Capítulo 53
O Hotel Daekyung estava transbordando de energia pela primeira vez em muito tempo. A Jin-gang Shipping havia alugado todo o salão para comemorar seu aniversário de fundação. Até os funcionários em licença não remunerada vieram trabalhar naquele dia, recebendo uma diária. Eles deviam estar exaustos de tanto correr desde a manhã, mas todos pareciam animados.
O Presidente Yoon Jo-beom havia descartado o serviço de bufê como algo “de segunda categoria” e encomendou um menu completo para 200 pessoas. A cozinha soltou um grito de socorro, mas Yang Jin-man não poderia estar mais feliz: ele cobrou uma taxa adicional de 80.000 won por pessoa. Com esse dinheiro, pagou um adiantamento aos acompanhantes Omêgas e os enviou para o salão naquele dia.
A expectativa era de que os executivos e funcionários convidados para a festa seduzissem os Omêgas e subissem para os quartos. Talvez por não parecer uma recepção forçada envolvendo dinheiro direto, o clima estava amistoso.
Os Omêgas participantes também estavam satisfeitos. Eles só precisavam ir para a cama com alguém antes da meia-noite, então aproveitavam o fluxo interminável de jogadas de charme e se misturavam aos convidados. Eles rejeitavam adequadamente aqueles que eram insistentes demais, aumentando o próprio valor.
— Mesmo que ajam com toda essa pose, no final eles acabam cedendo, não é? Pode não ser comigo, então tenho que me matar de trabalhar. Os caras que estão dando em cima ficam animados, e quem está cedendo fica feliz. Uau… isso não é uma ideia genial? Até eu acho que estou fazendo um trabalho incrível com este negócio.
Yang Jin-man deu uma risada contida, enchendo a si mesmo de elogios. Ele parecia estar no auge da empolgação. Chegou até a fazer uma pequena dança com os ombros no ritmo da música que vinha do palco e deu uma volta no próprio eixo.
— Ainda assim, fui eu quem te deu a dica. Falei para você fazer negócios assim desde o início, não falei?
O Diretor Heo se meteu ao lado, gabando-se. Sua voz também estava animada. Era excelente para ele também quando o dinheiro circulava nos estabelecimentos que gerenciava.
— Você não sabe de nada. Se fizéssemos como o Diretor Heo disse, os clientes apenas entrariam em contato uns com os outros e pronto. Você tem que intervir ativamente no mercado para coletar as comissões. O fornecimento de Omêgas deve passar exclusivamente por nós. Não sabe que este negócio só funciona sob essa premissa? Onde mais, a não ser no nosso hotel, você pode reunir tantos deles em um só lugar para escolher? Certo?
— É verdade. E só funciona porque o Presidente Yoon-nim está esbanjando generosamente. Não podemos fazer isso toda semana.
O amigo de Yang Jin-man, que administrava uma empresa de transportes, concordou, acrescentando uma palavra. Eles assentiram uns para os outros, concordando que fazia sentido.
Eles estavam parados ao lado da porta de saída de emergência que levava ao restaurante. Estavam no escritório, mas depois de ouvir da equipe do salão que a atmosfera estava ótima, todos desceram para ver a cena. Claro, Marvin também estava entre eles.
— Gerente Kim, certifique-se de que eles não saiam para um segundo round por conta própria. Continue lembrando-os de que não poderão se registrar novamente no sistema de cotas se forem pegos.
— Sim.
— Sempre há pessoas que causam problemas depois de grandes eventos como este. Verifique os horários de check-out daqueles que subirem para os quartos. Entendeu?
— Sim.
Yang Jin-man não gostou da resposta perfunctória, então se virou bruscamente. Ele franziu a testa ao notar a condição de Marvin.
— Por que você está com essa cara? Não dormiu?
— É, você não está com uma cara boa. Está doente?
— Você nem foi ao nosso escritório hoje. O Gerente Kim está fazendo jornada tripla?
Marvin suspirou diante da atenção repentina voltada para ele. Ele já não gostava de se envolver nesse tipo de conversa fútil de negócios, e não tinha vontade alguma de receber aquela camaradagem forçada.
— Eu só não consegui dormir bem. Estou bem.
Era verdade. Ele tinha ido para a cama depois da conversa com Jang Jin-woo no dia anterior, mas se virara de um lado para o outro até o amanhecer. Quando acordou, depois do meio-dia, ele já tinha ido embora.
Nem sequer deixara um bilhete como da última vez. Marvin agora tinha o número dele, mas eles não eram próximos o suficiente para que enviasse uma mensagem perguntando para onde tinha ido.
Ele continuava preocupado. Como ele estava lidando com o rut? Jin-woo claramente se oferecera para irem para a cama juntos, mas Marvin recusara, e o assunto permanecera mal resolvido. Talvez ele já estivesse rolando na cama com uma parceira em algum hotel. Vendo que ele tinha saído no fim de semana, isso parecia provável.
O quão compatíveis os corpos deles precisavam ser para que viajassem duas horas só para se encontrar, mesmo não estando namorando? Ele não conseguia entender de jeito nenhum.
— Algo te chateou?
Yang Jin-man encarou Marvin com os olhos semicerrados. Marvin percebeu que, sem notar, tinha cerrado o punho.
— Não. Nada.
— Por quê? O negócio do seu pau não está indo bem?
O Diretor Heo se meteu novamente, animado. Ele parecia saber de alguma coisa. Yang Jin-man perguntou de novo, parecendo confuso:
— Que negócio de pau?
— Se é negócio de pau, não é um romance?
O amigo do ramo de transportes agarrou a própria virilha e fez uma expressão interessada.
— É mesmo? Você está namorando? Você?
“Você é um Omêga”, a reação de Yang Jin-man parecia dizer, mesmo sem pronunciar as palavras em alto som.
Pensando bem, sua postura ficara um pouco distorcida na frente deles. Parecia necessário colocar ordem nas coisas.
— Não é namoro, mas estou saindo com alguém.
— Uau, sério? Quem é? Deve ser muito bonita, hein?
O amigo dos transportes fez um escarcéu, e o Diretor Heo acrescentou mais uma palavra, não querendo ficar para trás:
— O Gerente Kim não é desse lado. Ele é deste lado aqui.
Ele fez um círculo com o dedo. Era uma gíria muito usada naquele meio para se referir a quem era penetrado.
— Ehhh?! Sério?!
O Diretor Heo deu uma risada contida, achando a reação divertida. Marvin esperou em silêncio até que a comoção inicial passasse.
— O Gerente Kim pega remédios comigo. Não parece, mas ele é bem agressivo.
— Não só uma vez, mas continuamente?
Desta vez foi Yang Jin-man quem interveio. Da última vez, ele apenas tinha deixado passar, achando que Marvin estava ajudando alguém que lhe pedira, então era uma situação que ele não tinha como não achar estranha.
— Quem você está encontrando?
Ele encarou Marvin fixamente, curioso pelos detalhes.
— Eu conto depois.
— Conta para a gente também. É um Alfa?
O amigo dos transportes o cutucou com o cotovelo, insistindo.
— Depois.
Seus lábios sorriam, mas seus olhos não. Ele percebeu que não estava controlando bem sua expressão, mas não podia evitar. Não estava no clima para dar corda para eles.
— Deixe ele em paz. Ele provavelmente não quer falar sobre isso.
Yang Jin-man, que era rápido em perceber as coisas, sutilmente desviou o olhar para outro lugar. O Diretor Heo, sentindo-se um pouco culpado quando o clima esfriou, disse:
— O que foi, ficou bravo porque eu contei quando você me pediu segredo? Ah, está tudo em casa entre nós. Tomar remédios é algo para se envergonhar? Eu não vou contar para o pessoal de baixo, então não se preocupe.
— Sim. Vou lá fora fumar um cigarro.
Parecia a maneira mais rápida de sair daquela situação. “Envergonhar o cacete.” O Diretor Heo riu ainda mais para disfarçar o constrangimento. Marvin o ignorou e subiu as escadas sozinho.
Não era nada bom ser alvo de fofocas por motivos como esse. Se revelasse pontos peculiares demais dos quais as pessoas pudessem se lembrar, acabaria sendo descoberto. Ele sempre tinha que tomar cuidado para não acumular informações demais sobre si mesmo em lugar nenhum.
O Diretor Heo era o maior problema. Era um falastrão por onde passava. Logo, o rumor de que o Gerente do Daekyung estava tomando remédios de manifestação de curto prazo e dando para Alfas se espalharia como fogo na palha. Marvin projetou mentalmente cerca de um mês à frente. Tinha que terminar esse trabalho dentro desse prazo.
Com a mente perturbada, colocou um cigarro na boca quando ouviu uma confusão no estacionamento. Ao se aproximar, viu que era a equipe de dança. Eles já estavam com os ânimos exaltados e palavras duras eram trocadas.
— A gente realmente ia deixar passar uma ou duas vezes! Mas hyung, você faz isso toda vez, porra, quero dizer, tem um limite para passar a perna na gente. Não é demais?
— Quem disse que eu passei a perna em alguém? Se dar 20.000 won por pessoa e mais 10.000 won por música, quanto dá isso? Fizemos cinco músicas hoje, então cada um recebe 70.000 won, certo?
— Não, nos fins de semana é 30.000 won no mínimo, porra, você está achando que a gente é trouxa? Dá mais 10.000 won para cada um.
Parecia que uma briga tinha estourado enquanto dividiam as diárias da equipe. O alvo dos ataques era o dançarino de cabelo vermelho. Marvin já tinha ouvido o nome dele antes. Certo, Oh Jae-young. Ele também comprava remédios de manifestação do Diretor Heo.
— Eu não estou te chamando não é por sua causa, francamente. Da última vez, quando você disse que estava doente e não podia vir, todos nós fomos atrás uns dos outros, então que porra de conversa fiada é essa?
— É isso mesmo. Ah, fico com tanta raiva só de lembrar daquela época. Que porra de heat um Beta tem? Caralho, faz as coisas com moderação. Não tem vergonha?
— O-o quê?
Oh Jae-young, desorientado pelos ataques sucessivos, gaguejou.
— Você vem aqui para arranjar um segundo emprego de qualquer jeito, não é? Ou veio aqui tentar pegar um Omêga e depois finge ser alguém com característica para as pessoas que vão embora porque o preço não bate? Você até espirra um perfume esquisito.
— Q-quando foi que eu fiz isso?!
— Quando? Porra, você está fedendo tanto hoje.
— Seu moleque louco, quer morrer?
Oh Jae-young, cujo constrangimento tinha atingido o ápice, segurou um dos membros pelo colarinho. O outro também agarrou a jaqueta dele com ferocidade, não querendo sair por baixo. O clima era de que socos poderiam voar a qualquer momento. Infelizmente, os outros dois restantes não pareciam dispostos a apartar a briga.
— Vamos parar com isso.
Marvin segurou um deles pelo ombro para contê-los. Todos pareceram surpresos com sua aparição repentina, mas não pararam de brigar imediatamente. O que segurava a jaqueta de Oh Jae-young xingou e tentou recuperar a vantagem.
Oh Jae-young reclamou com Marvin como se fosse o injustiçado da história:
— Gerente Kim, o senhor sabe. Eu não passei a perna em ninguém. Estou entregando exatamente o que me dão no escritório. Olhe.
Ele tirou um envelope com várias notas de 50.000 won e o balançou. Marvin não podia tomar o partido de ninguém porque não sabia dos detalhes. Quando olhou para os outros membros, eles também expressaram suas queixas:
— Não, porra, não estamos no século XX, mas não dá para confiar porque você continua dando nossas diárias em dinheiro vivo. E eles costumavam dar 10.000 won a mais nos fins de semana.
— Então receba por transferência bancária sozinho, seu moleque louco. Desconte os impostos e pague todos os quatro grandes seguros sociais. Quem está te impedindo? A gente nem se apresenta durante a semana desde a fiscalização, então de que adicional de fim de semana você está falando? Realmente não dá para confiar nas pessoas.
Não parecia que aquilo vá terminar de forma amigável. Marvin suspirou baixinho e ligou para a equipe de contabilidade.
— Ah, sim. Gerente-nim. O que houve?
A voz do funcionário responsável pela gestão de fundos foi ouvida pelo viva-voz. Justo quando Marvin estava prestes a dizer algo, Oh Jae-young arrancou o celular de sua mão repentinamente e gritou:
— Ah, porra! É só por hoje! Só por hoje!
Ao mesmo tempo, os olhos de todos se voltaram para ele. Os olhares dos membros que o encaravam, com o rosto vermelho de vergonha, tornaram-se ferozes. Antes que Marvin pudesse impedi-lo, um soco voou. Oh Jae-young deixou o celular de Marvin cair e desabou no chão. A tela do aparelho se estilhaçou, e o nariz de Oh Jae-young também quebrou.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello