Capítulo 44
— Venha às 9h amanhã. Eu aviso o pessoal.
— Obrigado. Vou me esforçar.
O Diretor Heo sorriu, lambendo os lábios enquanto observava Marvin, que estava prestes a sair.
— O que você vai fazer hoje? Ainda falta um tempo para o horário de abertura. Quer ir à sauna?
“Aquela maldita sauna. Ele nunca se cansa disso?” Marvin zombou por dentro, mas deu um sorriso ambíguo.
— Ainda não posso molhar meu ombro. Mal consigo tomar banho de um lado só, então é um pouco demais ir para um lugar quente.
— Ah, é verdade. Pode ir, então.
O Diretor Heo colocou o cigarro de volta na boca e fez um gesto para que ele saísse. Marvin se dirigiu ao estacionamento. Afinal, ir trabalhar era apenas uma desculpa para vigiar o Diretor Heo. Mesmo que ele fosse apenas um fantoche, era quem distribuía a droga de manifestação. Portanto, se continuasse investigando-o, algo surgiria.
Marvin, que tinha chegado ao estacionamento, apertou a chave do carro repetidamente, procurando o veículo que a sede tinha enviado. Então, sua boca se abriu em espanto.
Havia um Avante branco estacionado no local. Era de câmbio manual, não de botão, que você tinha que girar a chave manualmente para dar a partida. Era questionável se as rodas sequer giravam. A chave era tão ultrapassada que ele já suspeitava, mas não esperava que fosse tão ruim.
“Isso já é demais.”
Enquanto estava sentado estupefato no banco do motorista, sem reação, o celular de Marvin tocou no bolso.
— Sim.
Ele sabia quem estava ligando, então seu tom mudou notavelmente.
— Encontramo-nos com os pesquisadores do nosso lado. Não conseguimos quase nenhuma informação, e ambos pareciam bastante desconfortáveis. Vou te enviar a gravação, então ouça e julgue. E aquele pesquisador Alfa que estava com eles se demitiu.
Ele ficou surpreso com a repentina enxurrada de assuntos profissionais de Jang Jin-woo, mas logo se concentrou no conteúdo.
— Para onde ele foi?
— SN Bio.
As sobrancelhas de Marvin se contorceram.
— Ele foi para uma grande empresa.
Mudar de emprego poderia acontecer a qualquer momento, mas ele achou o momento conveniente demais. Ele se lembrava do rosto do pesquisador Alfa que o tinha olhado de cima, arfando no heat. Ele tinha um olhar interessante, como se estivesse observando uma cobaia.
— É difícil contatá-lo, então estou pensando em convocá-lo formalmente. Bem, isso vai levar algum tempo. Como estão as coisas por aí?
— A partir de amanhã, estou programado para ir trabalhar na Dongyang Liquor por meio período. Também devo receber a droga de manifestação todas as semanas.
— Então você vai trabalhar quase 24 horas por dia?
— Decidi sair do Daekyeong mais cedo por enquanto. Não há muitos hóspedes nos quartos de qualquer maneira, então não há muito o que fazer de madrugada.
— Isso é bom. Então nos vemos em casa. Tenho trabalho hoje, então vou me atrasar.
— Ah, tudo bem.
— Até mais.
A chamada terminou de forma seca, mas Marvin segurou o telefone no ouvido por um tempo. Depois de remoer as últimas palavras, ele tossiu involuntariamente. Em seguida, fingiu esfregar debaixo do nariz, cobrindo a boca que teimava em se abrir num sorriso.
Logo depois, um arquivo de áudio chegou. Marvin se recompôs, colocou os fones de ouvido, apertou o play e saiu do carro.
“Ele só está trabalhando. Não era uma relação com qualquer outro significado.” Ainda assim, seus passos em direção ao hotel estavam mais leves do que o habitual.
Uma chuva fina de inverno caía. À medida que as gotas de chuva encharcavam o para-brisa, os limpadores se moviam para cima e para baixo para limpá-las. O homem estava encarando o celular que tinha acabado de enviar o arquivo de áudio.
O número ainda não estava salvo. Ele o adicionou aos seus contatos. O nome era “Gerente Daekyeong”. Era uma identificação que parecia não ter outro significado além de um título para registro.
Ele dirigiu o carro novamente com uma expressão indiferente. Em pouco tempo, o nome “Investigador Kim Ho-seok” apareceu no painel do carro. Ele atendeu o telefone imediatamente.
— Sim.
— Ah, sim. Promotor, obrigado pelo seu trabalho duro. É sobre o que o senhor me pediu para investigar. É um bom momento para falar?
O carro do homem estava justamente passando por Yeouido. A vista noturna e exuberante do Rio Han borrava na janela do carro com a chuva.
— Sim, pode falar.
— Sim. O nome Kim Do-jin foi registrado como morto em serviço no exterior no início de julho. Ele era afiliado ao Ministério das Relações Exteriores, então uma pensão é paga à sua família, e a beneficiária parece ser Kim Do-young, a irmã mais velha do falecido. O endereço é Jayang-ro, 35, Sangnok-gu, Ansan-si, Gyeonggi-do. Desempregada.
— Uma pensão está sendo paga?
Ele franziu a testa como se tivesse ouvido mal.
— Sim, ele foi registrado como cônsul na Embaixada da Suíça.
Diante da resposta do investigador, ele soltou uma risada debochada, como se tivesse sido pego de surpresa. O tratamento era bom demais para o fim de alguém que tinha traído o país. Ele esfregou o queixo com a mão apoiada no revestimento da porta.
— Sim, continue.
— O que é estranho é que ele foi registrado logo antes de sua morte. Seu nome apareceu de repente como um fantasma, e o Cônsul-Geral da Suíça estava se perguntando quem ele era, mas o Ministro das Relações Exteriores desconversou. Ele disse que não havia problema com o procedimento.
— Você tem certeza de que ele está morto?
— Eu estava suspeito, então investiguei, e o corpo parece ser real. A causa da morte é certa, e o teste de DNA confirmou sua identidade, então parece não haver margem para dúvidas. Mas ouvi algo interessante. Alguém foi ao velório dessa pessoa.
— Quem?
Os nervos do homem ficaram à flor da pele em direção ao alto-falante do carro.
— Hong Kyung-wook.
— Hong Kyung-wook?
A testa do homem se estreitou ao repetir o nome. Em pouco tempo, ele se lembrou de alguém que representava esse nome em sua mente.
— O filho do Presidente?
Era o surgimento repentino de alguém que era um civil, mas que nunca poderia ser considerado um civil em uma posição ambígua. O homem franziu a testa e mudou de faixa com uma expressão desconfiada.
— Sim, sim, ouvi dizer que eles eram colegas de classe no ensino fundamental. Então pensei: será que é por isso que ele o está ajudando a ter um velório tão bom? Aquele homem é um pouco excêntrico. Há muitos boatos estranhos. De qualquer forma, ele apareceu por lá por um tempo.
— De quem você ouviu isso? Essa história.
— Há um restaurante que forneceu yukgaejang para o funeral, e o dono do restaurante disse que havia tão poucas pessoas prestando homenagens que ele fez seus funcionários sentarem lá por um tempo porque ficou com pena. Então ele o viu. Ele parecia estar procurando por algo. Ele também estava um pouco irritado com aquela irmã. Ele até foi ao necrotério para checar o corpo pessoalmente, mas de qualquer forma, não ficou lá por muito tempo, foi embora depois de uns 30 minutos.
O homem ergueu ligeiramente os olhos, como se estivesse obtendo um resultado inesperado com a história detalhada do investigador.
— Como você acabou indo ao restaurante que forneceu o yukgaejang?
— Ah, sim. Geralmente é possível obter histórias objetivas visitando funerárias ou aqueles que ajudaram com a cremação. Não há conflito de interesses, então não há contaminação da informação. Eu vim da polícia, então tenho confiança nas minhas habilidades de investigação. Estou empolgado por estar fazendo um trabalho de verdade pela primeira vez em um bom tempo desde que o senhor chegou, Promotor. Heh heh.
O homem assentiu. Não tinha intenção de desapontar aquele homem na casa dos 40 anos, que ria com vontade enquanto se gabava. Em vez disso, prometeu uma recompensa certa e o encorajou:
— Está certo. Você fez um bom trabalho. Não sabia que você tinha esse talento. Se você se mudar para o Ministério Público do Distrito Central de Seul comigo mais tarde, vai voar alto.
— Ora, eu ficaria feliz em trabalhar com o senhor, Promotor, onde quer que seja.
O homem sorriu sem pressa enquanto ouvia a voz da outra pessoa, que tinha subido de tom.
— Tenho mais um favor a pedir. Você pode anotar?
— Ah, sim!
Em pouco tempo, o carro do homem estava se aproximando do local de encontro. As luzes do edifício que surgiam através da umidade iluminavam a vista, mas o barulho da cidade estava oculto pelo som da chuva. A conversa dos dois homens também foi enterrada pelo ruído e gradualmente desapareceu.
O lugar onde ele chegou era um hotel grande e antigo em Myeongdong. Era conhecido mais por seu simbolismo do que por suas instalações, então quase não havia hóspedes comuns.
Os restaurantes ainda eram famosos. Como gastavam bilhões de won apenas com os salários dos chefs, era difícil fazer reservas. Hoje, aqueles que tinham chegado para entreter ou ser entretidos cruzavam o saguão aqui e ali.
O destino de Jang Jin-woo era um pouco diferente do deles. Ele passou pelas escadas centrais que levavam à área do restaurante e se dirigiu ao balcão do concierge. Um funcionário bem-vestido o cumprimentou com uma reverência.
— Como posso ajudá-lo?
— Me disseram que eu poderia perguntar aqui sobre o elevador para o 34º andar.
— Ah, sim. Por favor, me siga.
O funcionário do hotel o guiou imediatamente. Ele escolheu um elevador vazio e entrou com ele. Havia apenas botões até o 32º andar. Quando o funcionário passou um cartão pelo painel de segurança, os números no elevador começaram a mudar rapidamente. Os números pararam exatamente no 34º andar.
— O senhor pode desembarcar aqui.
O funcionário deixou Jang Jin-woo no corredor estreito e voltou para baixo. Ele caminhou devagar pelo corredor. Tinha sido convidado para um espaço oculto da existência comum.
Havia apenas uma porta, então não foi difícil encontrar a entrada. Assim que entrou, outra passagem dobrada em formato de “L” apareceu. Um dos funcionários que esperava lá se curvou e o cumprimentou.
— Bem-vindo. Qual é o seu nome?
— Jang Jin-woo. Tenho um compromisso aqui.
— Sim, Promotor Jang Jin-woo. Por favor, entre. Eles estão esperando pelo senhor.
À medida que ele puxava as cortinas grossas, um grande espaço se revelava. Era uma suíte com um lounge de negócios separado. Havia também um minibar com um bartender residente e funcionários para atender os convidados.
No meio do lounge, havia um aquário gigante. Uma tartaruga-marinha que parecia ter vivido por centenas de anos estava nadando lá dentro. Atrás dele, havia uma vista noturna do Rio Han. A tartaruga parecia estar nadando naquele rio.
E um homem estava sentado em um grande sofá ao lado dele. Vendo Jang Jin-woo caminhar em sua direção, ele se levantou e estendeu a mão primeiro para cumprimentá-lo.
— Prazer em conhecê-lo. Sou Choi Hyeong-il, o Primeiro Vice-Diretor do Serviço Nacional de Inteligência.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello