois de se tornar adulta e se independizar, ele soube dela por meio do e-mail da freira. Por acaso, ao checar um endereço antigo que nem usava mais, Marvin descobriu a identidade de sua única irmã gêmea, a quem chamava de noona. E ele se dispôs prontamente a ser seu doador.
No entanto, os dois não passaram a morar juntos nem mantiveram uma relação calorosa de irmãos depois disso. Ela era uma pessoa orgulhosa. Dizia que não queria empurrar sua vida para cima de Marvin só porque tinham saído do mesmo ventre.
Em vez disso, criou uma conta em uma rede social e compartilhava atualizações de forma unilateral. Deixava-o saber que estava se recuperando bem e que continuava fazendo o que amava enquanto lutava contra as sequelas restantes.
Marvin respeitava a vontade dela. Ajudava-a financeiramente de forma constante, comprando suas obras e sustentando-a. A maior parte do dinheiro que ganhava arriscando a própria vida desaparecia desse jeito, mas Marvin não se arrependia nem um pouco.
Era um dinheiro que voltaria para o tesouro nacional de qualquer forma quando ele morresse. Achava correto que fosse para alguém que carregava ao menos um pouco do seu sangue.
Além disso, ela também tinha um filho. Era uma criança que tivera independentemente de sua vontade como Omêga, mas que criara sozinha, dizendo que jamais a mandaria para um abrigo. Assim, o dinheiro que conseguia vendendo seus quadros não era usado inteiramente para o próprio tratamento.
— Quero pagar o quarto do hospital. Para Kim Ji-a.
— Sim. Ela vai retornar para a sala estéril? Devo cobrar tudo junto agora?
Quando Marvin assentiu, a funcionária do guichê de atendimento pegou o cartão e debitou a bagatela de 3,5 milhões de won. A conta que Choi Hyung-il lhe dera tinha um pouco menos de 4 milhões de won, mas Marvin adicionara o dinheiro em espécie que possuía, totalizando cerca de 12 milhões de won. Agora restavam-lhe 8,5 milhões de won.
— E quanto às injeções? Vai pagar antecipadamente também?
A funcionária, entregando-lhe o comprovante, perguntou. De acordo com a freira, a taxa de hemoglobina dela caíra tanto que apenas transfusões de sangue não conseguiam trazê-la de volta ao nível normal. Ela precisaria tomar mais uma aplicação de um novo medicamento, cujo valor se equiparava ao de sessões de quimioterapia.
— Vou pagar tudo junto.
— A senhora já tomou esse medicamento uma vez no início do ano, então agora ele conta como não coberto pelo plano. O total fica em 14 milhões de won.
— Como?
Marvin assustou-se e perguntou novamente ao ouvir a quantia, que ultrapassava de longe suas expectativas. A explicação era simples: havia um limite de vezes em que o novo medicamento era coberto pelo seguro. O paciente tinha que arcar com todos os custos excedentes.
Isso era complicado. Faltavam-lhe 5,5 milhões de won.
Marvin virou-se. A freira, sentada na cadeira da sala de espera logo adiante, acenou com a mão e sorriu. Parecia aliviada. Não havia como ela resolver aquela situação por conta própria. Ele não podia simplesmente ignorar a situação, pagar apenas a conta do hospital e ir embora.
— Vai efetuar o pagamento?
A funcionária do hospital perguntou novamente. Marvin não teve outra escolha a não ser fazer uma pergunta que beirava o absurdo:
— Há alguma forma de pagar metade agora e a outra metade depois?
— Sim. O senhor pode parcelar no cartão de crédito. Muita gente faz isso.
A funcionária respondeu com naturalidade, como se não fosse nada. Marvin assentiu com um sorriso ambíguo. Pessoas comuns podiam fazer isso, mas ele não tinha um cartão de crédito.
De repente, sentiu-se uma pessoa infinitamente incompetente. A funcionária o encarava como se estivesse impaciente, pressionando-o a decidir rapidamente se pagaria ou não. Ele disse que faria uma ligação e retirou-se do balcão.
Depois de hesitar por um longo tempo, Marvin não teve outra opção a não ser ligar para Yang Jin-man.
— Alô.
Uma voz cheia de desconfiança veio do outro lado da linha.
— Sou eu.
— Ahn? Encarregado Kim? Que número é esse? Quase não atendi achando que era spam.
— Meu celular quebrou, então estou usando o telefone da sala de plantão.
— Ah, sério? É esse o número? De qualquer forma, ei, soube que você liberou o pessoal para o jantar da empresa ontem e ficou de plantão no lugar deles? Obrigado pelo empenho. Onde você está, em casa?
— Sim.
— Por que ligou?
— ……
As palavras não saíam com facilidade. Ele pensou em pressioná-lo. Afinal, estava trabalhando para ele, então o razoável seria: “Deveria receber algum dinheiro a partir de agora. Por favor, me envie 5,5 milhões de won à vista imediatamente.” Chegou a considerar gritar do nada, mas nem mesmo um delinquente faria aquilo.
— Você liga e não diz nada. O que foi, está cansado? Quer tirar o dia de folga?
Marvin sentiu-se um pouco aliviado ao ouvir aquilo.
— Sim, irei trabalhar amanhã se não houver imprevistos.
— Certo. De qualquer forma, não há muito movimento no salão hoje. Era para perguntar isso que você ligou? Você é tão sem graça.
Marvin esfregou a bochecha seca e suspirou. No fim das contas, não conseguiu dizer mais nada e desligou o telefone. Mesmo que dissesse algo, não haveria a menor chance de Yang Jin-man, que era extremamente pão-duro, emprestar-lhe dinheiro prontamente.
Naquele momento, a freira aproximou-se de Marvin.
— Disseram que ela já pode voltar para a sala estéril?
Ela olhava para o comprovante na mão de Marvin com uma expressão cautelosa. O quarto quádruplo, propenso a contaminações, era fatal para a paciente. O correto era enviá-la para cima o quanto antes.
— Sim. Eu já resolvi, então pode pedir para mudá-la de quarto novamente.
O rosto dela se iluminou.
— Certo, então vou trazer o menino. Vai ser difícil assim que o tratamento começar, então preciso levá-lo de uma vez. Você deveria ir ver o rosto dele também.
Qual era mesmo o nome do menino? Tudo de que se lembrava era que a criança, cujo rosto ele nem conhecia direito, mal conseguia andar três anos atrás.
— Vou fazer mais uma ligação.
— Tudo bem. Resolva seus assuntos e venha. Pode subir para o 4º andar.
— …Sim.
Ele não teve coragem de dizer que ainda não resolvera a taxa da injeção. Seu coração parecia pesado, como se tivessem colocado um bloco de ferro nele. Marvin soltou um suspiro profundo e pegou o telefone novamente.
Ele tinha o número memorizado. Parecia ainda mais difícil tocar no assunto com ele do que com Yang Jin-man.
Mas as chances de sucesso pareciam maiores. 5,5 milhões de won não era uma grande quantia para ele. Não poderia simplesmente pedir emprestado por um tempo? Com naturalidade, como quem pede 50.000 won. Isso não funcionaria melhor do que abordar o assunto de forma excessivamente séria?
Enquanto ponderava sobre isso, a ligação foi atendida.
— Sim. Aqui é Jang Jin-woo.
— ……
Assim que ouviu a voz dele, Marvin ficou tenso, como se estivesse prestes a fazer uma prova, e as palavras não saíram de imediato.
— Alô? Pode falar, por favor.
Talvez por receber muitas chamadas desconhecidas, ele perguntou com serenidade.
— …É o Kim Marvin.
— Não reconheci o número. Você mudou de celular?
— Não. Meu telefone quebrou. Estou ligando do telefone do hotel.
Marvin percebeu que estava hesitando sem notar. Era tão constrangedor. Pensando bem, percebeu que Jin-woo ainda poderia estar em seu ciclo de rut. Tinha se esquecido completamente disso.
— O senhor está, por acaso, em casa?
— Não. Estou no escritório. Tenho algumas coisas pendentes para resolver.
Isso foi um alívio. Seu estado de espírito foi relaxando aos poucos diante daquela voz tão calma. Parecia apenas mais um dia comum para ele.
— Hm, Promotor-nim.
— Sim.
Ele conseguiu dar o primeiro passo, mas as palavras seguintes travavam na garganta. Lamber os lábios secos pensando em como introduzir o assunto, mas Jin-woo tomou a iniciativa:
— Você está doente em algum lugar? Pareceu-me que está em um hospital.
Ele parecia ter deduzido a localização ao ouvir os avisos sonoros ao fundo. Marvin pensou que, se não dissesse nada mesmo depois de ele ter preparado o terreno assim, haveria algo de muito errado consigo. Esfregou a bochecha seca mais uma vez e abriu a boca:
— Eu preciso de um pouco de dinheiro…
Ele prendeu a respiração por um instante, perguntando-se se não tinha soltado a conclusão rápido demais. Podia quase imaginar a expressão intrigada de Jang Jin-woo do outro lado da linha. Ele devia estar se perguntando o que era aquilo de repente. Mas ele pausou por um momento e perguntou:
— Quanto?
Marvin piscou, segurando o fone. Pulou tantos passos do processo que se perguntou se aquela era a ordem correta das coisas. Explicou novamente com calma, achando que poderia haver algum mal-entendido:
— Tenho uma urgência, então gostaria que o senhor me emprestasse uma quantia. Eu posso assinar uma nota promissória.
Mas as palavras que vieram de volta foram exatamente as mesmas:
— Então, de quanto você precisa?
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello