Capítulo 37
— Bom ângulo. Vai fundo, boa!
Han Je-gwang, que estava dando conselhos do lado, aplaudiu. Choi Hyeong-il, que finalizou o último buraco com um birdie, sorriu de forma agradável e pegou a bola. Um aperto de mãos foi o bônus.
— Que horas são? Almocei não faz muito tempo, mas por que estou com fome de novo?
— Quando a gente envelhece, o custo-benefício despenca. Vai até o lounge e come um sanduíche ou algo do tipo.
— Comer migalhas de pão vai me dar indigestão. Vamos só tomar um café.
Os dois entregaram os tacos de golfe ao caddy e caminharam devagar em direção ao hotel. Logo em seguida, o celular de Han Je-gwang tocou no bolso. Choi Hyeong-il, observando-o checar o identificador de chamadas e guardá-lo de volta, perguntou:
— Outro repórter?
Han Je-gwang assentiu em silêncio e deu alguns passos à frente. Aqueles que os seguiam perceberam o gesto e aumentaram gradualmente a distância. Choi Hyeong-il colou ao seu lado e continuou a conversa que tinham começado durante a refeição.
— O que o seu velho disse?
— Ele só sorriu e não disse nada. É a especialidade dele. Seja por este ou por aquele caminho, ele apenas concorda. A coisa mais importante para ele é não ser criticado.
— De qualquer forma, é um cargo que ele só vai ocupar por alguns anos antes de sair.
Choi Hyeong-il assentiu como se compreendesse. As costas dos dois homens que caminhavam em direção ao hotel eram aquecidas pela luz do sol do final de outono.
— Não, mas quando você o ouve falar, ele é sutilmente ambicioso. Ele quer criar outra equipe no exterior, mas de onde vamos tirar o dinheiro?
Han Je-gwang aumentou o tom de voz sem perceber. Choi Hyeong-il, que esteve olhando para os próprios pés, ergueu a cabeça.
— O NIS está se saindo bem. Parece que vão conseguir algum orçamento com este incidente?
— O quê, ele provavelmente só está dizendo isso. Ele já deveria estar se aposentando da política agora, o que mais ele está tentando fazer? De qualquer forma, ele não parece desgostar. É irritante para mim receber ligações até de sujeitos insignificantes, mas o cara que escreveu o artigo fez um bom trabalho em embalar a história.
Han Je-gwang deu uma risadinha, mesmo enquanto franzia a testa. Na semana passada, um agente do NIS ativo na região de fronteira do Oriente Médio confundiu um informante local e resgatou a pessoa errada. Graças à falha em encobrir o caso, a fonte vazou internamente e um artigo foi publicado.
‘Agente Secreto Coreano: Ele Protegeu Minha Vida Até o Fim Mesmo em Circunstâncias Críticas.’
O conteúdo era um romance ridículo de terceira categoria, mas a opinião pública não estava ruim. Era uma questão de orgulho nacional. A alta cúpula foi severamente repreendida, mas apenas o agente em questão foi disciplinado, e a história acabou ali. Claro que, entre as pessoas do mesmo setor, não havia desgraça maior.
— Como você pode fazer trabalho de inteligência desse jeito?
Já era a terceira vez que ele ouvia a mesma coisa. Han Je-gwang, sentindo-se provocativo, também implicou com Choi Hyeong-il sem motivo.
— Ainda assim, nós somos humanos. Vocês pressionam demais os seus garotos. É por isso que eles não conseguem aliviar o estresse, ficam voltando para a Coreia e causando acidentes. Eu não te disse? Não escolha apenas Alfas. Se eles não conseguem o que querem, eles enlouquecem, sabe?
— Mesmo assim, somos chamados de elite quando vamos para o exterior. Se você diz NIS da Coreia em vez de Agência de Inteligência, a qualidade da informação que você obtém é diferente.
— Está tentando me provocar? Huh? Lá vamos nós de novo?
Han Je-gwang esbarrou no ombro de Choi Hyeong-il, bloqueando seu caminho. Choi Hyeong-il, empurrado por ele e cambaleando de brincadeira, retaliou. Antes que percebessem, chegaram à entrada do lounge do clube do hotel.
— Eu estou te criticando? É só que, historicamente, os seus sunbae deixaram merda demais espalhada pelo mundo todo.
— Esse garoto maluco está renegando as próprias raízes do NIS?
— Certo, vamos parar. Concordamos em não brigar, não importa o quanto a alta cúpula reclame. Vamos tomar café.
Os dois entraram no terraço do hotel, que era amplamente aberto para o campo. As mesas, escassamente dispostas a uma distância adequada, estavam meio cheias. Choi Hyeong-il, acenando em resposta à saudação de um funcionário do hotel que passava, notou algo.
Um homem de terno preto estava sentado em um canto do terraço. Havia quatro xícaras de café vazias sobre a mesa, nenhuma das quais parecia ter sido bebida por ele. Choi Hyeong-il casualmente desviou os olhos e, com naturalidade, deu um toque no ombro de Han Je-gwang.
— Vou ao banheiro.
— Quer que eu peça para você?
— Sim, algo quente.
Choi Hyeong-il fingiu caminhar em direção ao banheiro, depois escapoliu de volta para a entrada do campo. O homem de terno preto naturalmente o seguiu. Uma sombra alta caiu atrás de Choi Hyeong-il.
— Você está prestes a ir embora?
Choi Hyeong-il disse sem se virar. Marvin, que o seguia logo atrás, respondeu em tom baixo:
— Por favor, caminhe um pouco mais para a esquerda. Aquele lado é todo coberto por câmeras de segurança.
Choi Hyeong-il suspirou, mas fez o que foi pedido. Um carrinho passou ao longe. Os dois não estavam exatamente se escondendo, mas não chamavam a atenção em lugar nenhum.
— Eu recebi a ligação. É por isso que você está aqui? Eu te disse para ficar em espera. Você sempre foi impaciente demais, esse é o seu problema.
— Em caso de emergência, retorne à sede imediatamente se não conseguir contato em até 48 horas. Foi para isso que fui treinado.
Diante da resposta rígida de Marvin, Choi Hyeong-il franziu a testa e colocou a mão no bolso da calça. Os dois entraram em um caminho lateral mais arborizado. A luz morna do sol brilhava, atravessando as árvores.
— Sim, eu sei o que você quer dizer. Mas isso é quando você está em uma missão. Essa não é a situação agora.
— Desde quando nos importamos com isso? Você não nos disse para ficar em espera desde o dia em que recebemos nosso distintivo até o momento de nossa morte?
— Você já devolveu o seu distintivo. Não sabia o que isso significava?
Choi Hyeong-il cuspiu as palavras e encarou o caminho à frente. Ao trazer à tona um tópico difícil, você precisa começar o mais suavemente possível. Apenas comente casualmente como se não fosse nada e siga em frente rapidamente. Não houve resposta de Marvin, que continuava a segui-lo.
— Ei, ei, é apenas uma formalidade. Alguém viu você atirar, então o que mais poderíamos fazer? Eu te disse, o diretor é puramente regras. Ele odeia barulho, sabe? De qualquer forma, ele disse que vai te reintegrar depois que deixar o cargo.
Choi Hyeong-il agiu descaradamente, escondendo sua expressão de desculpas. Essa era a coisa certa a fazer. Se ele tivesse dito desde o início que ele tinha sido demitido, quem sabe o que teria acontecido. Marvin estava meio fora de si naquela época.
— …E quanto ao pedido que fiz? Se fui completamente exonerado, não deveria receber o pagamento.
— Eu acabei de comprar uma para você.
— Uma vez?
— É. Mas o quadro não é bom… Não faz o meu estilo. Você está patrocinando alguma artista?
— Eu disse claramente que deveria ser feito todo mês…
A voz de Marvin estava tensa. Ele parecia estar fazendo o possível para controlar suas emoções.
Choi Hyeong-il esfregou o queixo de forma sem graça e sorriu. Ele se lembrava. Marvin tinha pedido para ele comprar uma obra de uma pintora sob seu patrocínio com o seu salário mensal.
Ele comprou um quadro com o próprio dinheiro por consideração à antiga amizade deles, mas até a boa vontade tem seus limites. Era hora de aceitar a realidade e saber o seu lugar.
Ainda assim, ele estava um pouco preocupado e olhou de relance para trás, para Marvin, que o seguia em silêncio. Seu rosto parecia um pouco abatido. Ele era um cara cujos traços atraentes tornavam difícil o trabalho disfarçado, mas agora tinha uma atmosfera um pouco decadente, o que o fazia parecer mais com um agente de forças especiais.
Os olhos silenciosamente afundados de Marvin se voltaram para Choi Hyeong-il. Sentindo uma culpa desnecessária, ele deu um tapinha no braço dele e riu.
— Eu compro para você. Posso simplesmente comprar outra. É uma garota de quem você gosta?
Mesmo quando o sorriso sem graça desapareceu, Marvin não respondeu. Choi Hyeong-il esfregou o queixo. Esse desgraçado, pensou.
Ele era sutilmente dócil, então não achou que causaria um acidente, mas também era um cão de caça. Como Han Je-gwang disse, eles eram o tipo de cara que não se importava com as consequências se ficassem chateados, então não podia simplesmente deixá-lo ir só porque sentia pena.
Além disso, ele estava envolvido demais naquele incidente, tinha coisas demais com que se preocupar. Uma bomba-relógio prestes a explodir. Por que ele teve que agir de forma tão imprudente… Choi Hyeong-il se sentiu covarde por culpar o sobrevivente em vez do morto, mas não pôde evitar.
— Os caras que foram à minha casa, quem os enviou? Eles estavam usando russo como se quisessem ser vistos.
Marvin trouxe à tona uma história completamente diferente. Ele estava presumindo que a sede saberia que ele tinha sido atacado. Choi Hyeong-il franziu a testa novamente, olhando para a frente.
— Eu não sei. Provavelmente do lado russo. Eles provavelmente estavam tentando te sequestrar e te ameaçar porque a amostra não saiu novamente depois de esperarem. Eles provavelmente pensaram que você sabia de algo.
— Havia uma certa intenção assassina para um simples sequestro.
— Eles são pessoal externo, então não conseguem fazer as coisas com delicadeza. Eles não são bons em infiltração, apenas invadem com tudo.
— Você sabe de muita coisa. Deveria ter me avisado com antecedência.
Havia um leve ressentimento em sua voz.
— Eu descobri depois de receber o relatório. Você não tem ido ao hotel há dias, não é?
— …Você colocou alguém atrás de mim?
Choi Hyeong-il fez uma expressão desconfortável, como se perguntasse por que ele estava fazendo essa pergunta. O espaço entre as sobrancelhas marcantes de Marvin se estreitou.
— Quem é?
— Por que você está assim? Nós somos profissionais.
Choi Hyeong-il evitou responder, mudando de assunto. Era ridículo falar sobre confiança com isso quando ele nem sabia como as coisas funcionavam neste meio.
— Seja quem for, diga a eles para me ajudarem da próxima vez. Só fiquei com o ombro deslocado graças a eles.
— Você se machucou? Você?
Choi Hyeong-il virou-se para Marvin, parecendo surpreso, e o examinou rapidamente. Foi então que viu que o ombro direito do casaco de Marvin estava saliente. A testa de Choi Hyeong-il se franziu.
— Você perdeu o jeito depois de alguns meses sem fazer nada? Onde você conseguiu uma medalha tão feia dessa?
— Não pude evitar porque estava no heat. Meu corpo estava pesado… Mas imagino que eles não relatem esse tipo de coisa? Você plantou um informante civil em vez de um agente de campo?
— Ora essa, você está simplesmente me interrogando.
Choi Hyeong-il estalou a língua e caminhou para a frente abruptamente, como se estivesse tentando evitar a situação. Marvin, que caminhava a passos lentos, perguntou novamente.
— Por que você bloqueou minha divulgação de informações? Isso só torna as coisas maiores.
— Não vou responder a mais perguntas.
— Você até me exonerou da sede, e ainda está colocando gente atrás de mim e me controlando tanto? Está preocupado que eu possa ter outras intenções? Por quê? Há mais alguma coisa que eu não saiba?
— Eu já te disse. É porque estou preocupado que você seja sequestrado pelos russos.
— Você disse que recebeu o relatório há alguns dias, e o Subchefe do Departamento nem sabia sobre isso. Está tentando me fazer de bobo?
— Vamos parar. Eu preciso ir logo.
— A amostra secundária restante que Kim Do-jin estava tentando negociar, e se eu a tiver?
Choi Hyeong-il, que esteve caminhando à frente com as mãos atrás das costas, parou abruptamente. A expressão em seu rosto ao se virar era de choque.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello