Capítulo 54
— De todos os lugares, por que eu tinha que cair logo em cima disso de novo…
Oh Jae-young, que estancava o nariz sangrando com um lenço de papel, resmungou com uma voz constrangida. Ele também observava Marvin, que dirigia, pelo canto do olho.
— Está tudo bem.
O celular de Marvin, que fora arremessado contra a tampa do bueiro, estava seriamente danificado. Parecia funcionar, mas a tela estava estilhaçada, tornando impossível enxergar qualquer coisa. Felizmente, a briga diminuiu por causa disso. Os membros da equipe devem ter pensado que até mesmo alguém que viera separá-los acabaria se envolvendo, então pararam por ali e foram embora.
E Marvin estava a caminho de levar Oh Jae-young para casa. Ele não gostou nem um pouco do fato de seu celular ter quebrado, mas, graças a isso, Oh Jae-young estava infinitamente amigável com ele. Marvin não podia perder uma boa oportunidade: de acordo com o Diretor Heo, Jae-young definitivamente tomara o remédio de manifestação do Estágio 2.
— Mas eles realmente não dão mais adicional de fim de semana, sabia? Foi só hoje. O evento era grande. Eu coloquei um pouco a mais porque disse para prestarem atenção e fazerem um bom trabalho, mas, porra, eu sou o líder, então posso ficar com esse tanto, não posso? Francamente, sou eu quem junta essa equipe e faz a coisa andar. Só por causa de dez mil won, porra, eles são tão pão-duros.
Ele continuou a reclamar como se fosse o injustiçado da história.
— Nesse caso, você deveria ter pedido a eles para lhe darem um pouco mais à parte. Não é porque você está pegando dinheiro com o nome dos outros?
— Não tem a menor chance de o Presidente Yang fazer isso. Por que você está fingindo que não sabe? O Gerente Kim é quem sabe melhor.
Oh Jae-young estava surpreendentemente amigável com Marvin. Ele costumava falar tão mal dele pelas costas, mas parecia feliz por ter a oportunidade de se aproximar.
— Você não tem outros lugares para ir além do Daekyung? Por que está tão curto de dinheiro?
Marvin olhou de relance para o lado e o interrogou sutilmente.
— Eu tenho, mas você sabe, dinheiro é sempre curto, não importa o quanto se ganhe. E este trabalho, surpreendentemente, custa um pouco para se manter.
— Por quê? Por causa dos remédios?
Marvin trouxe à tona com casualidade a história sobre a qual os membros estavam falando mais cedo. Oh Jae-young esfregou a nuca sem jeito e murmurou:
— Bom, acho que os clientes me dão mais gorjetas se eu tomar. Eu não estou enganando ninguém. Todo mundo sabe que sou um Beta. Só estou fazendo isso pelo clima. As pessoas que frequentam o Daekyung por acaso não sabem a diferença entre Omêgas e Betas?
“Não sabem”, Marvin riu por dentro, pensando em seu próprio caso. Oh Jae-young deve ter achado que ele estava rindo dele, pois ficou com uma expressão amargurada.
— É, é ridículo. Tenho que fazer de tudo para me sustentar.
Vendo-o se depreciar, Marvin acrescentou uma palavra:
— É assim para todo mundo. Quem não é assim? Você tem que aguentar, mesmo que seja sujo e desagradável.
Marvin murmurou como se estivesse falando de si mesmo. Foi cínico, mas de alguma forma sincero, então Oh Jae-young ficou radiante.
— Certo? Acho que o Presidente também não cuida muito bem do Gerente Kim, cuida?
Ele parecia sentir uma certa afinidade. Marvin apenas evitou responder com um sorriso.
— Então, você está indo ao escritório da Dongyang hoje em dia? Porque precisa de dinheiro?
— Ah, sim.
Marvin ficou surpreso por um momento. Ele nem era um funcionário regular, mas era tão bem conectado que as notícias voavam.
— Tome cuidado. Aqueles bastardos da Dongyang Liquor são golpistas completos. Parecem um bando de gângsteres. Eles se aproximam de você fingindo ser civis normais, mas assim que você faz um negócio com eles? Eles tentam te sugar até a última gota. Eles não fornecem apenas bebida para o Daekyung, eles também colocam remédios de manifestação e remédios para disfunção erétil no meio, sabia?
— Sério?
Marvin ouviu as queixas de Oh Jae-young com seriedade, fingindo não saber de nada.
— É. Eles jogam uma porção de iscas e fingem que cuidam muito bem de você, mas levam cinco ou seis mil de uma vez. É como assinar um serviço de remédios, mas é meio difícil para alguém como eu fazer reservas e pedir com antecedência toda vez. Então, eles cuidam do pacote para mim.
— Existe esse tipo de coisa?
— É, mas recentemente eles me disseram para trocar de remédio e me deram uns novos, e, porra, eram uma merda. Eu nem entrei no heat, não fiquei animado, nem sequer fiquei molhado, e passei uma vergonha desgraçada na frente do cliente.
— Que tipo? Um remédio de manifestação de curto prazo?
— É. Disseram que era uma versão atualizada e que, se eu tomasse com frequência, iria me manifestar de verdade, mas eu só joguei meu dinheiro fora.
Naquele momento, a expressão de Marvin, que encarava a estrada à frente, endureceu. Sua testa se franziu enquanto ele relembrava o passado rapidamente.
“Tem um cara ruivo e baixo na equipe de dança que às vezes fica no centro.”
“Oh Jae-young?”
“Não sei o nome dele.”
“Dizem que os remédios dele são incríveis, não são?”
“Sim, disseram que a outra pessoa não desconfiou de nada do começo ao fim e foi totalmente enganada. Acho que isso realmente poderia acontecer?”
A conversa que ele havia juntado superficialmente ao se aproximar do Diretor Heo veio à sua mente. De acordo com o que Oh Jae-young dizia agora, aquela história não fazia o menor sentido. De repente, seu sangue começou a ferver.
— Você disse ao Diretor Heo que os remédios não estavam funcionando?
— Claro, eu caí matando em cima dele. Reclamei igual um louco, perguntando se eles podiam tratar um cliente fiel desse jeito. Aí eles me trocaram de volta para os remédios antigos.
A mão que segurava o volante se apertou. Se era assim, o Diretor Heo esteve fazendo jogo duplo com ele o tempo todo. Não era de admirar que tudo estivesse correndo tão bem conforme ele planejara. Uma sensação de frustração passou pelo rosto de Marvin. Ele se culpou por não ter feito uma verificação cruzada imediatamente no passado.
— De qualquer forma, o Diretor Heo, aquele cara, parece um urso bobo, mas é uma verdadeira cobra. Tome cuidado. Há uma razão pela qual ele subiu a executivo lá sem ter antecedentes de peso. Ele tinha cinco passagens pela polícia antes mesmo de começar com essa palhaçada de gângster, sabia? Quatro delas por estelionato e uma por estupro.
Antes que percebesse, o carro entrava lentamente em uma área residencial.
— Chegamos. Só me deixe em frente àquele lugar. Depois que você entra na travessa, fica difícil fazer o retorno para sair, sabe? Eu vou andando.
Marvin estacionou o carro em frente à loja de conveniência ao lado do beco, conforme ele pedira.
— Sobre a tela quebrada…
Oh Jae-young, que estava prestes a soltar o cinto e sair, trouxe o assunto à tona com casualidade. Ele devia estar se sentindo mal por simplesmente deixar passar. Marvin olhou para ele e disse como se não fosse nada:
— Está tudo bem, só me pague uma refeição mais tarde.
— Ah? Ah, certo. Vamos fazer isso. Eu te pago uma refeição.
Oh Jae-young concordou com um sorriso. Foi em parte porque economizou no custo do conserto, mas ele também parecia feliz por ter a oportunidade de fazer uma refeição com Marvin.
— Vá com cuidado. Descanse um pouco amanhã.
Ele se despediu como um amigo de dez anos e saiu. O carro deu partida rapidamente, mas o rosto de Marvin, ao segurar o volante, endureceu velozmente. Logo, ele soltou um xingamento curto. Ele os havia subestimado demais, pensando que fossem apenas gângsteres do interior.
O fato de o Diretor Heo ter aceitado Marvin, mesmo sabendo que ele estava mentindo, significava que ele tinha outras intenções. Foi uma sorte ter percebido isso agora, mas ele precisava revisar seu plano.
Mesmo assim, ele não podia demonstrar uma atitude diferente da que havia mostrado até então. Tinha que continuar agindo como um tolo, assim como vinha fazendo, mas precisava descobrir por que o outro havia deixado a mentira passar.
Marvin balançou a cabeça diante da própria complacência. Não sabia por que não conseguia se concentrar nesses últimos dias. Parecia que metade de sua mente estava em outro lugar. Ele suspirou brevemente e girou o volante. O carro rapidamente tomou o caminho de volta para o hotel.
Por sorte ou azar, o Diretor Heo já havia ido embora, e os clientes bêbados haviam feito uma bagunça. Foi difícil limpar, mas o evento terminou bem.
O Presidente Yang, feliz, pagou as diárias dos funcionários diretamente. Todos estavam animados. Todos saíram em disparada, dizendo que deveriam ir tomar café da manhã juntos pela primeira vez em muito tempo, mas Marvin, que não queria se juntar a eles, ofereceu-se para ficar de plantão. Como algumas pessoas tinham que permanecer no hotel de qualquer maneira, todos ficaram gratos.
Para Marvin, na verdade, era porque ele estava relutante em voltar para casa. Sentia que seria constrangedor se Jang Jin-woo estivesse lá e, se não estivesse, ficaria preocupado. Ele não podia simplesmente perguntar abertamente como ele havia lidado com o rut. Agora que seu celular estava quebrado, não havia como entrar em contato com ele.
— Isso é bom.
Ele murmurou para si mesmo, deitando-se na cama dobrável do escritório. Suas pálpebras se fecharam automaticamente depois de passar quase 24 horas acordado.
Marvin se lembrava claramente daquela cena. Kim Do-jin estava no telefone com alguém. A outra pessoa era coreana e parecia ser um conhecido próximo ou amigo. A princípio, ele pensou que fosse apenas uma conversa particular, mas uma palavra pareceu suspeita:
“Eu já o mandei para casa, então não se preocupe.”
Ele apenas tinha ouvido por acaso enquanto passava, então não notou nada de estranho na época. Mas, recentemente, aquela cena não saía de sua cabeça.
Quem ele dissera que havia mandado para onde?
Recentemente, Marvin vinha reexaminando cada memória daquela época. Cada cena desde quando chegara à Suíça até um pouco antes de Kim Do-jin morrer já havia passado por sua mente várias vezes.
Toda vez, aquela ligação o incomodava. Marvin vinha suspeitando há algum tempo de que poderia ser uma referência à amostra. Mas ele não tinha ideia sobre o motivo ou o contexto. Além disso, mesmo se fosse esse o caso, ele estava em uma situação em que poderia ser roubado novamente a qualquer momento, então parecia mais seguro simplesmente deixar como estava por enquanto.
Havia olhos o seguindo desde o ataque ao officetel. Eles não atacavam precipitadamente nem se revelavam como da última vez. Sendo assim, ir à casa de Kim Do-jin agora seria um grande risco. A coleta de informações era mais importante do que ações precipitadas no momento.
Antes que percebesse, Marvin, já completamente acordado, abriu os olhos em silêncio. Checou o relógio na parede: já eram 11 horas da manhã. Ele se mexeu enquanto arrumava seu espaço. Havia várias notificações de e-mail em seu celular quebrado.
A maioria das letras estava tão distorcida que ele não conseguia ler, mas algumas palavras chamaram sua atenção:
Kim Ji-a, sala estéril.
Ele deu um pulo e checou seu e-mail no computador do hotel. A breve mensagem começava com cumprimentos perguntando como Marvin estava. Mas o conteúdo não era nada bom.
Marvin sentiu como se estivesse despertando completamente. “Acho que ela não tomou a injeção a tempo. Eu me atrasei em comprar os quadros dela por alguns meses, então ela não deve ter conseguido resolver por conta própria.”
Não havia tempo para hesitar. O e-mail já havia sido enviado na noite anterior. Ele pegou rapidamente o gancho do telefone do hotel. O número que havia memorizado desde criança era sempre o mesmo. Alguém atendeu o telefone assim que o sinal tocou:
— Sim, aqui é do Centro de Proteção Infantil Sejong.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello