Capítulo 41
— “Figuras inesperadas” significa pessoas envolvidas com política?
— Sim.
Às vezes, a promotoria acoberta suspeitos. Se este caso acabar em uma gaveta no escritório do promotor, será difícil de resolver por conta própria. A autoridade pública não pode ser manipulada com força física.
Jang Jin-woo sorriu sem dizer uma palavra e se levantou. Não havia uma resposta definitiva.
Ele foi quem sugeriu investigar a origem da droga, mas poderia mudar de ideia agora que o Presidente estava envolvido.
Era óbvio que a instituição da promotoria também não veria isso com bons olhos. O cenário que ele esperava seria um pouco diferente. Ele poderia ter preferido lidar com a situação de forma mais simples, associando-a ao crime organizado. Apesar disso, valia a pena tentar persuadi-lo mais um pouco.
— Alguém parece estar replicando a mesma droga da amostra que desapareceu e realizando testes clínicos em civis. Ainda não sei se é um indivíduo ou um grupo, mas ambos são possíveis. Como o senhor disse, se tiverem sucesso, estarão sentados em uma fortuna, mesmo que sejam criticados. Mas o processo parece desleixado demais, então devo estar deixando passar alguma coisa. Vamos investigar isso juntos. Se nos sairmos bem, pode ser muito útil para o seu retorno a Seul.
No momento em que terminou de falar, Marvin sentiu uma estranha sensação de déjà vu. De certa forma, não era uma situação em que a lógica que ele ouviu tantas vezes estava apenas invertida? Ele tinha rejeitado suas propostas várias vezes, mas agora era ele quem o persuadia.
Ele deu uma risada van. Fosse intencional ou não, no fim das contas a situação fluiu exatamente como Jang Jin-woo queria desde o início.
— O senhor se lembra de quem eram os pesquisadores que foram à Suíça com você?
Marvin pensou por um momento e respondeu:
— Tenho os cartões de visita que recebi na época.
— Onde? Na sua casa em Seul?
— Não. Vim direto do Aeroporto de Incheon, então devem estar no officetel onde eu estava hospedado aqui.
— Excelente. Vamos pegá-los.
De repente, ele pegou o sobretudo e as chaves do carro. Marvin perguntou com uma expressão surpresa:
— Agora?
— Você não vai pegar suas bagagens de qualquer jeito? Disse que vai morar comigo aqui.
Vamos agora, já que estamos no embalo.
Não, dizer que vamos morar juntos parece um pouco demais. Eu só ia ficar por um tempo.
É claro que não há motivo para insistir em morar nesta casa. O Chefe de Seção Choi Hyeong-il já sabe o endereço, então a sede a esta altura já deve ter descoberto. Ainda assim, a razão pela qual insisto neste lugar é, de certa forma, simples. Quero mostrar a eles que tenho alguém do meu lado.
Alguém do meu lado.
Pensando bem, ele ainda não deu uma resposta adequada. Então, ele vai fazer a denúncia ou não? Demos as mãos e decidimos entrar no mesmo barco, mas nenhuma condição específica foi trocada ainda. Marvin queria deixar isso bem claro.
— O senhor bebeu agora pouco, consegue dirigir com uma mão só?
— Sim, sem problemas. Mas você ainda não me deu uma resposta definitiva.
Que resposta definitiva? Ele ergueu as sobrancelhas ligeiramente e jogou o molho de chaves do carro. Marvin, que por reflexo pegou as chaves que voaram de repente em sua direção, levantou-se.
— O cenário que o senhor está projetando e a direção para onde estou indo precisam coincidir.
É ineficiente trabalhar em um estado de mal-entendido mútuo.
Ao ver Marvin com uma expressão bastante solene, Jang Jin-woo virou o corpo ligeiramente.
— O objetivo final do agente Kim Marvin não é retornar? Eu vou te ajudar. Vamos sair primeiro.
Em seguida, ele saiu pela porta da frente sozinho. Em uma situação em que não tinha escolha a não ser segui-lo, Marvin o alcançou rapidamente.
— Não é um problema que possa ser respondido e ignorado facilmente. E se o senhor mudar de ideia mais tarde? E se eu for o único traído de novo?
— Esse é um problema seu, agente Kim Marvin. Você deveria aprender com o passado e se certificar de não levar outra facada nas costas, não acha? O carro está no segundo subsolo.
Os dois, que já tinham entrado no elevador, desceram para o subsolo. A atitude dele de olhá-lo de soslaio com os braços cruzados ainda não transmitia confiança.
— Se as coisas fossem resolvidas apenas fazendo a minha parte bem-feita, não haveria ninguém no mundo se sentindo injustiçado. É por isso que o senhor também está se desgastando neste interior.
— Então, o que você quer que eu faça? Quer que eu escreva um contrato ou algo do tipo?
— Não tem validade legal, tem?
— Não tem.
Diante da resposta descarada de Jang Jin-woo, Marvin estendeu o celular. O elevador continuava descendo há um bom tempo.
— Vamos deixar gravado aqui. Jure: ‘Eu, Jang Jin-woo, vou denunciar a pessoa que Kim Marvin desejar.’
Jang Jin-woo riu da sugestão infantil.
— Eu não faço esse tipo de coisa. Espero que mantenha em mente que o agente Kim Marvin, que está me forçando a isso, pode ser processado.
— Então pelo menos deixe uma mensagem dizendo que não vai me trair. Se recusar isso também, não vou te dar informação nenhuma. Vamos simplesmente esquecer tudo.
Jang Jin-woo parou de rir diante da expressão irredutível de Marvin. Ele parecia bastante irritado.
— Por que você é tão obcecado por isso? Saber disso não significa nada. Me dá isso aqui.
Ele pegou o celular contra a vontade. Em seguida, aproximou a boca do microfone e recitou as palavras desejadas:
— Eu, Jang Jin-woo, nunca, sob nenhuma circunstância, trairei Kim Marvin. Isso é suficiente?
— O senhor está do meu lado?
Um olhar questionador tomou conta dele diante da pergunta seguinte.
— Se os nossos objetivos forem os mesmos, sim.
— Qual é o seu objetivo?
Um momento de silêncio se fez presente. Seu olhar alcançou a mão que segurava o celular. Os números no gravador continuavam avançando. Até mesmo o contexto contido na hesitação momentânea estava sendo gravado exatamente como ocorreu. Ele abriu a boca com um sorriso forçado:
— Enviar os culpados para a cadeia.
— Independentemente de quem seja?
— Não importa quem seja.
— Estou incluindo a Casa Azul nessa afirmação.
Uma risada seca veio de Jang Jin-woo. Ele parecia achar aquela atitude até bonitinha.
— Eu realmente não me importo.
Com a resposta dele, Marvin deu de ombros e guardou o celular de volta no bolso. Talvez por causa de seu histórico passado, mas aquela última afirmação foi bem impressionante.
— É, bem. De qualquer forma, obrigado. Sinto que me sentirei menos idiota se tiver algo assim.
Quanto mais cartas tiver na mão, melhor, mesmo que seja um trunfo pequeno. Não era um motivo muito convincente para ele, então não respondeu. Logo as portas do elevador se abriram. Marvin saiu primeiro.
— A casa pode estar um pouco bagunçada. Saí de lá com pressa da última vez.
Ele brincou sobre não ter conseguido arrumar a casa porque fugiu após ter sido esfaqueado.
— Eu gosto de coisas sujas.
— Como?
Eu o vi morando em uma casa impecável, sem uma poeira sequer, então me virei me perguntando do que ele estava falando. Nossos olhos se cruzaram, mas ele não deu mais explicações. Em seguida, soltou um leve suspiro.
— Tudo bem se não entendeu. Vamos.
Ele impediu que a porta se fechasse automaticamente com a mão e saiu do elevador. Seus passos ecoando no estacionamento subterrâneo soavam particularmente altos. Havia também uma voz murmurando no meio do caminho, dizendo que nós dois não nos daríamos muito bem.
O carro parou completamente. O barulho do motor se apagou e o silêncio tomou conta, mas Jang Jin-woo não deu sinais de que iria se levantar. Por algum motivo, ele adormeceu assim que sentou no banco do passageiro. Não era tão longe, mas ele devia estar exausto.
Marvin ponderou. Deixá-lo ali e ir sozinho também era uma opção. Não havia razão para os dois irem juntos. Tudo o que eu preciso fazer é pegar algumas roupas e itens de uso diário.
Talvez haja visitas indesejadas novamente.
Ele desafivelou o cinto de segurança, pensando que deveria ir sozinho. Então, virou-se sem querer e ficou momentaneamente hipnotizado pelo rosto dele. Seu nariz era tão alto que metade da bochecha ficava coberta por uma sombra. Seus cílios também eram longos. Parecia o rosto de um homem com traços marcantes, esculpido com extrema delicadeza.
Pensei nisso várias vezes desde a primeira vez que o vi, mas a aparência dele é impecável.
Ele deve saber disso também. É por isso que mantém uma atitude tão prepotente e fria, não importa quem encontre. Ele não perderia muito mesmo se agisse assim.
Não era apenas o rosto. O que estava abaixo dele era ainda mais impressionante. Um peito que inflava e desinflava ritmicamente, um terno bem ajustado ao corpo e pernas tão longas que nem conseguiam se esticar completamente. Até mesmo o volume grande e pesado no meio delas.
Havia muitas coisas para se ter inveja, mesmo sem qualquer conotação sexual. Francamente, esta foi a primeira vez na vida de Marvin que ele observou um homem Alfa com tanta atenção.
— Me avise quando eu puder abrir os olhos. É tão descarado que nem consigo me mexer.
— Ah.
Jang Jin-woo murmurou com os olhos fechados. Ele devia estar acordado. Era uma situação em que fui pego olhando tão abertamente que nenhuma desculpa funcionaria.
— O senhor pode abrir os olhos. Estava dormindo tão profundamente que eu estava em dúvida se te acordava ou não, mas eu também sou humano.
Marvin deu de ombros e confessou seu pecado. Não tinha intenção de esconder. Qualquer um podia ver que ele era atraente. Seria ainda mais ridículo se irritar e dizer que não faz o meu tipo.
As pálpebras de Jang Jin-woo se ergueram devagar. Quando os olhos marrom-escuros se juntaram ao seu rosto esculpido, a imagem se completou perfeitamente, como um toque final.
Marvin esfregou o buço sem motivo e limpou a garganta.
— O senhor devia estar cansado. Vou subir sozinho.
— Não, vamos juntos. Eu vim de propósito.
Ele ergueu o tronco e desafivelou o cinto de segurança.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello