Capítulo 38
— Do que você está falando? Você a tinha? Aquele desgraçado louco passou isso para você? Onde está? Traga para mim agora mesmo!
Marvin piscou devagar, observando o agitado Choi Hyeong-il.
— Então você ainda estava procurando por isso. Achei que dissesse que tudo tinha sido cancelado.
O rosto de Choi Hyeong-il começou a se contorcer com essas palavras. Seu olhar afiado caiu verticalmente sobre o rosto calmamente sereno de Marvin. Sua expressão já demonstrava sua raiva. No entanto, Choi Hyeong-il respirou fundo, como se tentasse reprimir suas emoções.
— Quanto dinheiro você acha que nós perdemos? É claro que não foi cancelado. É só a forma como falamos. Então, você tem isso ou não?
— Não tenho.
— Seu desgraçado louco…
Incapaz de conter a raiva que explodia, Choi Hyeong-il encarou Marvin ferozmente. Contudo, o local não era ideal. Ele soltou o ar novamente, controlando os nervos.
— Se não tem, tudo bem. Se veio aqui apenas para arranjar confusão, volte para baixo.
— Subchefe do Departamento, o senhor sabia que a droga que o sunbae Do-jin estava tentando negociar era um agente de transformação?
— Eu já disse que não sabia — respondeu Choi Hyeong-il, irritado.
— Quem sugeriu inicialmente que entrássemos em contato para o acordo?
— Foi o Diretor.
— Não dentro do nosso departamento. Ele não é do tipo que sai perguntando diretamente por informações desse alto nível. O senhor mesmo disse, ele só está de passagem por alguns anos. Ouvi dizer que a história veio de fora primeiro.
Marvin pressionava persistentemente. Choi Hyeong-il, exibindo uma expressão incomodada, ainda se lembrava dos acontecimentos daquela época.
— O gabinete do Secretário conseguiu a aprovação VIP primeiro. Os chefes recomendaram fortemente como uma forma de cumprir uma promessa de campanha. É para isso que o gabinete do Secretário serve de qualquer forma, então qual é o problema?
— Sim, está certo.
As sobrancelhas de Marvin se contraíram sutilmente, mas ele não argumentou mais.
— O senhor sabia que existe uma droga separada para desintoxicar a droga de manifestação?
— O quê? Não existe tal coisa. O que você esteve fazendo por lá para voltar com um absurdo desses e continuar me perguntando…
De repente, Marvin desapareceu. Parecia ter se escondido entre os arbustos. Pessoas se aproximavam a poucos passos de distância. Choi Hyeong-il percebeu e mudou rapidamente de expressão.
— Ah, sim. Olá. Fizemos um bom jogo?
Ele cumprimentou os membros conhecidos com um rosto simpático. Todos riram da piada de alguém sobre ter feito apenas um pouco de plantio hoje porque a sorte não estava boa, e as saudações terminaram. Choi Hyeong-il manteve a expressão sorridente e falou para o ar:
— De qualquer forma, tome cuidado por um tempo. Mesmo que brigue de novo, não os espanque muito. É difícil limpar acidentes hoje em dia. Mas também não saia por aí apanhando, certo?
Não houve resposta. No entanto, Choi Hyeong-il ainda sentia uma presença, então sabia que Marvin continuava escutando.
— Ei, quem mora no Apartamento Bareun Forest em Dusan-dong? Um funcionário do hotel? Ouvi dizer que você ficou lá por alguns dias. Se realmente não tem para onde ir, fique por lá por um tempo. Se estiver em um lugar com muitos olhos, eles não poderão mexer com você facilmente. Precisa de dinheiro vivo? Quer que eu te dê algum dinheiro para despesas?
A resposta de Marvin chegou aos ouvidos de Choi Hyeong-il enquanto ele resmungava sozinho feito um louco.
— Sim, mas não de graça. Abra uma conta em nome de terceiros para mim. É difícil viver na Coreia usando apenas dinheiro vivo. E me envie um carro também. Um grande, se possível.
— Por que um carro?
— ……
— Huh? Por que um carro?
A presença desapareceu. Choi Hyeong-il virou-se, mas não havia ninguém perto dos arbustos.
— Ha, esse desgraçado louco…
Ele colocou as mãos na cintura, umedeceu os lábios secos e suspirou. Depois de pensar por um momento, ligou rapidamente para alguém.
— Sou eu, preciso que consiga um endereço com urgência. É, vou te enviar por mensagem agora.
Ele desligou o telefone e digitou uma mensagem rapidamente. Em seguida, voltou pelo caminho por onde tinha vindo. O café devia estar frio há muito tempo. De um jeito ou de outro, ele levaria outro sermão do perspicaz Han Je-gwang. Choi Hyeong-il colocou as mãos nos bolsos e acelerou o passo, irritado.
— Onde ele ouviu falar sobre o antídoto?
Os arbustos densos sussurraram levemente atrás dele enquanto ele resmungava.
O apartamento, que tinha sido deixado sem atenção por muito tempo, estava desolado. Marvin entrou na sala de estar com os sapatos nos pés. Ele apertou os interruptores na parede, mas as luzes não acenderam. Ele abriu as cortinas para deixar a luz do entardecer entrar na casa, depois abriu a torneira da pia. A água também estava cortada.
Caminhou a passos lentos pela sala e abriu a porta do quarto. Jogou-se no lençol alvo que estava estendido sem cobertor.
Fazia muito tempo desde que tinha voltado para casa. Marvin fechou os olhos e organizou seus pensamentos em silêncio.
Ter sido descartado foi inesperado. Não achava que eles iriam tão longe. No entanto, o fato de terem colocado vigilância sobre ele significava que não era completamente uma carta fora do baralho, mas ainda estava sendo tratado com frieza. Ele não acreditou na história sobre o sequestro russo. Eles não teriam feito um trabalho tão desleixado.
Com certeza havia algum outro contexto, mas não estavam contando a ele. Reagiram de forma extrema à menção de ter as amostras restantes de Kim Do-jin. Além disso, estavam escondendo a existência do antídoto.
Ele começou a pensar que talvez o objetivo desde o início não fosse a transferência da pesquisa. Eles pareciam já saber que uma droga que parecia ser um agente de manifestação de Estágio 2 estava circulando na Coreia…
De qualquer forma, Marvin chegou à conclusão de que o incidente, que tinha terminado para ele meses atrás, na verdade ainda estava em andamento. A essa altura, estava começando a ficar confuso sobre quem era o inimigo e quem era o aliado.
‘Estou apenas dizendo: vamos identificar quem é amigo e quem é inimigo.’
Pensando bem, ele tinha ouvido essas palavras não fazia muito tempo. Ficou estupefato com a atitude da pessoa que tinha tanta certeza de que era um aliado, mas agora estava quase grato por ela ter dito aquilo. Claro, essa pessoa era aquela em quem ele menos confiava.
Marvin parou de pensar e ergueu o tronco abruptamente. Saiu da cama e abriu imediatamente a porta do banheiro. Em seguida, arrancou o armário acima da pia. Um maço de dinheiro estava lá dentro. Um, dois, três, quatro…
Ele pegou uma bolsa na gaveta do quarto e jogou o dinheiro dentro. Qualquer um que o visse pensaria que ele era algum tipo de grande rico, debochou para si mesmo. Na verdade, aquele era todo o dinheiro que ele tinha.
Ele colocou algumas toalhas por cima do maço de dinheiro. Depois, trocou de roupa. Havia uma camisa nova no armário que ainda não tinha sido aberta. Também restava um casaco de inverno que ele nem sabia quando tinha preparado.
Tirou uma arma de debaixo do colchão da cama e checou o carregador. Após checar a trava de segurança com movimentos habilidosos, colocou-a no cós da calça. Sentiu um conforto familiar com a presença daquele pedaço pesado de metal atrás de suas costas. Tirou um anti-inflamatório do bolso do casaco que tinha retirado, colocou-o na boca e tomou com a água mineral que tinha comprado em uma loja de conveniência.
Amassou a garrafa de água vazia e jogou-a no lixo, depois saiu para a sala de estar. Estava prestes a sair pela porta da frente com sua bolsa quando seu celular vibrou.
「Você vem trabalhar hoje?」
Era uma mensagem de Yang Jin-man. Marvin pensou por um momento e enviou uma resposta.
「Vou a partir de amanhã.」
「Por que não hoje?」
「Não estou me sentindo bem.」
「Os inibidores estão ficando menos eficazes, não estão? Não seja patético, e aproveite este momento para entrar no Heat de verdade. Uma vez que se acostuma a receber, é melhor do que a dor latejante.」
A testa de Marvin se franziu.
Ele fala como se realmente tivesse feito isso.
Ele estalou a língua e ligou para outro lugar. Alguém atendeu imediatamente, sem sequer dar um segundo toque. Assim que a saudação impecável da recepcionista terminou, ele declarou seu objetivo:
— Eu gostaria de comprar uma obra de arte. Tudo bem se eu for agora?
A ligação terminou rapidamente, e Marvin colocou um pouco do dinheiro de sua bolsa em um envelope separado. Ele deixou o apartamento como estava e pegou um táxi.
17h. O sol já estava se pondo.
21h30. Marvin deixou a bolsa pesada de dinheiro cair no chão em frente à entrada do bloco 105 do Apartamento Bareun Forest, em Oseong-gun. Ele esfregou o ombro machucado e espremeu um dos olhos.
Sem pensar, tirou um cigarro e o colocou na boca. Em seguida, recebeu um olhar feio de um morador que segurava a mão de uma criança e voltava para casa.
Marvin guardou o cigarro rapidamente, suavizou sua expressão assassina e sorriu educadamente. O morador disse em tom desagradado:
— Há um fumódromo separado ao lado do bloco 105.
— Sim, me desculpe.
— O que você faz? Não está aqui para uma entrega, está?
O morador olhou de relance para a portaria sem motivo. A forma como ele franzia a testa fazia parecer que estava pensando em denunciá-lo ou não. Era compreensível, já que um homem forte vestido todo de preto estava perambulando pelo condomínio tarde da noite.
— Vim para a casa do meu hyung, mas fiquei sem jeito de entrar primeiro.
— Qual é o apartamento?
— 1203.
— Ah…
O morador abriu a boca ligeiramente e fez uma expressão sem graça. Ele entendeu, mas sua reação não foi acolhedora. Marvin deu uma risada interna. Parecia que aquele cara não tinha uma boa reputação nem mesmo entre os moradores do apartamento onde vivia. O morador, que ainda não conseguia se livrar de seu olhar suspeito, ficou perto da entrada por um tempo antes de segurar firmemente a mão da criança e entrar.
Deixado sozinho novamente, Marvin sentou-se em um banco e esperou. Eram quase 22h. Parecia que ele tinha deixado o carro, então, se estivesse em um jantar de empresa, poderia chegar muito tarde. Ele sentou-se ali com a intenção de esperar apenas mais uma hora quando alguém se aproximou.
— Você está visitando o 1203?
Era um guarda de segurança. Parecia que o morador que tinha acabado de subir o havia denunciado. Marvin sorriu. Como esperado, aquele era o lugar mais seguro em Oseong. Era mais do que satisfatório.
— Sim, meu hyung está muito atrasado.
— Ah, o Promotor costuma chegar tarde em casa. Ele não te disse para entrar?
Ele queria saber se eles eram realmente conhecidos. O guarda de segurança examinou Marvin com um olhar suspeito. Não havia nada de errado com sua aparência bem vestida, mas a bolsa grande ao lado dele era bastante suspeita. Não havia como Marvin não saber disso. Ele deu um tapinha na bolsa sem motivo e sorriu de forma afável.
— Vim para ficar por alguns dias. Se eu soubesse que ele se atrasaria, teria pedido a senha da porta da frente. Está frio.
— Eu te disse. Você já se esqueceu?
De repente, uma voz grave foi ouvida. Marvin virou-se e viu Jang Jin-woo, vestindo um sobretudo cor camelo, parado atrás do banco. O aroma adocicado de uísque flutuou até a ponta de seu nariz.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello