Capítulo 75
Marvin foi completamente pego de surpresa. Sem ao menos um momento para reagir, entregara seus lábios a ele novamente. Segurando o guarda-chuva, Marvin olhou para o banco do motorista. Jang Jin-woo o observava com calma e simplesmente inclinava a cabeça, perguntando se ele não ia entrar.
Parecia que fora feito de brinquedo, mas o beijo fora tão bom que ele nem sequer conseguia se forçar a ficar zangado.
“Isso é loucura.”
Ele dissera que era a primeira vez que fora rejeitado. Estaria fazendo isso por teimosia? Ou apenas o beijara por impulso? E o que queria dizer com “não me faça esperar muito”? Era a sua maneira de dizer: “Me avise sempre que tiver vontade”? Centenas de pensamentos se fragmentavam em milhares de vozes dentro da cabeça de Marvin.
O frio há muito desaparecera. O tom azulado e pálido que drenara de seu rosto retornara em um rubor, e suas bochechas, antes geladas, recuperavam o calor. Deveria agradecer por tê-lo aquecido?
Incapaz de esconder seus sentimentos emaranhados, Marvin soltou um suspiro profundo. Justo quando estava prestes a entrar no carro, ouviu a voz do investigador novamente. Desta vez, estava mais perto.
— Promotor!
Mesmo vendo o homem correr na direção deles, tudo em que Marvin conseguia pensar era se ele testemunhara o beijo ou não. Conforme o investigador se aproximava e acenava levemente para Marvin, pareceu que ele realmente não vira nada.
— Terminou de verificar a cena?
Jang Jin-woo abaixou o vidro do motorista.
— Sim. Definitivamente parecia que a pessoa desaparecida esteve lá… mas o lugar estava tão limpo que foi um pouco estranho. O telefone dele desligou antes de chegar a Seul. Não pode mais ser rastreado, então, se quiser continuar a investigação, estão pedindo para que o senhor abra um boletim de ocorrência formal de desaparecimento.
— Qual jurisdição cuidaria disso?
— Como a última localização conhecida é Oseong, terá que ser processado aqui.
Houve um leve estalo de língua; talvez ele não estivesse muito confiante nisso.
— Entendido. Obrigado pelo seu trabalho. Você deveria voltar e descansar.
— É, que dia miserável. Tenha cuidado ao voltar também. Seu amigo aqui também trabalhou duro. Se cuida.
Marvin, pego de surpresa, fez uma pequena mesura. Só então se deu conta de que aquele era o mesmo investigador que garantira sua identidade na delegacia mais cedo naquela manhã. Parecia que ele passara Marvin como um “amigo”.
Ele fechou o guarda-chuva e entrou no carro. Graças a Jin-woo ter ligado o aquecedor com antecedência, o interior estava acolhedor.
— Você conhece alguém que possa fazer o boletim de ocorrência de desaparecimento? Não seria ideal que o seu nome estivesse nele, Sr. Kim Marvin.
Jang Jin-woo fivelou o cinto de segurança enquanto falava. Para alguém que acabara de roubar um beijo, ele estava composto demais.
— Sim, Nam Jin-yong. Lembra do funcionário do hotel que o senhor chamou comigo durante o caso do Park Ju-seong? Ele e Oh Jae-young são próximos. Se eu pedir a ele, tenho certeza de que o fará.
— Certo, então começaremos o processo logo cedo pela manhã. Você vai trabalhar amanhã?
— Provavelmente.
— Eu mesmo vou entrar mais tarde, então vamos ambos descansar um pouco por enquanto. Você parece exausto.
Ele deu partida no carro e dirigiu a um ritmo constante. Não precisava olhar para Marvin para perceber que tipo de expressão ele ostentava. E não estava errado.
Talvez porque seu corpo estivesse se aquecendo agora que a tensão relaxara, mas a sonolência atingiu Marvin como uma onda. No momento em que o carro alcançou o sopé da montanha, ele já adormecera completamente.
Quando chegaram ao estacionamento subterrâneo do edifício, Jin-woo o sacudiu para acordá-lo. Marvin nem percebera que adormecera. Piscando devagar, olhou ao redor, finalmente entendeu onde estava e saiu.
Enquanto esperavam pelo elevador, Jin-woo olhou de relance para Marvin, que se curvava de cansaço.
— Você não parece nada bem. Um banho de imersão seria melhor do que um chuveiro.
Marvin ergueu a cabeça. A única banheira da casa ficava no banheiro conectado ao quarto de Jin-woo.
Não era uma proposta ruim, mas…
— Não se preocupe, não estou tentando nada. Se não se sentir confortável, pode dormir em outro quarto hoje à noite.
— Não, não foi isso que eu quis dizer. Obrigado. Vou usar o banheiro, então.
Não havia sentido em reagir exageradamente a algo tão pequeno. Ele aceitaria a gentileza pelo seu valor exato. Justo como Jin-woo dissera, ele queria arrancar as roupas molhadas que grudavam em seu corpo e afundar em água quente.
Já passava de 1h da manhã. Marvin tirou o casaco na entrada e foi direto para o banheiro do quarto de Jin-woo.
A água quente jorrou na banheira. Antes mesmo que estivesse cheia, ele deslizou para dentro e reclinou-se. Fechou os olhos, sentindo a água subir e envolvê-lo.
— Ufa…
Ele exalou profundamente, passando as mãos quentes pelo rosto. O frio que estivera rastejando ao redor de sua testa e nariz pareceu ceder um pouco.
Ficou de molho por um tempo, deixando o cansaço derreter. Após algum tempo, a porta do banheiro se abriu e Jin-woo entrou. Ele claramente já usara o outro banheiro, agora vestido em roupas confortáveis de treino.
Jin-woo parou em um ângulo cuidadoso, evitando qualquer vista direta do corpo nu de Marvin, e olhou na direção dele.
— Disseram que o rapaz chegou em segurança à delegacia. Ele disse que estava apenas passando o tempo porque estava deprimido após falhar em conseguir um emprego. Provavelmente uma mentira, mas ele será liberado até amanhã à tarde. Sem acusações criminais.
Ele nem sequer disse “com licença”. Invadira o espaço pessoal de Marvin como se fosse a coisa mais natural do mundo. Observava enquanto gotas caíam dos longos cílios e do nariz de Marvin.
— Entendo. Amanhã à tarde. Obrigado.
Marvin imaginou que Jin-woo viera repassar a informação, já que ele pedira. Mas Jin-woo encostou-se no batente da porta, de braços cruzados, e continuou:
— Quer ir a Seul comigo neste sábado? Marquei uma reunião com aquele especialista em características que mencionei.
O banheiro estava tomado por névoa, mas o olhar de Jin-woo alcançava Marvin sem distorção. Sentindo-se exposto, Marvin não conseguia se forçar a mudar de posição.
— Se o senhor não se importar com a minha presença.
— Não me importo. E tenho negócios na Promotoria do Distrito Oeste na segunda-feira, então ficarei no meu apartamento em Seul durante o fim de semana.
— Então voltarei sozinho no sábado.
Jin-woo soltou uma risadinha diante da resposta excessivamente formal de Marvin.
— Claro, se você insiste.
Ele parecia dizer: “Para que toda essa formalidade?” Mas Marvin não via razão para ficar no apartamento de Jin-woo em Seul. Ainda assim, soava estranho, como se estivesse impondo limites contra uma cantada que nem sequer acontecera.
— Seu ombro cicatrizou bem.
Jin-woo olhou de relance para a área onde Marvin fora ferido durante o último ataque. O músculo rasgado há muito fora suturado, e mal restava uma cicatriz. Naquela época, achara que apenas não ser expulso já era o bastante, e no entanto, aqui estava ele, usando confortavelmente o banheiro principal. O pensamento o atingiu de repente.
Havia algo que ele precisava recuperar.
— Promotor, o senhor ainda está com a minha arma?
Ele a entregara na pressa, mas, tecnicamente, ela não deveria estar em mãos civis. Jin-woo assentiu sem hesitar.
— Vou deixá-la sobre a escrivaninha. Certifique-se de guardá-la após o banho.
Ele deslizou as mãos para os bolsos, prestes a sair, e então acrescentou:
— Um favor. Não faça uma cena se pegar aquele cara amanhã. Seu rosto está ficando conhecido demais. A polícia está começando a ficar desconfiada.
Isso também estivera na mente de Marvin.
— Sim. Não pretendo fazer nada chamativo por um tempo.
Jin-woo assentiu e deixou o banheiro. A porta estalou ao fechar, e Marvin ficou sozinho novamente. O ar quente que escapara agora preenchia o espaço lentamente de novo.
Marvin puxou o cabelo para trás e soltou o ar que esteve segurando. Não percebera o quão tenso estivesse. Sempre que Jin-woo cruzava uma linha de forma tão casual, ele nunca sabia como reagir. Se erguesse uma parede todas as vezes, sentia que estava fazendo uma tempestade em um copo d’água; mas se aceitasse, estaria apenas dando a Jin-woo exatamente o que ele queria.
— Que inferno… seriamente. Isso está me afetando.
Marvin afundou devagar sob a água. Mas isso se provou uma péssima ideia. Assim que fechou os olhos, o beijo voltou à sua mente. O movimento da língua macia de Jin-woo, a forma como sua mão acariciara a parte de trás de sua cabeça. Naquele ritmo, acabaria fazendo algo na banheira de Jin-woo.
Para dizer a verdade, ele estava semiereto desde mais cedo. Era apenas uma reação natural para um homem adulto banhando-se em água quente.
Marvin deslizou a mão para baixo e tocou a si mesmo devagar, aumentando gradualmente a estimulação. Era o desejo familiar e instintivo de um Alfa. O lubrificante vazava por trás, mas ele não se importava.
A pessoa contra quem ele queria se esfregar, mover-se junto, já era clara. Apenas pensar nele fazia um pequeno gemido escapar. Sexo com o homem capaz de fazê-lo se masturbar apenas com um beijo — de jeito nenhum poderia ser ruim, mesmo na fantasia. Em pouco tempo, o sêmen turvo se espalhou pela banheira. Marvin, agora drenado e relaxado, flutuava como uma boia na água.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello