Capítulo 23
23 – Capítulo 23
— Não se preocupe. Não estou tão interessado no que aconteceu aqui. Eles só vão pagar uma multa e começar a fazer negócios de novo de qualquer maneira. Se o Kim Marvin-ssi aceita subornos ou entretém ômegas pessoalmente, não é da minha conta.
Ele se levantou de seu assento. Checou o relógio em seu pulso uma vez, depois endireitou as roupas desalinhadas. Parecia que ele tinha outro compromisso.
— Bem, pelo menos confirmei sua identidade, então valeu a pena vir. Entendido. Vamos nos encontrar de novo algum dia. Você sabe o que estou procurando, certo?
— O senhor está falando sobre o gatilho da Fase 2?
— Isso mesmo. Você sabe alguma coisa sobre isso?
— Não.
Diante da resposta firme, Jang Jin-woo estalou a língua suavemente. Ele não parecia gostar da atitude de Marvin, que não demonstrava nenhuma brecha.
— Se essa é a verdade, então não há nada que eu possa fazer, mas se você só está me afastando porque não gosta de mim, não faça isso. Afinal, nós dois não estamos sendo pagos para servir ao nosso país?
— ……
— Só estou dizendo para identificarmos quem é amigo e quem é inimigo.
Ele suspirou e se moveu em direção à porta. Justo quando parecia que ele passaria direto, ele parou abruptamente em frente a Marvin novamente.
— Kyotosajugupeong.
Diante da súbita frase arcaica, Marvin virou a cabeça para olhá-lo.
— Há um velho ditado que diz que, uma vez que você pegou todos os coelhos, você ferve o cão de caça. Mas eles não fazem mais isso hoje em dia. É um mundo onde você não pode simplesmente matar um cão, então eles apenas o abandonam em algum lugar.
Mais uma vez, a cor de suas íris mudou sutilmente. A mente de Marvin se agitou. Jang Jin-woo abaixou ainda mais a voz e disse como se estivesse sussurrando.
— Mas o triste é que esse cão de caça não sabe que foi abandonado.
Deixando o paralisado Marvin para trás, Jang Jin-woo caminhou de volta em direção à saída. Apesar de ouvir palavras tão insultuosas, Marvin não conseguiu impedi-lo. Ele avançou, e Marvin permaneceu congelado no lugar. As palavras mordazes direcionadas a ele revoavam em sua cabeça.
“Você é o único que não sabe que já foi abandonado.”
Seu estômago revirou. Mesmo sabendo que não poderia ser verdade, parecia que aquelas palavras estavam presas em algum lugar de seu coração.
Que… bobagem.
Mesmo assim, memórias piscaram rapidamente em sua mente. A última ligação do Vice-Chefe de Departamento Choi Hyung-il o incomodava. Não apenas o ponto de encontro não estava seguindo os protocolos básicos de inteligência, como o conteúdo também era vazio. Parecia que a pintura solicitada estava sendo deixada de lado.
Jang Jin-woo tinha exumado completamente aquela memória. Algo horrivelmente podre estava espiando para fora do poço.
— Ah, e eles pegaram a amante de Park Joo-sung, aquele que tinha morrido. Você ouviu?
Jang Jin-woo, que tinha pegado na maçaneta da porta, virou-se mais uma vez. Marvin ergueu a cabeça. Ele não teve tempo de esconder o olhar de emoções complicadas em seu rosto, mas Jang Jin-woo continuou sem dar importância a isso.
— Ainda não solicitei um mandado de prisão. Vou à delegacia amanhã para fazer algumas perguntas, gostaria de ouvir?
Diante da sugestão súbita, os olhos de Marvin se arregalaram ligeiramente.
— E mais uma coisa. O gatilho que foi injetado em Park Joo-sung, disseram que era o da Fase 2.
Jang Jin-woo, que tinha jogado bombas uma atrás da outra, sorriu suavemente como se estivesse deixando a decisão para ele, e passou pela porta. Era um convite para ir se estivesse curioso. Então, enquanto ele caminhava pelo corredor, o som dele fazendo uma ligação para alguém pôde ser ouvido.
— Sou eu, você está livre agora? Não, eu vou até você. É um pouco urgente.
Marvin não se moveu do lugar até que sua voz, que estava ficando cada vez mais distante, desapareceu completamente junto com o barulho do elevador.
A imagem residual dos sinais de rut ardendo em seus olhos quando ele se virou e a expressão em seu rosto enquanto dava pistas sobre o gatilho que foi injetado em Park Joo-sung permaneceram em sua mente ao mesmo tempo.
Ele achou que ele tinha vindo porque estava com raiva de ter sido rejeitado pelo Chefe de Gabinete, mas seu verdadeiro propósito era por causa do caso de que estava encarregado? Além disso, ele estava realmente entrando no rut. Se ele tivesse dito que aceitaria, ele estava realmente pensando em ser entretido?
Suas expectativas sobre ele continuavam errando o alvo. Ele sempre carregava arrogância por todo o corpo sempre que se encontravam… O fato de que tudo, uma coisa por uma, era na verdade sincero era impressionantemente desagradável.
O celular de Marvin vibrou em seu bolso.
「Como foi? Por que aquele pirralho louco foi embora do nada?」
A mensagem urgente de Yang Jin-man apareceu na tela.
— É o que estou me perguntando.
Marvin murmurou para si mesmo e acendeu um cigarro. Em seguida, encarou fixamente a entrada por onde Jang Jin-woo tinha saído por um tempo.
⇠αβΩ⇢
O vento de outubro estava varrendo as ruas. Como se um furacão fora de época estivesse prestes a soprar, redemoinhos de folhas secas e lixo estavam se formando por toda parte. Atrás das pessoas vacilantes que nem conseguiam enxergar direito, uma faixa tremulava.
「Procura-se testemunhas de atropelamento e fuga. 24 de agosto, por volta da 1h. Em frente ao cruzamento da Segwangro. Carro prata de médio porte. – Delegacia de Polícia de Oseong -」
Um dos nós se desfez porque o vento estava forte demais. Até o bastão de madeira fixado na ponta da faixa estava batendo na parede, causando um barulho ameaçador. Justo quando parecia que poderia atingir a cabeça de um pedestre, alguém correu para fora do portão principal da delegacia de polícia.
Era um policial de plantão. Ele envolveu o corpo com um casaco acolchoado e puxou a corda da faixa que estava dançando como se estivesse prestes a voar, fixando-a na parede. A faixa inflou bastante, como se estivesse se rebelando contra ser contida novamente.
— O tempoooo está loucooo.
O policial resmungou como se estivesse cantando, puxando a corda esticada. Ele olhou para a guarita uma vez porque não tinha mãos suficientes, mas o policial sunbae não parecia estar saindo.
Justo quando ele estava prestes a lutar contra o vento mais uma vez, a direção da força mudou de repente. Felizmente, alguém estava segurando a faixa. Graças a isso, ele amarrou a corda facilmente e desceu, limpando a sujeira de suas roupas.
— Oh, obrigado.
O homem aceitou o agradecimento com os olhos, sem dizer nada. O policial fungou e enfiou as mãos frias nas laterais do corpo. Ele se virou rapidamente, como se estivesse dançando a dança do Genghis Khan. Então, de repente, olhou para trás novamente.
Não havia razão. Ele só achou que o homem de antes chamava muito a atenção. Um homem no final dos seus 20 anos usando jeans e uma jaqueta militar grossa. Ele estava parado a cerca de 30 metros de distância do portão principal.
Ele era alto e tinha um bom porte físico, então, a princípio, ele achou que fosse um detetive, mas quando pensou sobre isso, não parecia ser o caso. Se ele fosse um funcionário da delegacia, não estaria parado ali sem entrar em um dia tão atroz. Parecia que estava esperando por alguém.
De qualquer forma.
Estou entrando.
— Ugh… que frio.
O policial correu para dentro da guarita de um pyung.
— Feche a porta direito. Por que o vento está soprando tão forte? Que tipo de comida devo pedir para você?
O policial sunbae, segurando um celular, perguntou.
— Vou querer carne de porco refogada. Argh.
Ele até ficou com o nariz escorrendo naquele curto espaço de tempo. O policial bloqueou o nariz com um lenço de papel e pressionou o rosto contra a janela da guarita. As janelas deveriam estar sempre abertas, mas o tempo estava ruim demais até para pensar nisso.
Uma mulher de meia-idade cruzando a rua do outro lado correu atrás de um cachecol que tinha sido levado pelo vento. Ele a manteve sob atento olhar por um tempo, preocupado de que ela pudesse sofrer um acidente.
Afortunadamente, os estudantes do outro lado o pegaram. Os estudantes começaram a correr para cruzar antes que o sinal mudasse. E bem naquele cruzamento, um carro de médio porte esperando para dobrar à esquerda chamou sua atenção.
Oh, um carro importado raro em um lugar como este. Ele teve um pressentimento. Com certeza, o carro deslizou direto para o portão principal da delegacia de polícia.
— Como posso ajudar?
O policial abriu imediatamente a janela da guarita e colocou o rosto para fora. O dono do carro, que tinha parado em frente à cancela, abaixou o vidro escuramente filmado e estendeu o braço. Ele estava segurando um cartão de acesso na mão. Foi como esperado.
— Ah, sim. Promotor-nim. Obrigado pelo seu trabalho duro.
O policial ergueu rapidamente a cancela. O dono do carro acenou com a cabeça e aceitou o cumprimento, depois olhou para trás.
— Vou estacionar e encontro o senhor no primeiro andar.
Ele se perguntou com quem ele estava falando, mas o homem de jaqueta militar de antes estava parado atrás do carro.
Ah, ele era da promotoria.
Naquele momento, outra rajada de vento soprou, e uma voz gritando “Mamãe!” foi ouvida de algum lugar na rua. Enquanto isso, o carro importado desapareceu no estacionamento, e o homem de jaqueta militar chegou à guarita. Mesmo que sua franja estivesse cobrindo seus olhos por causa do vento, seu nariz reto ficou visível.
— Tenho assuntos com a divisão de detetives.
Ele quis dizer perguntar se precisava mostrar algum tipo de identificação.
Ooh….
O policial admirou-se internamente. Agora que o via de perto, sabia por que ele chamava a atenção antes. Ele era alguém cujas roupas e atmosfera não combinavam. Ele estava usando roupas ultrapassadas que poderia ter comprado em uma queima de estoque, e parecia ter vindo de ônibus, sem carro, mas seus traços eram marcantes demais. Ele era como algum ator de Hollywood famoso por viver como morador de rua.
— Sim, pode entrar.
O promotor parecia ter falado de propósito para deixá-lo entrar, mas não havia necessidade de se dar ao trabalho de checar. Ele estava curioso sobre o que ele fazia, mas não era como se sua profissão estivesse escrita em seu documento de identidade. Depois de deixar o homem passar, o policial esticou o rosto para fora da janela para checar o exterior. Não havia outros visitantes.
Justo quando ele estava prestes a fechar a janela e erguer o corpo abaixado novamente, ouviu uma notícia bombástica vinda de trás.
— Ei, o restaurante de carne de porco refogada está fechado hoje?
O policial sunbae coçou a cabeça e balançou o celular.
— Hã?
Era impossível fazer entregas porque o tempo estava ruim. O policial, que tinha ficado pálido, abriu a boca. As impressões do visitante de antes desapareceram completamente de sua mente.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello