Capítulo 77
— Ah, é mesmo. Ele foi para o centro de pesquisas. Deve estar bem. Disseram que deixariam que ele entrasse em contato com a família assim que chegasse. Não era nada demais, mas as coisas saíram do controle porque vocês trouxeram a polícia.
Eles tinham ouvido que seria apenas um trabalho simples de escolta. Mas, uma vez no local, o briefing fora zero. Ainda assim, a cliente insistira para que aplicassem as drogas nele, tirassem fotos e o entregassem dentro de exatamente três horas. Não havia muita escolha.
Acabaram batendo nele algumas vezes. Os membros da equipe não eram treinados em persuasão e negociação, então seus punhos vinham primeiro. Depois disso, o homem do outro lado da mesa já sabia o resto. Ele ficou para trás para limpar a bagunça, por ser o novato do grupo, e dera o azar de esbarrar com os policiais.
— Vocês sempre agem de forma tão desleixada?
Normalmente não era assim. Havia uma equipe separada que costumava lidar com esse tipo de trabalho, mas algo surgira, então eles foram contatados no último minuto. A agência deles andava com pouco trabalho ultimamente, então pegaram o serviço como um favor, sem jamais esperar que acabariam tirando fotos de um homem Beta nu.
— A cliente era uma mulher, você disse?
— É. O primeiro trabalho foi ir até a casa daquele cara. Ela nos escolheu porque falávamos russo. Usar uma língua estrangeira confunde o alvo e reduz as chances de que eles relatem algo mais tarde, então às vezes essa opção é solicitada. Mas o cara realmente nos entendeu, o que foi surpreendente.
Nada no trabalho saíra como esperado. Ninguém antecipara uma resistência tão feroz, e todos na equipe se machucaram. Ele acabou com uma cicatriz no rosto, e o líder da equipe deslocou o ombro.
Tinham ouvido que ele não era um civil e para tomarem cuidado, mas ficaram convencidos demais, contando com a vantagem numérica.
— Qual é o nome da cliente?
Lá estava. O jovem hesitou, ponderando se deveria revelar a última carta que guardava. Estava claro que era por isso que o outro homem viera. O problema era que ele também não sabia o nome da cliente. Mas duvidava que o homem simplesmente desistiria.
Em breve, provavelmente lhe diriam para conectá-lo a alguém de cargo mais alto. Isso seria uma amolação.
O jovem amassou a embalagem vazia do hambúrguer e a jogou na bandeja. Em seguida, mexeu no telefone, testando o terreno.
— Eu não sei o nome, mas tenho uma foto.
Com isso, os olhos do homem brilharam de interesse.
— Não é um shot frontal completo, mas é clara o suficiente para reconhecer… Mas se eu te mostrar isso, acabou, certo? Você não vai vir atrás de mim de novo?
— A menos que surja mais alguma coisa, não temos motivo para nos cruzarmos.
Não era a resposta mais reconfortante. Mas o jovem não queria escalar nada agora. Ele abriu o telefone e mostrou a foto. A expressão do homem não mudou. Ele transferiu rapidamente a imagem para o próprio telefone via Bluetooth.
— Você a conhece?
— Não. Mas vou conhecer.
Ele ampliou a foto, cortou-a e fez uma busca reversa por imagem na internet. Uma lista de rostos semelhantes apareceu, e ele clicou em um deles. Era uma matéria de jornal.
— É, parece uma correspondência perfeita.
O jovem olhou para ele. O homem encarava a imagem da notícia com uma expressão grave.
— Quem é o cara ao lado dela? Um político?
Era um artigo sobre a Casa Azul. A mulher, presumivelmente a cliente, assistia a um evento governamental com uma expressão cansada. O homem ao lado dela, claramente o sujeito da matéria, aparecia em destaque.
— Ah, parece alguém da secretaria presidencial.
A matéria listava os cargos e nomes de vários funcionários da secretaria. Nenhum deles tinha nomes que parecessem femininos, mas estava claro que ela agia sob as ordens de alguém.
“Quem diria que seria tão fácil descobrir?” O jovem se remoeu por não ter passado a foto por uma busca ele mesmo.
— Então agora é uma briga entre agências governamentais? Poxa, até os burocratas vivem no perigo. Ei, quer contratar um prestador privado enquanto está nisso? Sem taxas de empresa. Te dou um desconto.
O homem não respondeu. Ele se levantou como se a conversa estivesse encerrada.
— Se ela te der outro trabalho, entre em contato comigo.
Ele digitou seu número no telefone do jovem e o devolveu. O jovem fez mais uma investida de vendas.
— O nosso sinal padrão é de 40%, mas faço 30% para você. E se falharmos na missão, não cobramos o saldo. É o quanto confiamos no nosso trabalho.
Ele sabia que esse pessoal só lidava com dinheiro vivo, então já ajustara a proposta. Achou que não era nada mal. Mas o homem apenas sorriu, como se aquilo nem valesse uma resposta.
— Me avise se ela contatar você de novo.
E com isso, ele se afastou. Era um sinal claro: “Não preciso negociar com você.” Ele acreditava que poderia obter o que queria sem pagar um único centavo.
— “Ah… Puta que pariu”, o jovem resmungou, mas não disse mais nada. Agora que sabia o histórico do homem, ficou ainda mais cauteloso.
Diziam que os Ravens podiam matar pessoas e o governo ainda cobria a ficha deles. As informações pessoais que o homem deixou escapar mais cedo… provavelmente eram uma ameaça velada. Perceber isso tirou todo o seu pique.
— O que está alugando um triplex na sua cabeça há tanto tempo?
Jang Jin-woo olhou para Marvin, que esteve imerso em pensamentos, folheto em mãos. À sua voz, os olhos distraídos de Marvin retornaram ao presente. No estande ao lado deles, um vídeo institucional da empresa passava em loop. Ele já ouvira a frase “tecnologia médica avançada para um futuro melhor” pelo menos vinte vezes.
— Não é nada. Vamos.
Marvin checou o número do estande e começou a caminhar à frente. Mas sua mente ainda estava ocupada com as informações soltas pelo operativo da PMC dois dias atrás. Infelizmente, ele ainda não compartilhou tudo com Jin-woo — especialmente os detalhes sobre a cliente.
Afinal, Lim Sang-wook, o Chefe da Secretaria Presidencial, era um ex-promotor. Se Marvin pudesse nomear a cliente, e se ela revelasse alguém sob a autoridade dele, não seria fácil tocar no assunto, principalmente para Jang Jin-woo.
— Você está viajando de novo.
Com o comentário repetido de Jin-woo, Marvin recompôs sua expressão.
— Desculpe. A seção J está por aqui.
De acordo com o guia, todas as empresas farmacêuticas estavam localizadas no lado norte do Pavilhão A. Pelo caminho, receberam mais folhetos. A saúde digital era claramente a tendência. Os primeiros blocos perto da entrada estavam repletos de empresas promovendo IA e sistemas de diagnóstico automatizados.
— Tem muita coisa interessante.
Alguns estantes tinham grandes multidões. O mais popular oferecia testes de características gratuitos. Eles tiravam uma amostra de sangue e forneciam os resultados instantaneamente. A probabilidade de manifestação, o tipo e até uma linha do tempo aproximada.
Havia também estandes onde era possível experimentar amostras de futuros aromas de feromônios ou ver previsões geradas por IA de como a aparência de alguém poderia mudar com base no seu tipo de característica. O mercado da vaidade para Betas que esperavam se tornar portadores de características estava fervilhando no mundo médico.
— Acho que deveríamos começar por ali, a partir do estande J21.
Marvin apontou para uma fileira mais silenciosa. Os estandes variavam de grandes empresas farmacêuticas a novos empreendimentos de biotecnologia. Era por isso que estavam ali hoje.
Uma exposição de tecnologia médica.
A “reunião” de Jang Jin-woo com o especialista em características fora, na verdade, uma caminhada pela exposição juntos. Se você quisesse informações de uma pessoa específica, tinha que explicar quem era e por que estava perguntando. Era arriscado. Era mais seguro se passar por investidores e coletar dados de várias fontes.
Os pesquisadores responderam educadamente às perguntas e depois se esqueceriam delas até o final do dia. A maioria dos estandes tinha pelo menos um membro da equipe bem informado, então havia algum grau de especialização garantido.
Era por isso que Jin-woo perguntara se Marvin queria vir. Duas pessoas fingindo ser de uma empresa de capital de risco médico pareciam mais convincentes.
— Olá, nós somos a HumanInfo.
Um jovem representante deu um passo à frente e entregou a Marvin um conjunto de marca-textos e um folheto. A HumanInfo era uma empresa de venture capital parceira da Universidade de Medicina Donghwa. Eles analisavam genes de características como um projeto do genoma e criavam mapas genéticos. Após apenas dois anos, já haviam entrado na captação de recursos da Série A.
O que se destacava era a afirmação de que os genes de características poderiam regular os ciclos de heat. Ao manipulá-los, eles acreditavam que seria possível encurtar ou prolongar o ciclo. Em suma, seu objetivo era desenvolver um medicamento de controle do ciclo de heat que superasse os supressores. Isso despertou o interesse de Marvin.
— Gerente Jang, dê uma olhada neste aqui.
Marvin adicionou um cargo ao nome de Jin-woo. Soava mais natural do que chamá-lo apenas pelo nome. Jin-woo aproximou-se com uma cara de profunda relutância.
O representante do estande os recebeu com um sorriso radiante.
— Olá, nós somos a HumanInfo. Gostariam de uma breve explicação?
— Sim, por favor, explique para o nosso chefe de divisão aqui. Eu só vou escutar de canto.
Jin-woo jogou Marvin nos holofotes com um sorriso de canto. Marvin fez uma careta. “Chefe de divisão”? Aquilo o fazia sentir um coroa. Ele lançou a Jin-woo um olhar de protesto silencioso, mas o homem fingiu não notar.
Alheio à dinâmica, o representante os guiou timidamente até uma mesa com um tablet em exibição. Outros funcionários dentro do estande, que estavam ociosos, animaram-se com a chegada dos visitantes.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello