Capítulo 10
10 – Capítulo 10
Kim Do-jin tinha um ditado que repetia como um mantra no cativeiro.
— Como está a sua condição?
Ele perguntava isso toda vez que se encontravam, de manhã e à noite. Marvin não dava muita importância, já que ele era uma pessoa que costumava dizer coisas estranhas. Mesmo com as instruções dos superiores para monitorá-lo, ele não achava que fosse necessário ir tão longe.
Afinal, as negociações tinham terminado do jeito que ele queria. Não havia razão para ele fugir e, mais importante, o dinheiro ainda não tinha sido transferido. Portanto, ele julgou que ele não faria nada precipitado. Uma pessoa que tinha ido tão longe a ponto de fazer isso com o governo não iria simplesmente se preocupar com sua segurança e se esconder.
— Quando eu voltar para a Coreia, vou realmente viver uma vida normal. 7 bilhões de won é uma boa quantia para começar de novo. Você deveria ir comigo para a Ilha de Jeju e morarmos juntos. Se você e eu continuarmos vivendo assim, não vamos morrer de velhice.
À medida que a transferência dos esquemas do novo medicamento se aproximava do fim, ele ficava cada vez mais animado. Parecia satisfeito com a quantia que receberia como intermediário. Ele disse que se aposentaria de seu cargo como agente e viveria na Ilha de Jeju. E continuou tentando trazer Marvin para isso.
— Aposentadoria é algo que você está fazendo sozinho, veterano. Eu só estou executando uma operação.
— Mas você se voluntariou, não foi? Você veio porque estava preocupado comigo?
— De forma alguma.
— Qual é, você estava preocupado. Ouvi dizer que você insistiu com o Primeiro Vice-Chefe de Departamento Choi que viria no lugar de enviar o pessoal do NIS em Genebra. Você disse que me conhecia bem e que não haveria problemas.
Não foi Marvin quem insistiu, mas o Primeiro Vice-Chefe de Departamento Choi Hyung-il. Como Kim Do-jin era veterano de Marvin, ele apenas mandou Marvin ir. Ele insistiu em Marvin, até interrompendo a operação que ele estava realizando em Berlim, dizendo que Marvin era alguém que ele estimava tanto que não haveria como fazer qualquer tolice.
Marvin sabia que isso se devia puramente ao orgulho pessoal de Choi Hyung-il. Ele não podia deixar o NIS limpar uma bagunça feita por alguém que esteve sob seu comando.
Marvin veio para a Suíça com três pesquisadores que tinham sido despachados com urgência da Coreia. A transferência de tecnologia começou no primeiro andar do cativeiro, e Do-jin segurou a amostra mais importante até o fim. Ele sorriu com deboche, dizendo que a daria a Marvin diretamente quando recebesse o dinheiro. Até então, Marvin não tinha ideia do que estava prestes a acontecer.
— Marvin, quanto dinheiro você economizou? Eu deveria te dar cerca de 1 bilhão de won quando isso terminar?
No início, era 1 bilhão de won, depois diminuiu para 500 milhões de won e, finalmente, ele disse que lhe daria a metade. Cada vez, Marvin perguntava o porquê, e a resposta era sempre a mesma.
— Acho que você vai precisar. Você terá muito mais no que gastar dinheiro agora. Mas eu vou cuidar de tudo. Ah, estou realmente tão feliz por você ter vindo. Nosso Marvin é tão gentil. Você vai agir como um novato até o fim, mesmo eu estando neste estado.
Porra, ele é tão atraente.
A raiz do problema foi que Marvin não tinha sido desconfiado o suficiente de Do-jin naquela época, quando ele estava resmungando como alguém com um parafuso a menos. Ele tinha sido desleixado demais. Foi ainda mais assim porque ele não era um estranho, mas um veterano que ele conhecia desde que era um estagiário.
Ele esteve ciente de que Do-jin nutria sentimentos pessoais por ele, mas tinha ignorado consistentemente, confiante de que eles não teriam nenhum impacto sobre ele de qualquer maneira. Ele pensou: o que ele poderia fazer, já que ele era um alfa e Marvin também era um alfa. Isso foi arrogância.
Baaaang—
O barulho alto que assaltou seus tímpanos puxou Marvin de volta à realidade. Alguém estava buzinando repetidamente. Marvin franziu a testa e abriu os olhos. O som estava vindo de dentro de seu próprio carro.
Isso é estranho. Ele parecia ter adormecido, ou talvez tivesse perdido a consciência por um momento. Ele devia ter ficado debruçado sobre o volante por bastante tempo. Enquanto Marvin lutava para se erguer, ele viu um sinal de trânsito.
Ah, ele esteve esperando em um cruzamento para o sinal mudar….
Ele não conseguia se lembrar de nada depois disso. Ele estava com uma febre alta. Seu corpo estava pesado e tonto, então ele apoiou a cabeça no encosto de cabeça e deu uma respiração profunda. As memórias que estiveram preenchendo a mente de Marvin lentamente e de forma desagradável se dissiparam.
Por que ele de repente pensou naquela época? Não é como se ele pudesse exigir indenização de alguém que já estava morto.
A operação tinha terminado em fracasso. Houve um acidente, e o governo coreano falhou em receber a amostra, que era a condição mais importante da negociação. Quando ele mal conseguiu sobreviver e pisou no Aeroporto de Incheon, o Primeiro Vice-Chefe de Departamento Choi Hyung-il estava lá para recebê-lo. E ele pegou de volta seu crachá de agente do Serviço Nacional de Inteligência. Marvin desceu direto para Oseong, e tudo o que restou foi um corpo fraco que não conseguia nem dirigir direito sem supressores.
Tóc, tóc.
Alguém estava batendo na janela do lado do motorista.
— Abra.
A voz de um jovem foi transmitida de forma abafada para dentro do carro. Marvin virou a cabeça fracamente em direção à janela. Lá, uma pessoa inesperada estava parada com uma carranca no rosto.
Por que essa pessoa está aqui de novo…?
Enquanto ele encarava com o olhar vago, o homem bateu na janela novamente. Desta vez, ele bateu mais forte.
Ele deveria ficar aliviado por conhecer a pessoa? Não, ele poderia sequer dizer que o conhecia?
Ele era alguém que não tinha interesse nos assuntos dos outros de qualquer maneira. Ele tinha claramente sabido de sua situação na delegacia de polícia, mas tinha fingido não saber e ido embora sozinho. Ele não sabia que tipo de travessura ele estava tentando aprontar ao interferir de novo.
Ao mesmo tempo, ele se sentiu ridículo. Ele esteve secretamente guardando rancor dele por não tê-lo ajudado. Mesmo naquela dor e confusão, ele esteve preocupado com coisas tão triviais.
Tóc. Tóc. Tóc.
A intensidade das batidas na janela estava aumentando gradualmente. A esse ritmo, a porta do carro quebraria. Marvin estendeu a mão por cima do acabamento da porta e pressionou o botão de destravar. Ao mesmo tempo, ele se sentiu desmaiar. Como se tivesse atingido seu limite, seus olhos se fecharam por conta própria.
Imediatamente, ele ouviu o som da porta se abrindo e a voz do homem.
— Você é realmente inacreditável.
Ele parecia um pouco irritado, mas não disse mais nada. Logo depois, algo duro tocou seu rosto, e seu corpo flutuou no ar. Sua consciência desapareceu.
⇠αβΩ⇢
Quando abriu os olhos, ele estava em uma sala de emergência de um hospital. Marvin viu uma bolsa de soro no seu lado esquerdo, pingando líquido lentamente. Ele sentiu que iria viver, agora que sua febre tinha baixado um pouco. Seus braços e pernas estavam adormecidos e difíceis de mover, provavelmente porque ele esteve sofrendo com uma febre alta.
Uma enfermeira que esteve fazendo outro trabalho ao longe notou que Marvin tinha acordado e se aproximou rapidamente, checando mecanicamente sua condição.
— Nome?
Marvin apenas encarou com o olhar vago. Ela falou rápido demais, e ele perdeu o tempo de responder. Ela perguntou novamente, como se estivesse frustrada.
— Nome. Nome do paciente.
— Ah, Kim Marvin.
A enfermeira comparou o nome com a etiqueta presa à cama.
— Você chegou inconsciente. Tomou um antitérmico e uma bolsa de soro. Tem algum outro desconforto agora?
— Não, na verdade não.
— Mais tarde, quando o médico encarregado vier, você pode ouvir a explicação e receber alta se ele disser que está tudo bem. Se o seu acompanhante vier, peça para ele ir ao caixa pagar a conta médica.
— Acompanhante?
Marvin perguntou, parecendo confuso, e a enfermeira olhou ao redor.
— Eles vieram com você. Não estão aqui agora?
Então, sem nenhum apego prolongado, ela foi para outro lugar. Ele olhou para a hora e viu que eram 7:30 da manhã. Ele devia estar dormindo há mais de uma hora.
Marvin percebeu quem era a pessoa a quem a enfermeira estava se referindo como seu acompanhante. Ele poderia simplesmente tê-lo deixado na entrada do hospital, mas parecia que tinha ficado ao seu lado.
Inesperado.
Como ele o deu entrada? Ele memorizou o nome dele? Seu documento de identidade devia estar em sua carteira. De qualquer forma, como a enfermeira não tinha demonstrado nenhuma dúvida em particular, o ocupante desta cama era de fato Kim Marvin.
Ele se sentiu estranho. Já fazia muito tempo desde a última vez que tinha usado seu nome verdadeiro em um hospital. O nome que tinha usado na Suíça durante sua última missão já tinha sido marcado como falecido, e ele tinha usado um pseudônimo até mesmo no hospital do exército que visitava ocasionalmente quando voltou para a Coreia.
Ele tinha começado a viver com esse nome novamente na época em que começou a morar em Oseong. Mesmo assim, não era um nome particularmente útil. Ele estava em uma situação em que não conseguia nem mesmo um único supressor que os outros tomavam como garantido.
E sempre vinha com perguntas como uma etiqueta. Por que seu nome é assim, ou você morou no exterior?
Na realidade, era um nome dado a ele por uma freira que ele nem conhecia. Dizia-se que era um bom nome para ser adotado no exterior, mas não era muito popular lá fora porque era um nome que já tinha saído de moda há muito tempo.
Claro, ele também não sabia quem eram seus pais biológicos. Todos os bebês de cio recebem o sobrenome Kim. Talvez por ser um nome concluído dessa forma, Marvin sempre sentiu que seu nome verdadeiro era de alguma forma estranho.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello