Capítulo 52
— Então eu deveria deixar vocês dois a sós. Quando o senhor volta? Amanhã?
Jang Jin-woo observou o repentino movimento de Marvin sem tentar pará-lo. Em seguida, estendeu a mão abruptamente. Marvin encarou-o sem entender, perguntando-se o que ele queria dizer, enquanto a mão grande fazia um gesto como se pedisse algo.
Ah, a cerveja.
Marvin entregou-lhe a lata de cerveja que tinha deixado sobre a mesa. Jin-woo bebeu a metade restante de uma vez só, como se estivesse esperando por isso. Então, esmagou a lata com um único aperto de sua mão.
— Eu vou para um hotel, então você não precisa se preocupar. Não deixo qualquer um entrar na minha casa.
Marvin inclinou a cabeça, perguntando-se o que ele queria dizer com aquilo. Afinal, o que ele próprio era, parado bem ali na frente dele?
— Acho que não sou “qualquer um”, então?
As palavras escaparam antes que pudesse contê-las. Havia um tom de provocação misturado nelas. Jin-woo já tinha lançado jogos de palavras ambíguos como esse várias vezes. Em todas elas, Marvin ficara desconcertado demais e deixara passar, mas desta vez não queria deixar.
— Claro que não. Kim Marvin-ssi é um parceiro de negócios, não é?
Como esperado, não houve nem um pequeno desvio do que ele tinha antecipado.
— Logicamente falando, uma parceira de rut seria mais adequada para um espaço privado do que um parceiro de negócios.
Jang Jin-woo sorriu levemente diante da atitude de Marvin, que agora colocava bastante força em seu maxilar inferior.
— Bom, objetivamente falando, isso é verdade. Eu só disse aquilo esperando que Kim Marvin-ssi ficasse um pouco com ciúmes.
— Eu? Por que eu ficaria?
Marvin foi pego de surpresa, sentindo-se como se tivesse levado um golpe direto.
— Eu estava sentindo um pouco de autoaversão, me perguntando se eu era tão pouco atraente a ponto de você nem piscar ao me ver ir passar meu ciclo de rut com outra pessoa bem na sua frente.
Ele exibia uma expressão de genuíno lamento. Marvin ficou sem fala, tomado de surpresa.
Que bobagem…
Era óbvio que ele sabia que não era esse o caso, mas estava tentando abertamente testar a reação do outro.
Marvin disse a si mesmo para não cair naquilo, mas não conseguiu encontrar uma resposta rápida. Falar a verdade seria se expor demais, e fingir o contrário o faria parecer tolo.
Na verdade, ele já parecia um pouco tolo. O fato de estar tão desnorteado a ponto de não conseguir dizer nada e ficar apenas perdendo tempo significava apenas uma coisa.
— Isso não é verdade. O senhor é bastante atraente. É um mau hábito se estiver fazendo isso de propósito, sabendo disso.
Ele não conseguiu admitir que estivera incomodado com aquilo desde mais cedo, então expressou-se da forma mais indireta possível. Jin-woo sorriu levemente.
— Mesmo que seja como receber uma saudação quando já se está no chão, ainda assim é bom ouvir.
— É a verdade.
— Tudo bem. Vou aceitar ao pé da letra. Vamos dormir agora? Já está muito tarde.
Ele encerrou a conversa com fluidez e ergueu o tronco, que esteve reclinado. O olhar de Marvin, que vagava sem rumo, fixou-se nele.
O que é isso? Acabou? Então, ele vai para o hotel amanhã ou não?
Ele não esperava que a conversa terminasse tão rápido. Era tão diferente do que Marvin tinha antecipado que ele não conseguiu esconder a decepção.
Ele ainda não tinha ouvido uma resposta clara de Jin-woo. Ele dissera que queria deixar Marvin com ciúmes, mas ficaria satisfeito com um único comentário que mal passava de uma gentileza forçada?
Enquanto isso, Jang Jin-woo jogou a lata de cerveja na lixeira da cozinha e voltou. Marvin continuava parado sem jeito, incapaz de se mover. Num instante, ele era o único que se sentia frustrado.
Marvin pressionou os lábios com força e soltou um suspiro pesado pelo nariz. Tinha prometido a si mesmo não ser manipulado por Jin-woo a cada interação, mas fora atraído a ponto de se contorcer por dentro novamente. O que era ainda mais patético era que ele sabia disso, mas não conseguia se recolher ao quarto com determinação.
— Tem mais alguma coisa que você queira dizer?
Marvin sabia que Jin-woo estava fazendo a pergunta enquanto lia claramente sua expressão. Mas, desta vez, sua boca se moveu por conta própria.
— …Amanhã.
— Amanhã?
Jin-woo repetiu o final da frase dele, como se o incentivasse a continuar. Seu olhar vacilante dispersava os nervos de Marvin como contas de um colar partido.
O momento para dizer “Não, deixa para lá” e se virar já tinha passado. Todo tipo de desculpa esfarrapada tentava subir por sua garganta. Enquanto ele tentava engoli-las e empurrá-las para baixo, Jang Jin-woo deu o primeiro passo.
— Amanhã, você prefere que eu não vá?
Naquele momento, Marvin sentiu como se centenas de vasos sanguíneos em seu rosto se abrissem ao mesmo tempo. Como esperado, Jin-woo estava atingindo o ponto central da questão com precisão. Ele sentiu um ressentimento amargo, e a situação se tornou difícil. Claro que não queria que ele fosse. Mas ainda não tinha organizado seus pensamentos até esse ponto. Marvin não tinha justificativa para segurá-lo.
— Se eu dissesse para não ir… o senhor não iria?
“Quem é você para dizer isso?” Era uma declaração absurda.
Ele devia estar completamente fora de si. Sua mente, que ficara bem mesmo depois de beber soju, parecia bêbada depois de meia lata de cerveja. Então, Jang Jin-woo encurtou a distância por um par de passos.
— Sim.
— O quê?
Marvin assustou-se com a resposta inesperada.
— Você não me ouviu? Disse que não iria se você me dissesse para não ir.
— Por quê?
As palavras que não passaram pelo seu cérebro escaparam em sua confusão. Jin-woo deu seu sorriso característico, como se achasse a reação genuína divertida.
— Pensei que não seria nada mau resolver isso com alguém por perto.
Marvin engoliu em seco sem perceber. Ele estava sugerindo que dormissem juntos? Essa era uma investida bastante direta. Ele próprio já abordara Omêgas de forma semelhante quando trabalhava no bar. Sendo assim, o comum seria a outra pessoa dar uma resposta, fosse de aceitação ou rejeição, naquele momento.
Ele imaginou pegar a mão de Jin-woo agora mesmo e ir direto para a cama. Não era impossível. Seu corpo começara inclusive a reagir, a ponto de ele ter que cortar os pensamentos em um limite aceitável, caso contrário ficaria evidente em seu rosto.
Se fossem apenas conhecidos comuns, ele definitivamente teria concordado. Mas ainda havia algo incomodando no canto de seu coração. Era um sentimento mais profundo do que a razão superficial de que não podia ter um envolvimento ridículo com um colaborador.
— …Nós temos que trabalhar juntos no futuro, não seria estranho?
Ele queria confirmar se Jin-woo tinha o mesmo tipo de inquietação. Para sua decepção, a resposta de Jang Jin-woo não demonstrou isso.
— Eu não acho que me importaria. Kim Marvin-ssi ficaria incomodado com isso?
Era a reação de que sexo era apenas sexo. Não estava errado, mas ele não queria que isso fosse aplicado ao seu relacionamento com Jin-woo. Era o mesmo que dizer: “Estou com tesão, então vamos dormir juntos uma vez.” Se fosse esse o caso, ele não queria aceitar. A expectativa que vinha se acumulando evaporou de repente.
— Bom, não é isso, mas… ainda é um pouco… sabe. Temos que manter o trabalho e a vida pessoal separados.
Uma voz que esfriou rapidamente fluiu da boca de Marvin. Jang Jin-woo fez uma expressão de quem compreendia, mas seus olhos mostravam um pouco de lamento.
— Você tem um orgulho forte.
Em seguida, acrescentou algumas palavras como se estivesse acalmando uma criança:
— Eu tenho algum grau de afeição por Kim Marvin-ssi. Eu não sugeriria dormir com alguém por quem não tivesse pelo menos esse tanto de afeição. Achei que tinha demonstrado isso bastante, mas você não percebeu?
Marvin encarou devagar o rosto de Jang Jin-woo, que o olhava fixamente de cima.
Algum grau de afeição.
Era definitivamente uma avaliação positiva, mas ele não ficou nada feliz. Provavelmente era a mesma coisa que ele dizia para sua parceira de rut. Ele também devia ter um certo nível de afeição por aquela pessoa, razão pela qual mantinham intimidade há tanto tempo.
Mas, mesmo assim, se outra pessoa interessante aparecesse à sua frente, aquele sentimento de afeição não significava nada demais, ao ponto de ele cancelar unilateralmente um compromisso pré-agendado.
Se era assim, então ele preferia recusar.
— Obrigado por pensar bem de mim. Mas eu realmente não estou interessado. Sei que fiz algumas coisas que podem ter sido mal interpretadas, mas foi só porque o senhor é muito bonito, então eu olhei. Definitivamente não foi porque eu tivesse sentimentos pessoais.
Jang Jin-woo olhou para Marvin, que de repente erguia uma barreira e o afastava, com uma expressão intrigada. Era como se dissesse: “O que isso tem a ver com o assunto?”
— Não tem problema, mesmo que não tenha. Achei que você estava pelo menos sexualmente consciente de mim, mesmo que não gostasse de mim como pessoa, mas isso foi apenas delírio meu?
Aquelas palavras fizeram Marvin se sentir ainda pior. Era verdade que ele só dissera aquilo com a intenção de irem para a cama uma vez. Era apenas porque ele estava no rut. Era apenas porque Marvin era um Omêga. Era realmente só isso.
— De forma alguma. Como disse antes, quando esteve prestes a ir para cima do senhor, Promotor Jang, foi apenas porque eu estava no heat.
Ele traçou a linha de forma ainda mais firme. Jang Jin-woo ficou em silêncio por um momento diante da atitude de Marvin, que o encarava como se não quisesse dar margem para mal-entendidos. Ele parecia estar tentando adivinhar a razão pela qual Marvin reagia de forma tão extrema.
Os músculos do rosto de Marvin, coberto pela iluminação fraca, tremiam muito levemente. Jang Jin-woo não deixou passar esse movimento e capturou-o em seu olhar. Ele também percebeu o brilho nos olhos dele, que pareciam de alguma forma irritados.
Depois de um tempo, deu um passo para trás, como se tivesse compreendido.
— Tudo bem. Eu me excedi. Vamos fingir que o dia de hoje não aconteceu.
De repente, Marvin sentiu vergonha. Em suma, ele demonstrara com todo o seu corpo que não queria ter relações sexuais com Jin-woo com sentimentos tão superficiais. Não precisava ter sido tão dramático, mas percebeu tarde demais que fora sério demais por conta própria.
Marvin não conseguiu dizer mais nada, fez uma breve mesura e entrou em seu quarto. Jin-woo pedira desculpas, dizendo para fingir que não acontecera, então parecia ter terminado bem na superfície. Mas, ainda assim, as variadas emoções que surgiam golpeavam seu coração com força.
Sentia-se arrependido e envergonhado. Ele fora quem o rejeitara, então por que estava sentindo o oposto? A expressão de Jin-woo ao repuxar os lábios como se pedisse desculpas voltou à sua mente. Marvin cobriu o rosto sem perceber e deitou-se na cama.
Ainda assim, isso era o certo. Sua resposta fora um pouco estabanada, mas ele tomara a direção correta. Não dar margem para mal-entendidos era também um aviso para si mesmo. Se ainda guardasse sentimentos remanescentes depois de fazer isso, ele seria realmente um idiota.
Marvin prometeu a si mesmo que nunca ultrapassaria essa linha de frente que traçara com tanto vexame.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello