Capítulo 51
Tendo chegado em casa, os dois trocaram breves cumprimentos e foram para seus respectivos quartos. Marvin, sendo atencioso com o ciclo de rut de Jang Jin-woo como uma pessoa com característica, saiu rapidamente da sala de estar, e Jang Jin-woo também entrou em seu quarto sem dizer uma palavra.
Apesar de se deitar cedo, Marvin não conseguia pegar no sono e se virava de um lado para o outro na cama, mesmo já passando da 1h da manhã. Deitado no quarto escuro, ele respirava silenciosamente. Estivera pensando no rut de Jang Jin-woo o tempo todo.
Desde que decidiram morar juntos, era inevitável que isso acontecesse uma ou duas vezes. Sendo pessoas com características, o clima ficar constrangedor num piscar de olhos era algo quase inevitável. Ele se perguntava se ficar tão consciente disso não era um pouco ridículo. Para quem tinha características, era apenas algo pelo qual tinham que passar uma vez por mês, como uma indisposição passageira.
Mas havia uma razão para ele não conseguir dormir no momento. Era por causa de algo que Jin-woo havia dito a Marvin uma vez.
“Eu também sinto que com certeza vou ganhar.”
Ele definitivamente dissera aquilo. Marvin não era ingênuo a ponto de não perceber o sentido sexual por trás daquelas palavras. Por isso, ele vinha alimentando uma vaga expectativa desde então — a de que, quando o rut dele chegasse, eles pudessem passar a noite juntos.
— Que ridículo.
Um murmúrio escapou na escuridão. Era um deboche de si mesmo por se dar ao luxo de ter delírios excessivos.
Jang Jin-woo tinha uma parceira de rut. Além disso, já havia dito que preferia mulheres, e essa preferência ainda não tinha mudado.
O Diretor Heo também mencionara que Alfas naturais não gostavam de Omêgas masculinos. Isso parecia verdade, pois coincidia com as palavras de Jang Jin-woo sobre ser exigente com seus parceiros.
Ainda assim, Marvin vinha se sentindo estranhamente eufórico desde mais cedo e simplesmente não conseguia pegar no sono. Qualquer ruído sutil vindo do outro lado da porta o fazia prender a respiração e tencionar os nervos. Ele não sabia que dividir o mesmo espaço com um Alfa no rut podia ser algo tão desgastante.
Sem aguentar mais a frustração, Marvin finalmente se sentou na cama. Não ia dormir de qualquer jeito. Lembrou-se de que havia uma lata de cerveja na geladeira e foi para a sala, pensando em beber pelo menos aquilo.
Sem acender as luzes, caminhou silenciosamente pelo espaço penumbroso. Abriu a porta da geladeira com cuidado, preocupado em não acordar Jang Jin-woo.
Sob a iluminação brilhante da geladeira, viu a última lata de cerveja. Tirou-a devagar e a abriu. Estava dando um gole revigorante quando, de repente, ouviu uma voz:
— Você é alcoólatra? Bebeu ainda há pouco.
Pfft!
A cerveja que estava prestes a descer pela sua garganta espirrou pelo chão como fogos de artifício. Ao mesmo tempo, o efervescer da gaseificação desapareceu no ar com um ruído sutil. Seu queixo, a camiseta e as mãos ficaram completamente encharcados.
Os olhos de Marvin, já acostumados à escuridão, moveram-se rapidamente procurando a origem da voz. Só então notou Jang Jin-woo encostado na parede da sala de estar, de braços cruzados, observando-o.
— Há quanto tempo você está… aí?
— Eu acabei de sair. Como é que você trabalhava como agente de campo sendo tão desatento?
Marvin ficou sem fala. Sentiu o golpe das palavras, mas, ao mesmo tempo, ficou estupefato por ele trazer à tona seu espírito profissional até numa situação daquelas. Mesmo no rut, seu gênio ácido permanecia o mesmo.
— Sou apenas uma pessoa treinada, não um deus. E eu realmente não ouvi você sair. Parece que já estava aí, ou a porta ficou aberta.
Jin-woo ergueu ligeiramente o canto da boca, como se essa fosse a resposta certa. Seus olhos continuavam com um tom dourado tênue. Parecia que seu rut estava avançando rápido, já que a alteração estava mais perceptível do que antes.
— Eu também não conseguia dormir. Essa era a última lata, e eu perdi por um triz.
Ele disse, apontando para a cerveja na mão de Marvin.
— Desculpe. Quer que eu vá lá fora comprar mais?
— Esquece. Beba metade e me dê o resto. Eu só ia molhar a garganta mesmo.
Jang Jin-woo foi até a cortina e acendeu a luz fraca que conectava a cozinha à sala. Assim que a luz se acendeu, o chão bagunçado da sala ficou visível em todo o seu esplendor. Marvin rasgou rapidamente um pedaço de papel-toalha e limpou a sujeira. Em seguida, tirou a camiseta encharcada.
Naquele momento, os passos de Jang Jin-woo, que voltava para a cozinha, pararam. As costas nuas de Marvin estavam claramente visíveis sob a iluminação. De certa forma, não era educado ficar assim diante de uma pessoa com característica em rut. No entanto, Marvin, focado em limpar a bagunça que fizera na casa alheia, nem se deu conta disso.
— Aqui.
Tendo terminado a limpeza, Marvin bebeu rapidamente a cerveja que deixara sobre a mesa e a entregou a Jang Jin-woo. Seus lábios estavam molhados porque bebera rápido demais. Limpou-os com o dorso da mão e ofereceu a cerveja com a outra mais uma vez, mas, por alguma razão, Jang Jin-woo não parecia querer pegá-la. Ele parou de se mover, e Marvin perguntou com uma expressão intrigada:
— Não vai beber?
O olhar de Jang Jin-woo estava fixo abaixo do nariz de Marvin. Em seguida, moveu-se para a lata de cerveja, que ainda tinha gotas escorrendo.
Ah, claro, ele tinha misofobia. Atrasado, Marvin pensou que ele devia querer despejar o líquido num copo. Mas já era tarde demais.
— Se ficar desconfortável, eu posso ir à loja de conveniência lá embaixo e…
— Beba mais. Eu só preciso de um gole mesmo.
Então, como antes, ele se encostou no balcão da cozinha e encarou Marvin em silêncio. Era como se fosse ficar ali assistindo-o beber a cerveja.
Por alguma razão, Marvin se sentiu ainda mais com sede. Despejou o restante da cerveja pela garganta. Só então se deu conta de que ainda estava sem camisa.
— Ah, vou vestir alguma coisa.
Marvin colocou a lata de cerveja sobre a mesa onde Jang Jin-woo estava e se virou. Foi apressadamente para o quarto e procurou feito louco pelo moletom que Jin-woo lhe emprestara da última vez. Onde é que tinha colocado? Pensava uma coisa na cabeça, mas procurava nos lugares totalmente errados.
O rosto de Marvin, andando de um lado para o outro no quarto, estava ligeiramente corado. Sua respiração também se acelerou. Sua mente estava uma confusão por causa do olhar de Jang Jin-woo, que o vinha seguindo sutilmente desde mais cedo.
Ele conhecia muito bem os Alfas, pois já fora um no passado. Era claramente um olhar de quem estava avaliando possibilidades.
Era uma forma de dar sinais sexuais ao escanear abertamente a pessoa à sua frente. No momento em que se reagia a isso, era o mesmo que concordar em ir para a cama.
Não. Aconteça o que acontecer, ter um “acidente” com Jang Jin-woo estava fora de cogitação.
Claro, ele era definitivamente um Alfa atraente e difícil de resistir. Sem mencionar sua aparência, sua personalidade autoconfiante e decidida exalava uma tensão sexual inegável.
Se Marvin tivesse que se perguntar sobre o que sentia por ele, seus sentimentos pendiam definitivamente para o lado positivo. Ele também fora o primeiro Alfa masculino de quem Marvin se tornara sexualmente consciente, e esse sentimento agora começara a se acumular, fazendo com que se sentisse atraído por ele como pessoa.
Contudo, eles estavam estritamente numa relação de cooperação. Havia o princípio de nunca se envolver sexualmente com alguém ligado à operação ao cumprir uma missão. No momento em que isso acontecesse, o profissionalismo iria por água abaixo. Ele não era um animal irracional para simplesmente ir para a cama com qualquer um só porque estava com tesão.
Sua mente oscilou. Se raciocinasse friamente, bastava dizer que ia dormir e permanecer no quarto. Jang Jin-woo beberia o resto da cerveja e voltaria para o dele.
Mas Marvin, teimosamente, vestiu a roupa e saiu do quarto. Estava desconfortável com aquela situação que beirava a tensão, mas também se sentia secretamente excitado. Era por causa da expectativa de que pudesse ter relação com o motivo de Jin-woo não conseguir dormir.
Sentia que não aguentaria sem confirmar. É por isso que dizem que os humanos são tolos. Marvin zombou de si mesmo, mas parou em frente a Jang Jin-woo como uma mariposa atraída pela chama.
— Ficou todo coberto?
Jin-woo não tinha se movido nem um centímetro e continuava esperando no mesmo lugar.
— Eu só tenho uma camiseta que uso como pijama.
Não era uma desculpa, era a verdade. Marvin sempre adotara um estilo de vida minimalista. Tendo vivido uma vida distante de se fixar em um só lugar, quase não tinha apego a bens materiais.
— Você deveria ir comprar umas roupas da próxima vez. Falei para trazer algumas de casa, mas não parece que a situação lá esteja muito diferente.
— É, mas… francamente, dá um pouco de preguiça.
Marvin respondeu, esfregando a nuca. Na verdade, ele não sentia necessidade, pois ficava apresentável com qualquer coisa que vestisse. E também era um pouco pão-duro.
— Parece que sim. Ainda assim, você deveria ter ao menos o suficiente para manter um padrão mínimo de vida. Mesmo se eu quisesse te emprestar as minhas, os tamanhos não bateriam.
— Está ótimo assim.
Marvin abriu os braços e mostrou o moletom que pegara emprestado. As mangas eram compridas e sobravam um pouco, mas não ficava feio. Achava bom o suficiente para usar confortavelmente em casa.
Jang Jin-woo sorriu levemente, como se não pudesse evitar. O clima parecia ter relaxado um pouco, então Marvin sondou sutilmente sobre o estado dele.
— Como está a sua… condição?
Ele deu de ombros sem dar uma resposta exata. Parecia bem por fora.
— Parece que o senhor também não está passando por um momento tão difícil, Promotor-nim. Talvez por ainda faltarem alguns dias para o seu rut , mas o senhor parece bem, exceto pelos olhos.
— Parece?
— Sim.
Bom, exceto pelos olhos. Seus olhos já queimavam como um vulcão. Marvin tentava não ficar consciente disso, mas seu olhar teimava em ir para lá. De repente, fingiu desinvoltura para disfarçar o constrangimento:
— O senhor vai a Seul amanhã?
Perguntou, fingindo calma como se não se importasse nem um pouco. Seul? Jang Jin-woo inclinou a cabeça como se não estivesse entendendo o que ele queria dizer.
— Achei que tinha dito que sua parceira de rut estava em Seul, ou estou enganado?
— Ah.
Ele mudou de expressão como se fosse a primeira vez que ouvia aquela história. Marvin acompanhava cada uma daquelas mudanças com os olhos. Parecia que ele ainda não tinha entrado em contato com ela. Seria meio sem jeito pedir de repente para se encontrarem no fim de semana? Estaria ele pensando em tomar supressores? De repente, Marvin se sentiu bem consigo mesmo por presumir o que bem entendia.
No entanto, a resposta seguinte de Jang Jin-woo jogou um balde de água fria sobre tudo.
— Ela disse que vem para cá.
— Como?
Os olhos de Marvin se arregalaram diante daquele desdobramento inesperado. Se ela vinha para cá, não significava que ele passaria o rut ali em casa? Ele ia realmente ir tão longe? A cabeça de Marvin zuniu e ecoou como se tivesse levado uma forte pancada na nuca.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello