Capítulo 47
O edifício que usavam como escritório ficava a cerca de 50 metros do armazém de bebidas. Eles tinham alugado um prédio comercial inteiro de pequeno porte, usando o primeiro andar como show room de bebidas, o segundo como escritório e o quarto e quinto andares como alojamento para os chamados “pessoal da pesada”.
— Ah, quantas vezes eu tenho que te dizer? É sério. Não lave o cabelo aqui! Hã?
— Tá bom, tá bom. Para de ficar tão irritada.
Uma confusão começou no banheiro do segundo andar. Um homem com a cabeça na pia acenou com a mão de forma displicente para trás. Mesmo assim, não desligou a água quente que jorrava.
— Se você fizer isso, não vai ter água quente de tarde, sabia?
— Ah, tá frio. Tá bom. Pelo menos fecha a porta.
— Ugh, sério mesmo!
A funcionária voltou para o escritório, parecendo farta da situação. Marvin ficou na porta do escritório, observando-os em silêncio. Ele não sabia se devia intervir, então apenas observava. O Diretor Heo tinha dito que ia ao armazém rapidinho e não tinha mandado Marvin entrar, então ele apenas permaneceu ali no meio.
Depois de um tempo, a funcionária, tendo se acalmado, olhou para Marvin.
— Entre e sente-se. Não tem muito o que fazer hoje de qualquer forma, já que é dia de filmagem. Quando der a hora, é só ir almoçar.
Em seguida, resmungou num tom irritado. Tinha pedido para contratarem alguém para cuidar da contabilidade, mas em vez disso…
Era uma reclamação sobre seu superior, o Diretor Heo, e uma crítica a Marvin, que não podia ser de nenhuma ajuda para ela. Marvin fingiu não notar e mudou de assunto:
— Que tipo de filmagem é essa?
A mulher suspirou:
— Nem te deram uma explicação antes de você vir para cá? Às sextas-feiras, eles filmam aquela porcaria de pornô aqui. Momento perfeito.
A porta se abriu e um homem entrou. Sem cumprimentar ninguém, largou-se no sofá e começou a mexer no celular. Seu cabelo estava tingido de loiro, mas seu rosto era bastante atraente.
A funcionária rolou os olhos como quem diz: “Olha só para aquilo.” Marvin se perguntou o que ela queria dizer com “pornô”.
Cerca de cinco minutos depois, outro homem vestindo um moletom com capuz entrou no escritório. Este parecia uma pessoa comum. Ao contrário do primeiro, parecia nervoso. Olhou cuidadosamente ao redor do escritório e até cumprimentou Marvin. Pego de surpresa pela saudação, Marvin viu o homem se aproximar dele.
— Na verdade, estou fazendo isso pela primeira vez. Bom, quero dizer, não é como se fosse minha primeira vez na vida, mas é a primeira vez que recebo para isso. Eu deveria ir ao banheiro agora? Ah, mas ouvi dizer que eles tentam combinar você com alguém que atenda às suas preferências, e uau, isso é incrível. Sinto que tirei a sorte grande. Posso te chamar de hyung?
Marvin estreitou os olhos. Não conseguia entender nada do que ele estava dizendo.
— Ei, não é ele, sou eu, seu moleque maluco.
O homem de cabelo loiro, que estava jogando no celular no sofá, chamou com uma expressão incrédula. O homem de moletom olhou de um para o outro, um pouco envergonhado. Percebeu que tinha se enganado de pessoa e pareceu muito decepcionado por Marvin não ser seu parceiro do dia.
Bem nessa hora, o Diretor Heo entrou.
— Jaemin, você chegou? Vamos nos preparar logo. Você aí de moletom, é o candidato de hoje, certo? Venha aqui e tome o remédio com antecedência. Leva um tempo para fazer efeito. Soyoung-ah, diga ao pessoal do quarto andar para descer com as câmeras.
— Sim.
Todos pareciam saber seus papéis, mas Marvin, a quem nada fora dito, apenas continuou ali parado.
O Diretor Heo se aproximou e lhe deu uma explicação por cima:
— Nós patrocinamos drogas de manifestação para caras que administram contas individuais. Damos as drogas e os ajudamos a produzir vídeos, e depois eles postam nos canais deles. É como um marketing viral. Gerente Kim, você sabe o que é marketing viral, certo?
— Sim.
— É pornô. Pornô.
A funcionária com o telefone interveio com uma expressão de desprezo.
— Ugh, cala a boca, não? Não é esse tipo de coisa, e o nível de erotismo nem é tão alto. Mas é a forma mais eficaz de divulgar. Nós os filmamos fazendo isso e postamos os vídeos nos canais deles, certo? Aí, os DMs chovem perguntando onde conseguiram e se é eficaz. Então esses caras os conectam a nós.
Marvin não pôde deixar de ficar impressionado. Nunca imaginou que eles estivessem tocando um negócio de drogas tão abertamente. E até usavam um método engenhoso para evitar a repressão policial.
— Temos tantos candidatos que ultimamente até temos lista de espera. Ei, quanto tempo você esperou?
— Eu? Cerca de um ou dois meses? Mas é sério, eu não vou fazer isso com aquele hyung?
O homem de moletom resmungou, parecendo decepcionado.
— Ei, seu pinto mole. Você acha que eu gostaria de foder olhando para a sua cara feia? Você deveria ser grato por eu sequer estar fazendo isso. Você nunca nem chupou o pau de um Alfa antes e ainda tem tantas exigências.
O homem de cabelo loiro deu um tapa no ombro dele e foi para a sala ao lado primeiro. O homem de moletom, que parecia ter um temperamento esquentado apesar da aparência, despejou o remédio em pó que recebeu do Diretor Heo na boca. Em seguida, bebeu um pouco de água, puxou o capuz e foi para fora.
— Gerente Kim, vá com eles. Assista. Você está interessado, não está?
O Diretor Heo cutucou sua costela com um sorriso vulgar. É claro que ele estava interessado. Não era à toa que esse tipo de desafio, em que as pessoas tomavam drogas de manifestação e se filmavam, vinha sendo tendência nas redes sociais ultimamente. A fonte do mal estava ali.
Marvin os seguiu até a sala ao lado. Equipamentos de filmagem já estavam montados lá, como um estúdio.
Havia uma cama, uma câmera e até um microfone boom. As janelas estavam todas cobertas com cortinas blackout. A iluminação amarelada sobre a cama criava uma atmosfera um tanto constrangedora. Era fácil entender por que a funcionária do escritório tinha desdenhado daquilo como pornô.
Os homens encorpados que tinham descido do quarto andar se posicionaram na frente dos equipamentos com familiaridade. Eles tinham feito o pessoal do andar de baixo fazer cursos de produção de vídeo para economizar com custos de segurança. Como a era das mídias individuais estava tão em alta, os centros comunitários e culturais ensinavam isso de graça hoje em dia.
— Certo, então vou filmar o prólogo primeiro. Precisamos mostrar um local diferente, então, por favor, foquem na parede aqui. Posso abrir as cortinas? Ah, o microfone.
Como se já tivesse feito aquilo muitas vezes, o homem de moletom assumiu o controle da situação com confiança. Prendeu o microfone na roupa e foi para um canto. Metade do seu rosto, ocultado pelo capuz, foi capturada pela câmera. Ele começou a falar sozinho em voz muito baixa, como se estivesse compartilhando um segredo:
— Olá a todos. Aqui é o Mudeun do . Hoje, hum… como venho provocando vocês desde o mês passado, finalmente… vou fazer aquela coisa de “fingir ser um Omêga depois de tomar o remédio”. Mas esta é realmente a minha primeira vez, sabem? Eu sou um Beta de verdade. Mas não sei se os Alfas vão cair nessa, realmente não sei… Vou tentar. Ah, esse tipo de coisa está tão popular hoje em dia que eles podem saber e não cair. Se eu falhar, nós apenas rimos disso.
Ele deixou a frase no ar, dando uma risadinha. Parecia muito real, sem qualquer sensação de encenação. Todos estavam aproveitando ao máximo seus talentos e trabalhando duro. Marvin cruzou os braços e continuou a assistir.
A câmera foi desligada por um momento, e as cortinas foram fechadas novamente. Agora eles tinham que filmar a coisa real, mas havia olhos demais. O homem de moletom estava secretamente preocupado:
— Vocês realmente não vão até o fim, certo? Eu posso parar quando quiser, não posso?
— Claro. Nós não somos esse tipo de arruaceiros.
O Diretor Heo bateu palmas como se para provar e mandou todos, exceto o pessoal necessário, saírem. Todos, exceto os operadores da câmera e do microfone boom, saíram sem pressa.
— Apenas criem a atmosfera certa e saiam. Apenas mostrem que fizeram de verdade e que o Alfa foi enganado até o fim. Vocês aí, apenas peguem na cintura dele até aqui. Certo?
— Sim.
Vendo os capangas responderem ao Diretor Heo, o homem de moletom parecia aliviado e se deitou na cama. Seu rosto ficou vermelho, como se estivesse ficando sem fôlego. Foi rápido. Parecia que 20 minutos eram suficientes para a droga fazer efeito.
— Ei, vamos entrar.
Às palavras do cameraman, o homem de cabelo loiro tirou a parte de cima da roupa como se estivesse esperando por aquilo e subiu na cama. Marvin os viu se beijando e saiu. Por alguma razão, os outros na sala não voltaram para o quarto andar e entraram no escritório.
— Mas dá mesmo para parar no meio do caminho depois de tomar a droga de manifestação?
Marvin perguntou, fingindo não saber. O Diretor Heo riu com vontade:
— Sem chance. Absolutamente não. Que tipo de cara tomaria aquilo e recusaria o pau de um Alfa? Eles ficariam implorando por mais.
Em seguida, ele tirou um monitor do armário e o ligou. Aqueles que estavam perambulando pelo escritório foram para trás do Diretor Heo e olharam para a tela com as mãos nas costas. Um gemido lascivo fluiu da tela assim que ela se acendeu.
— Uau, porra… as coisas estão indo rápido hoje. Ele já tirou as calças.
Eles assistiam à atividade sexual dos dois homens através da câmera no escritório. Os gemidos do homem de moletom ficavam mais altos à medida que a droga fazia efeito e, ocasionalmente, xingamentos do homem de cabelo loiro podiam ser ouvidos.
Marvin estalou a língua interiormente.
“Eu sabia. Bastardos arruaceiros.”
Mas ele não podia se juntar àquele grupo, então se sentou em um assento vago e esperou que o show voyeurístico deles terminasse. A funcionária continuava trabalhando, usando fones com cancelamento de ruído como de costume.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello